terça-feira, 20 de junho de 2017

O CAMINHO DA GRAÇA PARA TODOS - PARTE I

ÍNDICE


- APRESENTAÇÃO

- INTRODUÇÃO: O CAMINHO DA GRAÇA PARA TODOS

- A GRAÇA É A LEI DO CAMINHO

- A LIBERDADE DE ‘SER’ NO CAMINHO

- A LOUCURA DA CRUZ E O ESCÂNDALO DA GRAÇA ... PARA OS CRISTÃOS

- O CAMINHO DA EXPERIÊNCIA COMUNITÁRIA, SEGUNDO JESUS

- O MODELO DO ‘CAMINHO’

- O CAMINHO NÃO É UMA REFORMA!

- A DOCE REVOLUÇÃO DO EVANGELHO: UMA DESCONTRUÇÃO!

- O ENCONTRO NO CAMINHO

- PARA ONDE CAMINHA O CAMINHO DA GRAÇA?

- O CAMINHO X A INSTITUIÇÃO RELIGIOSA

- CONCLUSÃO: A ESPERANÇA COMO CAMINHO

- APÊNDICE: O Evangelho nas Escrituras e as Escrituras no Evangelho






Agradecimento e Afirmação de Propósitos Deste Material

Este material é parte de textos de meu site - www.caiofabio.com - e foi organizado pelo meu companheiro de Caminho, Marcelo Quintela, que é o mentor espiritual da Estação do Caminho em Santos / SP, e visa dar às pessoas uma clara idéia do que significa andar em comunidade com "os do Caminho"..

Portanto, acima de tudo, quero agradecer ao Marcelo por ter organizado este trabalho, facilitando a todos o acesso àquilo que já existe no site. O que espero é que ele venha a servir de base de consciência para todos os que desejam caminhar junto com aqueles que entenderam o Evangelho como Comunidade no Caminho.

Nele,



Caio Fábio


Apresentação

Antes de qualquer coisa quero dizer, em nome de Jesus, que sendo um pecador dentre todos os pecadores da Terra, nem por isso posso negar que Deus habita em mim, e que Dele recebo a Luz.
Dou a conhecer aos meus amados irmãos que encontrei e conheço a nosso Senhor Jesus Cristo—Deus Conosco—, a Quem o Pai constituiu como meu Salvador por Sua exclusiva Graça, hoje e para todo o sempre.
O conteúdo a seguir é uma espécie de “apresentação” aos que chegam nas Estação do Caminho da Graça. É fruto da necessidade de dar a conhecer em que se fundamenta nossa experiência de fé pessoal e comunitária na Terra, na expectativa de confrontar mentalidades distorcidas e gerar alegria e força no coração de quem ganhou a convicção interior da Boa Nova em Cristo.

Boa Leitura!




INTRODUÇÃO: O CAMINHO DA GRAÇA PARA TODOS

“Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é , do seu corpo.” (Hebreus 10.20)

A Graça de Deus em Cristo não se resume a uma doutrina, não é uma teologia, não é um fundamento bíblico para ser assimilado intelectualmente, não é mera aglutinação de conhecimento teórico. Não. Pensar a Graça com essas categorias nada traduz acerca do Evangelho. Podemos até conceituar o Amor Incondicional de Deus, mas esse amor só será “aprendido” se for experimentado!

Portanto, a Graça é dom de Deus, recebido pela fé (que também é Graça, pois é fruto do trabalho do Espírito Santo na consciência humana), pela revelação da Verdade, que é Cristo Jesus: o Cordeiro sacrificado na eternidade pela culpa de toda criação, antes mesmo que houvesse mundo. Ele se manifestou através da Sua encarnação, morte, ressurreição e ascensão acima de todas as coisas; e, foi Ele quem estabeleceu que por Sua Graça se pode ter Vida, tanto nessa existência como na Eternidade!

Desse modo, saiba-se que a Graça é tudo e tudo é Graça!

Nenhum passo rumo a qualquer maturidade espiritual pode ser dado senão no caminho dessa Graça.
Já está evidente que a vida dita “cristã” que acontece fora do chão da Graça de Deus só gera doenças espirituais, psicológicas e existenciais. Gera religião, mas não sedimenta a paz de Deus. Gera mudanças comportamentais, mas não renova o homem interior. Pode gerar novos hábitos, mas não assegura um novo coração.

Paulo é o grande apóstolo da Graça. Das 155 referências do Novo Testamento à graça, 133 são dele. A Graça abre as suas epístolas, a Graça as conclui, e a Graça é a nota principal de tudo entre o começo e o fim. O termo “graça” provém do latim “gratia”, que é tradução de “charis”, em grego, que significa graciosidade, benevolência, favor ou bondade.
Paulo coloca charis com o significado de favor livremente concedido, empregando o termo especialmente para se referir ao que Deus fez por nós em Jesus Cristo e por meio dele.
Poderíamos dizer que graça é o amor de Deus agindo em nosso favor, dando-nos livremente o seu perdão e a sua aceitação, de uma vez por todas.

“Onde abundou o pecado, superabundou a graça” Romanos 5:20


A GRAÇA É A LEI DO CAMINHO

“... Pela Graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é Dom de Deus, não vem de obras, para que ninguém se glorie!” (Efésios 2:8-9):

A Graça e somente a Graça É e sempre será a base do nosso relacionamento com Deus.
Todavia, os cristãos se convertem a Jesus num dia, e no dia seguinte bancam sozinhos as transformações que julgam serem decorrentes dessa conversão. Chamam isso de Santidade pessoal.

Porém, santidade pessoal é fruto da entrega ao Amor Incondicional do Pai, e não uma nova base. Se há Graça, então, também há santidade, que é o fruto do Espírito em nós: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.”

Não há qualquer nova base de crescimento sobre a qual se constrói uma vida espiritual vitoriosa, pois tal esforço produz a obsessão de vencer por conta própria “o pecado que habita em mim”, segundo Paulo. E então a certeza da culpa nos deita nos braços do pecado. E não podendo sair desse ciclo infeliz, o cristão opta pela hipocrisia para aceitação no meio ‘santo’, opta pela performance para se destacar nesse meio, e prefere obedecer uma lista de regulamentos comportamentais para que fique ‘quite’ com sua consciência religiosa, que é pagã, ameninada, orgulhosa e meritória, por ser toda fundamentada em Justiça Própria.

A Lei da Graça inverte os pólos da Ética Religiosa: é o Descanso da Fé que desemboca na Obediência Amorosa, e não a obediência que gera o descanso. Tal obediência a Deus se expressa como resposta de gratidão daquele que recebeu consciência do amor de Deus: “Quem me ama, guarda os meus mandamentos; assim como eu amo o Pai e guardo os Seus mandamentos. E os mandamentos, são um: que vos amais uns aos outros, assim como eu vos amei.”

Uma vez interiorizada, a Conversão remove uma montanha infindável de culpas que foram abolidas em Cristo; não só as culpas decorrentes das ações praticadas, mas a culpa própria da minha essencialidade, porque eu sou pecador por natureza. Sendo assim, o Pecado que está abolido é o que eu sou, e não só o que eu faço, e até aquelas coisas que eu faço quanto mais culpa delas carrego, diminuem seu potencial destrutivo sobre mim, até findarem-se! Porém, essa inclinação do espírito só se inicia quando a pessoa se encontra em paz! Sem o peso da condenação, as compulsões começam a mudar de inclinação, surgindo - pela confiança, que vem da certeza em fé, de que está tudo pago - um outro pendor. Mas só se alcança isto quando se crê que a condenação acabou para sempre, na Cruz de Cristo.

Assim, santidade vem de sentir-se em paz na Graça, quando entendo pela FÉ que o que sou em Cristo, é o que vale; isto para que eu posso ir sendo...à medida em que cresço. Portanto, santificação é o apelido do crescimento da consciência na Graça dentro de nós.

Por que isso parece diferente do que chamamos santidade no meio cristão?

Porque nossa visão de santificação não é bíblica, é pagã e cheia de justiça própria. Sim, o que chamamos de santificação é exatamente aquilo que os fariseus ensinavam: ser zeloso da lei ou da lista, baseada em aparências e esforços próprios. “Santo”, para Jesus, é aquele que não julga o próximo; que anda mais de uma milha com o inimigo; que dá a capa para cobrir o frio do adversário; que não passa ao largo quando vê um homem caído na estrada; que dá água com amor aos irmãos... como se fosse o próprio Jesus quem bebesse; que veste o nu, abriga o órfão, acolhe o desamparado, abre a alma ao faminto, e não se esconde seu semelhante.

Sim, para ele, o santo é quem crê; é quem busca a verdade e a humildade.

Santidade, para Jesus, é simplicidade e gratidão. E, conforme Jesus, o santo é alguém livre para amar... Quanto mais santo se é, mais voltado se fica para o próximo e menos egoísta se torna o Ser. Por quê? Ora, porque aumentando a consciência na Graça, aumenta naquele que recebeu de Graça, a vontade de doar Graça.
E assim, a Graça opera a Lei do Amor: quem recebeu perdão, perdoa, quem recebeu graça, derrama graça, quem não foi julgado, porque Jesus foi julgado em seu lugar, esse tal não julga: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos as nossos devedores.

A LIBERDADE DE ‘SER’ NO CAMINHO

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Aprendei de mim, que Sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas.”

A Graça é o convite de Deus a crescermos como gente ainda nesta vida. Veja: Quando meus filhos eram meninos, eu os tratava com lei, embora a graça do amor fosse a razão das regras. Mas à medida em que foram crescendo, e ia chegando o tempo dos ritos de passagem acontecerem - quando para cada um deles ficava implícito que o tempo da “tutela paterna” estava cessando - fui deixando-os mais livres, visto que a estação da “consciência própria” estava pronta para se abrir em frutos de auto-compreensão.

Paulo diz que a Lei foi um tutor, um escravo à serviço da infantilidade da consciência.

Quando porém veio a “plenitude dos tempos”— a idade para se ficar adulto —, Deus enviou o Seu Filho, e nos deu a Nova Aliança, a do Evangelho da Graça; a fim de que deixássemos de ser crianças em estado debilóide de tutela permanente, e nos tornássemos homens, com consciência própria. Essa é a Vontade de Deus: “nos tornar conforme Seu Filho Jesus Cristo!”

Em sendo assim, o grande ‘problema’ da Graça é a liberdade que ela gera. E liberdade é apavorante, nos deixa sem chão, dá vertigens na alma. Ninguém quer liberdade, porque ela nos obriga a andar com as próprias pernas, concede-nos a benção de pensar, sentir, discernir e nos julgar, nos fazendo profundamente auto-conscientes.
Consciência pressupõe a pré-existência de liberdade, e, esta só se manifesta em plenitude quando debaixo da Graça, pois somente nela que se perde o medo de ser, já que seja-lá-o-que-eu-for, “nenhuma condenação há”!

O problema é que a maioria das pessoas pensa que liberdade induz ao erro. Nenhum erro poderia ser maior! A Graça não é compatível com a entrega da vida à prática do pecado e da iniqüidade! Liberdade e Santidade não são antagônicas entre si:

“Continuaremos nós a pecar para que a Graça aumente?”

Santidade é saber viver todas as coisas lícitas, tendo o discernimento de saber o que convém e o que edifica. O santo viverá pela fé. Ou seja: em confiança não em si, mas na Graça. E toda conquista interior que lhe aconteça, não é mérito, mas Graça de Deus sobre ele; e sobre tais conquistas ele não fica alardeando com a boca, visto que, se são verdadeiras, elas serão percebidas pelo fruto da vida, em amor e misericórdia.

Portanto, o caminho da Graça não cria o espaço da libertinagem, mas tão somente o da liberdade de ser, sem os medos que decorrem das neuroses provocadas pela Lei ou pelas listas religiosas de-podes-e-não-podes.

