É difícil encontrar alguém que nunca tenha brincado de
“telefone sem fio”. E sabemos que a história nunca chega ao final da
forma como foi contada no início da brincadeira. O livro de provérbios é
muito rico em ensino e sabedoria e um tema muito abordado no livro é o
cuidado que devemos ter com a língua. Um órgão tão pequeno e tão letal.
Lembro-me
de uma mulher que conheci ao longo da caminhada e ela costumava dizer:
“Não ouço nenhum tipo de fofoca. Quando alguém chega a mim com a
intenção de falar da vida de outra pessoa, eu corto e não escuto. O que
não diz respeito a mim e eu não posso ajudar, não me interessa e eu não
vou compactuar com fofoca”. E esse pensamento deveria ser regra em nossa
vida.
Muitas pessoas ouvem fofocas e dizem que não
emitiram nenhuma opinião, simplesmente ouviram. Como se isso diminuísse a
responsabilidade delas. Não diminui! Não promova esse tipo de atitude
que desagrada a Deus e traz juízo sobre sua vida. Se os fofoqueiros não
tivessem ninguém que escutasse suas histórias, eles não continuariam com
essa prática do mal.
Provavelmente você já deve ter escutado o ditado: “Quem fala
mal dos outros para você, com certeza fala mal de você para os outros”.
Evite pessoas fofoqueiras. A palavra de Deus é repleta de instruções
acerca desse assunto. Refreei a sua língua, não faça declarações falsas e
nem seja cúmplice do ímpio, sem lenha a fogueira se apaga, sem o
caluniador morre a contenda e etc. Precisamos buscar sabedoria do alto
para falar. Quem guarda a sua boca, guarda a vida.
Muitos
“cristãos” se reúnem em rodinhas não para promover a comunhão, mas para
se sentirem melhor falando mal dos outros. É como se falar mal do irmão
o fizesse superior. Atentem-se! Não deem ouvidos para picuinhas, disse
me disse, opinião da multidão, concentre-se na palavra de Deus. Blindem
seus ouvidos, ativem os lábios para proferir palavras de vida!
Seja mensageiro de boas notícias, use a língua para abençoar
o próximo. A melhor maneira de se livrar da fofoca é evitando o
fofoqueiro, evitando rodas de contenda. Quando falamos mal de alguém,
nós relevamos o nosso próprio caráter e exibimos os sentimentos ruins
que nutrimos em nosso coração. A fofoca revela mais sobre quem fala do
que de quem é falado.
A Bíblia nos instrui a não falar
mal uns dos outros. Quando recebemos o mandamento do Senhor de que
devemos amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós
mesmos, não estamos vendo atitudes de fofoca e contenda, pelo contrário.
Se falharmos nisso e promovermos a fofoca, estaremos andando em direção
oposta a que nos foi ordenada por Ele.
O amor nos ensina
sobre respeito, compaixão, amizade, e tantos outros predicados. Mas, o
contrário tem acontecido muito em nosso meio: o desamor. A fofoca é um
ato de desamor, um ato destrutivo de desrespeito e perversidade.
Precisamos examinar o nosso coração e pedir a Deus que nos conduza
debaixo de Sua vontade e bondade. Não seja fofoqueiro, não escute o
fofoqueiro, não sente em rodas de fofoqueiros. Seja propagador de boas
novas, seja vida o que sai da sua boca.
Gospel Prime
sábado, 24 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
Evangelizar os perdidos dentro das igrejas
Olá amigos, nossa jornada ministerial de acompanhar e
discipular casais de namorados cristãos de distintas igrejas têm nos
despertado para tarefa urgente em resgatar perdidos, mesmo dentro de
igrejas.
Na Bíblia já há advertência sobre os nossos tempos. Em 1Timóteo 4:1-2, a Palavra de Deus nos alerta:
O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios.
Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada.
Em 2 Timóteo 4:3, os nossos tempos ficam mais notórios quando a Palavra de Deus desenha o cenário atual:
“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos,”.
O quadro fica mais apocalíptico quando constatamos o cumprimento da Palavra de Deus que nos informa que: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”. Mateus 24:12
Refletindo sobre esses versículos e constatando a realidade dentro de milhares de igrejas, evangélicos não praticantes se acomodam e se amontoam em igrejas com líderes que abrem mão de exortar sobre a verdade, de denunciar o pecado e a chegada do Reino de Deus.
Crentes religiosos presentes em seus clubes sociais dominicais mais preocupados em conquistar bênçãos, vencer na vida, resolver problemas que eles mesmo criam, de realizar seus desejos como se fossem projetos de um Deus que nem conhecem e cada vez menos participa das decisões de suas vidas.
Não estranhemos que poucos continuem a caminhada cristã, outros muito poucos se dediquem a obra Santa. Poucos que estarão como luzes dentro de um mar de crentes mornos, carnalizados, cheios de vontades e com vaidade e orgulho latentes, mas com sua carteira atualizada de membro e pagador em dia de seu dízimo, comparecendo ao menos na ceia mensal para bater o ponto.
E a nossa missão? Evangelizar é alcançar perdidos, não só lá fora como também aqui dentro. Não podemos desistir nem daqueles que não conhecem a verdade como aqueles que estão presos no lamaçal do pecado, mesmo com um Bíblia debaixo dos braços.
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Mateus 28:19,20
Gospel Prime
Na Bíblia já há advertência sobre os nossos tempos. Em 1Timóteo 4:1-2, a Palavra de Deus nos alerta:
O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios.
Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada.
Em 2 Timóteo 4:3, os nossos tempos ficam mais notórios quando a Palavra de Deus desenha o cenário atual:
“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos,”.
O quadro fica mais apocalíptico quando constatamos o cumprimento da Palavra de Deus que nos informa que: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”. Mateus 24:12
Refletindo sobre esses versículos e constatando a realidade dentro de milhares de igrejas, evangélicos não praticantes se acomodam e se amontoam em igrejas com líderes que abrem mão de exortar sobre a verdade, de denunciar o pecado e a chegada do Reino de Deus.
Crentes religiosos presentes em seus clubes sociais dominicais mais preocupados em conquistar bênçãos, vencer na vida, resolver problemas que eles mesmo criam, de realizar seus desejos como se fossem projetos de um Deus que nem conhecem e cada vez menos participa das decisões de suas vidas.
Não estranhemos que poucos continuem a caminhada cristã, outros muito poucos se dediquem a obra Santa. Poucos que estarão como luzes dentro de um mar de crentes mornos, carnalizados, cheios de vontades e com vaidade e orgulho latentes, mas com sua carteira atualizada de membro e pagador em dia de seu dízimo, comparecendo ao menos na ceia mensal para bater o ponto.
E a nossa missão? Evangelizar é alcançar perdidos, não só lá fora como também aqui dentro. Não podemos desistir nem daqueles que não conhecem a verdade como aqueles que estão presos no lamaçal do pecado, mesmo com um Bíblia debaixo dos braços.
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Mateus 28:19,20
Gospel Prime
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
Não à uma espiritualidade de ostentações
Na semana passada, eu estava no Marrocos e fiquei
impressionado com o que ali é chamado de RIAD. São espécie de hotéis
boutique de luxo, com lindos azulejos, jardins internos e piscinas. Mas,
o que é interessante é que não se vê nada disso de fora, pois pela
tradição islâmica no Marrocos, não se deve ostentar, para que os pobres
não se sintam mal.
Assim, você passando pela frente dos riads, vê apenas portas velhas e nada que chame a atenção. E pensando sobre essa dicotomia, pensei duas coisas que já vi no meio cristão demais, senão vejamos.
A primeira são aquelas pessoas que adoram ostentar uma espiritualidade superior à dos demais. Buscam orar de forma diferente, mostrar suas aparentes virtudes e bondades, mas, o seu interior é feio, sujo. E não frequentemente são pessoas que buscam colocar fardo em cima dos outros, a partir da sua moralidade dúbia.
É o que Jesus chama de sepulcros caiados, em Mateus 23:27, ao se referir aos escritas e fariseus, de sepulcro caiado. Ou seja, são podres por dentro, mas com uma aparência de belo (túmulo fétido por dentro, mas com uma bela pedra pintada de cal branco, ou pedras de mármores por fora, escondendo sua verdadeira aparência).
Ou seja, nesta primeira hipótese, temos exatamente o contrário dos riads marroquinos.
