Existem muitas especulações
acerca desse assunto e são diversos os artigos e opiniões que circulam
na internet, tornando-o mais e mais polêmico. Nosso objetivo ao escrever
é apenas esclarecer as dúvidas existentes, eliminando toda atmosfera
misteriosa acerca dessa temática.
O QUE É O NATAL?
A palavra NATAL vem do latim “natale”, relativo ao nascimento. O
mundo ocidental cristão define o natal como a celebração do nascimento
de Jesus Cristo, e isso ocorrem, todos os anos, no dia 25 de dezembro.
Nessa mesma data é celebrado em vários lugares do mundo o que poderíamos
chamar de a maior festa da cristandade, o nascimento de Jesus.
QUANDO JESUS NASCEU?
A bíblia não relata o dia e o ano em que Cristo nasceu, também não
existem fontes históricas que revelam tal data, mas sabemos que não foi
em Dezembro, pois nesta época do ano, em Israel, o inverno é rigoroso e a
bíblia no relato do nascimento de Cristo diz que havia pastores no
campo cuidando das ovelhas na madrugada (Lc 2:8-20). Não foi em
Dezembro, pois as ovelhas ficavam alojadas nessa época.
Por não saber exatamente a data do nascimento, algumas teorias foram
levantadas, especulando que o nascimento de Jesus foi em Abril, Outubro
ou Setembro. Uns tentam justificar tais datas por meio da astronomia,
explicando a aparição da estrela que ocorreu no nascimento de Cristo,
outros por sua vez, vão a história Romana em busca da data do decreto de
Cezar Augusto acerca da ordem de recenseamento, motivo pelo qual Maria e
José deixaram Nazaré da Galiléia para ir à Belém da Judéia onde Cristo
nasceu. Mas tais teorias não passam de meras especulações.
O que sabemos de fato é que existe uma grande falha em nosso
calendário Romano, historiadores ao comparar os registros bíblicos do
evangelho e os registros extra-bíblicos, descobriram que Jesus nasceu 4 a
7 anos antes do ano “zero” do calendário Romano, pois os registros
bíblicos dos evangelhos menciona a morte de Herodes, o grande, depois do
nascimento de Cristo (MT 2:19), mas nos registros extra-bíblico
encontramos o relato da morte de Herodes antes do ano “zero” do
calendário Romano, a bíblia de fato está correta acerca da morte de
Herodes depois do nascimento de Cristo. Porém foi cometido um sério erro
de cálculo na formação do calendário Romano por volta do VI século,
onde começaram a contar o ano “zero”, 4 a 7 anos depois do verdadeiro
ano do nascimento de Cristo. Isso nos leva a entender que Jesus
realmente nasceu aproximadamente 4 a 7 anos antes do ano “zero”, ano
este, que para o calendário Romano foi o ano do nascimento de Cristo, e
que hoje estamos 4 a 7 anos a frente do nosso tempo, ou seja quando
chegarmos em 2010 será 2014 a 2017 aproximadamente.
Outra verdade é que também não encontramos em nenhuma fonte
histórica, interesses nos cristãos primitivos de celebrar a festividade
do nascimento de Cristo, tal começou a ser comemorada no século IV, mas
sempre foi do conhecimento de todos que 25 de dezembro era apenas uma
data simbólica.
POR QUE 25 DE DEZEMBRO?
A comemoração do Natal “nascimento de Jesus” surgiu de um decreto. O Papa Júlio I decretou em 350 que o nascimento de Cristo
deveria ser comemorado
no dia 25 de Dezembro, substituindo a veneração aos deuses pagãos e
suas festividades profanas realizadas nessa mesma data. Alguns líderes
da igreja se opuseram a idéia e a data em que era celebrado o Natal.
Resistiram a idéia, porque somente Faraós, Herodes e deuses pagãos
comemoravam aniversário e a data, porque era uma data de muitas
festividades pagãs entre os Celta, Germânicos, Romanos, Gregos e etc.
Apesar de muitos misticismos pagãos relacionados a essa data, o que
sabemos de fato é que Cristo nasceu.