O que os cristãos precisam saber é que Não há melhor lugar para conhecer nossa própria verdade, senão no solo seguro da Graça de Deus, onde não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus! Há somente aceitação e renovação! Primeiro se percebe tal qual se é; depois o Espírito promove seus frutos em nós, enchendo a vida de paz, alegria e amor.
Mas, paradoxalmente, os crentes têm medo de se enxergar como gente. Desse ponto em diante, a maioria dos cristãos confunde descanso e pacificação com vagabundagem existencial. Crescer em entendimento e experiência da Graça de Deus na presente existência, demanda de nós esforço, compromisso, e busca disciplinada de desenvolvimento interior, e que é fruto de auto-exame, e de auto-discernimento, tarefa que seria insuportável sem um coração pacificado pela Graça.

Então, para corresponder o quanto antes à norma massificada, as pessoas artificializam o agir de Deus, operando em si mesmas uma ‘transformação de ocasião’, uma conversão para fins eclesiásticos, uma supressão de tudo que choca a religião, uma espiritualidade ‘de fachada’, mas compatível com a média comunitária.
Essa falsificação do lavar regenerador e renovador do Espírito dá conta de instituir mudanças para fora do ser, exclusivamente comportamentalista, baseadas no fazer e mensuradas pelo desempenho, sem seu correspondente interior de crescimento na Graça e na Verdade. É a figueira sem frutos, mas adornada de folhagens, que camuflam a nudez própria do outono da vida.

No entanto, quando o cidadão se percebe assim, tendo Deus – em Sua misericórdia – permitido que ele caísse em si e, finalmente, olhasse para dentro, então o que acontece é que ele não se reconhece, e se assusta, se escandaliza, se choca, se culpa, se penitencia! Não sabe porque “depois de tanto tempo de evangelho” o que habita seu interior são as mesmas raivas, angústias e escravidões de outrora, mas agora travestidas de ‘santidade exterior’; existem os mesmos bichos vociferando rancores e preconceitos, só que agora legitimados pela interpretação adaptada da Bíblia, que nos dá a entender que somos seres superiores, triunfalistas, uma raça cheia de méritos em ser santa, um povo que se “acha!” por ser designado de propriedade exclusiva de Deus, sem qualquer compreensão que, em havendo tal eleição, ela é fruto de pura Graça, é anterior a nós mesmos, sendo anterior a qualquer coisa que tenhamos feito ou deixado de fazer, é anterior, inclusive, ao nosso próprio nascimento. Aliás, essa coisa toda é desígnio de Deus desde antes da fundação do mundo, quando o Cordeiro foi imolado para redenção de todo ser criado.

Portanto, no Caminho da Graça, não carregamos ilusões... não estamos esperando ninguém virar anjo, ninguém levitar a 10 cm do chão, ninguém ser levado pela carruagem de fogo da santidade que já não consegue viver no mundo. Ao contrário, posso afirmar que meu esforço pessoal é na tentativa de não me chocar com mais nada, posto que não há nada que você tenha feito que, ao menos em potencial, não exista em mim também. Não lidamos com robôs, nem com super-crentes ufanistas, nem nos interessamos por comportamentos performáticos só para dar a sensação de que tudo está sob controle na comunidade “vigiada”.

Diante disso, fica aqui declarado: Está suspenso o meu direito de me escandalizar com o que quer que seja verdade sobre você. Prefiro caminhar com você a partir de suas lutas e temores do que fingirmos que não trazemos essas coisas embutidas no cerne de nossas tribulações e dramas de vida.

O Caminho, portanto, está aberto a todos: Somos ‘devedores’ a homens, mulheres, adolescentes e jovens de todas as tribos; prostitutas, homossexuais, bissexuais e transexuais; fiscais de tributos, empresários, estudantes, políticos e donas de casa, ateus, católicos, espíritas e esotéricos, ricos e pobres, intelectuais e broncos, casados, descasados, solteiros, amasiados, juntados, separados, divorciados, viúvos... E a todos quantos se encontram carecidos da Glória de Deus porque não conhecem em seus corações a conversão que o Evangelho realiza por meio da fé, através da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo – único mediador entre Deus e os homens!

A LOUCURA DA CRUZ E O ESCÂNDALO DA GRAÇA – PARA OS CRISTÃOS

A Graça é hoje a mais escandalosa de todas as mensagens cristãs! No entanto, a única mensagem que existe em Jesus é acerca da Graça eterna de Deus. E a loucura da Cruz não deveria ser louca para nós, nem fonte de escândalo, posto que a mensagem da Graça é todo o ensino e vida de Jesus. É a Boa-Nova! É o espírito do Evangelho! Dessa mensagem procedem todas as outras, pois toda manifestação cristã verdadeira sobre a Terra é a demonstração prática do amor de Deus aos homens. Se o amor é a mensagem ética por excelência, vivenciá-lo só será, de fato, possível por meio da conversão à Graça, na qual nós respondemos com amor Aquele que nos amou primeiro e de forma absoluta e incondicional. Não há Amor sem Graça. Não há Graça sem entrega ao Amor. Deus é Amor! E amor é o fruto da atuação do Espírito da Graça em nós.

Mas, incrivelmente, estranhamos a Graça de Jesus, nos assustamos com ela. Digo isso me referindo aos cristãos, de qualquer veia do Cristianismo.

E não havendo entrega radical à Graça, passamos a aceitar passivamente e engolir tudo que carrega a nomenclatura cristã, mesmo que de Cristo pouco possua, visto ter negociado Este que é o conteúdo mais intrínseco da Mensagem.
Quem, sinceramente, não percebe que nós, cristãos - somos hoje, na maior parte dos casos, a repetição dos mesmos conteúdos contra os quais Jesus, os profetas do Antigo Testamento, Paulo, os apóstolos e a Palavra se levantam nas Escrituras?

Hoje as pessoas se convertem à “igreja”, não à Cristo! É por esta razão que os conteúdos do Evangelho de Jesus estão tão adulterados entre nós. E pior: Parecemos estar com os sentidos embotados para esta percepção, de modo que o que hoje se vê é uma caricaturização de Jesus. O Jesus que nos foi apresentado é um "composer" do Jesus da "igreja", o qual é moldado para ficar "parecido" com o grupo religioso ao qual a pessoa pertence. Portanto, o Jesus da fé da “igreja”, na maioria das vezes, é uma fabricação feita para validar as teses do grupo. E tal “Jesus” não faz nada de bom ou de mal que qualquer outro condicionamento mental, psicológico e cultural também não realize... A leitura do Evangelho que fazemos é uma "adaptação". E é também “num Jesus de terceira ou quarta mão” que a maioria das pessoas crê.

Posso asseverar, com convicção e tristeza, que na igreja evangélica atual, primeiro o indivíduo tem que ser salvo do "Jesus inventado"... Primeiro precisa ser salvo do Jesus dos evangélicos a fim de conhecer o Jesus do Evangelho.
É exagero tal dedução? Então, permita-se a uma reflexão honesta: E se Paulo estivesse presente num ano eleitoral no Brasil? Se visse e soubesse de todas as negociações de almas-votos que são feitas em Nome de Jesus? E se assistisse pela televisão a venda de todos os significados cristãos em objetos de energia espiritual pagã? E se visitasse uma “igreja” e assistisse filas de pessoas para andarem sobre sal grosso, ou para mergulharem em águas tonificadas do Jordão e a passarem pela Cruz de Jesus a fim de ganharem um carro zero, como pagamento pela sua crença? E se ele soubesse agora que a fé é um sacrifício que se expressa como dízimos, como troca de bênçãos por dinheiro, de cura pelo sacrifício de longas novenas e correntes, que só não são “quebradas” se a pessoa não deixar de largar sempre algum dinheiro no altar-bolso dos pastores?
O que enojaria a Paulo, todavia, seria ver pastores oferecendo o “sangue do Cordeiro” –e que no caso é um suco de uva — e, segundo o anúncio, a pessoa deve ir ao templo e levar para casa o “sangue do Cordeiro” a fim de ungir a casa de trás para frente e da frente para trás. O “Sangue do Cordeiro’’ não é mais o que Jesus fez na Cruz, mas passou a ser um fetiche, uma regressão ao paganismo mais primitivo, uma mágica de bruxos, uma blasfêmia, um estelionato satânico dos símbolos de uma Verdade com a qual não se brinca impunemente
.
Desse modo, Paulo veria aturdido o regresso da fé evangélica aos tempos dos cultos feitos a Baal, para as imagens de escultura, para um tempo onde nem sombra ainda havia das sombras das coisas que haviam de vir — coisas que, inclusive, perderam a simbolização em razão de Jesus haver sido o cumprimento de todas elas!
A carta aos Hebreus foi escrita por muito menos! O escritor de Hebreus diria que estão brincando com fogo ardente e consumidor e crucificando o Filho de Deus não apenas uma segunda vez, mas todos os dias — fazendo de Jesus um produto de barganha, fazendo do que foi feito por Ele, de Graça, de uma vez e para sempre, algo a ser vendido pelos camelôs do engano, em repetidos sacrifícios!

Meu Deus, e se... Paulo visse...!? Sim, se Paulo nos visitasse? Que epístola nos escreveria?

Ser evangélico para Paulo significava ter compromisso de fé e vida com o Evangelho de Jesus. Hoje, ser “evangélico” é pertencer a uma “igreja”, uma instituição religiosa que roubou o direito autoral do termo e se utiliza dele praticando um terrível “estelionato” simbólico.

Hoje, de maneira geral, quando um evangélico “evangeliza”, em geral, ele o faz a fim de que a “igreja” cresça como poder visível. Ou seja: “evangelização” significa crescimento numérico sob o pretexto de salvar as almas do inferno.
Quando Paulo evangelizava isto significava levar as pessoas à consciência da Graça salvadora de Jesus e da possibilidade da experiência da liberdade-salvadora, tanto na vida pessoal como também na comunitária. O resultado, portanto, não é o surgimento de um número a mais para as estatísticas celestiais, mas uma nova criatura que o Espírito da Graça, em Cristo, faz nascer no Novo Homem!

Desse modo, se Paulo estivesse vivo hoje, provavelmente, ele nos diria que nós ainda não somos convertidos, pois, voltamos atrás, e aderimos aos conteúdos que negam a Cruz de Cristo!

A doutrina do Purgatório é uma verdade existencial para todos os cristãos—incluindo os protestantes e evangélicos! E por quê? Ora, dizemo-nos “salvos” pela Graça, na chegada. Daí em diante, somos “santificados” pela Lei. Porém, tal “santificação” anula a Graça, segundo Gálatas 2.21, “pois, se a justiça vem pela Lei, Cristo morreu inutilmente!” Como “...se é pela GRAÇA, já não é mais pelas obras; se fosse, a GRAÇA já não seria GRAÇA”, (Romanos 11.6); então, ficamos num purgatório existencial sobre a Terra, pois, nem nos tornamos filhos da Graça a vida toda e nem nos entregamos aos rigores da Lei com honestidade. Desse modo, não usufruímos nem a saúde e a paz que vem da Graça e, tampouco, conseguimos viver pela Lei. Ou seja: vivemos em permanente estado de transgressão e culpa.
E quanto mais existimos nesse “purgatório”, mais orgulhosos, raivosos, arrogantes e mal-humorados nos tornamos, pois, no coração temos consciência de que não somos nem uma coisa nem outra: nem Gente da Graça e nem tampouco o Povo da Lei.
Então, nos tornamos os doentes que vendem cura! Nosso Cristianismo não se enxerga, não carrega nem os conteúdos do Evangelho e nem se parece com Jesus!
Jesus não veio ao mundo para criar um Circo, em alguns casos; uma Penitenciária, conforme outros casos; um Estado Soberano, conforme o Vaticano Católico e os “vaticaninhos” dos outros grupos cristãos; e, nem tampouco, um Hospício, como acontece em muitos casos!

Em Cristo não temos que ser pré-condicionados por nada que não seja o fundamento dos Apóstolos e Profetas, cuja Pedra Angular responde pelo nome histórico de Jesus, de Nazaré.
Quanto à igreja cristã, sabemos que ela não deixará de crescer em número e em poder terreno. Não. Seus templos estarão cheios e seu fervor religioso pode até aumentar, mas saiba-se que esse nosso Cristianismo não terá qualquer mensagem do Evangelho a pregar para as próximas gerações (com suas complexidades psicológicas e espirituais), a menos que se converta radicalmente à Graça (não como uma doutrina-teológico-moral), mas como a essência de nossa relação com Deus, o próximo e com o nosso próprio ser!