Porém, existe também a segunda situação de pessoas, em nossas igrejas, que muitas vezes não chamam a atenção e são até vistas por alguns como pessoas “frias”, mas, que por dentro exalam o bom cheiro do Evangelho. E o principal: Suas vidas, seus atos cotidianos estão de acordo com aquilo que pregam.
O próprio Jesus enfatiza claramente no Evangelho que nossa espiritualidade não deve ser de ostentações, de chamar a atenção para a nossa pessoa, mas, sim que a glória seja de Deus em tudo.
Assim, é que Jesus nos diz que quando dermos esmola, que a nossa mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita,
de forma que nós prestemos a nossa ajuda em segredo. E Deus que vê o que é feito em segredo, nos recompensará (Mateus 6:3-4).
Ademais, Jesus nos orienta que quando orarmos, não sejamos como os hipócritas. Estes gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. (Mateus 6:5).
Diante do que escrevo acima, vejo isso como um grande desafio para o cristão no mundo atual, pois nunca vi um período na minha vida onde o narcisismo vazio, a vontade de aparecer e de se sobressair foi tão evidente nas nossas relações e vivências. Que Deus possa estar trabalhando no nosso interior e que tenhamos a abertura para reconhecer a altivez dos nossos
Assim, você passando pela frente dos riads, vê apenas portas velhas e nada que chame a atenção. E pensando sobre essa dicotomia, pensei duas coisas que já vi no meio cristão demais, senão vejamos.
A primeira são aquelas pessoas que adoram ostentar uma espiritualidade superior à dos demais. Buscam orar de forma diferente, mostrar suas aparentes virtudes e bondades, mas, o seu interior é feio, sujo. E não frequentemente são pessoas que buscam colocar fardo em cima dos outros, a partir da sua moralidade dúbia.
É o que Jesus chama de sepulcros caiados, em Mateus 23:27, ao se referir aos escritas e fariseus, de sepulcro caiado. Ou seja, são podres por dentro, mas com uma aparência de belo (túmulo fétido por dentro, mas com uma bela pedra pintada de cal branco, ou pedras de mármores por fora, escondendo sua verdadeira aparência).
Ou seja, nesta primeira hipótese, temos exatamente o contrário dos riads marroquinos.
Porém, existe também a segunda situação de pessoas, em nossas igrejas, que muitas vezes não chamam a atenção e são até vistas por alguns como pessoas “frias”, mas, que por dentro exalam o bom cheiro do Evangelho. E o principal: Suas vidas, seus atos cotidianos estão de acordo com aquilo que pregam.
O próprio Jesus enfatiza claramente no Evangelho que nossa espiritualidade não deve ser de ostentações, de chamar a atenção para a nossa pessoa, mas, sim que a glória seja de Deus em tudo.
Assim, é que Jesus nos diz que quando dermos esmola, que a nossa mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita,
de forma que nós prestemos a nossa ajuda em segredo. E Deus que vê o que é feito em segredo, nos recompensará (Mateus 6:3-4).
Ademais, Jesus nos orienta que quando orarmos, não sejamos como os hipócritas. Estes gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. (Mateus 6:5).
Diante do que escrevo acima, vejo isso como um grande desafio para o cristão no mundo atual, pois nunca vi um período na minha vida onde o narcisismo vazio, a vontade de aparecer e de se sobressair foi tão evidente nas nossas relações e vivências. Que Deus possa estar trabalhando no nosso interior e que tenhamos a abertura para reconhecer a altivez dos nossos
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
ESTRADA & CAMINHO
Um dia, meu amigo Roberto, do Caminho, me ofereceu um CD com uma
mensagem do pastor Caio pregada em Julho de 2004, que ele gravou da
Rádio do Site, se não me engano...
A mensagem me impactou.
Primeiro, por ser a mesma de sempre: absolutamente comprometida com o Evangelho e com mais nada. Ninguém pode dizer que não há Evangelho no texto abaixo. Ninguém pode dizer que há qualquer outra coisa para além do Evangelho, segundo a Palavra.
Em segundo lugar, porque é a mesma de sempre, mas de forma deliciosamente nova e irrepetida, e com contornos reflexivos riquíssimos, criativos, poéticos e docemente didáticos.
Então, o Roberto resolveu se dedicar a árdua tarefa de transcrever todo o áudio, para que outros pudessem receber o benefício da Palavra de Deus aqui declarada.
Portanto, tenho certeza que se você imprimir esse material e se debruçar des-apressadamente sobre ele - em oração e reflexão acerca de si próprio na vida - certamente será abençoado, e terá “seus caminhos aplainados”, ainda nessa vida.
Enjoy it!
Marcelo
INTRODUÇÃO
A mensagem me impactou.
Primeiro, por ser a mesma de sempre: absolutamente comprometida com o Evangelho e com mais nada. Ninguém pode dizer que não há Evangelho no texto abaixo. Ninguém pode dizer que há qualquer outra coisa para além do Evangelho, segundo a Palavra.
Em segundo lugar, porque é a mesma de sempre, mas de forma deliciosamente nova e irrepetida, e com contornos reflexivos riquíssimos, criativos, poéticos e docemente didáticos.
Então, o Roberto resolveu se dedicar a árdua tarefa de transcrever todo o áudio, para que outros pudessem receber o benefício da Palavra de Deus aqui declarada.
Portanto, tenho certeza que se você imprimir esse material e se debruçar des-apressadamente sobre ele - em oração e reflexão acerca de si próprio na vida - certamente será abençoado, e terá “seus caminhos aplainados”, ainda nessa vida.
Enjoy it!
Marcelo
ESTRADA & CAMINHO

SALMO 84
INTRODUÇÃO
Esse é o salmo do peregrino. É o salmo que inspirou
muitas gerações de pessoas na terra de Israel que reuniam-se uma vez no
ano para irem ao templo adorar a Deus. Esse era o salmo do caminhante,
era o salmo da jornada, o salmo da estrada. A medida em que eles iam se
aproximando do templo, as alegrias do coração se manifestavam e o salmo
era falado como uma jornada do caminho, como uma confissão da estrada de
quem queria chegar num lugar da adoração. Nós não somos hoje pessoas do
templo, o templo somos nós, não temos nenhuma devoção por pedras,
colunas... Somos santuário de Deus, somos habitação de Deus no Espírito.
Portanto, a leitura desse salmo já não nos serve como uma inspiração
para quem está indo a um lugar de culto; seria de uma pobreza primitiva
enorme a gente pensar assim. Mas, é sobretudo uma viagem existencial
para esse lugar aonde Deus tem o seu pouso em nós e aonde nós temos o
nosso pouso em Deus, aonde a gente se aninha em Deus no caminho.
"Quão amáveis são teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!
A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!
O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes;
eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.
Bem-aventurado o homem cuja
força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o
qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o
cobre a primeira chuva.
Vão indo de força em força;
cada um deles aparece diante de Deus em Sião. Senhor, Deus dos
Exércitos, escuta-me a oração; presta ouvidos, ó Deus de Jacó! Olha, ó
Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
Pois um dia nos teus átrios
vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a
permanecer nas tendas da perversidade. Porque o Senhor Deus é sol e
escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam
retamente.
Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia."
A GRANDE QUESTÃO DO CAMINHO, É COMO VOCÊ ANDA NO CAMINHO.
A gente costuma associar a vida a uma estrada... Há
aqueles jargões cansativos que toda hora nos acomete do tipo: na estrada
da vida. E é, sem dúvida alguma, algo útil para nós, pensar que a vida é
alguma coisa que se assemelha a uma estrada. A imagem da estrada é útil
para entendermos a idéia do caminho. É útil porque aponta numa direção,
numa via, e é útil porque há um caminho na estrada, mas não há uma
estrada no caminho. Ou seja, a imagem da estrada me remete para o fato
de que estou andando na direção de algum lugar, isso me é útil porque na
vida não existe essa opção de não se estar andando. Não existe essa
chance de não ser e de não ir. De outro lado, essa imagem da estrada é
útil para nós porque nos mostra isso.
No caminho de Deus que a gente anda, não existe uma
estrada fixa, de modo algum. Na mente da gente, na maioria das vezes,
quando se pensa em andar com Deus, o que se apresenta é uma idéia de uma
estrada fixa. Aí alguém chega e diz assim: "Jesus é o caminho". Aí o
sujeito imagina Jesus como sendo a BR-1 de Deus, um caminho fixo. Aí
você diz: "Como é esse caminho?". Então a pessoa te apresenta o manual
de doutrinas, e você aprende aquelas doutrinas. Chega até o ponto de
pensar que Deus não te ouviu, se você não mencionar a Trindade na
oração: "Pai eu te peço em nome do teu Filho, no poder do Espírito
Santo". Se não usar as três nomenclaturas, Deus ficou chateado. Já vi
gente ser interrompida ou, após uma oração, receber admoestação de
alguém que disse: "Escuta, você não falou em nome de Jesus". Porque se
você não completar o pacote da estrada com todas as sinalizações dela,
parece que você não está indo a lugar nenhum.
