sexta-feira, 23 de março de 2012

PROCRASTINAÇÃO, O QUE É?

Procrastinar é muitas coisas, algumas conectadas a outras, e, em algumas pessoas, coisas apenas tópicas. Mas em todo procrastinador, não importando as causas psicológicas da procrastinação, o resultado é o mesmo: o atraso, o stress e a aflição; se não a aflição do próprio apenas [...], mas, com certeza, a dos que o observam ou o esperam...

Para pessoas diferentes a procrastinação pode ter razões diversas, mas o resultado não muda; conforme já disse.

Assim, com todas as ressalvas relativas à personalidade de cada procrastinador, procrastinação é...

[...] adiar até não dar mais; deixar cronicamente pra depois da hora; sempre fazer no stress e no atraso; viciar-se contra o tempo...; odiar que o tempo passe e lutar contra ele —; é também desordem mental seletiva; é preguiça organizacional também seletiva; é uma indisposição contra a ordem simples de que duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar/tempo no tempo/espaço; é privilegiar a gratificação contra a obrigação; é julgar que tudo e todos possam esperar só um pouco...; é confusão de valores quanto ao que seja objetivamente prioritário; é preguiça seletiva; é medo do fazer; é vício de angustia operacional; é necessidade de criar para si uma hiper-ocupação pela via do atraso; é um rito psicológico; é um orgulhoso modo de ser e não mudar; é caso de importâncias minimalistas e que não possuem macro importâncias; é um agir sempre em detrimento de outra coisa pré-definida; é uma calma inconscientemente mórbida; é um inconsciente processo de esquecimento do tempo; é descaso com a hora, como rebeldia; é um ato de enfrentamento da autoridade e do instituído; é um direito egoísta de ser indo...; é um olhar difuso e inobjetivo; é o privilegiar das minucias e que nunca enxerga os cenários maiores; ou, quando se associa a preguiça, o que nem sempre é o caso, é como ter um leão na Rua dos Deveres e dos Compromissos!

Como disse [...], a procrastinação não é a mesma coisa para cada pessoa, mas, em cada caso de procrastinação, você encontrará alguns dos aspectos acima listados, ou até alguns deles em combinação.

Em geral o procrastinador é um ser que se viciou mentalmente no descaso com o tempo; e que sempre acha que o tempo/cronos tem que ser seu servo.

Outro dia escrevi que o homem tem que ser senhor do tempo, mas com isto não me referia a ser indiferente com o Cronos da existência, mas apenas em relação ao que nos seja imposto como obrigações das vaidades mundanas de cumprir os tempos como etapas existenciais sem as quais se creia que se está perdendo tempo/qualidade/existencial.

Todavia, no que tange ao Cronos da existência, eu, que vivo entre humanos e não numa ilha deserta, que tenho responsabilidades e obrigações, tenho que me fazer senhor do tempo pela ordem, pelas prioridades e pela organização. Sim, pois, paradoxalmente, do contrário, me torno escravo do tempo pelo descaso da procrastinação. E não apenas me torno escravo do tempo, mas escravizo outros à minha não reverencia para com o passar do tempo em cada dia.

Ora, cada dia já tem o seu próprio mal; mas para aquele que procrastina cada dia pode inventar muitos males que não existem; e isso apenas porque o descaso com o tempo cria o diabo das acumulações.

Um procrastinador é um acumulador de tarefas; ou é um desperdiçador de oportunidades kairóticas de tempo [tempo/oportunidade]; ou é um esbanjador relapso de vida e existência; sendo, por isto, também um desperdiçador de dons e de possibilidades de ser para si e para os outros.

Na existência do procrastinador cabe muito do que não precisa e pouco do que é importante, dia após dias.

A procrastinação também tem um poder corrosivo nas relações, especialmente para os que a assistem impotentes; posto que cansem e se exasperem; ou, em alguns casos, tornem-se co-dependentes do vício do outro; ou, ainda, aflitamente carentes de reorganizarem suas vidas em função de tal disfunção sócio/atemporal daquele com quem convive.

Não é preciso dizer que no ambiente de trabalho o procrastinador fica logo desempregado; embora alguns não sejam logo percebidos, especialmente no serviço público, quando, então, não podendo perder o emprego, passam a não ser utilizados ou demandados, a fim de que os demais não morram de irritação.

O maior ambiente de expressão do procrastinador é a família nuclear, vindo a seguir a família extensiva e os amigos.

A sorte do procrastinador familiar é quando a cultura da procrastinação é uma marca de todos; e, por vezes, até por gerações.

Mas já assisti romances acabarem por causa da procrastinação; ou casamentos também; como já ouvi cônjuges me dizerem que por vezes desejavam terminar o casamento em razão de que o outro não se curava jamais de tal vício de atemporalidade funcional e objetiva.

Procrastinação é uma amputação mental de funcionalidades; e, por isto, é coisa muito séria!

Ora, nem todo procrastinador é egoísta, mas o ato ou as ações de procrastinação são sempre implicam no egoísmo prático em sociedade; posto que se trate, ainda que inconscientemente, o tempo dos outros como inexistente.

Procrastinar, portanto, é perder a reverencia para com o tempo; o que é uma falta de consideração grande para com o próximo, para consigo mesmo, e, também, para com as dádivas de ser que acontecem entre o acordar e o adormecer.

A cura para a procrastinação vem de reconhecê-la sem auto-justificação; e, a seguir, enfrentá-la; deixando toda autogratificação para o ultimo lugar; ou, no caso dos mentalmente baratinados, fazendo uma agenda do dia, com hora para tudo; e, sobretudo, perguntando a quem nos ama: “O que é mais importante? O que é prioridade? O que deve vir primeiro?”

Sim, pois muitos procrastinadores não têm qualquer noção objetiva de importância e de prioridade objetiva; ainda que, muitas vezes, tenham grande noção de significados subjetivos.

Teria muito a dizer, mas esses são alguns conselhos básicos aos procrastinadores que não são seres preguiçosos, mas apenas mentalmente atemporais, confusos, inobjetivos, ou viciados na escravidão da pseudoliberdade de que o tempo existe para servir-lhes como cronos.


Pense nisto!


Caio Fábio

Um comentário:

  1. Nunca tinha ouvido essa palavra... Fiquei abismada com tal declaração!!!

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