sexta-feira, 21 de julho de 2017

Se morrer pecando ainda está garantido na salvação?

A turma do “Uma vez salvo salvo para sempre” andou por aí dizendo que se morrermos pecando, isso não privará o eleito da salvação. Segundo os tais paladinos da hermenêutica calvinista brasileira, a salvação que é da graça não poderá ser anulada pelo pecado, e a morte no pecado não cancelará esta dádiva da graça.
Tenho duas perguntas a fazer aos tais expoentes e ao seus jovens seguidores, que facilmente se deixam arrebatar por suas elucubrações, ao invés de imitarem aqueles antigos crentes bereanos:
1. Se um homem crente morrer em cima de uma cama, durante um ato sexual com uma mulher prostituta, este homem vai para o céu? Se Jesus Cristo voltar na mesma hora – ele pode voltar a qualquer instante! – em que este homem estiver traindo a sua esposa, ele receberá o corpo glorificado e subirá ao encontro de Cristo mesmo assim? Esta é só uma situação hipotética, mas muito provável – muito factível, na verdade! – dentre muitas outras situações que poderia propor aqui.

2. Já que essa turma se acha tão boa de exegese bíblica, como, diante de suas declarações públicas, eles explicariam esse texto de Lucas, com palavras do próprio Senhor Jesus Cristo:
“Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos. Sabei, porém, isto: que, se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa. Portanto, estai vós também apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais. E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parábola a nós, ou também a todos? E disse o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá. Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e SEPARA-LO-Á, E LHE DARÁ A SUA PARTE COM OS INFIÉIS. E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá” (Lucas 12.35-48)
Depois que levantamos a acusação histórica de que esta teologia predestinacionista (incondicional) abre as portas para a libertinagem, ficam achando ruim. Mas de que outra forma poderíamos classificar aquela falsa teologia de que “uma vez salvo, salvo para sempre”, mesmo que você morra pecando? Se Davi tivesse essa convicção, ele não precisaria ter orado em lágrimas e gemidos a Deus, após os pecados de adultério e homicídio, dizendo “Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” (Sl 51.11). De que servem então as muitas advertências bíblicas sobre vigilância e prudência constante?
De que adiantou Pedro ter dito: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8)?! Afinal, o diabo pode ou não pode tragar um servo de Deus que não guardar vigilância e sobriedade? Não são arminianos ou luteranos ou católicos que dizem… É a Bíblia que diz: “SEM SANTIFICAÇÃO NINGUÉM (NINGUÉM MESMO!) VERÁ O SENHOR” (Hb 12.14).
Nem eleito, nem não eleito, nem padre, papa, pastor, reverendo, teólogo, homem ou anjo… Sem santificação NINGUÉM VERÁ A DEUS! Quem subirá o monte santo do Senhor, caros escribas calvinistas? Quem habitará no monte santo de Deus? Como os salmistas responderam a essas perguntas lá atrás?
Ah, mas o eleito já tá garantido! E é? Então rasgue isso da sua Bíblia também:
“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” (2 Pedro 1.10).
Senhor, é hora de levantares os teus profetas outra vez, porque os sacerdotes e escribas se têm corrompido!

Gospel Prime

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Como ler a Bíblia?

Pegar o livro. Abrir o livro. Ler. Pensar: “Nossa, como isso é profundo!”. Fechar o livro. Guardar o livro. Se afastar do livro. Esquecê-lo por algum tempo… Retomar o processo.
Essa tem sido a rotina de leitura bíblica de muitos cristãos. Simplesmente indiferente ao conteúdo das Escrituras. Recorrem à ela como um manual de como viver a vida, ou um livro de autoajuda que apenas serve para “fazer com que eu me sinta melhor”. Pior ainda, vão as Escrituras como ela fosse um grimório onde se encontram porções mágicas para ser feliz, ou ser bem-sucedido. Para conseguir um relacionamento, e coisas do gênero.
A Escritura é a palavra de Deus. Ela mesma dá testemunho de si como autoridade e meio pelo qual o homem deve guiar seu caminho: “Toda a Escritura é inspirada por deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. 2 Timóteo 3:16. Este texto fala claramente da instrumentalidade das Escrituras Sagradas, como palavra de Deus inspirada. O termo “inspirada” (θεόπνευστος) significa literalmente “soprada, ou aspirada por Deus” indicando sua procedência. Todavia esse texto está se referindo a todo o Escrito do antigo testamento. Como pois poderíamos atestar a inspiração do novo testamento? O próprio NT também oferece testemunho quanto à sua autoridade. Em sua primeira carta à igreja de Tessalônica, Paulo dá graças porque eles receberam seus escritos “não como simples ensino de homens, mas sim como, em verdade é, a Palavra de Deus”. 1 Tessalonicenses 2:14 KJV.