Nesse sentido, a imagem da estrada não nos ajuda,
porque nós não estamos caminhando num caminho fixo. Ele disse: "Eu sou o
Caminho, a Verdade e a Vida". Não há fixidez, o que há é movimento na
Verdade que conduz a gente na direção da Vida sempre. A estrada física
conforme eu lhes disse é fixa. O caminho espiritual, por seu turno, é
vivo e não é fixo. No caminho espiritual não existe fixidez da estrada,
ou seja, o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente muda o
caminhante e muda a estrada. Numa estrada física, fixa, não interessa
como o caminhante caminha, a estrada é a mesma. Ele pode caminhar de
maneira apressada, ou lenta, agitada, angustiada, calma, contemplativa,
olhando em volta ou de maneira completamente alienada, a estrada é a
mesma... Ele pode botar no automático e deixar ir. No mundo espiritual,
no entanto, não é assim, não existe absolutamente nenhum chão fixo, por
isso é que o justo vive pela fé, pisa no chão da fé e sabe sobretudo
isto: o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente, muda o
caminhante e muda a estrada. A estrada, acerca da qual a gente está
falando hoje, é a existência de cada um de nós. Cada um de nós está numa
estrada.
COMO É QUE A GENTE ESTÁ CAMINHANDO NESSA ESTRADA?
A estrada é chamada à existência, conforme o caminho do caminhante.
Isso que é extraordinário, porque a minha estrada não
existe por si só, ela é chamada à existência conforme o meu caminhar. A
estrada é conforme ela é andada, essa que é a verdade! Nesse sentido, a
estrada física-fixa fica pobre para ilustrar o caminho espiritual. A
estrada física não muda com os caminhantes, ela permanece a mesma. Mas a
estrada espiritual é feita pelo andar do caminhante, é produzida pelos
teus pés. Por isso não se pode apenas dizer para alguém: "Olha só, vê
ali, Jesus é o caminho, anda nele". Porque isso não vai significar
absolutamente nada para pessoa, a menos que a pessoa ande e experimente.
Nós, cristãos, temos uma mentalidade religiosa que nos faz pensar em
Jesus como Caminho relacionado a alguma coisa que se assemelha a uma
estrada física e fixa. Mas não é. E aí é que está o engano, e é aí que
as coisas vão ficando pedradas dentro de nós. Por que a gente fica
pensando que pela entrada na igreja, pela via do batismo, pelo
aprendizado dos nossos jargões, dos nossos chavões, pela capacidade que a
gente tem de papagaiar e repetir coisas que a gente ouve, ou
simplesmente, porque nós fomos batizados e temos o nome arrolado num rol
de membros de uma igreja ou participamos de determinadas formas de
culto com certa regularidade e nos dizemos cristãos, nós somos de Jesus.
E não é. Não existe fixidez no caminho de Cristo a menos que você ande
nele. Não é possível você simplesmente dizer: eu sou de Jesus; se você
não anda no Caminho.
Essa mentalidade religiosa é que pensa no caminho de
Jesus como se fosse uma estrada e que a gente pode botar o pé nela e
andar do jeito que quiser. No caso da estrada, se a gente for andando,
dado o tempo e o espaço, a gente chega lá. Todavia, o caminho espiritual
não é assim. Você pode ter tido todas as informações que lhe façam
pensar que Jesus é o Caminho, mas se você não andar conforme o Caminho,
você não está no Caminho. E é aí que o bicho pega dentro de nós. O
interessante é que a estrada física, como eu disse, não muda com os
caminhantes, mas a estrada espiritual é feita pelo caminhante.
E aí eu queria que você pensasse comigo no seguinte:
Lembra da parábola do bom samaritano? Ela ilustra perfeitamente o que
estou querendo dizer, antes de chegar no salmo. O que a gente tem ali é
um caminho, uma estrada, que ia de Jerusalém para Jericó... mesma
estrada... está fixa lá até hoje. Você pode fazer o caminho romano
antigo dos dias de Jesus até os dias de hoje, ela esta lá, com pedras
daquele tempo, com cenários que não mudaram, uma estrada. Aí Jesus disse
que, naquela estrada aconteceu uma coisa que envolveu cinco pessoas.
Uma mesma estrada, cinco caminhos diferentes, uma mesma estrada que foi
alterada pelo caminhar dos caminhantes. Um mesmo chão que virou chão
diferente de acordo com a diferença da caminhada de cada um. O primeiro
indivíduo que a gente encontra naquela estrada é um homem honesto, que
saiu de casa e foi trabalhar. E no caminho para levantar o sustento para
a vida, uma tragédia o acometeu. E ele foi deixado - largado, caído,
assaltado, ferido, roubado, depravado e privado dos seus bens e do que
tinha - ali abandonado. Caminho de um homem honesto roubado e largado na
estrada. Tem um segundo homem nessa história, nessa estrada, é aquele
que encontra o honesto que vem andando, querendo levantar o sustento
para levar para casa e o assalta. Mesma estrada, um segundo caminho,
caminho de violência, de expropriação, de covardia, de aproveitamento,
de roubo, de engano. Mesma estrada, um homem honesto caído, um
assaltante que se aproveitou da vida dele, e fez o seu próprio caminho.
Aí passa uma terceira figura, um sacerdote, mesma estrada um terceiro
caminho. O sacerdote vem e olha o homem, passa de largo, segue o seu
caminho, caminho da indiferença, o caminho da incapacidade de se
solidarizar, o caminho daquele que tem a sua agenda tão definida, que
não tem espaço para qualquer parada. Esse é, sobretudo, o indivíduo que
achava que a finalidade de cultuar a Deus num lugar sagrado, cumprindo
uma liturgia, lhe era mais importante do que a parada para exercer a
misericórdia com aquele que estava ali deitado. Uma mesma estrada, um
outro caminho. Aí tem um quarto indivíduo que passa na mesma estrada, um
levita. Ele viu o sacerdote passar e não fazer nada, e não fez nada
também. Assumiu o caminho da omissão homicida, largou o indivíduo, fez
que não viu, alienou-se, ligou o botão do auto-engano e se foi,
insensível e impermeável. Aí vem um quinto indivíduo. Mesma estrada, um
quinto caminho. Era um samaritano considerado herege pelos judeus,
abominado pelo sacerdote e pelo levita. Mas ele passa e ele olha, e ele
vê e ele se abaixa, ele socorre, ele cuida, ele pensa as feridas, trata
delas, derrama sobre elas óleo e vinho. Cuida do indivíduo e o leva e o
coloca numa estalagem e diz para o estalajadeiro: "Eu estou deixando
aqui dinheiro, e se não for o suficiente, bota tudo na minha conta,
porque quando eu passar de volta eu vou quitar tudo". A estrada para o
primeiro homem era um meio de vida e ele caiu nela. Para o segundo homem
era um meio de se aproveitar dos recursos do outro, era o caminho do
aproveitamento e do engano. Para o terceiro homem, o sacerdote, era
apenas uma estrada banal, aonde o que quer que acontecesse não lhe dizia
respeito, porque ele era um desses indivíduos que se deslocava de um
ponto para o outro e o que acontece no meio para ele não existe, ele é
indiferente à vida. O outro é omisso, ele sempre olha para quem ele acha
que lhe é superior na hierarquia, e diz: "Se ele não fez, porque que eu
tenho que fazer". E há um aqui, para quem o caminho é o lugar de
misericórdia, é o lugar onde a graça pode se manifestar e aonde o amor
de Deus pode ser encarnado. Uma única estrada com caminhos diferentes.
Isso nos ajuda entender e a discernir uma coisa fundamental para nós
hoje: O caminho é chamado à existência pelo modo como eu ando.
