sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O bem que os relacionamentos nos fazem


Gospel Prime

Quando, através de uma ligação telefônica ou mesmo numa conversa teclada via Whattsapp ou Facebook ou qualquer outro tipo de mediador de comunicação social, a gente sorri, falando com um amigo um colega, com o chefe, o pastor ou qualquer outra pessoa com quem temos relacionamento (de amizade ou de qualquer outra natureza), o fenômeno de alegria que se dá eu o denomino como “inspirado”, pois o que a pessoa disse ou a forma como ela assentiu a uma colocação minha, me inspirou alegria.
Já o sorriso que damos quando num dialogo presencial, eu o chamo de “provocado”, pois, para além da inspiração da alegria advinda do diálogo, outros fatores contribuíram para que essa alegria ganhasse uma consistência maior, seja um toque, o som emito pela voz amiga que ressoou de forma positiva em mim, seja pelo cheiro, pelo modo como a pessoa se expressou performaticamente permitindo meu subconsciente notar que sou bem vindo no lugar ou junto à ela.

Um estudo que já vem sendo feito pela faculdade de Harvard, E.U.A, há 70 anos, atualmente coordenado pelo psiquiatra Robert J. Waldnger, tem estudado 724 pessoas para descobrir quais fatores sociais mais influenciam na longevidade, felicidade e resiliência. Até aqui o estudo concluiu que esses três fatores são influenciados pelos relacionamentos, seja de forma positiva ou negativa.

Segundo o coordenador da pesquisa, três lições já puderam ser tiradas do estudo com relação aos relacionamentos: 1) conexões sociais fazem bem aos seres humanos, enquanto a solidão mata; 2) A qualidade das relações é mais importante do que a quantidade; 3) Relacionamentos felizes e duradouros protegem a saúde física e mental.
Uma pesquisa também feita pelos americanos deu conta de que pessoas que mantem relacionamentos na acepção positiva do termo, vivem entre sete e 14 anos a mais.
Saber que precisamos ter bons relacionamentos já está mais do que claro, mas a grande questão é como fazer isso sendo que tanto nós como os outros somos tão difíceis de lidar? Jesus, ao ensinar os discípulos a orar, em Mateus 6 versículos de 9 a 15, deixa bem claro que a vida acontece a partir dos relacionamentos entre ser humano e Deus e entre ser humano e ser humano. Ao mencionar que o perdão deve ser dado aos homens e pedido a Deus, Jesus estava ressaltando nossa falibilidade tanto diante de Deus quanto para com nossos semelhantes.

Perdoar é fundamental para a manutenção dos relacionamentos sejam eles estreitos ou não, pois a falta de perdão nos amargura, nos entristece, nos enfraquece. Perdoar significa não cobrar uma “dívida moral” que alguém passa a nos dever a partir do momento que nos ofende. Se a gente não perdoa, estamos nos predispondo a somar juros sobre aquela “dívida” que o nosso ofensor contraiu conosco. O saldo da falta de perdão não é positivo em nenhum dos aspectos, pois diminuiu nossa rede de relacionamento, temporária ou permanentemente.
Há, em nosso rol de relacionamentos, pessoas tão agradáveis, mas há quem seja desagradável também. Se lidamos com os desagradáveis sob a égide do perdão, estando dispostos a perdoá-los, não por sermos melhores, mas por termos a capacidade de cometermos os mesmos erros que eles, viveremos a vida com maior qualidade.
Ao dizer que éramos para perdoar os homens antes de pedir perdão à Deus, Jesus estava dizendo que não devemos reduzir nosso rol de amigos a cada vez que um deles nos ofende, pois, nossas possibilidades de viver a vida de forma mais intensa e com mais oportunidades, vão diminuindo. No ato de exercer o perdão sou tratado nas minhas falhas, pois vou perceber o mal-estar que causo nos outros ao falhar com eles, ao ofendê-los. Se eu não perdoo, não sou perdoado por Deus (Mt 6.15), pois estarei deixando de progredir como ser humano, tornando meu orgulho um prisioneiro da liberdade que a boa vivencia traz.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O bem que os relacionamentos nos fazem