Evidentemente não sabemos o dia e o ano, mas isso realmente não
importa, pois independente de data, lugar e forma, Ele nasceu para
reinar e como disse o sábio Angelus Silesius: “Ainda que Cristo nascesse
mil vezes em Belém, se não nascer dentro de ti, sua alma segue
perdida”. Quanto ao fato do Natal ser no dia 25 de dezembro, mesma data
de festividades pagãs, qual é o problema? Poderia ser qualquer dia,
pois todos os dias são do Senhor, Oxalá que o período de carnaval fosse
substituído por um grande encontro de pessoas que se reunisse para
comemorar seja o que for, Seu nascimento, Sua morte, Sua ressurreição ou
a Sua volta, desde que Seu nome em qualquer comemoração seja exaltado,
não vejo mal algum.
COMO SURGIU O PAPAI NOEL?
Estudiosos afirmam que a figura de papai Noel, foi inspirada num
bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem
caridoso que distribuiu suas riquezas aos pobres e viveu para ajudar os
carentes e necessitados, usava vestes vermelhas, cores dos mantos
tradicionais dos bispos naquela época e costumava jogar saquinhos com
moedas nas chaminés das casas. Após sua morte se tornou um santo e em
sua homenagem fundaram a associação São Nicolau, que surgiu na Alemanha e
espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos ganhou o nome
de Santa Claus, no Brasil de papai Noel e em Portugal de Pai Natal.
COMO SURGIU A ÁRVORE DE NATAL?
A árvore de Natal é um pinheiro, enfeitado e iluminado, especialmente
nas casas na noite de Natal. A tradição da árvore pinheiro tem raízes
muito mais longínquas do que o próprio Natal. Eram utilizadas em cultos
pagãos, em celebrações e enfeites, vejamos:
Os romanos enfeitavam árvores em honra a Saturno, deus da
agricultura, mais ou menos na mesma época em que hoje se prepara a
árvore de Natal. Os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para
dentro de suas casas no dia mais curto do ano (que é em Dezembro), como
símbolo de triunfo da vida sobre a morte. Nas culturas célticas, os
druidas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maçãs douradas
para festividades também celebradas na mesma época do ano.
Segundo a tradição, S. Bonifácio, no século VII, pregava na Turíngia
(uma região da Alemanha) e usava o perfil triangular do pinheiro com
símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, o
carvalho, até então considerado como símbolo divino, foi substituído
pelo triangular pinheiro.
Na Europa Central, no século XII, penduravam-se árvores com o ápice
para baixo em resultado da mesma simbologia triangular da Santíssima
Trindade.
Árvores de Natal como hoje se conhece
A primeira referência a uma “Árvore de Natal” surgiu no século XVI e
foi nesta altura que ela se vulgarizou na Europa Central. Há notícias de
árvores de Natal na Lituânia em 1510.
Diz-se que foi Lutero (1483-1546), autor da reforma protestante, que
após um passeio pela floresta no Inverno, numa noite de céu limpo e de
estrelas brilhantes, trouxe essa imagem à família sob a forma de Árvore
de Natal, com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas, isto
porque para ele o céu devia ter estado assim no dia do nascimento de
Jesus, e a utilizou como ilustração em diversos sermões pregados em
vários lugares, pois o pinheiro é a árvore símbolo da vida, pois mesmo
no inverno que é Natal no hemisfério norte e apesar das densas neves, o
pinheiro não perde suas folhas, portanto é uma grande representação da
vida do cristão. Tal costume começou a enraizar-se na Alemanha, as
famílias ricas e pobres decoravam as suas árvores com frutos, doces e
flores de papel (as flores vermelhas representavam o conhecimento e as
brancas representavam à inocência). Isto permitiu que surgisse uma
indústria de decorações de Natal, em que a Turíngia se especializou.
No início do século XVII, a Grã-Bretanha começou a importar da
Alemanha a tradição da Árvore de Natal pelas mãos dos monarcas de
Hannover. Contudo a tradição só se consolidou nas Ilhas Britânicas após a
publicação pela
“Illustrated London News”, de uma imagem da Rainha Vitória e Alberto com os seus filhos, junto à Árvore de Natal no castelo de Windsor, no Natal de 1846.
Esta tradição espalhou-se por toda a Europa e chegou aos EUA, mas não
se consolidou uniformemente dada à divergência de povos e culturas.