Nós estamos todos aqui reunidos em Brasília, no Hotel
Fenícia, cada um veio de casa, e eu não sei o que vocês deixaram em
casa. Mas eu sei uma coisa, que ainda que a vida seja completamente
idêntica para nós, nós todos temos diferentes caminhos de vida. Você
olha em volta e você vê pessoas tendo as mesmas oportunidades,
respondendo a elas de modo completamente distinto, e vê pessoas não
tendo oportunidades e respondendo a essas não-oportunidades de modo
também completamente distinto. Anteontem, eu recebi uma carta quando eu
ia chegando aqui. Um rapaz extremamente discreto me deu essa cartinha e
falou: "Por favor leia, mas leia, leia mesmo". Eu já estava atrasado,
entrando, e só dei um sorriso para ele e botei a carta no bolso. E a
carta dele está aqui. Olha só como uma estrada que podia ser miserável
se transforma num caminho de vida, por causa do pé de quem pisa, de como
pisa, de como vê, de como enxerga, de como interpreta e de como chama
coisa a existência para sua própria vida. "Estou lhe escrevendo essa
breve carta a fim de externar o quanto sou grato a Deus pela sua vida,
gostaria muito de um dia poder compartilhar com você de maneira mais
detalhada minha caminhada. Pude saber quem era o meu pai biológico e
conhecê-lo, foi uma experiência libertadora quanto a rejeição que tenho
por parte do meu verdadeiro pai humano. Meu pai tem, o primeiro deles, a
saúde regular apesar da doença e minha mãe nunca pegou uma gripe sequer
por causa do HIV, isso é motivo de alegria. Deus tem feito muito em mim
e o sonho que tenho como oração diante Dele é que eu me veja
pacificado, fazendo de minha própria vida uma mensagem, mesmo que doa,
assim como doeu aos profetas do Antigo Testamento. E assim como sei que
tem doído em você. Mais uma vez muito obrigado Caio".
Agora, pense em você. Eu faço atendimento de pessoas,
e às vezes, a vontade que me dá é dar uma surra no cara. Tem pai em
casa, mãe em casa, tudo bem, tudo certo, tudo legal, trabalho, emprego,
saúde... Aí, há complexo para tudo que é lado, quanto mais a vida vai
melhorando, mais complexificadas as pessoas vão ficando, mais cheias de
manias. Lá na minha terra no Amazonas, nas barrancas dos rios, não
existe depressão, o cara tem que cuidar de comer o pão, ralar mandioca,
pescar de sol a sol, não tem tempo para se deprimir. Ou ele sai para
trabalhar ou ele não come. Mas entre nós é diferente. A vida vai ficando
mais complexa, a luxúria começa a habitar a alma, se instala no
espírito como insatisfação crônica, e aí não interessa o que o indivíduo
tem na estrada, a estrada pode ser a favor dele, pode ser ladeira
abaixo, pode ser pastos verdejantes, pode ser como for. Aonde, ele puser
o pé a estrada vai mudar, porque ele chama a existência o seu próprio
caminho. Agora, você tem aqui, um cara com tudo para não estar se
sentindo grato, para estar pedindo aconselhamento. Mas, ele chamou a
existência um outro caminho, apesar da estrada ter sido perversa. A
estrada foi horrível, mas o caminho está sendo lindo. A mesma estrada, a
mesma vida, o mesmo chão, a mesma existência sob o mesmo sol, cercados
pelas mesmas circunstâncias, caminhos diferentes. Porque o caminho está
dentro de mim, o caminho está dentro de você. Isso foi só uma introdução
para a gente chegar no salmo (risos). Só que eu prometo que eu serei
mais rápido do que nunca.
****
Quando a gente olha para o Salmo 84, vê que ele nos
dá esse referencial, de como é que a gente - andando na estrada,
qualquer estrada, na estrada comum, na estrada de todos - pode ir
tecendo nosso próprio caminho.
COMO FAZER NOSSO CAMINHO NA ESTRADA?
1- Em primeiro lugar, ele diz que isso acontece
quando eu carrego meu ser enternecido Ter um ser enternecido é a
primeira coisa. Gente amargurada, vai pisar em chão de amargura,
qualquer que seja o caminho. O salmo fala de um coração enternecido.
"Quão amáveis são teus tabernáculos, a minha alma suspira e desfalece",
ele está apaixonado, "o meu coração e minha carne exultam pelo Deus
vivo". O que você tem aqui, existencialmente falando, é um ser
enternecido por Deus.
2- E, em segundo lugar, o salmo ensina que qualquer
que seja a estrada pode virar caminho bom e caminho de Deus, se eu ando
com a segurança de quem, se sabe, sendo capaz de encontrar pouso,
refúgio, agasalho, apenas em Deus. Essa carta, que eu li hoje aqui, é de
um indivíduo, que com doze anos disse que foi visitado por uma
plenitude que ele não sabia nem qual era. Depois falou em línguas, ele
disse: "O menor dos dons, e eu não achava que nem era crente o
suficiente para receber aquilo, por causa da mentalidade de causa e
efeito, de legalismo". Mas Deus violou o legalismo da criança, e
derramou a graça dele sobre ela, razão pela qual hoje aos 24 anos de
idade, a estrada é perversa, mas o caminho dele é bom. Olha só o que diz
o verso
3: "O pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para
si, eu encontrei os teus altares Senhor dos Exércitos". Essa segurança
de quem pousa no ninho de Deus, Deus é meu pouso. Boa parte da razão
pelo qual a estrada se torna insuportável, é porque a gente vive
fantasiando, e criando e projetando, e imaginando e elocubrando coisas e
cenários e situações que não são reais. E a gente faz sempre isso para o
lado de fora, a vida só nos é boa se ela for pintada com um cenário
exterior que nos agrade. E quando isso acontece na maioria das vezes, a
gente vem a descobrir que o mundo pode estar pintado de paraísos, se
você não carregar no peito o caminho da vida, tudo vai perecer e
desvanecer diante de você. O coração encontra significado no caminho
quando ele diz para si mesmo:"Eu não tenho bem nenhum senão a Ti Senhor.
Tu és meu pouso". Quando Deus é meu pouso, quando Nele eu tenho meu
tesouro, o meu refugio, o meu ninho, o meu agasalho, aí nada me faltará.
Quando eu acho que as coisas que me faltam, me precisam ser dadas para
que eu me sinta satisfeito, eu posso ter todas as coisas e jamais
estarei satisfeito. No entanto, no dia em que meu coração estiver
enternecido por Deus e que todo meu sentido de segurança, de agasalho,
de carinho, de conforto, de aconchego estiver Nele, não importa qual
seja a estrada, vai virar um caminho de vida.
4 - Mais do que isso, o salmo diz que a estrada se
transforma num caminho de vida quando eu carrego dentro de mim um louvor
existencial na casa do meu ser. Olha só que diz o verso 4:
"Bem-aventurado Senhor os que habitam em tua casa, louvam-te
perpetuamente". Lá no Velho Testamento, eu disse que era um caminho na
direção do templo, hoje o templo está aqui. E é um chamado para um
caminhar existencial de contentamento, aonde a gente olha a vida com
outros olhos e aí qualquer estrada vai virar caminho de vida.
5 - E além disso, qualquer estrada vira caminho de
vida, quando eu levo em mim a atitude de quem transforma vales áridos em
mananciais. Olha os versos 5 e 6: "Bem-aventurado o homem cuja força
está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual
passando pelo vale árido faz dele um manancial, de bençãos o cobre a
primeira chuva". Esse vale árido, lá no texto hebraico é chamado de vale
de Baca, uma das alusões a ele está lá no livro de Juízes, quando se
diz que o povo chorou em Boquim, depois que tinham pecado contra Deus e o
anjo do Senhor veio e falou com eles face a face e eles choraram muito e
chamaram aquele lugar de Boquim. É daí que vem a derivação para o Baca.
Ele diz que bem-aventurado é aquele que passando pelo vale de Baca faz
dele um manancial. ‘Vale de Baca’ era o vale de lágrimas, é o lugar
aonde os chorões cresciam e crescem. Até hoje das imediações de
Jerusalém, quando você chega no vale de Efraim, você ainda vê uma
quantidade enorme de salgueiros e de chorões e também de árvores que
derramam uma resina, daí o nome ter sido vale das lágrimas também, tanto
por causa da ocorrência no livro de Juízes, como também por causa desse
significado vegetal de um lugar aonde as plantas choram. O caminho para
o templo passa por ali, que é também vale dos gigantes, vale de Efraim.
E se diz: Bem-aventurado é homem que passando pelo vale de Baca, o vale
árido, faz dele um manancial, de bençãos o cobre as primeiras chuvas.