Quando, através de uma ligação telefônica ou mesmo numa conversa teclada via Whattsapp ou Facebook ou qualquer outro tipo de mediador de comunicação social, a gente sorri, falando com um amigo um colega, com o chefe, o pastor ou qualquer outra pessoa com quem temos relacionamento (de amizade ou de qualquer outra natureza), o fenômeno de alegria que se dá eu o denomino como “inspirado”, pois o que a pessoa disse ou a forma como ela assentiu a uma colocação minha, me inspirou alegria.
Já o sorriso que damos quando num dialogo presencial, eu o chamo de “provocado”, pois, para além da inspiração da alegria advinda do diálogo, outros fatores contribuíram para que essa alegria ganhasse uma consistência maior, seja um toque, o som emito pela voz amiga que ressoou de forma positiva em mim, seja pelo cheiro, pelo modo como a pessoa se expressou performaticamente permitindo meu subconsciente notar que sou bem vindo no lugar ou junto à ela.

Um estudo que já vem sendo feito pela faculdade de Harvard, E.U.A, há 70 anos, atualmente coordenado pelo psiquiatra Robert J. Waldnger, tem estudado 724 pessoas para descobrir quais fatores sociais mais influenciam na longevidade, felicidade e resiliência. Até aqui o estudo concluiu que esses três fatores são influenciados pelos relacionamentos, seja de forma positiva ou negativa.

Segundo o coordenador da pesquisa, três lições já puderam ser tiradas do estudo com relação aos relacionamentos: 1) conexões sociais fazem bem aos seres humanos, enquanto a solidão mata; 2) A qualidade das relações é mais importante do que a quantidade; 3) Relacionamentos felizes e duradouros protegem a saúde física e mental.
Uma pesquisa também feita pelos americanos deu conta de que pessoas que mantem relacionamentos na acepção positiva do termo, vivem entre sete e 14 anos a mais.

Saber que precisamos ter bons relacionamentos já está mais do que claro, mas a grande questão é como fazer isso sendo que tanto nós como os outros somos tão difíceis de lidar? Jesus, ao ensinar os discípulos a orar, em Mateus 6 versículos de 9 a 15, deixa bem claro que a vida acontece a partir dos relacionamentos entre ser humano e Deus e entre ser humano e ser humano. Ao mencionar que o perdão deve ser dado aos homens e pedido a Deus, Jesus estava ressaltando nossa falibilidade tanto diante de Deus quanto para com nossos semelhantes.
Perdoar é fundamental para a manutenção dos relacionamentos sejam eles estreitos ou não, pois a falta de perdão nos amargura, nos entristece, nos enfraquece. Perdoar significa não cobrar uma “dívida moral” que alguém passa a nos dever a partir do momento que nos ofende. Se a gente não perdoa, estamos nos predispondo a somar juros sobre aquela “dívida” que o nosso ofensor contraiu conosco. O saldo da falta de perdão não é positivo em nenhum dos aspectos, pois diminuiu nossa rede de relacionamento, temporária ou permanentemente.
Há, em nosso rol de relacionamentos, pessoas tão agradáveis, mas há quem seja desagradável também. Se lidamos com os desagradáveis sob a égide do perdão, estando dispostos a perdoá-los, não por sermos melhores, mas por termos a capacidade de cometermos os mesmos erros que eles, viveremos a vida com maior qualidade.
Ao dizer que éramos para perdoar os homens antes de pedir perdão à Deus, Jesus estava dizendo que não devemos reduzir nosso rol de amigos a cada vez que um deles nos ofende, pois, nossas possibilidades de viver a vida de forma mais intensa e com mais oportunidades, vão diminuindo. No ato de exercer o perdão sou tratado nas minhas falhas, pois vou perceber o mal-estar que causo nos outros ao falhar com eles, ao ofendê-los. Se eu não perdoo, não sou perdoado por Deus (Mt 6.15), pois estarei deixando de progredir como ser humano, tornando meu orgulho um prisioneiro da liberdade que a boa vivencia traz.
Qual a conexão disso tudo que eu disse com o que eu falei ao iniciar esse texto? É que Deus não nos fez para nos distanciarmos uns dos outros, seja por falta de perdão ou pelo mero comodismo que as redes sociais nos proporcionam. Viva mais perto dos familiares, dos pais, dos amigos ou dos irmãos de igreja. Sobretudo, viva mais perto de Deus.