Nossa esperança é a possibilidade dele gerar consciências libertas do medo de ser e podendo experimentar a Graça de viver em Cristo, sem os temores que hoje são tão bem administrados pela “igreja”, na sua obsessão de ser a “conquistadora” do mundo e de seus poderes — incluindo almas humanas —; embora não ajude as pessoas a terem uma alma para gozar a vida em Deus e Deus na vida, ainda na Terra!




O CAMINHO DA EXPERIÊNCIA COMUNITÁRIA, SEGUNDO JESUS

O termo EKKLESIA sintetiza de forma impressionante o ser Igreja: São os chamados para fora. No entanto, na história cristã preponderou o caminho inverso, aquele que torna os discípulos em gente ‘chamada para dentro’, para deixar o mundo, para só considerarem ‘irmãos’ os membros do ‘clube santo’, e a não buscarem relacionamentos fora de tal ambiente. E nesse contexto, ironicamente, passamos a experimentar uma existência cada vez menos interiorizada, cada vez menos atenta para o que se dá no íntimo, e cada vez menos reflexiva.
Mas, lendo o Evangelho, é difícil conceber que Jesus sonhasse com aquilo que depois nós chamamos de ‘igreja’.

Quem pode ouvir o ensino de Jesus, com toda sua desinstalação, com toda a sua mobilidade, com toda ênfase na igualdade de todos, com toda denúncia aos poderes religiosos, e com toda a pertinência à vida — fosse para curar a mente, o corpo ou o espírito; fosse para anunciar a destruição do Templo como lugar de Deus; fosse para “beatificar” samaritanos e “demonizar” religiosos sem coração —; e, ainda assim, imaginar que Jesus tem qualquer coisa a ver com o que nós chamamos de “igreja”, seja aquela que se abriga no Vaticano, ou sejam aquelas que têm tantas sedes quantos pastores, bispos e apóstolos megalomaníacos existirem?
Não se vê Jesus tentando criar uma comunidade fixa e fechada, como também não percebo em Seu espírito qualquer interesse nesse tipo de reclusão comunitária.

Igreja, de acordo com Jesus, é comunhão de dois ou três... em Seu Nome... e em qualquer lugar... Igreja, de acordo com Jesus, é algo que acontece como encontro com Deus, com o próximo e com a vida... no ‘caminho’ do Caminho.
Para Jesus o lugar onde melhor e mais propriamente se deve buscar o discípulo é nas portas do inferno, no meio do mundo! Nesse Caminho, as maiores demonstrações de fé vêm de fora da religião. Percebe-se que tanto “malandros arrependidos” quanto “réus confessos” podem encontrar seu repouso.
Portanto, Seus discípulos são treinado a espalhar sementes, a salgar, a levar amor, a caminhar em bondade, e a sobreviver com dignidade no caminho, com todos os seus perigos e possibilidade (Lc 10). Com demônios, tempestades, interesses escusos, certezas satânicas, exageros desnecessários, familiares em pânico, medo de trair, frágeis certezas de jamais trair, traição explícita, negação e morte !

Mas, para além disso tudo, vê-se que no Caminho com Ele, os ventos cessam, as ondas se abrandam, as Leis fixas do universo são relativizadas, os demônios sabem quem Ele é e quem somos Nele!

Jesus é o Caminho em movimento nos caminhos da existência. E Seus discípulos são acompanhantes sem hierarquia entre eles. No mais... existem as multidões..., as quais Jesus organiza apenas uma vez, e isto a fim de multiplicar pães. De resto... elas vem e vão... ficam ou não... voltam ou nunca mais aparecem... gostam ou se escandalizam... maravilham-se ou acham duro o discurso... Mas Jesus nada faz para mudar isto. Ele apenas segue e ensina a Palavra, enquanto cura os que encontra.

Não! Jesus não pretendia que Seus discípulos fossem mais irmãos uns dos outros do que de todos os homens.

Não! Jesus não esperava que o sal da terra se confinasse a quatro dignas paredes de um Saleiro Comunitário.

Não! Jesus não deseja tirar ninguém do mundo, da vida, da sociedade, da terra... mas apenas deseja que sejamos livres do mal.

Não! Jesus não disse “Eu sou o Clube, a Doutrina e a Igreja; e ninguém vem ao Pai se não por mim”.

Assim, na igreja dos chamados para fora, caminha-se e encontra-se com o irmão de fé e também com o próximo que não tem fé... e todos são tratados com amor e simplicidade.

Em Jesus, o discípulo é apenas um homem que ganhou o entendimento do Reino e vive como seu cidadão, não numa ‘comunidade paralela’, mas no mundo real.


O MODELO DO ‘CAMINHO’

O que será, então, que o Senhor tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder?

O que sei é que Jesus esperava que tudo quanto Ele havia dito antes acerca de como se deveria proceder, de cidade em cidade, fosse agora vivido como uma ação contínua, num fluxo ininterrupto, num vai e vem constante, e como um poder que nunca tivesse um trono, nem uma cidade santa, nem um vaticano.

O que os cristãos precisam saber é que Jesus não era cristão, e que nem tampouco quis Ele fundar o Cristianismo, nem mesmo teve interesse em algo que se assemelhasse à civilização cristã, conforme nós a conhecemos de 332 de nossa era até hoje.

Jesus criou o caminho da fé na graça e no amor de Deus, o que deveria ser algo livre como o vento, e vivo e móvel como a água, algo muito, mais muito longe de uma proposta religiosa.

Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos, e que os apóstolos fossem os servos de todos; sem haver nem alguém maior, e muito menos, um lugar mais santo ou um centro de poder.

Jesus esperava que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas. Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, guiado pelo Espírito, e complemente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galiléia, nos desertos da Judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis, e nos confins da Terra.

Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrário a toda lógica de poder, e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga a ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de alguma coisa duradoura.

Para Jesus, o duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de visitas turísticas, dada a sua impermanência num chão marcado pelas urinas dos mandões. Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser de seus discípulos.

O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite para que se morra a fim que se tenha vida, é também válido para a igreja, que - ao contrário do discípulo - quer mandar na vida, e controlar os homens e o mundo. Assim, pretendendo salvar a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo.

O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela terra, e, se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidas, mas jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã, a serem visitadas pelos curiosos.

O reino é como o fermento escondido... até que pervade toda a massa da humanidade... sem ninguém saber como... e sem que ninguém possa dar glória a mais ninguém, se não ao Pai que está nos céus.

Aliás, a proposta de Jesus é tão extraordinária, que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como metáfora desse ‘desaparecimento’ da igreja na terra. Tudo ao que Ele associa a metáfora do sal é ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, se não já não presta para nada. E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, tempero, realidade e benefício, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: ele está na panela. Mas onde?

Já a Luz do mundo — vós sois! —, deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia, de modo discreto, porém pleno de efetividade; de tal modo que os “de fora”, que ao receberem os benefícios da luz, podem discerni-la como boas obras, e assim, eles mesmos, agradeçam a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela terra.

O que Jesus propõe como simplicidade total, entretanto, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo “tal não é entre vós”— referindo ao poder de governar dos reis e autoridades —, o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum.

Na realidade, quem entendeu o Evangelho e seu significado, sabe que o Cristianismo se tornou uma perversão da proposta de Cristo, transformando o Evangelho puro e simples numa religião, com Dogmas, doutrinas, usos, costumes, tradições com poder de imutabilidade e muita barganha com os homens, em franca e pagã manipulação do nome de Deus.
No Cristianismo, Deus tem Seus representantes fixos e certos na terra—o clero, seja ele Católico ou Protestante—, tem Suas doutrinas e Dogmas escritos por concílios de homens patrocinados por reis, e tem na sabedoria deste mundo seu instrumento de elaboração de Deus: a teologia.

Desse modo, no Cristianismo, “Deus” não passa de uma ‘potestade religiosa’ e de um poder mantido pelos homens, posto que se crê que sem o Cristianismo, Deus está perdido no mundo.
O mundo conheceu o Cristianismo, mas não teve muita chance de conhecer o Evangelho, conforme Jesus e segundo as dinâmicas livres e libertadoras do caminho, de acordo com as narrativas dos evangelhos, nas quais o único convite que existe é para se “seguir” a Jesus.

O Brasil, por exemplo, está cheio de Cristianismo, e, paradoxalmente, morto do Evangelho.


O CAMINHO NÃO É UMA REFORMA!

Mas é a Reforma? Para quê serviu, então? Qual o fruto dela, hoje?

Talvez não seja a hora de propor uma Nova Reforma, tal qual alguns tem idealizado?

Não. Uma Nova Reforma é ainda “remendo de pano novo em veste velha”.

Buscar reformar o Cristianismo nada muda, visto que apenas se adia o comprometimento radical que o Evangelho demanda.

O Evangelho não propõe uma religião, mas o Caminho.

A Reforma Protestante elegeu de 95 teses; arrancou os ídolos do lugar do culto, e os retirou da devoção dos fiéis; aboliu o papado, acabou com boa parte do clero conforme a formatação católica, e afirmou que a Graça, Cristo, a Escritura e a Fé eram os ‘pilares’ sobre os quais a “igreja” deveria ter seus fundamentos. No entanto, a Reforma não se viu livre das técnicas gregas de ‘fazer teologia’ e suas sistemáticas, e nem abriu mão do logicismo grego, antes utilizando-se dele a fim de criar seus próprios credos, dogmas, doutrinas e leis morais. A Reforma é um Catolicismo que fez Dieta.
De fato, a coragem que se demanda desta geração é bem maior do que aquela que fez com que camponeses oprimidos pelo papado de Roma tiveram que ter a fim de iniciar a Reforma. Digo isto porque ‘ali’ a mudança não era radical.

O Evangelho permaneceu ‘aprisionado’ à Religião, e a coragem revolucionária que Ele demanda para se viver o processo contínuo de conversão e de não-conformação com este mundo, é aquela que se lança ao vento e caminha pela fé. 



CAIO FÁBIO

terça-feira, 13 de junho de 2017

Sou “cristão” e vacilão!

 por Lucas Soares
Cristão entre aspas sim, muitas aspas por sinal, pois infelizmente vemos que muitos de nós que nos denominamos cristãos, estamos aplaudindo atitudes totalmente antibíblicas como ocorreu nesta semana deste rapaz que foi tatuado em sua testa, a frase: “Sou ladrão e vacilão.”
Eis que fico pensando, imagina se Cristo agisse da mesma maneira? Parece que nos esquecemos da dívida que foi paga, que nós não poderíamos pagar e com isto, nós temos a obrigação de sermos relevantes com aqueles que nos devem, portanto devemos ser relevantes com aqueles que não conhecem a Cristo e erram com nós e isto serve para os bandidos, para aqueles que nos fazem mal!
O cristianismo vem sendo deturpado em nossa nação, ao invés de sermos pessoas de bem, buscando viver um cristianismo vivo, um cristianismo pautado na palavra do Senhor, cheio de amor, paz e alegria.
Trazendo novidade de vida para aqueles que ouvem a mensagem emitida por nós, nós como igreja estamos falhando, pois defendemos mais a ideologia política nossa do que o próprio cristianismo. Colocamos a nossa ideologia na frente de tudo, condenamos um ladrão de bicicleta, porém não condenamos as heresias que ouvimos constantemente em nossas igrejas, e nossa função como igreja é condenar aquilo que não condiz com a palavra e deixar que a justiça venha das mãos de Deus!
Todavia achamos que a ideologia política está atrelada a nossa vida cristã, portanto defendemos isto com unhas e dentes, porém devemos lembrar que qualquer ideologia política irá se chocar com a palavra do Senhor, portanto devemos sempre ficar com a palavra de Deus, ela que deve reger nossos caminhos.
Portanto não haja dessa maneira, não seja mais um “vacilão”, e não aplauda essas atitudes horríveis, a justiça com as próprias mãos não é algo que deve vir de nós, deve vir do alto. Única coisa que devemos julgar repreender, são as heresias que estão ao nosso redor, devemos lutar contra isto piamente e buscar viver um evangelho vivo, viver o evangelho de Cristo de maneira simples e eficaz, sempre nos perguntando: “Neste momento o que faria Jesus?” Ele deixou respondido na história da mulher adultera!
Nós como pequenos cristos (o significado da palavra cristão é isto) devemos viver com Ele, ser imagem e semelhança, portanto devemos exalar paz, e infelizmente estamos sendo “vacilões” e estamos agindo como aqueles que queriam apedrejar a mulher adultera, agindo de uma maneira que não condiz com nada daquilo que Cristo pregou em toda sua vida!