Mesma estrada, mas o caminho pode ser diferente. Estou dizendo isto
porque eu fico chocado com o fato de que todos os dias eu ouço gente
dizendo que é de Jesus e que está no caminho, mas você olha para vida do
indivíduo... E isso não tem nada haver com ter, com possuir, com
adquirir, com crescer do ponto de vista material. Tudo isso é ‘bobajada’
que vem sendo ensinada por nós e para nós nas ultimas décadas. Todo
essas coisas tem o seu lugar mínimo e Jesus disse que se nós nos
atrelarmos muito a elas, corremos o risco de perder a alma e o coração.
Elas estão ao nosso serviço e não nós serviço delas, e muito menos
tendo-as como bens do nosso ser. Fazer isso é caminho de destruição, mas
eu fico vendo as pessoas dizendo: eu tenho Jesus, eu sou alguém que crê
nele. Mas como alguém disse hoje de manhã na hora do almoço: mas a
gente não vê os resultados, não aparece nenhum resultado. Andar no
caminho tem que produzir resultado. Se eu não puder ser de Jesus e na
hora de passar no vale árido, no vale de Baca, no vale de lágrimas,
transforma-lo num manancial, que fé é essa que me anima? Que caminho é
este? Se eu não puder enfrentar a dor, a perda, a lágrima, com um
bálsamo da Graça de Deus. Se eu não puder ter dentro do coração: a
visão, a imagem, a fé, a certeza, a esperança de que eu posso cavar
poços no deserto, porque Deus na sua Graça vai enchê-los, vai chover
sobre eles, a minha estrada vai ser sempre uma estrada de morte, de
amargura, de frustração, de decepção, de perda, nunca será caminho de
vida, jamais.
6 - A estrada vira caminho de vida também, quando eu
levo em mim a consciência da mutualidade como mandamento da jornada. Ou
seja, eu não estou andando só, eu preciso de você, e você de mim, é
nessa troca que a gente vai. Subitamente o texto passa a ser plural no
verso 7, e diz: "Vão indo de força em força, cada um deles aparece
diante de Deus em Sião". É um ajudando o outro. Nesse caminho,
infelizmente, o que a gente mais encontra é um passando a perna no
outro, julgando o outro, medindo o outro, avaliando o outro, por isso
que não é caminho, é só estrada. O que a gente precisa admitir é que a
maioria de nós não está no caminho, a gente está na estrada da religião,
e na estrada da religião é assim olho aberto. Conforme Jesus disse:
símplices como as pombas e prudentes como as serpentes, porque tem
fariseu na reta. Religião não te oferece um caminho, te oferece uma
estrada e é bom você ser esperto. Agora nós estamos falando de caminho, e
no caminho “um ao outro ajudou e ao seu próximo disse: Sê forte!” No
caminho um levanta o outro. No caminho a gente não quer saber quem é o
indivíduo caído, a gente só quer saber que ele está caído. No caminho o
samaritano é o herói da história do amor fraternal. E ele não faz
perguntas. No caminho não existe discussão religiosa, no caminho ninguém
diz: "Você aceita Jesus antes de eu lhe fazer este bem?". No caminho
ninguém diz: "Os assaltantes o assaltaram porque você não estava com o
anjo do Senhor acampado ao seu redor". No caminho ninguém diz: "Olha se
você fizesse a confissão positiva e dissesse: Eu declaro bandido, tu
estás amarrado. Ele não teria te assaltado". No caminho a gente levanta,
a gente se dobra, a gente cuida, a gente não faz perguntas, a gente
carrega, a gente leva. No caminho não tem proselitismo, não tem prosa,
não tem conversa fiada, tem ação, tem amor, tem misericórdia, tem graça,
tem vida, tem gesto. A maioria de nós está na estrada da religião
cristã, poucos de nós estamos andando no caminho de Jesus, e é só quando
nos dermos conta disso que temos alguma chance de ser salvo da estrada,
para poder, no chão da vida, ver o caminho mudar debaixo de nossos pés.
Porque é o caminho da fé que chama o próprio caminho da vida à
existência para nós.
7 - E ainda, a estrada vira caminho, quando a gente
leva consigo a certeza, de que há o Deus de poder na nossa vida e de
graça nesse caminho. Os versos 8 e 9 fazem essa evocação dessas duas
realidades de Deus: Senhor Deus dos Exércitos, dos Exércitos, do poder,
escuta minha oração, presta ouvidos, ó Deus de Jacó - do cara ambíguo, o
Deus do ‘vermezinho’, o Deus do homem que tem luz e que tem sombras, o
indivíduo que carrega todas as dualidades da vida. No caminho, eu sei
que eu conto com essa assistência: há poder e há graça. Isso não é
retórica, isso é fato. E bem-aventurado é aquele que crê nisso e toma
posse disso.
8 - E a estrada seja ela qual for, vira caminho de
vida, se eu ando com a consciência de que o que vale na vida não é
quantidade, mas é qualidade. Eu achei tão bonitinho quando ele disse:
"Passei aqui no concurso público e agora eu posso manter a mim mesmo".
“Manter a mim mesmo!” Nós estamos tão empedernidos que a gente não
consegue mais nem ter a sensibilidade de discernir a benção que
significa manter a si mesmo. Comer o pão com dignidade, beber com
dignidade. A gente acha que se for de Deus uma mansão nos aguarda no
lago. Se você tiver aleluia! Convide os irmãos, me chame para ir lá eu
vou com muita alegria. Mas pelo amor de Deus, não faça disso seu sonho
de consumo. Paulo disse: "Tendo com que comer e beber, e vestir, e viver
com dignidade, sejamos gratos". Bela essa singeleza: Deus me deu os
meios de poder manter a mim mesmo. Essa gratidão muda todo o cenário no
caminho. Quem não consegue olhar para vida com contentamento, jamais vai
se contentar com coisa alguma na vida. "Eu aprendi a viver contente em
toda e qualquer situação, tanto sei estar humilhado como ser honrado,
tenho experiência de tudo, tanto de abundância quanto de escassez. Tudo
posso Naquele que me fortalece". O que este cara está dizendo, é que
tanto faz a cara da estrada, ele faz o caminho com contentamento no
coração. O verso 10 nos diz isso: "Pois um dia nos teus átrios, vale
mais do que mil". Qualidade vale mais do que quantidade. Prefiro estar a
porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade.
9 - E por último, a estrada se transforma no bom
caminho quando eu ando com a certeza de que Deus é a luz do meu caminho,
é o escudo, é a proteção da minha jornada. E que Nele eu posso confiar
sem duvidar, porque Ele não sonega sua graça a mim, nem a ninguém. E a
provisão de Deus para mim é sempre: bem. Olha só os versos 11 e 12:
"Porque o Senhor Deus é sol". Sol, o Senhor Deus é sol. Você vai andar
nesse caminho seja qual for a estrada, pode ter certeza alguns vão
dizer: não estou vendo nada. Mas se você estiver andando no caminho
conforme aquele que faz o seu caminho pisando no chão da graça e da
misericórdia, esse vai dizer: "O Senhor Deus é sol e escudo, o Senhor dá
graça e glória, nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó Senhor dos
Exércitos, feliz o homem que em Ti confia".
CONCLUSÃO
Eu falei tudo isso apenas para falar o que vou dizer
agora, e se você não ouvir o que eu vou dizer agora, não interessa o
quanto você ouviu do que eu disse antes. O que eu quero te dizer com o meu coração mais amigo, mais irmão, é que a maioria de nós, apenas existe na estrada da religião.
Para maioria de nós, Jesus é o líder da religião cristã. Por isso a
gente não devia nem ficar chateado quando ele é colocado naquela lista
dos 100 mais. Eu vejo os crentes chateados: botaram Jesus na lista dos
100 mais, das 100 maiores personalidades da civilização humana. Eu digo:
bem feito, vocês é que fizeram dele o líder do cristianismo. Então ele é
colega de Maomé, de Buda, de Confúcio, de Zoroastro, de Kardec, ou de
qualquer outro líder que apareça por aí. Esse é o Jesus da estrada, esse
é o Jesus que a gente oferece num catecismo, que a gente dá num
livrinho de discipulado. (Acho engraçado essa história de discipulado. O
que que você está fazendo? "Discipulado". O que é isso? "Eu me reúno de
segunda, quarta e sexta, com uma irmãzinha que abre aquele manual que o
pastor escreveu, mal escrito. Na maioria das vezes, ele não sabe nem o
que está acontecendo, ele copiou de algum americano, que é mestre em
fazer receita. Porque os Estados Unidos foram os que desenvolveram essa
fé de liquidificador, de manual eletrônico: quatros passos para
salvação, doze para prosperidade, sete para pacificação, é tudo assim. É
a fé da estrada. "Curva perigosa". "Chão derrapante". "Posto de
gasolina a 30 km": é o congresso para qual o indivíduo vai. "Fast-food" é
o culto. "Shopping a direita": são algumas igrejas que só vendem
fetiche. Aí o cara fica pensando que isso é andar com Jesus.