Gospel Prime

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A excelência de Cristo

Com a graça de Deus chegamos ao início de mais um ano letivo na Escola Bíblica Dominical. Aliás, feliz ano novo pra você! Começaremos o trimestre com o estudo da carta aos Hebreus, cuja Lição (CPAD) é comentada pelo gabaritado pastor José Gonçalves. Desde já convidamos todos a lerem na íntegra a Carta aos Hebreus, antes mesmo da primeira aula no próximo domingo, para que tenham uma visão geral dos assuntos tratados nesta Carta e percebam quais as instruções dadas pelo Espírito de Deus através deste livro. A carta foi escrita originalmente aos “hebreus” (forma antiga de se referir aos “judeus”), mas diz respeito também a nós, já que estamos na mesma jornada da salvação que eles, correndo os mesmos riscos, sofrendo as mesmas tentações e tendo as mesmas necessidades de sermos exortados à perseverança como aqueles primeiros irmãos. Bom estudo!

I. AUTORIA, DESTINATÁRIO E PROPÓSITO

AUTORIA: numa análise superficial do texto em português, é possível traçar muitas semelhanças entre o texto de Hebreus e as cartas de Paulo. Todavia, num aprofundamento exegético, sobretudo a partir do texto grego, as diferenças tornam-se consideráveis. Eruditos tanto de linha liberal quanto conservadora já concluíram que há polimento e erudição no texto da carta aos Hebreus que não se comparam a forma comum de Paulo escrever, embora este fosse um exímio conhecedor das letras humanas em seu tempo. De qualquer modo, é muito provável que o autor desta carta tenha sido alguém muito próximo ao apóstolo Paulo e que tenha aprendido dele muitos temas da fé cristã além da forma contundente de argumentar. É perfeitamente possível dizer que há traços paulinos nesta carta anônima. Mas há uma evidência interna muito forte para rejeitarmos a autoria paulina desta carta. Nas palavras de Lutero: “o fato de essa Epístola aos Hebreus não ser de S. Paulo ou de algum outro apóstolo, fica demonstrado por constar no segundo capítulo [2.3]: ‘Esta doutrina veio a nós e ficou por meio daqueles que a ouviram pessoalmente do Senhor’. Isso deixa claro que ele está falando dos apóstolos, talvez muito tempo depois. Pois em Gálatas 1, S. Paulo dá o vigoroso depoimento de que ele teria seu evangelho não de pessoa humana, nem por meio de pessoas humanas, mas do próprio Deus” (1). Apesar de desde o final do segundo século a carta aos Hebreus ter sido citada por Pantenus, como sendo de autoria do apóstolo Paulo, e de haver muitos teólogos cristãos ao longo dos séculos, inclusive mais recentemente que defendam uma autoria paulina (inclusive o comentarista pentecostal Severino Pedro da Silva), bem ressalta o exegeta José Gonçalves, comentarista da Lição: “Hoje, há praticamente uma unanimidade entre os biblistas de o apóstolo Paulo não foi o autor da carta aos Hebreus” (2). Como dizia Orígenes, um dos Pais da Igreja no oriente, terceiro século, “Quem escreveu a carta? Deus sabe de verdade”. Todavia, ainda que não reconheçamos o redator humano, sabemos com toda certeza quem é o Autor divino deste livro, e isto realmente é o que nos importa!
CONTEÚDO: Sobre o conteúdo do livro, Martinho Lutero, para quem Apolo teria sido o provável autor desta carta, considerava que existia nele algum “osso duro de roer”, e que também havia nela algumas fragilidades de “palha”, embora reconhecesse, dado o antigo uso dela na Igreja, uma autoridade digna de colocar esta Carta no cânon sagrado, embora, segundo ele, não pudesse gozar de igualdade com os demais livros. Dizia ele: “não se pode equipará-la às epístolas apostólicas em todos os aspectos”. O reformador alemão, todavia, também observa de modo mui pertinente que “a Epístola aos Hebreus (…) sozinha é suficiente para interpretar todas as figuras [nos livros de] Moisés” (3). De fato, há abundante citação do Pentateuco na Carta aos Hebreus. E não podia ser diferente, já que o autor pretende estabelecer uma comparação entre a antiga aliança e os elementos que a constituíam com a nova aliança, demonstrando que Cristo é não só o cumprimento das figuras veterotestamentárias, mas é o “o Mediador de uma nova aliança” (Hb 12.24), e que Cristo “alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança” (Hb 8.6), e que é superior à Moisés, aos sacerdotes e aos profetas, dentre os quais está Moisés também.