domingo, 4 de junho de 2017

Deus continua no controle de nossas vidas

Como é difícil entender que até mesmo em um desastre pode se manifestar a Glória de Deus em nossas vidas. Quando estamos passando por uma grande luta ou um longo período no deserto, temos a tendência a desistir, entregar os pontos, fugir literalmente e quase sempre perdemos o controle. Nunca nos vem à mente que DEUS continua no controle de nossas vidas, sempre pensamos que estamos abandonados à nossa própria sorte e seremos destruídos.
Como é fácil nos descontrolarmos
Nesse nosso descontrole perdemos, muitas vezes, a nossa esperança, o nosso sono, e nos entregamos a ansiedade que nos cega. Não enxergamos mais a manifestação da Glória de Deus atuando em nossa volta. Um simples passarinho levando o alimento aos seus filhotes, é uma dica que Deus cuida e continua no controle de tudo… Mateus 6:25-27
Todo o Universo está no controle de suas mãos, tudo em maior sintonia, nada foge de Sua atenção. Veja as estrelas longínquas, anos luz de nossa habitação! Lá as mãos poderosas do Criador controlam cada detalhe. Quando olhamos à noite o céu estrelado, ficamos imaginando quantos bilhões de estrelas estão a brilhar. Sabe o que a Bíblia diz? DEUS conhece cada uma das estrelas pelo nome.
Levantai os olhos e observai as alturas: Quem criou tudo isso? Foi aquele que coloca em marcha cada estrela do seu incontável exército celestial, e a todas chama pelo nome. O seu poder é incalculável; inextinguível a sua força, e, por isso, nenhum desses corpos celestes deixa de atender prontamente. Isaías 40:26
Quando temos essa certeza fica mais fácil suportar as pressões do nosso dia-dia. Muitas vezes o que passamos não é tão absurdamente insuportável que não possamos aguentar.
Os males da corrupção em nosso País
Nós estamos enfrentando uma grande crise em nossa nação. A corrupção tomou conta de todas as esferas de nossa sociedade. Isso tem gerado violência, fome, desemprego, falta de segurança. Pensamos: Quando isso vai acabar? Não se fala em outra coisa a não ser: “Crise”, crise e crise.
Nesse momento, quem sabe, quantos estão maldizendo os nossos governantes; quem sabe culpando até Deus por tanta corrupção, violência, desemprego. Será que estamos à deriva? Será que DEUS não está nem aí para nossa situação? Será que Ele não se importa com as famílias que estão passando por crises financeiras?
Agindo DEUS quem impedirá?
Será que existe algum problema que DEUS não possa resolver? Será que o que Ele fez através da história e em nossas vidas, não é uma prova suficiente que pode reverter todas as coisas? Muitas vezes Deus usa a adversidades para nos provar. Outras vezes Ele se mostra em uma tragédia, quando todos já não têm mais esperança; Ele age e reverte a situação. Deus é Deus independentemente da situação, independente do partido político. Deus é Deus, independente do caos, independentemente de sua condição financeira. Deus é Deus, até quando você não tem mais forças para acreditar. Deus é Deus até quando você desiste. Ele nunca desistirá de você nem tão pouco te esquecerá.
Deus é Deus quando tudo está escuro, Deus é Deus, quando tudo está claro, Deus é Deus quando chove, Deus é Deus quando está sol. Ele vai usar esse seu “problema”, para manifestar a Glória dEle em sua vida. Ele vai usar até o seu descontrole, para manifestar Sua Glória. Ele te diz: “Calma! Eu estou no controle” Isaías 43:1-3
Quem sabe nesse momento você já não mais acredita que será possível reverter a situação; mas Deus é Deus, e quando age ninguém pode impedir. Ele está agindo só você não enxerga.
Ainda antes que houvesse dia, Eu Sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; Agindo Eu, quem o impedirá? Isaías 43:13
“Deus usará o que quiser para mostrar sua glória. Céus e estrelas. História e nações. Pessoas e problemas”. Max Lucado
Nessa frase acima, Lucado reconhece a dor, os desafios da vida e o sofrimento como situações normais do dia a dia, cujo enfrentamento se dá por uma atitude de confiança, na certeza que Deus está no controle de tudo, mesmo quando nada parece fazer sentido.
Confie plenamente em seu Deus, Ele ao Seu tempo vai manifestar Sua glória. E esse seu “problema” vai ser o tema principal para o seu testemunho. Todos ouvirão o que Deus fez por você e glorificarão a Ele.
“Nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, pois eu sou teu Deus; eu te fortaleço e venho em teu socorro, eu te amparo com minha destra vitoriosa”. Isaías 41:10

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Honre a sua família

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis a ira de vossos filhos, mas educai-os de acordo com a disciplina e o conselho do Senhor”. (Efésios 6.1-4)
Como Criador, Deus tem planos extraordinários, surpreendentes, inimagináveis para as nossas famílias!
No plano de Deus para a família, cada indivíduo tem um papel a desempenhar e esse papel deve ser feito da melhor maneira possível, independente da falibilidade do outro.

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Uma das chaves para relacionamentos bem-sucedidos no seio familiar é considerar que os outros são mais importantes do que nós mesmos.
Confiar em Deus e seguir seus planos é o único caminho de sucesso verdadeiro para as nossas famílias.
Quando esses princípios são negligenciados, famílias fracassam.
Quando os princípios são respeitados a família cresce e prospera.
Deus nos deixou exemplos de várias famílias na Bíblia Sagrada – Adão e Eva, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Davi. Suas vidas foram descortinadas para que pudéssemos ver como elas foram abençoadas quando obedeciam a Deus e como tiveram dificuldades quando desobedeciam ao Senhor.
Às vezes, pelo fato de não honrarem uns aos outros, havia amargura, ciúmes e até assassinato. O primeiro assassinato registrado na Bíblia foi entre irmãos, Caim matou Abel. José foi vendido como escravo por inveja. Os filhos do sacerdote Eli, Hofni e Finéias desonraram a seu pai e ao povo de Israel. E muitos outros casos estão relatados entre as famílias bíblicas.
A maioria dos problemas de ordem familiar tem como origem o descumprimento das diretrizes bíblicas para o bem-estar da família!
Um princípio crítico para o crescimento espiritual de uma família frequentemente negligenciado é o da “honra”.
Vejamos alguns textos bíblicos acerca de princípios de honra na família:
Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor. (Efésios 5.22)
Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. (Efésios 5.28)
“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” (Êxodo 20.12)

A definição de honra

No Novo Testamento, honra significa “um apreço”.
Honra é o sentimento do dever; Dignidade; Boa fama; Demonstração de respeito; Honrar é colocar o outro como primeiro.
O verbo honrar significa distinguir, fazer diferença.
Quando “honramos” um familiar demonstramos que essa pessoa é extremamente valiosa aos nossos olhos.
O oposto também é verdadeiro. Podemos demonstrar que um familiar tem pouco valor pela forma em que o tratamos.
Famílias onde não há honra, casamentos são arruinados; filhos se rebelam; parentes se agridem física e verbalmente; festas são constrangedoras, pois um parente não fala com o outro.
Família onde não há honra, não há gratidão, não há respeito, não há admiração. Família onde não há honra tem como marca o azedume da vida, o mal humor, a falta de paciência, e chegar em casa após o trabalho é um fardo difícil de carregar.
Enfim, uma família desonrada colhe frutos amargos e os danos são incalculáveis.
A pergunta ideal diante deste quadro seria: como podemos restaurar a honra de nossas famílias?

Decida honrar a sua família.

A palavra decidir aponta para decisão. Deus disse, “tratai todos com honra” (1 Pedro 2.17), “preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12.10), “considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2.3).
Temos que tomar a decisão de honrar as pessoas que Deus colocou sob para fazerem parte da nossa vida.
Filhos, valorizem os seus pais.
Pais, valorizem os seus filhos.
Esposas, valorizem seus maridos.
Maridos, valorizem suas esposas.
Irmãos valorizem seus irmãos.
Sogras, valorizem seus genros e noras.
Noras e genros, valorizem suas sogras.
Deus espera que honremos nossos familiares.
Um exemplo clássico da inversão dos valores familiares se dá em velórios, onde você muitas vezes os filhos ou algum ente querido chorando copiosamente pela perda da pessoa, contudo, quando a pessoa estava viva, não havia respeito, honra, amor, enfim, não havia demonstração de carinho. Aí quando a pessoa vem a falecer, envia-se uma coroa de flores e alguns fazem questão de pegar a alça do caixão.
Decida honrar a sua família em vida. Não espere um familiar seu morrer para dar valor. Ame hoje. Presenteie hoje. Seja feliz hoje.

Decida respeitar a sua família

O apóstolo Paulo disse para os maridos serem o cabeça, amarem suas esposas, sacrificarem-se por elas, alimentarem e cuidarem delas (Efésios 5.22-31).
Às esposas foi dito para serem submissas, temerem e respeitarem seus maridos (Efésios 5.22-33).
É dito aos filhos que devem obedecer seus pais (Efésios 6.1).
A Bíblia Sagrada aponta o tempo todo para atitudes práticas de amor e respeito.
Não adianta falar que amamos a nossa esposa ou filhos, ou qualquer outro familiar, se as nossas atitudes demonstram o contrário. O nosso falar deve estar em concordância com as nossas ações.
A atitude de honra cria um ambiente saudável e aconchegante para que a nossa a família cresça diante de Deus e dos homens.

Decida cuidar da sua família à luz da Palavra de Deus

Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel. (1 Timóteo 5.8)
Há muita gente negligenciando a sua família, desonrando os seus familiares. Muitas vezes usando como argumento as próprias atividades da igreja para deixar de honrar os pais ou algum outro ente querido.
Mas a Bíblia diz que quem age assim negou a fé e é pior que o infiel.
Vemos pessoas querendo ganhar a sua família para Jesus por meio de palavras e discussões.
Esquecemo-nos que a maior estratégia de evangelismo não são palavras, mas atitudes. O dia que a sua família enxergar Cristo em você, aí então eles começarão a se converter ao Senhor. Aí você vai declarar como Josué, eu e minha casa servimos ao Senhor!

Decida amar a sua família

O apóstolo João disse, “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (1 João 4.10-11).
Ame a sua família ainda que ela não mereça o seu amor.
A sua família pode ser complicada, cheia de problemas, mas é a família que Deus te deu.
Seja grato a Deus pela sua família. Ame-os assim como Deus nos ama. Perdoe os seus pecados. A partir de então, a felicidade inundará o seu lar, tornando-o um pedacinho do céu!