Pedro em sua segunda carta diz: “Ele [Paulo] escreve do mesmo modo em todas as suas epístolas, discorrendo nelas sobre esses assuntos, na quais existem trechos difíceis de entender, os quais são distorcidos pelos ignorantes e insensatos, como fazem também com as demais Escrituras para a própria destruição deles. 2 Pedro 3:16 KJV. O apóstolo coloca os escritos de Paulo no mesmo nível das Escrituras do antigo testamento. Vale lembrar que Pedro era um judeu, que tinha alto apreço pela Palavra do Senhor, logo, estamos diante do comentário de alguém bastante criterioso no que tange a discernir o conteúdo inspirado das Escrituras, além de ser também um apóstolo que está sendo usado para lançar os fundamentos da fé.
Tudo isso nos remete a entender que a Bíblia que temos em mãos, é sem dúvida, a Palavra do nosso Deus. O puritano Thomas Watson afirmou que: “Em cada linha que você lê, imagine Deus falando com você”[1]. Ler as páginas sagradas deve nos levar à um alto apreço para com Deus e principalmente, em considerar seus mandamentos e princípios abordados nas Escrituras.
Todavia há alguns aspectos quanto a Palavra de Deus que devem ser compreendidos para que possamos ter uma melhor compreensão sobre ela.

A Bíblia é um livro humano

Há três correntes de pensamento quanto a inspiração do Texto Sagrado; aqueles que afirmam que ela foi inspirada mecanicamente, dinamicamente e organicamente. Essas três linhas de raciocínio discutem sobre como o processo de revelação aconteceu.
Deus é um ser infinito. Nós, finitos. Logo a distância entre Deus e nós, por si só, dificulta a comunicação entre as partes. Todavia, como afirma Calvino[2]: “Todo verdadeiro conhecimento de Deus decorre do fato de que Deus, em sua misericórdia, houve por bem revelar-se”. Isso é o que chamamos de doutrina da acomodação, onde Deus em sua infinita grandeza, se acomoda a linguagem limitada humana, com o fim de manter contato com sua criatura. A confissão de Fé de Westminster, a falando sobre o pacto de Deus com o homem, lança luz sobre essa questão, quando afirma: “Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como ao seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual foi ele servido significar por meio de um pacto”[3].
Através disso compreendemos que, Deus se valeu em primeiro lugar de sua boa e graciosa vontade para se revelar ao homem, e em segundo lugar, através da Escritura, que fora escrita por homens inspirados por Deus para essa tarefa. Mas como correu essa inspiração?

I.I Inspiração mecânica

Os adeptos dessa corrente de pensamento, afirmam que as Escrituras foram ditadas pelo Espirito Santo, de modo a anular a mente e a personalidade daqueles que a registraram[4]. Aqueles que favorecem esse tipo de inspiração, acreditam que os autores bíblicos não passaram de meros copistas, pessoas que registraram as informações por ordem de Deus, sem ter qualquer envolvimento com o teor da mensagem.
Todavia esse tipo de argumentação não bate com as características encontradas nos textos bíblicos. Percebemos ao longo de toda a Palavra de Deus, traços peculiares aos autores de cada livro. A erudição de Paulo, os sentimentos de João, a descrição de Esdras, e a linguagem às vezes poética de Isaias.