Não obstante, é preciso deixar claro que nós vamos muito além de Lutero na aceitação da inspiração plenária e verbal, da inerrância e infalibilidade da Carta aos Hebreus: para nós, pode haver “osso duro de roer” nela como em qualquer outro livro, já que nós leitores somos limitados na compreensão do texto bíblico; mas não aceitamos que exista nem nesse nem em qualquer outro livro nada que se possa chamar de “palha”, “graveto” ou “capim”, nem acreditamos que haja inferioridade nesta carta em relação as demais do Novo Testamento, ou ainda, como supôs Lutero, alguma contradição entre algum ensino da carta aos Hebreus e os ensinos de Paulo. Aceitamos Hebreus como Palavra de Deus, “igualmente as outras Escrituras” (2Pe 3.16). Como dizia John Wesley, referindo-se a Bíblia como um todo, “Se há algum erro na Bíblia, então pode haver mil erros. Se há alguma falsidade sequer naquele livro, ele não proveio da verdade”. Ou ainda melhor nas palavras de Paulo: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3.16). Hebreus é Palavra de Deus!
DESTINATÁRIO: uma comunidade judaica convertida ao Cristianismo, mas de uma localidade não especificada, quase que certamente entre os anos 64 e 70 d.C., antes da destruição do templo em Jerusalém (que o texto sugere ainda estar de pé, com sacrifícios ocorrendo ali – Hb 10.11). Por extensão, esta carta dirige-se a todos os cristãos dentre os judeus, que estavam sofrendo tentações diversas para voltar ao judaísmo, abrindo mão da fé em Cristo como Salvador e Senhor. Neste sentido, é uma carta que muito se assemelha à de Paulo aos gálatas, quando este apóstolo advertia os crentes da Galácia sobre os perigos de dissolver a fé cristã dentro de dogmas e tradições já superados na nova aliança. As influências são as mesmas: judeus não convertidos, inimigos da cruz de Cristo, querendo anular o cristianismo crescente do primeiro século. Com uma distinção: enquanto os gálatas pareciam não correr o risco da apostasia (pelo menos não conscientemente), mas do sincretismo, misturando práticas judaizantes caducadas na cruz de Cristo (como circuncisão, guarda do sábado e abstinência de alimentos) com a fé em Cristo e práticas do cristianismo, os destinatários da Carta aos Hebreus estavam correndo um perigo ainda maior: desertarem totalmente da fé em Cristo para um retorno à antiga religião. Ou seja, apostasia era o grande problema dessa comunidade cristã. Aos gálatas, Paulo diz: “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” (Gl 5.4); aos Hebreus é dito: “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus…” (Hb 12.15).
PROPÓSITO: ressaltar a superioridade de Cristo, da fé e da nova aliança, bem como trazer um chamado à perseverança em Cristo, com duras advertências aos que abandonarem esta fé ou maravilhosas promessas aos que permanecerem nela, resistindo “até o sangue” (Hb 12.4) contra os ataques dos adversários.
Lendo a Carta aos Hebreus, você perceberá que alguns temas são muito recorrentes em seus treze capítulos: CRISTO, SACERDÓCIO, FÉ, PERSEVERANÇA, APOSTASIA, CONFIANÇA, PROMESSA, RECOMPENSA. O tema geral deste trimestre, portanto, não poderia ser melhor do que o que foi escolhido: A supremacia de Cristo: fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus.