Gospel Prime

sexta-feira, 12 de maio de 2017

ESTRADA & CAMINHO

Um dia, meu amigo Roberto, do Caminho, me ofereceu um CD com uma mensagem do pastor Caio pregada em Julho de 2004, que ele gravou da Rádio do Site, se não me engano...
A mensagem me impactou.
Primeiro, por ser a mesma de sempre: absolutamente comprometida com o Evangelho e com mais nada. Ninguém pode dizer que não há Evangelho no texto abaixo. Ninguém pode dizer que há qualquer outra coisa para além do Evangelho, segundo a Palavra.
Em segundo lugar, porque é a mesma de sempre, mas de forma deliciosamente nova e irrepetida, e com contornos reflexivos riquíssimos, criativos, poéticos e docemente didáticos.
Então, o Roberto resolveu se dedicar a árdua tarefa de transcrever todo o áudio, para que outros pudessem receber o benefício da Palavra de Deus aqui declarada.
Portanto, tenho certeza que se você imprimir esse material e se debruçar des-apressadamente sobre ele - em oração e reflexão acerca de si próprio na vida - certamente será abençoado, e terá “seus caminhos aplainados”, ainda nessa vida.
Enjoy it!
Marcelo
ESTRADA & CAMINHO 
SALMO 84

INTRODUÇÃO

Esse é o salmo do peregrino. É o salmo que inspirou muitas gerações de pessoas na terra de Israel que reuniam-se uma vez no ano para irem ao templo adorar a Deus. Esse era o salmo do caminhante, era o salmo da jornada, o salmo da estrada. A medida em que eles iam se aproximando do templo, as alegrias do coração se manifestavam e o salmo era falado como uma jornada do caminho, como uma confissão da estrada de quem queria chegar num lugar da adoração. Nós não somos hoje pessoas do templo, o templo somos nós, não temos nenhuma devoção por pedras, colunas... Somos santuário de Deus, somos habitação de Deus no Espírito. Portanto, a leitura desse salmo já não nos serve como uma inspiração para quem está indo a um lugar de culto; seria de uma pobreza primitiva enorme a gente pensar assim. Mas, é sobretudo uma viagem existencial para esse lugar aonde Deus tem o seu pouso em nós e aonde nós temos o nosso pouso em Deus, aonde a gente se aninha em Deus no caminho.

"Quão amáveis são teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!
A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!
O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes;
eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva.
Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião. Senhor, Deus dos Exércitos, escuta-me a oração; presta ouvidos, ó Deus de Jacó! Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente.
Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia."

A GRANDE QUESTÃO DO CAMINHO, É COMO VOCÊ ANDA NO CAMINHO.

A gente costuma associar a vida a uma estrada... Há aqueles jargões cansativos que toda hora nos acomete do tipo: na estrada da vida. E é, sem dúvida alguma, algo útil para nós, pensar que a vida é alguma coisa que se assemelha a uma estrada. A imagem da estrada é útil para entendermos a idéia do caminho. É útil porque aponta numa direção, numa via, e é útil porque há um caminho na estrada, mas não há uma estrada no caminho. Ou seja, a imagem da estrada me remete para o fato de que estou andando na direção de algum lugar, isso me é útil porque na vida não existe essa opção de não se estar andando. Não existe essa chance de não ser e de não ir. De outro lado, essa imagem da estrada é útil para nós porque nos mostra isso.
No caminho de Deus que a gente anda, não existe uma estrada fixa, de modo algum. Na mente da gente, na maioria das vezes, quando se pensa em andar com Deus, o que se apresenta é uma idéia de uma estrada fixa. Aí alguém chega e diz assim: "Jesus é o caminho". Aí o sujeito imagina Jesus como sendo a BR-1 de Deus, um caminho fixo. Aí você diz: "Como é esse caminho?". Então a pessoa te apresenta o manual de doutrinas, e você aprende aquelas doutrinas. Chega até o ponto de pensar que Deus não te ouviu, se você não mencionar a Trindade na oração: "Pai eu te peço em nome do teu Filho, no poder do Espírito Santo". Se não usar as três nomenclaturas, Deus ficou chateado. Já vi gente ser interrompida ou, após uma oração, receber admoestação de alguém que disse: "Escuta, você não falou em nome de Jesus". Porque se você não completar o pacote da estrada com todas as sinalizações dela, parece que você não está indo a lugar nenhum.
Nesse sentido, a imagem da estrada não nos ajuda, porque nós não estamos caminhando num caminho fixo. Ele disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Não há fixidez, o que há é movimento na Verdade que conduz a gente na direção da Vida sempre. A estrada física conforme eu lhes disse é fixa. O caminho espiritual, por seu turno, é vivo e não é fixo. No caminho espiritual não existe fixidez da estrada, ou seja, o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente muda o caminhante e muda a estrada. Numa estrada física, fixa, não interessa como o caminhante caminha, a estrada é a mesma. Ele pode caminhar de maneira apressada, ou lenta, agitada, angustiada, calma, contemplativa, olhando em volta ou de maneira completamente alienada, a estrada é a mesma... Ele pode botar no automático e deixar ir. No mundo espiritual, no entanto, não é assim, não existe absolutamente nenhum chão fixo, por isso é que o justo vive pela fé, pisa no chão da fé e sabe sobretudo isto: o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente, muda o caminhante e muda a estrada. A estrada, acerca da qual a gente está falando hoje, é a existência de cada um de nós. Cada um de nós está numa estrada. 

COMO É QUE A GENTE ESTÁ CAMINHANDO NESSA ESTRADA?

A estrada é chamada à existência, conforme o caminho do caminhante.

Isso que é extraordinário, porque a minha estrada não existe por si só, ela é chamada à existência conforme o meu caminhar. A estrada é conforme ela é andada, essa que é a verdade! Nesse sentido, a estrada física-fixa fica pobre para ilustrar o caminho espiritual. A estrada física não muda com os caminhantes, ela permanece a mesma. Mas a estrada espiritual é feita pelo andar do caminhante, é produzida pelos teus pés. Por isso não se pode apenas dizer para alguém: "Olha só, vê ali, Jesus é o caminho, anda nele". Porque isso não vai significar absolutamente nada para pessoa, a menos que a pessoa ande e experimente. Nós, cristãos, temos uma mentalidade religiosa que nos faz pensar em Jesus como Caminho relacionado a alguma coisa que se assemelha a uma estrada física e fixa. Mas não é. E aí é que está o engano, e é aí que as coisas vão ficando pedradas dentro de nós. Por que a gente fica pensando que pela entrada na igreja, pela via do batismo, pelo aprendizado dos nossos jargões, dos nossos chavões, pela capacidade que a gente tem de papagaiar e repetir coisas que a gente ouve, ou simplesmente, porque nós fomos batizados e temos o nome arrolado num rol de membros de uma igreja ou participamos de determinadas formas de culto com certa regularidade e nos dizemos cristãos, nós somos de Jesus. E não é. Não existe fixidez no caminho de Cristo a menos que você ande nele. Não é possível você simplesmente dizer: eu sou de Jesus; se você não anda no Caminho.

Essa mentalidade religiosa é que pensa no caminho de Jesus como se fosse uma estrada e que a gente pode botar o pé nela e andar do jeito que quiser. No caso da estrada, se a gente for andando, dado o tempo e o espaço, a gente chega lá. Todavia, o caminho espiritual não é assim. Você pode ter tido todas as informações que lhe façam pensar que Jesus é o Caminho, mas se você não andar conforme o Caminho, você não está no Caminho. E é aí que o bicho pega dentro de nós. O interessante é que a estrada física, como eu disse, não muda com os caminhantes, mas a estrada espiritual é feita pelo caminhante.

E aí eu queria que você pensasse comigo no seguinte: Lembra da parábola do bom samaritano? Ela ilustra perfeitamente o que estou querendo dizer, antes de chegar no salmo. O que a gente tem ali é um caminho, uma estrada, que ia de Jerusalém para Jericó... mesma estrada... está fixa lá até hoje. Você pode fazer o caminho romano antigo dos dias de Jesus até os dias de hoje, ela esta lá, com pedras daquele tempo, com cenários que não mudaram, uma estrada. Aí Jesus disse que, naquela estrada aconteceu uma coisa que envolveu cinco pessoas. Uma mesma estrada, cinco caminhos diferentes, uma mesma estrada que foi alterada pelo caminhar dos caminhantes. Um mesmo chão que virou chão diferente de acordo com a diferença da caminhada de cada um. O primeiro indivíduo que a gente encontra naquela estrada é um homem honesto, que saiu de casa e foi trabalhar. E no caminho para levantar o sustento para a vida, uma tragédia o acometeu. E ele foi deixado - largado, caído, assaltado, ferido, roubado, depravado e privado dos seus bens e do que tinha - ali abandonado. Caminho de um homem honesto roubado e largado na estrada. Tem um segundo homem nessa história, nessa estrada, é aquele que encontra o honesto que vem andando, querendo levantar o sustento para levar para casa e o assalta. Mesma estrada, um segundo caminho, caminho de violência, de expropriação, de covardia, de aproveitamento, de roubo, de engano. Mesma estrada, um homem honesto caído, um assaltante que se aproveitou da vida dele, e fez o seu próprio caminho. Aí passa uma terceira figura, um sacerdote, mesma estrada um terceiro caminho. O sacerdote vem e olha o homem, passa de largo, segue o seu caminho, caminho da indiferença, o caminho da incapacidade de se solidarizar, o caminho daquele que tem a sua agenda tão definida, que não tem espaço para qualquer parada. Esse é, sobretudo, o indivíduo que achava que a finalidade de cultuar a Deus num lugar sagrado, cumprindo uma liturgia, lhe era mais importante do que a parada para exercer a misericórdia com aquele que estava ali deitado. Uma mesma estrada, um outro caminho. Aí tem um quarto indivíduo que passa na mesma estrada, um levita. Ele viu o sacerdote passar e não fazer nada, e não fez nada também. Assumiu o caminho da omissão homicida, largou o indivíduo, fez que não viu, alienou-se, ligou o botão do auto-engano e se foi, insensível e impermeável. Aí vem um quinto indivíduo. Mesma estrada, um quinto caminho. Era um samaritano considerado herege pelos judeus, abominado pelo sacerdote e pelo levita. Mas ele passa e ele olha, e ele vê e ele se abaixa, ele socorre, ele cuida, ele pensa as feridas, trata delas, derrama sobre elas óleo e vinho. Cuida do indivíduo e o leva e o coloca numa estalagem e diz para o estalajadeiro: "Eu estou deixando aqui dinheiro, e se não for o suficiente, bota tudo na minha conta, porque quando eu passar de volta eu vou quitar tudo". A estrada para o primeiro homem era um meio de vida e ele caiu nela. Para o segundo homem era um meio de se aproveitar dos recursos do outro, era o caminho do aproveitamento e do engano. Para o terceiro homem, o sacerdote, era apenas uma estrada banal, aonde o que quer que acontecesse não lhe dizia respeito, porque ele era um desses indivíduos que se deslocava de um ponto para o outro e o que acontece no meio para ele não existe, ele é indiferente à vida. O outro é omisso, ele sempre olha para quem ele acha que lhe é superior na hierarquia, e diz: "Se ele não fez, porque que eu tenho que fazer". E há um aqui, para quem o caminho é o lugar de misericórdia, é o lugar onde a graça pode se manifestar e aonde o amor de Deus pode ser encarnado. Uma única estrada com caminhos diferentes. Isso nos ajuda entender e a discernir uma coisa fundamental para nós hoje: O caminho é chamado à existência pelo modo como eu ando.

Nós estamos todos aqui reunidos em Brasília, no Hotel Fenícia, cada um veio de casa, e eu não sei o que vocês deixaram em casa. Mas eu sei uma coisa, que ainda que a vida seja completamente idêntica para nós, nós todos temos diferentes caminhos de vida. Você olha em volta e você vê pessoas tendo as mesmas oportunidades, respondendo a elas de modo completamente distinto, e vê pessoas não tendo oportunidades e respondendo a essas não-oportunidades de modo também completamente distinto. Anteontem, eu recebi uma carta quando eu ia chegando aqui. Um rapaz extremamente discreto me deu essa cartinha e falou: "Por favor leia, mas leia, leia mesmo". Eu já estava atrasado, entrando, e só dei um sorriso para ele e botei a carta no bolso. E a carta dele está aqui. Olha só como uma estrada que podia ser miserável se transforma num caminho de vida, por causa do pé de quem pisa, de como pisa, de como vê, de como enxerga, de como interpreta e de como chama coisa a existência para sua própria vida. "Estou lhe escrevendo essa breve carta a fim de externar o quanto sou grato a Deus pela sua vida, gostaria muito de um dia poder compartilhar com você de maneira mais detalhada minha caminhada. Pude saber quem era o meu pai biológico e conhecê-lo, foi uma experiência libertadora quanto a rejeição que tenho por parte do meu verdadeiro pai humano. Meu pai tem, o primeiro deles, a saúde regular apesar da doença e minha mãe nunca pegou uma gripe sequer por causa do HIV, isso é motivo de alegria. Deus tem feito muito em mim e o sonho que tenho como oração diante Dele é que eu me veja pacificado, fazendo de minha própria vida uma mensagem, mesmo que doa, assim como doeu aos profetas do Antigo Testamento. E assim como sei que tem doído em você. Mais uma vez muito obrigado Caio".