II Inspiração dinâmica

Esse pensamento é o extremo oposto ao primeiro. Os autores bíblicos tiveram completa autonomia sobre a complicação dos escritos, sendo atribuída ao Espirito Santo, apenas uma iluminação, no que concerne sobre ao assunto a ser tratado. A excelência dos seus escritos deve ser atribuída à influência santificadora no caráter, mente e palavras deles, devida à comunhão profunda com Deus ou pela convivência com Jesus, e não a uma ação sobrenatural e ímpar do Espírito.[5]

I.III Inspiração Orgânica

Aqui temos a linha de pensamento defendida por grande parte dos teólogos reformados, e que representa a interpretação mais equilibrada quanto à inspiração dos autores bíblicos, exibida também pela própria Escritura. Os autores bíblicos foram inspirados por Deus para escreverem a Palavra do Senhor, de forma que tudo aquilo que o Espírito Santo tencionou registrar para exortação do povo de Deus, quanto as verdades necessárias para tal, foi de fato escrito, mas também as características pessoais de cada autor como contexto histórico, cultural, educação, estilo e etc, foram usados colaborativamente, sem que isso pusesse em risco qualquer aspecto do processo de registro do conselho de Deus nas Santas Escrituras.
O fato de estarmos lidando com um livro que também é humano, porque foi escrito por homens e suas características foram usadas durante a escrituração do mesmo, não diminui em nada sua autoridade ou poder. Todo o processo de registro foi completamente supervisionado pelo Espírito de Deus, que fez com que exatamente tudo o que ele quis que fosse escrito, de fato fosse escrito, como já argumentamos anteriormente.
Não há qualquer razão para termos qualquer receio em receber a Bíblia como Palavra de Deus como fizeram os Tessalonicenses, muito pelo contrário, embora seja um livro humano, a Bíblia é o oráculo de Deus, o meio pelo qualquer ele escolheu para revelar-se a nós, o que nos leva ao segundo ponto: A bíblia é um livro divino.

A Bíblia é um livro divino.