II. CRISTO – A PALAVRA SUPERIOR À DOS PROFETAS

No primeiro versículo desta carta, o autor aponta para a revelação final de Deus através de seu próprio Filho. Está escrito: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Duas considerações precisam ser feitas sobre este texto:
1. Este texto introduz todo o trabalho do autor ao longo da carta, cujo objetivo é apontar para Cristo e para a fé cristã como superiores ao judaísmo e à Lei mosaica. Este objetivo deve ser mantido em mente durante todo o trimestre em que estaremos estudando capítulo a capítulo a Carta aos Hebreus.
2. Este texto, tomado por muitos teólogos adversários da crença na contemporaneidade dos dons espirituais e das revelações especiais de Deus aos homens, não está sugerindo uma cessação nas revelações divinas após o primeiro advento de Cristo – esta ideia sequer tangencia a carta aos Hebreus. Como pontua Richard Taylor, encontramos neste primeiro versículo “a revelação completa e culminante. Jesus Cristo é a Palavra final e completa de Deus ao homem; tudo o que veio antes dele é parcial e preparatório, e tudo que veio depois é a ampliação e clarificação dessas palavras” (4). Deus continua se revelando aos homens hoje de modo especial, como se revelou aos cristãos no primeiro século, mesmo depois de Jesus já ter voltado para o Pai. Mas estas revelações não são para complementar, nem para ganhar status de revelação canônica e vir a se tornar regra de fé e prática para a igreja, mas para demonstrar a comunhão viva que desfrutamos com Deus, que não ficou mudo após a redação da última letra do Novo Testamento.
O teólogo continuísta presbiteriano Don Codling, em seu belo tratado Sola Scriptura e dons de revelação, que foi originalmente seu trabalho de Dissertação de mestrado defendido no Westminster Seminary, discorre com precisão sobre este assunto dominante na Carta aos Hebreus:
“claramente, a questão desses versículos [Hb 1.1-2] não se relaciona com o método particular em que a revelação foi recebida. Pedro teve uma visão (Atos 10:9ss); Paulo ouviu uma voz do céu (At 9.4), e recebeu uma revelação em sonho (At 16.9); ainda havia profetas que individualmente recebiam e falavam a Palavra. O contraste nesses primeiros versículos de Hebreus é entre a revelação antecedente a Cristo, e a excelência, a plenitude, e a revelação em Cristo. (…) O argumento de Hebreus é dirigido contra um retorno ao judaísmo dentro do cristianismo, como o próprio escritor enfatiza, apontando o judaísmo como o estado inferior, a condição incompleta. O contraste não é para ser tomado como o tempo de Cristo e seus apóstolos em oposição a todos os momentos antes e depois. O contraste é entre a era da realização inaugurada por Cristo e a era da promessa antes da vinda de Cristo” (5)
Em seguida, Codling corrige o posicionamento teológico cessacionista, demonstrando que este texto não serve ao propósito de negar revelações especiais de Deus pós-Cristo ou pós-Canon sagrado. Ele diz:
“a conclusão de que na era de plenitude [a era em que vivemos] não haverá mais revelação após o final do período apostólico, deturpa a passagem do seu contexto, e estabelece um novo dispensacionalismo com uma dispensação apostólica e outra pós-apostólica no lugar do novo período da aliança. Uma revelação contínua não implica necessariamente uma progressão para além de Cristo (…). O falar de Deus através de seu Filho foi a inauguração, e não o fim dos últimos dias. Dessa revelação plena se estabelecem os limites para qualquer revelação subsequente. Qualquer contínua revelação verdadeira será especificamente cristã, isto é, irá olhar para trás, para o advento de Cristo na carne. Outra consequência dessa passagem é uma afirmação, como a de Marcião, de que se possui revelação superior àquela que veio em Cristo seria falsa. A finalidade da revelação em Cristo coloca outras restrições sobre qualquer revelação posterior (…), mas isso não nega a possibilidade de uma contínua revelação (6)
Portanto, que fique claro: o advento de Cristo é o ponto mais elevado da revelação de Deus aos homens, mas isso não significa que Deus não se revela aos homens por outros modos especiais além do texto bíblico, e sim que toda revelação deve ser por Cristo, em Cristo e para Cristo, sendo as Escrituras Sagradas o instrumento aferidor de toda revelação atual. Jesus disse que o Espírito Santo, que distribui dons na Igreja, “me glorificará, porque receberá do que é meu e vos anunciará” (Jo 16.14). Vivemos nos últimos dias, os dias de que o próprio Pai falou com promessa: “derramarei meu Espírito sobre toda carne… os jovens terão visões, e os velhos sonharão…” (Joel 2.28,29). Paulo disse que o Espírito Santo concede à igreja dons revelacionais, como os dons de profecia, palavra de sabedoria e palavra de conhecimento (1Co 12.8-10). Inclusive há uma ordem bíblica para se buscar esses dons! (1Co 12.31; 14.1). E a Palavra de Deus não pode falhar! Logo, tal bendita promessa é para nós também (At 2.39), e não há qualquer disparidade entre a crença na revelação excelente de Deus que temos em Cristo e as revelações especiais para necessidades específicas que o Espírito Santo dá à Igreja de Cristo, que servem-nos para exortação, edificação e consolo (1Co 14.3). Estas sempre submetidas àquela!