Agora, pense em você. Eu faço atendimento de pessoas, e às vezes, a vontade que me dá é dar uma surra no cara. Tem pai em casa, mãe em casa, tudo bem, tudo certo, tudo legal, trabalho, emprego, saúde... Aí, há complexo para tudo que é lado, quanto mais a vida vai melhorando, mais complexificadas as pessoas vão ficando, mais cheias de manias. Lá na minha terra no Amazonas, nas barrancas dos rios, não existe depressão, o cara tem que cuidar de comer o pão, ralar mandioca, pescar de sol a sol, não tem tempo para se deprimir. Ou ele sai para trabalhar ou ele não come. Mas entre nós é diferente. A vida vai ficando mais complexa, a luxúria começa a habitar a alma, se instala no espírito como insatisfação crônica, e aí não interessa o que o indivíduo tem na estrada, a estrada pode ser a favor dele, pode ser ladeira abaixo, pode ser pastos verdejantes, pode ser como for. Aonde, ele puser o pé a estrada vai mudar, porque ele chama a existência o seu próprio caminho. Agora, você tem aqui, um cara com tudo para não estar se sentindo grato, para estar pedindo aconselhamento. Mas, ele chamou a existência um outro caminho, apesar da estrada ter sido perversa. A estrada foi horrível, mas o caminho está sendo lindo. A mesma estrada, a mesma vida, o mesmo chão, a mesma existência sob o mesmo sol, cercados pelas mesmas circunstâncias, caminhos diferentes. Porque o caminho está dentro de mim, o caminho está dentro de você. Isso foi só uma introdução para a gente chegar no salmo (risos). Só que eu prometo que eu serei mais rápido do que nunca.

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Quando a gente olha para o Salmo 84, vê que ele nos dá esse referencial, de como é que a gente - andando na estrada, qualquer estrada, na estrada comum, na estrada de todos - pode ir tecendo nosso próprio caminho.

COMO FAZER NOSSO CAMINHO NA ESTRADA?

1- Em primeiro lugar, ele diz que isso acontece quando eu carrego meu ser enternecido Ter um ser enternecido é a primeira coisa. Gente amargurada, vai pisar em chão de amargura, qualquer que seja o caminho. O salmo fala de um coração enternecido. "Quão amáveis são teus tabernáculos, a minha alma suspira e desfalece", ele está apaixonado, "o meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo". O que você tem aqui, existencialmente falando, é um ser enternecido por Deus.

2- E, em segundo lugar, o salmo ensina que qualquer que seja a estrada pode virar caminho bom e caminho de Deus, se eu ando com a segurança de quem, se sabe, sendo capaz de encontrar pouso, refúgio, agasalho, apenas em Deus. Essa carta, que eu li hoje aqui, é de um indivíduo, que com doze anos disse que foi visitado por uma plenitude que ele não sabia nem qual era. Depois falou em línguas, ele disse: "O menor dos dons, e eu não achava que nem era crente o suficiente para receber aquilo, por causa da mentalidade de causa e efeito, de legalismo". Mas Deus violou o legalismo da criança, e derramou a graça dele sobre ela, razão pela qual hoje aos 24 anos de idade, a estrada é perversa, mas o caminho dele é bom. Olha só o que diz o verso

3: "O pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, eu encontrei os teus altares Senhor dos Exércitos". Essa segurança de quem pousa no ninho de Deus, Deus é meu pouso. Boa parte da razão pelo qual a estrada se torna insuportável, é porque a gente vive fantasiando, e criando e projetando, e imaginando e elocubrando coisas e cenários e situações que não são reais. E a gente faz sempre isso para o lado de fora, a vida só nos é boa se ela for pintada com um cenário exterior que nos agrade. E quando isso acontece na maioria das vezes, a gente vem a descobrir que o mundo pode estar pintado de paraísos, se você não carregar no peito o caminho da vida, tudo vai perecer e desvanecer diante de você. O coração encontra significado no caminho quando ele diz para si mesmo:"Eu não tenho bem nenhum senão a Ti Senhor. Tu és meu pouso". Quando Deus é meu pouso, quando Nele eu tenho meu tesouro, o meu refugio, o meu ninho, o meu agasalho, aí nada me faltará. Quando eu acho que as coisas que me faltam, me precisam ser dadas para que eu me sinta satisfeito, eu posso ter todas as coisas e jamais estarei satisfeito. No entanto, no dia em que meu coração estiver enternecido por Deus e que todo meu sentido de segurança, de agasalho, de carinho, de conforto, de aconchego estiver Nele, não importa qual seja a estrada, vai virar um caminho de vida. 

4 - Mais do que isso, o salmo diz que a estrada se transforma num caminho de vida quando eu carrego dentro de mim um louvor existencial na casa do meu ser. Olha só que diz o verso 4: "Bem-aventurado Senhor os que habitam em tua casa, louvam-te perpetuamente". Lá no Velho Testamento, eu disse que era um caminho na direção do templo, hoje o templo está aqui. E é um chamado para um caminhar existencial de contentamento, aonde a gente olha a vida com outros olhos e aí qualquer estrada vai virar caminho de vida. 

5 - E além disso, qualquer estrada vira caminho de vida, quando eu levo em mim a atitude de quem transforma vales áridos em mananciais. Olha os versos 5 e 6: "Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual passando pelo vale árido faz dele um manancial, de bençãos o cobre a primeira chuva". Esse vale árido, lá no texto hebraico é chamado de vale de Baca, uma das alusões a ele está lá no livro de Juízes, quando se diz que o povo chorou em Boquim, depois que tinham pecado contra Deus e o anjo do Senhor veio e falou com eles face a face e eles choraram muito e chamaram aquele lugar de Boquim. É daí que vem a derivação para o Baca. Ele diz que bem-aventurado é aquele que passando pelo vale de Baca faz dele um manancial. ‘Vale de Baca’ era o vale de lágrimas, é o lugar aonde os chorões cresciam e crescem. Até hoje das imediações de Jerusalém, quando você chega no vale de Efraim, você ainda vê uma quantidade enorme de salgueiros e de chorões e também de árvores que derramam uma resina, daí o nome ter sido vale das lágrimas também, tanto por causa da ocorrência no livro de Juízes, como também por causa desse significado vegetal de um lugar aonde as plantas choram. O caminho para o templo passa por ali, que é também vale dos gigantes, vale de Efraim. E se diz: Bem-aventurado é homem que passando pelo vale de Baca, o vale árido, faz dele um manancial, de bençãos o cobre as primeiras chuvas. Mesma estrada, mas o caminho pode ser diferente. Estou dizendo isto porque eu fico chocado com o fato de que todos os dias eu ouço gente dizendo que é de Jesus e que está no caminho, mas você olha para vida do indivíduo... E isso não tem nada haver com ter, com possuir, com adquirir, com crescer do ponto de vista material. Tudo isso é ‘bobajada’ que vem sendo ensinada por nós e para nós nas ultimas décadas. Todo essas coisas tem o seu lugar mínimo e Jesus disse que se nós nos atrelarmos muito a elas, corremos o risco de perder a alma e o coração. Elas estão ao nosso serviço e não nós serviço delas, e muito menos tendo-as como bens do nosso ser. Fazer isso é caminho de destruição, mas eu fico vendo as pessoas dizendo: eu tenho Jesus, eu sou alguém que crê nele. Mas como alguém disse hoje de manhã na hora do almoço: mas a gente não vê os resultados, não aparece nenhum resultado. Andar no caminho tem que produzir resultado. Se eu não puder ser de Jesus e na hora de passar no vale árido, no vale de Baca, no vale de lágrimas, transforma-lo num manancial, que fé é essa que me anima? Que caminho é este? Se eu não puder enfrentar a dor, a perda, a lágrima, com um bálsamo da Graça de Deus. Se eu não puder ter dentro do coração: a visão, a imagem, a fé, a certeza, a esperança de que eu posso cavar poços no deserto, porque Deus na sua Graça vai enchê-los, vai chover sobre eles, a minha estrada vai ser sempre uma estrada de morte, de amargura, de frustração, de decepção, de perda, nunca será caminho de vida, jamais. 

6 - A estrada vira caminho de vida também, quando eu levo em mim a consciência da mutualidade como mandamento da jornada. Ou seja, eu não estou andando só, eu preciso de você, e você de mim, é nessa troca que a gente vai. Subitamente o texto passa a ser plural no verso 7, e diz: "Vão indo de força em força, cada um deles aparece diante de Deus em Sião". É um ajudando o outro. Nesse caminho, infelizmente, o que a gente mais encontra é um passando a perna no outro, julgando o outro, medindo o outro, avaliando o outro, por isso que não é caminho, é só estrada. O que a gente precisa admitir é que a maioria de nós não está no caminho, a gente está na estrada da religião, e na estrada da religião é assim olho aberto. Conforme Jesus disse: símplices como as pombas e prudentes como as serpentes, porque tem fariseu na reta. Religião não te oferece um caminho, te oferece uma estrada e é bom você ser esperto. Agora nós estamos falando de caminho, e no caminho “um ao outro ajudou e ao seu próximo disse: Sê forte!” No caminho um levanta o outro. No caminho a gente não quer saber quem é o indivíduo caído, a gente só quer saber que ele está caído. No caminho o samaritano é o herói da história do amor fraternal. E ele não faz perguntas. No caminho não existe discussão religiosa, no caminho ninguém diz: "Você aceita Jesus antes de eu lhe fazer este bem?". No caminho ninguém diz: "Os assaltantes o assaltaram porque você não estava com o anjo do Senhor acampado ao seu redor". No caminho ninguém diz: "Olha se você fizesse a confissão positiva e dissesse: Eu declaro bandido, tu estás amarrado. Ele não teria te assaltado". No caminho a gente levanta, a gente se dobra, a gente cuida, a gente não faz perguntas, a gente carrega, a gente leva. No caminho não tem proselitismo, não tem prosa, não tem conversa fiada, tem ação, tem amor, tem misericórdia, tem graça, tem vida, tem gesto. A maioria de nós está na estrada da religião cristã, poucos de nós estamos andando no caminho de Jesus, e é só quando nos dermos conta disso que temos alguma chance de ser salvo da estrada, para poder, no chão da vida, ver o caminho mudar debaixo de nossos pés. Porque é o caminho da fé que chama o próprio caminho da vida à existência para nós. 

7 - E ainda, a estrada vira caminho, quando a gente leva consigo a certeza, de que há o Deus de poder na nossa vida e de graça nesse caminho. Os versos 8 e 9 fazem essa evocação dessas duas realidades de Deus: Senhor Deus dos Exércitos, dos Exércitos, do poder, escuta minha oração, presta ouvidos, ó Deus de Jacó - do cara ambíguo, o Deus do ‘vermezinho’, o Deus do homem que tem luz e que tem sombras, o indivíduo que carrega todas as dualidades da vida. No caminho, eu sei que eu conto com essa assistência: há poder e há graça. Isso não é retórica, isso é fato. E bem-aventurado é aquele que crê nisso e toma posse disso. 