Como vimos, há passagens em toda a Escritura que atestam que ela é de fato a Palavra do Senhor.
A bíblia foi escrita por 40 autores diferentes, durante um período de pelo menos 1500 anos. Todo o conteúdo da bíblia foi atestado e vivido tanto pelos autores como pelo povo de Israel, e a igreja desde os apóstolos. Cada palavra que foi escrita teve e tem peso divino sobre nossas vidas. Um dos aspectos que apontam para o caráter divino das Escrituras é sua harmonia. Nenhum outro livro escrito por um número tão grande de autores, contém uma harmonia tão perfeita, capaz de transmitir fatos, ideias e princípios de forma perfeitamente linear como faz a Palavra do Senhor. Mais uma vez a confissão de fé de Westminster nos ajuda a compreender a autoridade e distinção que tem a Bíblia: “Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, e eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações”.[6]
Percebamos que não somente é apresentada a harmonia como indicio do caráter divino das Escrituras, mas também outros aspectos que podem com certeza nos atestar o aspecto divino do seu teor, mas o que é apontado como sendo aquilo que de fato comunica o caráter divino do texto sagrado, é a obra perfeita e maravilhosa do Espírito Santo em nossos corações, revelando que a Bíblia é a palavra do Criador para nós.
Para interpretar esse livro tão magnifico, devemos nos esforçar e empreender árduo compromisso, com o fim de que saibamos o direcionamento que ela nos dá para agradar e glorificar a Cristo, pois esse é o seu objetivo. Todavia algumas dificuldades surgem como obstáculo na hora de interpretar o Texto Sagrado.
Um exemplo disso é o nosso distanciamento dos autores. Hoje quando queremos entender melhor um texto, podemos procurar aquele que o escreveu para tirarmos dúvidas quanto a algum ponto que não tenha ficado muito claro. Isso não é possível quando se trata dos autores bíblicos, pois estão mortos, e a 2000 anos de distância no tempo de nós. Sua cultura, seu contexto histórico (o que acontecia enquanto ele escrevia), seu idioma, tudo isso são fatores complicadores na hora de entendermos a Escritura. Outro fator é nossa limitação. Somos seres limitados e imperfeitos, não conseguimos absorver todo o conhecimento, e nossa capacidade de processamento de informações é bem resumida se levarmos em consideração, o tanto de informações que precisamos reter. Além disso, a queda reduziu ainda mais isso, corrompendo nossa moral, pervertendo nossos princípios, e complicando nossas faculdades tanto físicas quanto mentais. Somos seres caídos, e temos resquícios do pecado em nós, e isto milita diariamente contra aquilo que é bom e justo diante de Deus como prescrição do que ele próprio deseja, por ser ele mesmo bom e justo. Ou seja, não queremos nos submeter as Escrituras, não gostamos e se formos deixados à nossa vontade pecadora, não o faremos.
Tudo isso ergue verdadeiras muralhas, que nos atrapalham em nosso exercício de levar nossa mente cativa à Cristo por meio da Palavra do Senhor. Sendo assim, gostaria de concluir esse texto, lhe dando alguns conselhos sobre como ler e como interpretar a Palavra de Cristo:
  1. Ore pedindo iluminação e obediência ao Espírito!
Como dito, nosso coração pecador não quer se submeter à vontade de Cristo. Em nós mesmos, jamais buscaremos contato com a Bíblia objetivando agradar ao Criador. Então, ore sempre, pedindo ao Espírito que ilumine-o a entender a Palavra de Deus, pra que através disso você possa agradá-lo através de uma vida de santificação. Isso não será fácil, e exigirá de você muita disciplina, o que leva ao nosso próximo ponto. Lembre-se do salmista que confiava na Palavra de Deus como norteador da sua vida: “Tua Palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho! Salmos 119:105 KJV.
  1. Discipline-se!
Alguns cristãos acreditam que a leitura da Palavra de Deus deve ser algo espontâneo, feito com liberdade, todavia, à luz do que vimos no ponto anterior, se isso for levado de fato em consideração, jamais leremos a Bíblia numa que não queremos. O salmista aponta que o objetivo de ele ter escondido a Palavra do Senhor em seu coração, foi para que não pecasse contra Deus: “Em meu coração conservei tua promessa para não pecar contra ti” Salmos 119:11 KJV. A palavra do Senhor não foi anexada no cérebro do salmista possibilitando sua conservação, ele teve de lê-la muitas vezes para que isso pudesse acontecer… e conseguiu. Tanto quanto ou mais que o salmista devemos ler a palavra do Senhor repetidas vezes. Leia todos os dias. Muitas pessoas se queixam de não terem tempo de ler a Escritura devido a trabalho, universidade, curso enfim, todavia o Senhor nos chama em primeiro lugar para o servir diretamente, ou seja, diante dele em constante oração, e servindo através de um comportamento digno do evangelho. Isso só poderá ser alcançado, se introjetarmos a Bíblia em nosso coração através do exercício diário e de leitura.
  1. Trabalhe; use livros e outros recursos!
Graças a Deus hoje temos inúmeros recursos que podem nos ajudar a ler e interpretar a palavra de Deus. Softwares e sites, oferecem gratuitamente muitas ferramentas que podem nos auxiliar a ler a bíblia corretamente, diminuindo os distanciamentos que mencionamos como fatores que complicam nosso estudo. Sem contar a vastidão de livros escritos sobre interpretação do texto bíblico. Compre bons livros, dicionários, atlas, concordâncias bíblicas, que tornarão a leitura bíblica mais profunda e sua compreensão mais expandida quanto ao que fala o Texto Sagrado. O reformador João Calvino usa uma frase que explicita bem o trabalho de interpretação da bíblia: “Orare at labutare”(Ore e labute!). Diferentemente do que muitos pensam, um anjo não descerá dos céus com um rolo onde estará escrito a perfeita interpretação das Escrituras Sagradas. Cabe a nós filhos de Deus, buscar entender o que fala nosso Pai celeste em Seu Filho Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo na sua Palavra. Então, se empenhe em estudar a Bíblia.
Em oposição a atitude que descrevemos no começo do texto, a leitura bíblica exige muito mais do que aquele comportamento distante e pontual, ela requer de nós um envolvimento muito mais íntimo e constante. Dedique tempo de qualidade para ler a Palavra de Deus, e sem dúvidas Cristo o iluminará e abençoará seus esforços para entender o que ele deseja de você, iluminando-o com seu Santo Espírito. Nossa atitude para com a Bíblia exibe diretamente qual é nossa compreensão de quem é Deus; Se temos um alto apreço pela Escritura e nos dedicamos em lê-la, com certeza Cristo é visto por nós com toda importância. Se somos omissos e aquém de uma vida de constante leitura da Bíblia, Nosso Senhor talvez seja alguém sempre colocado em segundo plano, e por isso o conhecemos tão mal.