III. CRISTO – SUPERIOR AOS ANJOS

Diferentemente de todas as demais cartas, cujo autor e destinatários são identificados logo nos primeiros versículos, em típica saudação, a Carta aos Hebreus “vai direto ao ponto”. Como alguém que não tem tempo a perder, ou como um médico que precisa atender urgentemente o seu paciente na sala de cirurgia, o autor da Carta aos Hebreus inicia sua carta já apontando para a supremacia de Cristo. Só no capítulo de abertura, vemos o autor colocando a superioridade de Cristo:
a) em relação aos profetas do A.T. (vv. 1-2). E aqui, entenda-se “profetas” não como uma referência aos que profetizavam (Samuel, Elias, Jeremias, etc.), mas a todos os autores/escritos do Antigo Testamento, que eram chamados de profetas (incluindo Esdras, Neemias, Davi, e seus respectivos livros históricos ou poéticos).
b) em relação aos anjos (vv. 2-9, 13-14)
c) e em relação ao cosmos (vv. 10-12).
Perceba: Cristo é superior aos homens, aos anjos e à natureza. Isto porque ele é mais que homem, e mais que um espírito iluminado, ele é o “Filho” eterno de Deus (vv.2,3,5), o Filho que reina majestoso (v.8,9), e o Filho co-autor da criação (v. 10). Nos demais capítulos de Hebreus, que estaremos estudando em sequência neste trimestre, veremos outros aspectos desta superioridade de Cristo. Sem dúvida, a carta aos Hebreus é um bom tratado cristológico, com foco no sacerdócio de Cristo.
É obscuro para nós a crença dos antigos judeus sobre os anjos, e há muito mais tradição extra-bíblica do que subsídio bíblico para amparar algumas crenças antigas. Mas há evidências bíblicas de que os anjos eram tidos em grande estima, sendo até mesmo cultuados (Cl 2.18). Os anjos são apresentados na Bíblia em algumas classes: anjos (Lc 1.28), serafins (Is 6.2,6), querubins (Gn 3.24) e arcanjos (1Ts 4.16; Jd 1.9). O autor da Carta aos Hebreus, porém, é enfático: Cristo é superior a todos eles! É uma boa forma de introduzir o assunto que será desenvolvido no decorrer da epístola, já provando não ser razoável os cristãos judeus abandonarem a fé em Cristo, superior aos homens e aos anjos, para voltar àquela antiga religião, de uma revelação inferior e parcial sobre Deus. Se os judeus queriam o espetáculo dos anjos, o autor da carta aos hebreus diz que Cristo é espetacularmente mais fascinante, em tudo o que ele é, em tudo o que ele fez e em tudo o que ele prometeu!
O texto de Hebreus redireciona corretamente nosso olhar para Aquele que deve ser o foco da nossa vida e do nosso culto: “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12.2). E como Jesus, devemos suportar o desprezo e a afronta daqueles que resistem à fé, visto que há um gozo eterno proposto para nós no descanso celestial.
CONCLUSÃO
Já para iniciarmos digerindo bem a carta aos Hebreus, encerro este estudo de hoje chamando você a refletir sobre dois erros cometidos pelos crentes judeus que favoreceram um esfriamento da fé em Cristo e um retorno ao judaísmo:
  1. Não cresceram no conhecimento do Senhor Jesus (Hb 5.11-14). Estacionaram no jardim de infância, e se tornaram vulneráveis aos que pareciam ter mais conhecimento da Lei.
  2. Estavam deixando de congregar com seus irmãos na fé, ausentando-se dos cultos e da comunhão (Hb 10.24,25). Assim, deixaram de se fortalecer mutuamente e, distantes do redil, se fizeram presas fáceis dos lobos que buscavam tragá-los.
Meninos na fé e desigrejados, aqueles crentes passaram a pensar que Cristo já não era tão fascinante quanto haviam aprendido inicialmente. Pior: estavam sendo seduzidos por ensinos estranhos à negarem Cristo (Hb 13.9) e até escarnecerem de seu sacrifício (Hb 10.29). Estes são os mesmos riscos que correm hoje os crentes que não buscam progredir na doutrina e que se privam do convívio com seus irmãos na fé. Quantos há que não têm o menor interesse pela Escola Dominical, que é um verdadeiro centro de formação do caráter cristão? Quantos há que entram ano e sai ano e não adotam um plano de leitura anual da Bíblia, e até passam dias e dias sem meditar a sós com Deus no santo livro para se fortalecerem na fé? Eis aí a urgente necessidade do estudo renovado da Carta aos Hebreus! Afinal, não vivemos nós o tempo em que cristãos têm desprezado o conhecimento e a comunhão? Tempos de apatia espiritual e mornidão? Precisamos fazer o que o autor deste livro nos recomenda: “tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado” (Hb 12.12,13). Divulguem a Escola Dominical, insista com seu pastor e com os membros de sua igreja! Movam campanhas, doem revistas da EBD, vão às casas de seus alunos, “força-os a entrar” (Lc 14.23), e que nossas classes dominicais se encham de meninos, jovens e adultos, para aprenderem a santa Palavra do Senhor!
Enquanto estudamos estas lições dominicais, oremos como Habacuque: Aviva, Senhor, a tua obra!
REFERÊNCIAS:
(1) Martinho Lutero. Bíblia de Estudo da Reforma, SBB, p. 2091 (introdução ao livro de Hebreus)
(2) José Gonçalves. A supremacia de Cristo: fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus, CPAD, p. 14
(3) Martinho Lutero. Op. cit., p. 2090.
(4) Richard Taylor. Comentário Bíblico Beacon, vol. 10, CPAD, p. 26
(5) Don Codling. Sola Scriptura e os dons de revelação: como lidar com a atual manifestação do dom de profecia?, Carisma, p. 133
(6) Don Codling. Op. cit, p. 134