8 - E a estrada seja ela qual for, vira caminho de vida, se eu ando com a consciência de que o que vale na vida não é quantidade, mas é qualidade. Eu achei tão bonitinho quando ele disse: "Passei aqui no concurso público e agora eu posso manter a mim mesmo". “Manter a mim mesmo!” Nós estamos tão empedernidos que a gente não consegue mais nem ter a sensibilidade de discernir a benção que significa manter a si mesmo. Comer o pão com dignidade, beber com dignidade. A gente acha que se for de Deus uma mansão nos aguarda no lago. Se você tiver aleluia! Convide os irmãos, me chame para ir lá eu vou com muita alegria. Mas pelo amor de Deus, não faça disso seu sonho de consumo. Paulo disse: "Tendo com que comer e beber, e vestir, e viver com dignidade, sejamos gratos". Bela essa singeleza: Deus me deu os meios de poder manter a mim mesmo. Essa gratidão muda todo o cenário no caminho. Quem não consegue olhar para vida com contentamento, jamais vai se contentar com coisa alguma na vida. "Eu aprendi a viver contente em toda e qualquer situação, tanto sei estar humilhado como ser honrado, tenho experiência de tudo, tanto de abundância quanto de escassez. Tudo posso Naquele que me fortalece". O que este cara está dizendo, é que tanto faz a cara da estrada, ele faz o caminho com contentamento no coração. O verso 10 nos diz isso: "Pois um dia nos teus átrios, vale mais do que mil". Qualidade vale mais do que quantidade. Prefiro estar a porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. 

9 - E por último, a estrada se transforma no bom caminho quando eu ando com a certeza de que Deus é a luz do meu caminho, é o escudo, é a proteção da minha jornada. E que Nele eu posso confiar sem duvidar, porque Ele não sonega sua graça a mim, nem a ninguém. E a provisão de Deus para mim é sempre: bem. Olha só os versos 11 e 12: "Porque o Senhor Deus é sol". Sol, o Senhor Deus é sol. Você vai andar nesse caminho seja qual for a estrada, pode ter certeza alguns vão dizer: não estou vendo nada. Mas se você estiver andando no caminho conforme aquele que faz o seu caminho pisando no chão da graça e da misericórdia, esse vai dizer: "O Senhor Deus é sol e escudo, o Senhor dá graça e glória, nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em Ti confia".

CONCLUSÃO

Eu falei tudo isso apenas para falar o que vou dizer agora, e se você não ouvir o que eu vou dizer agora, não interessa o quanto você ouviu do que eu disse antes. O que eu quero te dizer com o meu coração mais amigo, mais irmão, é que a maioria de nós, apenas existe na estrada da religião. Para maioria de nós, Jesus é o líder da religião cristã. Por isso a gente não devia nem ficar chateado quando ele é colocado naquela lista dos 100 mais. Eu vejo os crentes chateados: botaram Jesus na lista dos 100 mais, das 100 maiores personalidades da civilização humana. Eu digo: bem feito, vocês é que fizeram dele o líder do cristianismo. Então ele é colega de Maomé, de Buda, de Confúcio, de Zoroastro, de Kardec, ou de qualquer outro líder que apareça por aí. Esse é o Jesus da estrada, esse é o Jesus que a gente oferece num catecismo, que a gente dá num livrinho de discipulado. (Acho engraçado essa história de discipulado. O que que você está fazendo? "Discipulado". O que é isso? "Eu me reúno de segunda, quarta e sexta, com uma irmãzinha que abre aquele manual que o pastor escreveu, mal escrito. Na maioria das vezes, ele não sabe nem o que está acontecendo, ele copiou de algum americano, que é mestre em fazer receita. Porque os Estados Unidos foram os que desenvolveram essa fé de liquidificador, de manual eletrônico: quatros passos para salvação, doze para prosperidade, sete para pacificação, é tudo assim. É a fé da estrada. "Curva perigosa". "Chão derrapante". "Posto de gasolina a 30 km": é o congresso para qual o indivíduo vai. "Fast-food" é o culto. "Shopping a direita": são algumas igrejas que só vendem fetiche. Aí o cara fica pensando que isso é andar com Jesus. Discipulado... Onde é que se já viu discipulado ser 12 lições, 24, 320. Jesus disse “segue-me pela vida”, gente. Discipulado é aprendendo, quebrando a cara, arrebentando dente, levantando, socorrendo o caído que não tem nome, sendo socorrido na hora que você não esperou que ia cair. É aprendendo...) O Caminho gera Verdade, e a Verdade acontece na Vida. Não é nenhum outro manual. O caminho de Jesus é na vida. Discípulos de Jesus são formados não em cursos, mas no curso da existência.

A maioria de nós ainda está na estrada da religião. O convite de Jesus é para você vir para o caminho da vida. E aí você vai descobrir que a estrada é mesma, que a vida é perversa, que a existência é absurda, que há todas as razões para ser nauseante e insuportável; que não há justiça mesmo, que as injustiças grassam, que o trabalhador pode sair para trabalhar e ser assaltado, o assaltante pode estar o tempo todo de olho simplesmente para ver a melhor hora de te tomar tudo. É o caminho dele, na estrada que é tua. O sacerdote pode passar e dizer: ‘Esse aí já não tem mais o que dar, se ele estivesse pelo menos rico, eu iria ajudar para ver se ele dava uma oferta lá na sinagoga.’ Aí vem o levita, "Eu sou discípulo do sacerdote", ele diz. "O sacerdote não fez nada, eu não vou fazer nada também, esse aqui não é o meu caminho". Ele pode até espiritualizar: "Não é a minha vocação". Está tudo tão esquizofrenizado, que o cara diz: "Não, o Senhor me chamou para interceder, eu vou andando pelo caminho, intercedendo por ele, que o Senhor mande alguém que cuide dele". Ai a gente fica achando, que nós somos os bons desta vida. E Deus ironicamente, Jesus de maneira irônica e caustica, elegeu para ser o herói do caminho, o anti-herói da nossa estrada. O samaritano, o herege, é o anti-herói da estrada da religião, e é o herói do caminho da vida. Hoje o que eu queria é que você fizesse uma decisão: se você quer continuar a ser um cara da estrada ou se você quer ser do caminho. Não há nenhuma promessa de que o mundo vai mudar, Jesus disse: "No mundo tereis aflições". A profecia está feita. "Mas tende bom ânimo, eu venci mundo".

O milagre é que a estrada pode ser a mesma, mas o caminho será diferente. Porque você vai chamar o caminho à existência, conforme você pisa no chão da vida. Acaba aqui também a lamúria, o queixume. "Ai meu Deus porque que a vida foi tão madrasta para mim, quanta injustiça que eu sofro, logo eu que sou essa mulher devota, e santificada, que me preservo para o Senhor e só encontro canalha".

Minha querida na estrada está cheio de canalha. Por que você não chama a existência o seu caminho, pisando de outra forma, olhando de outro modo, discernindo por outra perspectiva, entendo a si mesmo e aquilo que significa valor para você de outra forma? Hoje eu queria em nome do Senhor Jesus, convidar você a dizer: "Senhor, a estrada é comum para todos nós, ajuda-me a fazer o caminha da vida. E eu não quero ser um indivíduo da estrada religião que é física e é fixa. Eu quero caminhar no caminho da vida e da verdade em Jesus". Porque o caminho muda, conforme eu mudo no caminho, e o meu caminho vai mudar, conforme eu olho o caminho mudado. Bem-aventurado é o homem que passa vale árido e faz dele um manancial. Ele carrega no coração os caminhos aplanados. O caminho só muda do lado de fora, quando ele muda do lado de dentro. Não existe nenhum caminho do lado de fora que vai lhe ser bom, a menos que você carregue um bom caminho no coração.

Esqueça a Jesus como estrada doutrinária e fixa. Ande no caminho vivo, onde o que vale é o seu modo de caminhar. Como é que você tem caminhado? O que vale é o seu modo de caminhar. É só o que vale, meu querido, é o seu modo de caminhar.

A gente fica pensando que o que faz diferença é o QI. Nós somos muito bobos. Os seres mais maravilhosos que eu conheço chegam a ser quase estúpidos do ponto de vista do QI. São os Forrest Gump que estão por aí, que podem simplesmente dizer: olha, eu não sei muita coisa, mas eu sei o que é amar. O que importa é o seu modo de caminhar. A gente fica invejando o caminho dos perversos, dos malfeitores, fica com dor de cotovelo porque o cara é ladrão. "Ó Senhor porque Tu não me visita com a prosperidade do fulano". Você sabe quem é o fulano? Ele é o assaltante da estrada, meu amigo. Nessa estrada se você não tiver opção, se você não puder ser o bom Samaritano, peça a Deus para ser o roubado. Sério! Se você não puder ser o bom Samaritano, só não seja o bom Samaritano se você for o roubado. Porque ainda está em mil vezes melhor situação do que o sacerdote, o levita e o ladrão. Mas tem gente pedindo a Deus a benção de ser o ladrão. Quando eu fico vendo, de quem que as pessoas tem inveja, elas tem inveja do ladrão, do ladrão religioso, do ladrão político, do ladrão em vários lugares, em várias situações da vida. Ladrão existencial. Porque o modo do caminho que você ambiciona é o modo da morte. Tem gente que ambiciona o caminho do sacerdote, é aquele cara tão imponente. O sonho de consumo de alguns pastores é andarem cercados de 5 seguranças. "Olha que maravilha, tenho um carro blindado". Você pode imaginar um negócio desse, um homem de Deus que sonha em ter um carro blindado. O que eu já vi e ouvi de pastores dizendo assim: "O Senhor tem nos abençoado muito, a nossa igreja cresceu muito, cresceu tanto que inclusive eu tive que contratar 5 seguranças". O sonho dessa cara é ser o sacerdote. Que caminho é esse? Ou o do levita, o egoísta, só pensa na sobrevivência e na alto preservação, o negócio dele é: não me tocou tá bom, to nem aí, to nem aí, to nem aí.

Nessa estrada só tem dois caminhos de vida, ou do cara que quase foi morto porque estava andando no caminho da dignidade, ou do outro que não teve medo de ser morto porque estava andando no caminho da misericórdia. Isso muda tudo, altera tudo gente, você passar a olhar a vida assim. Teu pai não vai mudar, nem a tua mãe necessariamente, nem os vizinhos, nem a escola, nem o trabalho, mas você vai mudar, e o seu caminho vai mudar de maneira assustadora.

Eu passei por muita coisa difícil nos últimos 7 anos, eu podia ter ficado completamente amargo, ter adoecido, irrecuperavelmente triste. Mas eu encontrei os teus altares Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.
Faz 3 meses que eu perdi um filho... amado! Estou morrendo de saudade dele... estou aqui com perfume dele... esse cheirinho aqui é dele... do perfume dele.
Mas a vida tá bonita!
Porque o caminho não é a estrada que faz, você é que faz. Na estrada pode acontecer tudo, mas tudo que aconteça não será nada, se não acontecer contigo, ou se você processar como vida, e não como morte.
O caminho de Deus é caminho de graça, de misericórdia, quem olha a vida com graça e com misericórdia, jamais ficará amargo. Sempre vai entender que por trás de qualquer tranco, tem bondade, tem um bem guardado, tem um tesouro oculto, tem no mínimo uma palavra que diz: "o que eu faço tu não sabes agora, compreendê-lo-ás depois".
Aí você começa a descobrir que seu coração vai melhorando, que a sua visão vai ficando mais clara, que o que tem valor salta, que o que não tem valor fenece. Aí você começa a descobrir que você não precisa de nada além de um ninho, e que esse ninho está em Deus. Suas inseguranças vão diminuindo, os lugares estranhos vão ficando diferentes. Até aquilo que você abomina, na hora que o caminho muda dentro de você, a estrada fica diferente fora de você. Até aquilo que antes lhe parecia completamente intolerável e insuportável, perde o significado de intolerabilidade. Quando o caminho mudou em ti e você pela fé pisou com atitude de gratidão e de contentamento no chão para ver que o caminho esta sendo feito pela gratidão e nem a estrada ruim resiste a chegada desse novo caminho. Agora isto acontece com Jesus enquanto a gente vive. Para que isso aconteça, você não pode ter medo de viver, você vai ter que viver! E viver pela fé, e viver desassombradamente e viver como quem contabiliza todas as coisas como lucro. Lucro. Tudo é lucro no caminho, meu querido.