Discipulado... Onde é que se já viu discipulado ser 12 lições, 24, 320.
Jesus disse “segue-me pela vida”, gente. Discipulado é aprendendo,
quebrando a cara, arrebentando dente, levantando, socorrendo o caído que
não tem nome, sendo socorrido na hora que você não esperou que ia cair.
É aprendendo...) O Caminho gera Verdade, e a Verdade acontece na Vida.
Não é nenhum outro manual. O caminho de Jesus é na vida. Discípulos de
Jesus são formados não em cursos, mas no curso da existência.
A maioria de nós ainda está na estrada da religião. O
convite de Jesus é para você vir para o caminho da vida. E aí você vai
descobrir que a estrada é mesma, que a vida é perversa, que a existência
é absurda, que há todas as razões para ser nauseante e insuportável;
que não há justiça mesmo, que as injustiças grassam, que o trabalhador
pode sair para trabalhar e ser assaltado, o assaltante pode estar o
tempo todo de olho simplesmente para ver a melhor hora de te tomar tudo.
É o caminho dele, na estrada que é tua. O sacerdote pode passar e
dizer: ‘Esse aí já não tem mais o que dar, se ele estivesse pelo menos
rico, eu iria ajudar para ver se ele dava uma oferta lá na sinagoga.’ Aí
vem o levita, "Eu sou discípulo do sacerdote", ele diz. "O sacerdote
não fez nada, eu não vou fazer nada também, esse aqui não é o meu
caminho". Ele pode até espiritualizar: "Não é a minha vocação". Está
tudo tão esquizofrenizado, que o cara diz: "Não, o Senhor me chamou para
interceder, eu vou andando pelo caminho, intercedendo por ele, que o
Senhor mande alguém que cuide dele". Ai a gente fica achando, que nós
somos os bons desta vida. E Deus ironicamente, Jesus de maneira irônica e
caustica, elegeu para ser o herói do caminho, o anti-herói da nossa
estrada. O samaritano, o herege, é o anti-herói da estrada da religião, e
é o herói do caminho da vida. Hoje o que eu queria é que você fizesse
uma decisão: se você quer continuar a ser um cara da estrada ou se você
quer ser do caminho. Não há nenhuma promessa de que o mundo vai mudar,
Jesus disse: "No mundo tereis aflições". A profecia está feita. "Mas
tende bom ânimo, eu venci mundo".
O milagre é que a estrada pode ser a mesma, mas o
caminho será diferente. Porque você vai chamar o caminho à existência,
conforme você pisa no chão da vida. Acaba aqui também a lamúria, o
queixume. "Ai meu Deus porque que a vida foi tão madrasta para mim,
quanta injustiça que eu sofro, logo eu que sou essa mulher devota, e
santificada, que me preservo para o Senhor e só encontro canalha".
Minha querida na estrada está cheio de canalha. Por
que você não chama a existência o seu caminho, pisando de outra forma,
olhando de outro modo, discernindo por outra perspectiva, entendo a si
mesmo e aquilo que significa valor para você de outra forma? Hoje eu
queria em nome do Senhor Jesus, convidar você a dizer: "Senhor, a
estrada é comum para todos nós, ajuda-me a fazer o caminha da vida. E eu
não quero ser um indivíduo da estrada religião que é física e é fixa.
Eu quero caminhar no caminho da vida e da verdade em Jesus". Porque o
caminho muda, conforme eu mudo no caminho, e o meu caminho vai mudar,
conforme eu olho o caminho mudado. Bem-aventurado é o homem que passa
vale árido e faz dele um manancial. Ele carrega no coração os caminhos
aplanados. O caminho só muda do lado de fora, quando ele muda do lado de
dentro. Não existe nenhum caminho do lado de fora que vai lhe ser bom, a
menos que você carregue um bom caminho no coração.
Esqueça a Jesus como estrada doutrinária e fixa. Ande
no caminho vivo, onde o que vale é o seu modo de caminhar. Como é que
você tem caminhado? O que vale é o seu modo de caminhar. É só o que
vale, meu querido, é o seu modo de caminhar.
A gente fica pensando que o que faz diferença é o QI.
Nós somos muito bobos. Os seres mais maravilhosos que eu conheço chegam
a ser quase estúpidos do ponto de vista do QI. São os Forrest Gump que
estão por aí, que podem simplesmente dizer: olha, eu não sei muita
coisa, mas eu sei o que é amar. O que importa é o seu modo de caminhar. A
gente fica invejando o caminho dos perversos, dos malfeitores, fica com
dor de cotovelo porque o cara é ladrão. "Ó Senhor porque Tu não me
visita com a prosperidade do fulano". Você sabe quem é o fulano? Ele é o
assaltante da estrada, meu amigo. Nessa estrada se você não tiver
opção, se você não puder ser o bom Samaritano, peça a Deus para ser o
roubado. Sério! Se você não puder ser o bom Samaritano, só não seja o
bom Samaritano se você for o roubado. Porque ainda está em mil vezes
melhor situação do que o sacerdote, o levita e o ladrão. Mas tem gente
pedindo a Deus a benção de ser o ladrão. Quando eu fico vendo, de quem
que as pessoas tem inveja, elas tem inveja do ladrão, do ladrão
religioso, do ladrão político, do ladrão em vários lugares, em várias
situações da vida. Ladrão existencial. Porque o modo do caminho que você
ambiciona é o modo da morte. Tem gente que ambiciona o caminho do
sacerdote, é aquele cara tão imponente. O sonho de consumo de alguns
pastores é andarem cercados de 5 seguranças. "Olha que maravilha, tenho
um carro blindado". Você pode imaginar um negócio desse, um homem de
Deus que sonha em ter um carro blindado. O que eu já vi e ouvi de
pastores dizendo assim: "O Senhor tem nos abençoado muito, a nossa
igreja cresceu muito, cresceu tanto que inclusive eu tive que contratar 5
seguranças". O sonho dessa cara é ser o sacerdote. Que caminho é esse?
Ou o do levita, o egoísta, só pensa na sobrevivência e na alto
preservação, o negócio dele é: não me tocou tá bom, to nem aí, to nem
aí, to nem aí.
Nessa estrada só tem dois caminhos de vida, ou do
cara que quase foi morto porque estava andando no caminho da dignidade,
ou do outro que não teve medo de ser morto porque estava andando no
caminho da misericórdia. Isso muda tudo, altera tudo gente, você passar a
olhar a vida assim. Teu pai não vai mudar, nem a tua mãe
necessariamente, nem os vizinhos, nem a escola, nem o trabalho, mas você
vai mudar, e o seu caminho vai mudar de maneira assustadora.
Eu passei por muita coisa difícil nos últimos 7 anos,
eu podia ter ficado completamente amargo, ter adoecido,
irrecuperavelmente triste. Mas eu encontrei os teus altares Senhor dos
Exércitos, Rei meu e Deus meu.
Faz 3 meses que eu perdi um filho... amado! Estou
morrendo de saudade dele... estou aqui com perfume dele... esse
cheirinho aqui é dele... do perfume dele.
Mas a vida tá bonita!
Porque o caminho não é a estrada que faz, você é que
faz. Na estrada pode acontecer tudo, mas tudo que aconteça não será
nada, se não acontecer contigo, ou se você processar como vida, e não
como morte.
O caminho de Deus é caminho de graça, de
misericórdia, quem olha a vida com graça e com misericórdia, jamais
ficará amargo. Sempre vai entender que por trás de qualquer tranco, tem
bondade, tem um bem guardado, tem um tesouro oculto, tem no mínimo uma
palavra que diz: "o que eu faço tu não sabes agora, compreendê-lo-ás
depois".
Aí você começa a descobrir que seu coração vai
melhorando, que a sua visão vai ficando mais clara, que o que tem valor
salta, que o que não tem valor fenece. Aí você começa a descobrir que
você não precisa de nada além de um ninho, e que esse ninho está em
Deus. Suas inseguranças vão diminuindo, os lugares estranhos vão ficando
diferentes. Até aquilo que você abomina, na hora que o caminho muda
dentro de você, a estrada fica diferente fora de você. Até aquilo que
antes lhe parecia completamente intolerável e insuportável, perde o
significado de intolerabilidade. Quando o caminho mudou em ti e você
pela fé pisou com atitude de gratidão e de contentamento no chão para
ver que o caminho esta sendo feito pela gratidão e nem a estrada ruim
resiste a chegada desse novo caminho. Agora isto acontece com Jesus
enquanto a gente vive. Para que isso aconteça, você não pode ter medo de
viver, você vai ter que viver! E viver pela fé, e viver
desassombradamente e viver como quem contabiliza todas as coisas como
lucro. Lucro. Tudo é lucro no caminho, meu querido.