Contudo, em 1856, a Casa Branca foi enfeitada com uma árvore de Natal e a
tradição mantém-se desde 1923, não somente nos EUA, mas em toda a
América.
É PECADO COMEMORAR O NATAL?
Sabemos que não existe fundamento bíblico para que seja comemorado o
Natal – “nascimento de Cristo”, mas também não há nenhuma proibição de
comemorá-lo, exceto a de “apartai-vos dos ídolos” (Ez 14.6; I Jo 5.21),
ou
seja, tal comemoração pode se tornar uma idolatria e isso é abominação
ao Senhor Deus, contudo fica evidente que comemorar não é pecado mas,
como se comemora pode se tornar um grande pecado.
Alguns substitui Cristo por Papai Noel, outros aproveitam a situação
para a glutonaria, bebedices, depravação, promiscuidade, idolatram a
data, Papai Noel e os rituais natalísticos, e etc. ISSO É PECADO!
Portanto a grande questão não é comemorar, mas como se comemora.
Acredito que essa fase do ano é mais específica e oportuna para
anunciarmos a verdade. Se o Natal é o nascimento de Cristo, isso
comemoro todos os dias e não simplesmente no dia 25 de Dezembro, mas
vale salientar que, particularmente não comemoro os “rituais
natalísticos”, mas comemoro o momento entre amigos e familiares,
comemoro a sensibilidade humana e solidária dessa época e a oportunidade
de anunciar que Cristo vive e voltará.
O CRISTÃO PODE DECORAR A CASA COM ENFEITES NATALINOS?
Acerca desse assunto não trago uma palavra de proibição,
mas de recomendação, é preciso tomar cuidado para que em meio a tantos
preparativos, decorações e enfeites natalinos, não venhamos pecar ao
colocar símbolos pagãos dentro do nosso lar. A bíblia diz “não meterás
coisa abominável em tua casa, para que não seja amaldiçoado…” (Dt 7.26),
enfeitar a casa ou não, é uma opção de cada um, a depender de sua fé e
de sua maturidade. A bíblia diz que “Bem-aventurado aquele que não se
condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas,… está
condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém
da fé é pecado”. (Rm 14: 22,23).
Existem alguns argumentos que alegam que os enfeites e árvores são e
possuem simbologias satânicas. Sinceramente desconheço a veracidade
destas informações. Porém vale salientar que o mundo está cheio de
simbologias e que os símbolos só possuem valor quando nos apegamos ao
que ele representa. Portanto o pecado não está relacionado a enfeitar ou
não a sua casa, mas as motivações que o leva a enfeitar. Se suas
intenções forem idolatrar as ornamentações, rituais e simbologias
natalinas, ofuscando a presença de Cristo, evidentemente estarás
pecando, tendo em vista que a bíblia recomenda
“Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (I
Co10:14), todavia se suas motivações estiverem relacionadas ao simples
fato de criar um ambiente e um cenário de confraternização familiar,
louvando e agradecendo a Deus pela sua infinita bondade, sinceramente
não vejo mal algum, mas para aqueles que julgam tais atitudes recomendo o
conselho do Apóstolo Paulo “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou
pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos
sábados,” (Cl 2 :16).
PALAVRA FINAL
Celebrar o Natal é anunciar a verdade a todos e a todo tempo que
Cristo vive e reina. É ensinar as nossas crianças que papai Noel não
existe, mas papai do céu é vivo e real. É aceitar seu plano de salvação
para nossas vidas e viver conforme a sua vontade.
Desejo a todos, um Feliz Natal e que tal não seja celebrado somente
nos dias em que os enfeites natalinos dominam as ruas da cidade, em que
as canções são entoadas na esperança de uma vida melhor e os corações
torna-se mais sensíveis e solidários, mas que o Natal seja algo presente
em nossas vidas como o menino Emanuel “Deus conosco”, pois dessa forma,
poderemos celebrar a cada instante, não somente o Seu nascimento mas
principalmente o Seu reinado eterno em nossas vidas.
Autor
Pastor presidente da Igreja Batista Evangelizadora, em Paulo Afonso - BA.
Formação acadêmica: Teologia, Filosofia e Administração. Casado com a nutricionista Vanessa Cristina e pai de Sidnei Gabriel.
Contato virtual: sidney.osvaldo@hotmail.com