Se você ouviu e entendeu, e se o Espírito Santo falou com você e você hoje diz para si mesmo: "Ó Deus, me perdoa! A vida está tão feia, porque meus olhos são feios. A estrada está tão maligna, porque meus olhos estão impregnados de treva. Mas, eu aprendi hoje que o importante não é a estrada, o importante é como eu caminho. Ajuda-me a caminhar no caminho da vida, da gratidão, do contentamento, da fé, da misericórdia, da graça, e não deixe que eu fique impressionado com nenhuma estrada. Por que o importante é o modo como a gente caminha".

Daqui a uns anos a gente vai olhar para trás, e o que vai ficar não é a inteligência, nem a burrice, não é a riqueza e nem a pobreza, não é afluência e nem a escassez; a única coisa que vai ficar é o modo como você caminhou. João Batista teve a sua cabeça cortada e oferecida num banquete num prato para satisfazer a volúpia provocada por uma dança. Aparentemente um trágico fim, mas o modo do caminho dele, fez Jesus dizer: “Em verdade vos digo que dos nascidos de mulher ninguém foi como João”.

O que importa, meu querido, não é o que te façam; o que importa é o que você faz de você mesmo na presença de Deus. É o modo como você caminha. E se você hoje, recebeu o chamado do Espírito de Deus no fundo do seu ser, para não ficar mais impressionado com a estrada, vai fazer um compromisso de um caminhar diferente, pela fé, sabendo que o que importa é o modo do caminhar. E que se a gente caminha, conforme o caminho, cada passo chama a existência uma coisa nova e boa. Não importa qual seja a estrada, o caminho será de vida.

Se você ficou convencido disso e quer hoje, fazer a oração daqueles que pedem a Deus para desintoxicá-los da estrada, das exterioridades, da religião, das comparações, das invejas, das ambições malignas, das frustrações que projetam o tempo todo para nós alvos inalcançáveis, enquanto o individuo deixa de aproveitar o pão nosso de cada dia, e a alegria de hoje, e a celebração de Deus hoje. Sabendo que grande não foi Nabucodonozor, maior do que ele foi João Batista, que comia gafanhoto, bebia mel silvestre e vestia roupa de camelo.

Você tem que decidir se você quer uma estrada pavimentada, uma highway para os homens ou se você quer andar no caminho de Deus, onde a alma anda sempre rica não importa o que aconteça. Se você tomou essa decisão, isso vai revolucionar sua vida, vai mexer com todo sua existência. Se você olhar assim, apreciar assim, contemplar assim e souber que a vida vai em cada passo, está no modo, está no "como" da caminhada, aí bem-aventurado você será!

Caio Fábio

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A criança e o Reino

A gente pertence a uma sociedade completamente vazia de afetos, de generosidade e de compaixão. Vivemos num meio corrompido pelo mal e habitamos, muitas vezes, na nossa solitude, em densas trevas. E tudo isso nos é exibido no telão chamado consciência. A consciência provoca os nossos anseios mais angustiantes e a gente não sabe como sair deste calabouço emocional.
Um olhar para a Escritura nos leva ao ensino de Jesus, quando ele chama uma criança, a coloca diante de todos os seus discípulos e lhes diz que “quem quiser receber o reino de Deus, precisa ser como ela”. E foi esta reflexão do Mestre que apertou a minha alma nesta manhã, onde pude refletir e pensar sobre o ser criança.
E reflito mesmo. Até porque, eu já fui uma criança.
Existem alguns resquícios na memória sobre o que eu vivi na infância que me remetem a muita pureza (não perfeita), inocência, ausência de necessidades e dependência de alguém maior. Também percebo que muitas vezes, coisas que me ocupam tanto a vida hoje, quando criança, não faziam o menor sentido para mim. E imaginar que já vivi uma vida que não tinha a menor necessidade de se ter um Smartphone, nem mesmo uma conta no Facebook ou no Instagram.
Nesta época eu não tinha inimigos, porque quando a gente é criança, não tem muito tempo para ficar ocupando a mente com inimizades. Era necessário um tempo de qualidade para se dedicar às brincadeiras!
A gente não carecia de tanto. O dinheiro não tinha tanto valor pessoal para nós. Você podia me dar uma nota de cem reais que eu rasgaria aos risos. E é isso o que faz com que a gente reconheça o que Jesus está querendo dizer neste momento da sua narrativa histórica.
Precisamos buscar a cura para o nosso coração não em sessões de psicoterapia nem passando por uma sessão do descarrego da Igreja Universal, e sim com o Evangelho que nos pede para simplesmente retornarmos para a motivação de uma criança, que simplifica mais as coisas e as relações, que não se inflama por ter aquilo que não é necessário, não quer se importar com coisas pequenas e vive na segurança de quem não sabe de tudo, não quer ter resposta para tudo e nem quer fazer a própria opinião sempre prevalecer.
Ser criança é deitar no colo do Pai e encontrar alívio, mesmo quando leva-se um tombo. É depender do leite materno, e buscar este alimento todo dia – até mesmo gritar por este alimento. Ser criança é não esperar tanto dos outros, mas confiar no amor do Pai. É simplesmente ver as coisas como elas são, e não projetar nada mais nada menos. Ser criança também é não criar falsas expectativas sobre o outro.
Convido você a também refletir sobre o reino de Deus e a necessidade espiritual de sermos crianças aos olhos do Pai e diante das pessoas; porque, no reino de Deus, menos é mais, o menor é o maior e quem se faz como criança caminha em paz e, no final de tudo, recebe um grande abraço celestial e ouve as palavras da eterna consolação: “(…) deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus.” (Marcos 10.14)

Gospel Prime

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Bíblia, o livro que não querem que você leia

Os pensadores e filósofos que se seguiram no curso da história cristã querem ganhar o mercado editorial de vendas com teorias evolucionistas e ideólogas que se sobrepõem ao emanado do escrito bíblico. Mais do que uma mera competição literária ou de mercado de idéias, o que esses pseudo-heróis da história filosófica têm como propósito é ganhar a batalha cultural, o seu pensamento, caro leitor, para poderem elevar o anticristo à norma moral universal.
De acordo com a Sociedade Bíblica do Brasil (www.sbb.org.br), a Bíblia Sagrada ainda está sendo considerado o livro mais vendido. E isso não é para menos. Ainda que existam boatos de que ela possa não ser o livro mais lido, razões mais do que especiais existem para que a sua posição privilegiada no ranking comercial não seja encarada apenas neste aspecto. Tais motivos estão longe de serem apenas comerciais ou de vendagem no mercado editorial. Não estamos falando de um livro qualquer, que possa ser comparável a outros de autoajuda ou qualquer coisa do gênero.
Mas nem de longe que a Bíblia Sagrada está para ser um… livro. É mais do que isso. É uma obra. Uma obra do Espírito Santo. Sendo, então, obra do Espírito Santo, aceitar o que está escrito na bíblia como uma verdadeira norma de vida é pura questão de fé. Aquele que se dispõe a crer na palavra de Deus não a lê exclusivamente para obter conhecimentos históricos ou culturais, e sim para adquirir sabedoria divina, que está acima de qualquer conhecimento teórico, prático ou da experiência humana. Com relação à experiência humana, a fé desafia qualquer conhecimento humano tradicional para operar, basta obedecer, sendo esse o único critério.

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Jesus veio ao mundo para que tenhamos vida com abundância. Outras obras ou filosofias que vieram em momento pós-Cristo tentaram plagiar Jesus nessa empreitada de dizer o que podemos pensar e agir. A norma moral sempre foi copiada por escritores e filósofos sempre com intuito de ludibriar os mais necessitados espiritualmente. Esses pseudo-filósofos, eu os chamo de picaretas do espírito, já que nada têm de luz nos seus escritos. Jesus Cristo, quanto a isso, também deixou dito que muitos viriam em nome dele e enganariam a muitos. Para quem crê na palavra de Deus, isso, de fato, está acontecendo em nossos dias.
Assim, a título deste texto não foi nada despropositado. Veio para informar que, apesar de a bíblia estar no topo da competição de vendas no mercado, existem alguns que ainda não querem que você leia o tal “livro” sagrado. E quem são estes alguns que mencionei no título? Por mais incrível que possa parecer e para sua surpresa, de repente pode até mesmo ser o próprio dono do estabelecimento comercial onde suas bíblias são vendidas a rodo.
Já deixei informado no início do texto quando ao aspecto da obra do Espírito Santo, que vem com a Bíblia Sagrada para alertar a todos os fiéis a Deus que eles estão a salvo de qualquer investida maligna se usarem a fé como escudo e arma poderosa nesse combate espiritual. Deus dá sabedoria para entrar e lutar nessa guerra com as armas certas, as quais, no caso, devem ser espirituais. Esta é a função do livro bíblico, que, como eu disse, não tem que ser equiparado a um mero livro de autoajuda, tratando-se de uma autêntica obra do Espírito Santo para nos ajudar.
E quanto àqueles que não querem que você leia a bíblia, quem são eles? Escrevo que não querem que você leia a bíblia apenas fazendo menção direta à obra escrita do livro de Deus, mas com isso quero dizer que o ataque é diretamente ao cristianismo.
Sendo a Bíblia Sagrada o livro escrito por obra do Espírito Santo para nos dar vida e vida com abundância, logicamente que a mensagem de Jesus Cristo é atacada por aqueles que não aceitam a fé cristã em nosso meio cultural. Existem intelectuais e pseudo-intelectuais que não aceitam o cristianismo como norma de conduta moral e tentam degradá-lo ao ponto de taxar de intolerantes aqueles que professam essa legítima manifestação de fé. Enquanto as outras religiões não sofrem contra-ataque pelo politicamente correto e são aceitas sem qualquer negação por muitos, o cristianismo vem agonizando aos poucos e sua luta está quase perto de acabar em razão da proximidade com a vida do anticristo.
Culturalmente, que é o palco onde se desnuda o ataque anticristão, olha-se mais de perto as tentativas de manipular a mente e retirar a liberdade de uma livre manifestação de crença e do pensamento. Falsos cristãos são escritores, filósofos, pensadores, artistas, enfim, exercem alguma atividade atrelada ao convencimento de um público em massa. É a intromissão da Revolução Cultural pretendida por Antonio Gramsci, quando escreveu seu Cadernos do Cárcere, uma obra por assim dizer diabólica que tem por objetivo fazer entrar na mente das pessoas idéias anticristãs, de forma bem sutil, como se elas não fizessem mal algum para os seus seguidores.
Antonio Gramsci é apenas um exemplo bem atual do cenário cultural mundial. Seu objetivo era levar a efeito de uma forma lenta e imperceptível aquilo que já pretendia Karl Marx. Karl Marx queria destruir os valores familiares para implantação do socialismo em escala mundial, só que por meio da força. Depois da evolução do conceito de pessoa e de ser humano no mundo todo, isso passou a não mais ser possível senão por meio de liberdade de crença e de manifestação de pensamento, que é a pretensão destrutiva de pensadores anticristãos como Antonio Gramsci. Outro exemplo desse embuste religioso na cultura veio com a obra de Friedrich Nietzsche, intitulada Além do bem e do mal. Nesta, o autor se autoproclama o próprio anticristo.
Dos pensadores que formaram o mundo moderno tal como ele é hoje não se vê nenhum que possa ser considerado defensor e puro dos valores cristãos. Aliás, o próprio conceito de modernidade já entra num conflito com o que ensina a Bíblia Sagrada, já que suas idéias, principalmente, de pós-verdade, colocam em xeque a fé cristã num mundo espiritual dominado por valores quase que absolutos e de verdades naturais. Ora, é estratégia aniquilar a verdade de fatos até mesmo mais corriqueiros para que não se acredite em mais nada.
Todos aqueles que negarem a fé em Jesus no meio cultural, escrevendo seus artigos ou livros com conteúdo anticristão, direta ou indiretamente, agem em benefício daquele que teme pela salvação das almas perdidas e em detrimento de Jesus. O objetivo é um só: destruir o ser humano e a natureza humana, assim como o próprio cristianismo como um todo.

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