Se você ouviu e entendeu, e se o Espírito Santo falou
com você e você hoje diz para si mesmo: "Ó Deus, me perdoa! A vida está
tão feia, porque meus olhos são feios. A estrada está tão maligna,
porque meus olhos estão impregnados de treva. Mas, eu aprendi hoje que o
importante não é a estrada, o importante é como eu caminho. Ajuda-me a
caminhar no caminho da vida, da gratidão, do contentamento, da fé, da
misericórdia, da graça, e não deixe que eu fique impressionado com
nenhuma estrada. Por que o importante é o modo como a gente caminha".
Daqui a uns anos a gente vai olhar para trás, e o que
vai ficar não é a inteligência, nem a burrice, não é a riqueza e nem a
pobreza, não é afluência e nem a escassez; a única coisa que vai ficar é
o modo como você caminhou. João Batista teve a sua cabeça cortada e
oferecida num banquete num prato para satisfazer a volúpia provocada por
uma dança. Aparentemente um trágico fim, mas o modo do caminho dele,
fez Jesus dizer: “Em verdade vos digo que dos nascidos de mulher ninguém
foi como João”.
O que importa, meu querido, não é o que te façam; o
que importa é o que você faz de você mesmo na presença de Deus. É o modo
como você caminha. E se você hoje, recebeu o chamado do Espírito de
Deus no fundo do seu ser, para não ficar mais impressionado com a
estrada, vai fazer um compromisso de um caminhar diferente, pela fé,
sabendo que o que importa é o modo do caminhar. E que se a gente
caminha, conforme o caminho, cada passo chama a existência uma coisa
nova e boa. Não importa qual seja a estrada, o caminho será de vida.
Se você ficou convencido disso e quer hoje, fazer a
oração daqueles que pedem a Deus para desintoxicá-los da estrada, das
exterioridades, da religião, das comparações, das invejas, das ambições
malignas, das frustrações que projetam o tempo todo para nós alvos
inalcançáveis, enquanto o individuo deixa de aproveitar o pão nosso de
cada dia, e a alegria de hoje, e a celebração de Deus hoje. Sabendo que
grande não foi Nabucodonozor, maior do que ele foi João Batista, que
comia gafanhoto, bebia mel silvestre e vestia roupa de camelo.
Você tem que decidir se você quer uma estrada
pavimentada, uma highway para os homens ou se você quer andar no caminho
de Deus, onde a alma anda sempre rica não importa o que aconteça. Se
você tomou essa decisão, isso vai revolucionar sua vida, vai mexer com
todo sua existência. Se você olhar assim, apreciar assim, contemplar
assim e souber que a vida vai em cada passo, está no modo, está no
"como" da caminhada, aí bem-aventurado você será!
Caio Fábio
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
O bem que os relacionamentos nos fazem
Gospel Prime
Quando, através de uma ligação telefônica ou mesmo numa conversa teclada via Whattsapp ou Facebook ou qualquer outro tipo de mediador de comunicação social, a gente sorri, falando com um amigo um colega, com o chefe, o pastor ou qualquer outra pessoa com quem temos relacionamento (de amizade ou de qualquer outra natureza), o fenômeno de alegria que se dá eu o denomino como “inspirado”, pois o que a pessoa disse ou a forma como ela assentiu a uma colocação minha, me inspirou alegria.
Já o sorriso que damos quando num dialogo presencial, eu o chamo de “provocado”, pois, para além da inspiração da alegria advinda do diálogo, outros fatores contribuíram para que essa alegria ganhasse uma consistência maior, seja um toque, o som emito pela voz amiga que ressoou de forma positiva em mim, seja pelo cheiro, pelo modo como a pessoa se expressou performaticamente permitindo meu subconsciente notar que sou bem vindo no lugar ou junto à ela.
Um estudo que já vem sendo feito pela faculdade de Harvard, E.U.A, há 70 anos, atualmente coordenado pelo psiquiatra Robert J. Waldnger, tem estudado 724 pessoas para descobrir quais fatores sociais mais influenciam na longevidade, felicidade e resiliência. Até aqui o estudo concluiu que esses três fatores são influenciados pelos relacionamentos, seja de forma positiva ou negativa.
Segundo o coordenador da pesquisa, três lições já puderam ser tiradas do estudo com relação aos relacionamentos: 1) conexões sociais fazem bem aos seres humanos, enquanto a solidão mata; 2) A qualidade das relações é mais importante do que a quantidade; 3) Relacionamentos felizes e duradouros protegem a saúde física e mental.
Uma pesquisa também feita pelos americanos deu conta de que pessoas que mantem relacionamentos na acepção positiva do termo, vivem entre sete e 14 anos a mais.
Saber que precisamos ter bons relacionamentos já está mais do que claro, mas a grande questão é como fazer isso sendo que tanto nós como os outros somos tão difíceis de lidar? Jesus, ao ensinar os discípulos a orar, em Mateus 6 versículos de 9 a 15, deixa bem claro que a vida acontece a partir dos relacionamentos entre ser humano e Deus e entre ser humano e ser humano. Ao mencionar que o perdão deve ser dado aos homens e pedido a Deus, Jesus estava ressaltando nossa falibilidade tanto diante de Deus quanto para com nossos semelhantes.
Perdoar é fundamental para a manutenção dos relacionamentos sejam eles estreitos ou não, pois a falta de perdão nos amargura, nos entristece, nos enfraquece. Perdoar significa não cobrar uma “dívida moral” que alguém passa a nos dever a partir do momento que nos ofende. Se a gente não perdoa, estamos nos predispondo a somar juros sobre aquela “dívida” que o nosso ofensor contraiu conosco. O saldo da falta de perdão não é positivo em nenhum dos aspectos, pois diminuiu nossa rede de relacionamento, temporária ou permanentemente.
Há, em nosso rol de relacionamentos, pessoas tão agradáveis, mas há quem seja desagradável também. Se lidamos com os desagradáveis sob a égide do perdão, estando dispostos a perdoá-los, não por sermos melhores, mas por termos a capacidade de cometermos os mesmos erros que eles, viveremos a vida com maior qualidade.
Ao dizer que éramos para perdoar os homens antes de pedir perdão à Deus, Jesus estava dizendo que não devemos reduzir nosso rol de amigos a cada vez que um deles nos ofende, pois, nossas possibilidades de viver a vida de forma mais intensa e com mais oportunidades, vão diminuindo. No ato de exercer o perdão sou tratado nas minhas falhas, pois vou perceber o mal-estar que causo nos outros ao falhar com eles, ao ofendê-los. Se eu não perdoo, não sou perdoado por Deus (Mt 6.15), pois estarei deixando de progredir como ser humano, tornando meu orgulho um prisioneiro da liberdade que a boa vivencia traz.
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
O bem que os relacionamentos nos fazem
Quando, através de uma ligação telefônica ou mesmo numa
conversa teclada via Whattsapp ou Facebook ou qualquer outro tipo de
mediador de comunicação social, a gente sorri, falando com um amigo um
colega, com o chefe, o pastor ou qualquer outra pessoa com quem temos
relacionamento (de amizade ou de qualquer outra natureza), o fenômeno de
alegria que se dá eu o denomino como “inspirado”, pois o que a pessoa
disse ou a forma como ela assentiu a uma colocação minha, me inspirou
alegria.
Já o sorriso que damos quando num dialogo presencial, eu o chamo de “provocado”, pois, para além da inspiração da alegria advinda do diálogo, outros fatores contribuíram para que essa alegria ganhasse uma consistência maior, seja um toque, o som emito pela voz amiga que ressoou de forma positiva em mim, seja pelo cheiro, pelo modo como a pessoa se expressou performaticamente permitindo meu subconsciente notar que sou bem vindo no lugar ou junto à ela.
Um estudo que já vem sendo feito pela faculdade de Harvard, E.U.A, há 70 anos, atualmente coordenado pelo psiquiatra Robert J. Waldnger, tem estudado 724 pessoas para descobrir quais fatores sociais mais influenciam na longevidade, felicidade e resiliência. Até aqui o estudo concluiu que esses três fatores são influenciados pelos relacionamentos, seja de forma positiva ou negativa.