Gospel Prime

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Uma trilogia judaica: Passado, presente e futuro

Gostaria de nessa primeira oportunidade abordar sobre o Passado de Israel, tendo como perspectiva a célebre frase do filósofo e teólogo dinamarquês Søren Kierkegaard “A vida tem de ser vivida para frente, mas só pode ser entendida para trás”. O Passado, Presente e Futuro de Israel, no Plano Escatológico de Deus, estão distribuídos e sistematizados na carta do apóstolo Paulo aos Romanos.
O capítulo 9 fala do passado; o 10 do presente e o 11 do futuro. A intenção do apóstolo Paulo, nestes capítulos, entre outras coisas, seria a de corrigir um problema doutrinário: a falta de compreensão por parte da Igreja local em Roma a respeito do plano de Deus sobre Israel.
Quando Paulo escreveu a carta aos Romanos, a maioria da Igreja em Roma já era composta de gentios, que passaram a oprimir os crentes judeus (Rm 11:13,14,18). Abro aqui um parênteses para promover um equilíbrio na balança, por exemplo, a situação em Gálatas era diferente, na Galácia os crentes judeus eram a maioria  e estava acontecendo uma certa opressão aos crentes gentios, através de certas exigências estritamente judaicas. Paulo também escreveu corrigindo esse erro (Gl 2:18-19).
Ao lermos atenciosamente os primeiros cincos versículos de Romanos 9 percebemos uma divisão natural. Nos versículos de 1 a 3, temos uma introdução apaixonada do apóstolo  aos gentios por seus irmãos na carne, os judeus, ao ponto de desejar ser separado de Cristo (anátema/maldito) em favor da salvação do seu povo (Rm 10:1).
Encontramos a mesma atitude em Moisés (Êx 32:32). Já nos versículos de 4 a 5 encontramos a história passada, que se apresenta nas seguintes declarações: israelitas – designação de povo; adoção – condição física e “espiritual”; glória – revelação divina; alianças – posição de vassalo com o suserano; lei – forma de relação e obediência (Sinai); culto – forma de adoração; promessas – bênçãos condicionais e incondicionais; pais – os patriarcas; Cristo – o Messias, Salvador. Dos versículos de 6 a 33 temos os desdobramentos dessas verdades e suas implicações.
Mas afinal de contas, quem é este povo? Que povo é este? Temos que olhar para o livro do Gênesis, para as divisões dos Toledot (gerações) “E estas são as gerações de Terá: Terá gerou a Abrão” (Gn 11:27). Este é o Povo da Aliança Abraâmica (Gn 12:1-3), onde encontramos o chamado do patriarca Abrão e as cinco promessas divinas que vão dar o tom do relacionamento de Deus com Abraão e seus descendentes.
Primeira promessa: fazer de Abrão uma grande nação (benção nacional); segunda promessa: dar a Abrão (pai elevado) um grande nome (benção pessoal),  seu nome será mudado para Abraão (pai de uma multidão Gn 17:4); terceira promessa: conceder a Abrão uma benção (benção terrestre); quarta promessa: conferir bênçãos através de Abrão (benção espiritual); quinta promessa: abençoar grandemente os que abençoassem  a Abrão (benção de relação).
E por quê Deus escolheu Israel? Não foi escolhido por ser numeroso ou forte (Dt 7:7); mas por amor (Dt 7:8a Jr 31.3); por causa da aliança com Abraão, Isaque e Jacó (Dt 7:8b,9). Outra pergunta que surge é: para quê Deus criou Israel? No profeta Isaías encontramos a resposta. Em primeiro lugar o profeta nos diz que o Senhor criou Israel (Is 43:1,15), o verbo criar [hb. bārā’] utilizado por Isaías é o mesmo utilizado em Gênesis para a criação do universo, o criar do nada, da expressão latina ex nihilo, o sujeito deste verbo se aplica somente a Deus e o seu uso exclusivo no AT sempre se refere a uma ação divina que produz um resultado novo e imprevisível (Is 48:6-7; Jr 31:22).
Devemos nos lembrar que das quatro matriarcas três eram estéreis, Sara, Rebeca e Raquel, portanto os nascimentos de seus respectivos filhos só aconteceram por intervenção divina. Com qual propósito Deus criou Israel? Para sua glória (Is 43:7; Jr 13:11, 33:9); ser sua testemunha (Is 43:10a); revelar o único Deus vivo e verdadeiro (Is 43:10b); mostrar o único Deus salvador e redentor (Is 43:11,14a).
Como também disse Abba Eban “não há nenhuma outra nação moderna cujos motivos de existência e ação exijam referência tão frequentes a dias distantes”.

Gospel Prime