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Ano Novo: Um tempo de reflexão

Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13-14
O Ano Novo é um chamado para refletir. Uma pausa na correria do final de ano para se avaliar o que foi feito do ano que se finda.

É a somatória dos sucessos e insucessos; das vitórias e das derrotas acumuladas durante o ano; das tristezas e alegrias; do bem que fizemos; do mal que evitamos fazer…

Das omissões ou das participações; do testemunho que demos ou da falta dele; do quanto oramos ou deixamos de orar; do quanto investimos na obra de Deus (missões) ou do quanto deixamos de investir; do quanto amamos ou deixamos de amar, enfim o quanto vivemos ou deixamos de viver.
O apóstolo Paulo no seu texto de Filipenses 3:13-14 faz uma, poderíamos dizer,  retrospectiva não simplesmente do ano que se encerra, mas sim de sua vida na face da terra.
O assunto do capítulo 3 de Filipenses é a exortação contra os maus obreiros e judaizantes (Fl. 3:2); contra os inimigos da cruz de Cristo (Fl. 3:18,19); contrastado com a excelência de Cristo (Fl. 3:8) e a maturidade cristã (Fl. 3:15,16).
É nesse contexto de defesa da fé genuína e da pureza da vida cristã que o apóstolo fala de seus anseios em conhecer intimamente seu Salvador (Fl. 3:8-12). E os versículos 13 e 14 do capítulo 3 seria, então, uma reflexão sobre a vida do apóstolo Paulo no Senhor.
Daqui, também, podemos tirar, para nós, algumas verdades eternas. São elas:
Devemos zerar a conta “esquecendo-me das coisas que atrás ficam”, isto é o que eu fiz no passado seja certo ou errado, bom ou ruim ficou para trás, a vitória de ontem não garante a batalha de hoje e a derrota de ontem não me fará um derrotado hoje.

Gospel Prime

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

10 erros comuns da música gospel brasileira

1 – Abuso de uma linguagem sentimental de autocomiseração, mais focada nas frustrações pessoais do que na beleza da glória de Deus.
Que diz a Bíblia: “Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto” (Sl 100.1,2); “Adorai ao Senhor na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra” (Sl 96.9)
2 – Letra focada no adorador e não Naquele que é digno de ser adorado.
Que diz a Bíblia: “Ao Senhor teu Deus adorarás” (Mt 4.10)
3 – Ritmos extravagantes que não coadunam com a moderação cristã, que copiam os hits de sucesso da música secular, e que ainda confundem irreverência e entretenimento com alegria do Espírito.
Que diz a Bíblia: “Mas o fruto do Espírito é… mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22)
4 – Pobreza na poesia e apelo para coloquialismos que beiram a linguagem vulgar. Nalguns hinos por aí, Deus já está cantando assim: “…pra seu nariz não empinar” ou “não adianta se espernear”. Onde fica a criatividade do Espírito e a beleza do louvor cristão sobre aqueles que compõem?
Que diz a Bíblia: “Com o coração vibrando de boas palavras recito os meus versos em honra do Rei; seja a minha língua como a pena de um hábil escritor” (Sl 45.1)
5 – Inversão dos papéis: Deus cantando para os homens ao invés de homens cantando para Deus.
Que diz a Bíblia: “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade” (Sl 115.1)
6 – Abundante repetição de temas comuns como “sou adorador”, “varão de fogo”, “você vai dar a volta por cima”, “olha eu aqui, olha você aí”, “eu vou profetizar na sua vida”.
Que diz a Bíblia: “Louvai ao SENHOR. Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor na congregação dos santos” (Sl 149.1)
7 – Banalização do dom de profecia na música: “eu vou profetizar na sua vida”, “profetize agora”, “eu libero uma palavra de ordem para você”.
Que diz a Bíblia: “Viram vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O Senhor disse; quando o Senhor não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra” (Ez 13.6)
8 – Abuso de promessas de vitória imediata, que oferecem uma falsa expectativa contrária à perseverança e paciência exigidas do cristão: “É hoje”, “chegou sua hora”, “De hoje não passa”, “tome posse e receba agora a sua vitória”.
Que diz a Bíblia: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (Rm 12.12)
9 – Estímulo ao revanchismo ao invés do perdão e da tolerância: “Seus inimigos vão ver…”, “Deus vai abrir a cova…”, “Se não sair, você vai passar por cima”.
Que diz a Bíblia: “A ninguém torneis mal por mal (…) Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.17-19)
10 – Falta de correção doutrinária. Muitos compositores confiando apenas na “inspiração”, mas não procedendo a correção doutrinário, acabam entregando aos cantores – que também não procedem a correção doutrinária – músicas com sérios equívocos como: “O inferno estava em festa quando Jesus morreu”, “estou pagando o preço para ir morar no céu”, “Silas, para de reclamar”, e outros.
Que diz a Bíblia: “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus” (1Pe 4.11).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O pecado de acepção de pessoas Quem faz acepção de pessoas ainda não conheceu Jesus, e permanece no pecado

por João Paulo Souza

Escrevendo aos cristãos dispersos por várias nações de sua época, Tiago deixou bem claro que a fé cristã não coaduna com a prática da parcialidade. O irmão de Jesus, e filho de José e Maria, chamou a atenção desses crentes para que atentassem para o modo como Jesus, que, mesmo sendo “Senhor da glória” (Tg 2.1), tratava as pessoas de seu tempo.
Tiago fez um alerta interessante, quando supôs uma reunião entre os destinatários de sua carta:

Se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com vestes preciosas, e entrar também algum pobre com sórdida vestimenta, e atentardes para o que traz a veste preciosa e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui, num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé ou assenta-te abaixo do meu estrado, porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? (Tg 2.2-4).

Como podemos observar, essas palavras de Tiago, indiretamente, também nos advertem.
“Ouvi, meus amados irmãos”, segue o escritor da epístola que leva o seu nome (Tg 2.5). Neste trecho de versículo, ele revela que o Senhor escolheu os “pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam” (Tg 2.5). Assim, vemos que a escolha de Deus é diferente da do homem. Vejamos o que o profeta Samuel ouviu da parte de Deus quando ia ungindo a pessoa errada para o reino de Israel:

Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante de seus olhos, porém o SENHOR olha para o coração (1 Sm 16.7).
Deus olha para as pessoas de maneira especial. Sua visão está fundamentada na sua incomparável justiça. Se o Deus de Israel escolhesse Eliabe, irmão mais velho de Davi, ele seria injusto, pois Ele mesmo revelou a Samuel que não concordava com a escolha do profeta, pelo simples fato de enxergar o que geralmente a maioria das pessoas não veem: “o SENHOR olha para o coração”. Deus conhecia perfeitamente o caráter de Davi.
Semelhantemente ao Senhor, devemos olhar para as pessoas além daquilo que elas aparentam ser. Como alguém já disse: “As aparências podem nos enganar”. Sejam pobres ou ricas, devemos tratar as pessoas de modo honroso, digno daqueles que professam verdadeiramente o nome do Senhor Jesus Cristo, “que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis” (2 Co 8.9).
Quem faz acepção de pessoas ainda não conheceu Jesus, e permanece no pecado: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo 7.24).