Segundo o coordenador da pesquisa, três lições já puderam ser tiradas do estudo com relação aos relacionamentos: 1) conexões sociais fazem bem aos seres humanos, enquanto a solidão mata; 2) A qualidade das relações é mais importante do que a quantidade; 3) Relacionamentos felizes e duradouros protegem a saúde física e mental.
Uma pesquisa também feita pelos americanos deu conta de que pessoas que mantem relacionamentos na acepção positiva do termo, vivem entre sete e 14 anos a mais.
Saber que precisamos ter bons relacionamentos já está mais do que claro, mas a grande questão é como fazer isso sendo que tanto nós como os outros somos tão difíceis de lidar? Jesus, ao ensinar os discípulos a orar, em Mateus 6 versículos de 9 a 15, deixa bem claro que a vida acontece a partir dos relacionamentos entre ser humano e Deus e entre ser humano e ser humano. Ao mencionar que o perdão deve ser dado aos homens e pedido a Deus, Jesus estava ressaltando nossa falibilidade tanto diante de Deus quanto para com nossos semelhantes.
Perdoar é fundamental para a manutenção dos relacionamentos sejam eles estreitos ou não, pois a falta de perdão nos amargura, nos entristece, nos enfraquece. Perdoar significa não cobrar uma “dívida moral” que alguém passa a nos dever a partir do momento que nos ofende. Se a gente não perdoa, estamos nos predispondo a somar juros sobre aquela “dívida” que o nosso ofensor contraiu conosco. O saldo da falta de perdão não é positivo em nenhum dos aspectos, pois diminuiu nossa rede de relacionamento, temporária ou permanentemente.
Há, em nosso rol de relacionamentos, pessoas tão agradáveis, mas há quem seja desagradável também. Se lidamos com os desagradáveis sob a égide do perdão, estando dispostos a perdoá-los, não por sermos melhores, mas por termos a capacidade de cometermos os mesmos erros que eles, viveremos a vida com maior qualidade.
Ao dizer que éramos para perdoar os homens antes de pedir perdão à Deus, Jesus estava dizendo que não devemos reduzir nosso rol de amigos a cada vez que um deles nos ofende, pois, nossas possibilidades de viver a vida de forma mais intensa e com mais oportunidades, vão diminuindo. No ato de exercer o perdão sou tratado nas minhas falhas, pois vou perceber o mal-estar que causo nos outros ao falhar com eles, ao ofendê-los. Se eu não perdoo, não sou perdoado por Deus (Mt 6.15), pois estarei deixando de progredir como ser humano, tornando meu orgulho um prisioneiro da liberdade que a boa vivencia traz.
Qual a conexão disso tudo que eu disse com o que eu falei ao iniciar esse texto? É que Deus não nos fez para nos distanciarmos uns dos outros, seja por falta de perdão ou pelo mero comodismo que as redes sociais nos proporcionam. Viva mais perto dos familiares, dos pais, dos amigos ou dos irmãos de igreja. Sobretudo, viva mais perto de Deus.
Gospel Prime
Já o sorriso que damos quando num dialogo presencial, eu o chamo de “provocado”, pois, para além da inspiração da alegria advinda do diálogo, outros fatores contribuíram para que essa alegria ganhasse uma consistência maior, seja um toque, o som emito pela voz amiga que ressoou de forma positiva em mim, seja pelo cheiro, pelo modo como a pessoa se expressou performaticamente permitindo meu subconsciente notar que sou bem vindo no lugar ou junto à ela.
Um estudo que já vem sendo feito pela faculdade de Harvard, E.U.A, há 70 anos, atualmente coordenado pelo psiquiatra Robert J. Waldnger, tem estudado 724 pessoas para descobrir quais fatores sociais mais influenciam na longevidade, felicidade e resiliência. Até aqui o estudo concluiu que esses três fatores são influenciados pelos relacionamentos, seja de forma positiva ou negativa.
Segundo o coordenador da pesquisa, três lições já puderam ser tiradas do estudo com relação aos relacionamentos: 1) conexões sociais fazem bem aos seres humanos, enquanto a solidão mata; 2) A qualidade das relações é mais importante do que a quantidade; 3) Relacionamentos felizes e duradouros protegem a saúde física e mental.
Uma pesquisa também feita pelos americanos deu conta de que pessoas que mantem relacionamentos na acepção positiva do termo, vivem entre sete e 14 anos a mais.
Saber que precisamos ter bons relacionamentos já está mais do que claro, mas a grande questão é como fazer isso sendo que tanto nós como os outros somos tão difíceis de lidar? Jesus, ao ensinar os discípulos a orar, em Mateus 6 versículos de 9 a 15, deixa bem claro que a vida acontece a partir dos relacionamentos entre ser humano e Deus e entre ser humano e ser humano. Ao mencionar que o perdão deve ser dado aos homens e pedido a Deus, Jesus estava ressaltando nossa falibilidade tanto diante de Deus quanto para com nossos semelhantes.
Perdoar é fundamental para a manutenção dos relacionamentos sejam eles estreitos ou não, pois a falta de perdão nos amargura, nos entristece, nos enfraquece. Perdoar significa não cobrar uma “dívida moral” que alguém passa a nos dever a partir do momento que nos ofende. Se a gente não perdoa, estamos nos predispondo a somar juros sobre aquela “dívida” que o nosso ofensor contraiu conosco. O saldo da falta de perdão não é positivo em nenhum dos aspectos, pois diminuiu nossa rede de relacionamento, temporária ou permanentemente.
Há, em nosso rol de relacionamentos, pessoas tão agradáveis, mas há quem seja desagradável também. Se lidamos com os desagradáveis sob a égide do perdão, estando dispostos a perdoá-los, não por sermos melhores, mas por termos a capacidade de cometermos os mesmos erros que eles, viveremos a vida com maior qualidade.
Ao dizer que éramos para perdoar os homens antes de pedir perdão à Deus, Jesus estava dizendo que não devemos reduzir nosso rol de amigos a cada vez que um deles nos ofende, pois, nossas possibilidades de viver a vida de forma mais intensa e com mais oportunidades, vão diminuindo. No ato de exercer o perdão sou tratado nas minhas falhas, pois vou perceber o mal-estar que causo nos outros ao falhar com eles, ao ofendê-los. Se eu não perdoo, não sou perdoado por Deus (Mt 6.15), pois estarei deixando de progredir como ser humano, tornando meu orgulho um prisioneiro da liberdade que a boa vivencia traz.
Qual a conexão disso tudo que eu disse com o que eu falei ao iniciar esse texto? É que Deus não nos fez para nos distanciarmos uns dos outros, seja por falta de perdão ou pelo mero comodismo que as redes sociais nos proporcionam. Viva mais perto dos familiares, dos pais, dos amigos ou dos irmãos de igreja. Sobretudo, viva mais perto de Deus.
Gospel Prime
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
A excelência de Cristo
Com a graça de Deus chegamos ao início de mais um ano letivo na
Escola Bíblica Dominical. Aliás, feliz ano novo pra você! Começaremos o
trimestre com o estudo da carta aos Hebreus, cuja Lição (CPAD) é
comentada pelo gabaritado pastor José Gonçalves. Desde já convidamos
todos a lerem na íntegra a Carta aos Hebreus, antes mesmo da primeira
aula no próximo domingo, para que tenham uma visão geral dos assuntos
tratados nesta Carta e percebam quais as instruções dadas pelo Espírito
de Deus através deste livro. A carta foi escrita originalmente aos
“hebreus” (forma antiga de se referir aos “judeus”), mas diz respeito
também a nós, já que estamos na mesma jornada da salvação que eles,
correndo os mesmos riscos, sofrendo as mesmas tentações e tendo as
mesmas necessidades de sermos exortados à perseverança como aqueles
primeiros irmãos. Bom estudo!
CONTEÚDO: Sobre o conteúdo do livro, Martinho Lutero, para quem Apolo teria sido o provável autor desta carta, considerava que existia nele algum “osso duro de roer”, e que também havia nela algumas fragilidades de “palha”, embora reconhecesse, dado o antigo uso dela na Igreja, uma autoridade digna de colocar esta Carta no cânon sagrado, embora, segundo ele, não pudesse gozar de igualdade com os demais livros. Dizia ele: “não se pode equipará-la às epístolas apostólicas em todos os aspectos”. O reformador alemão, todavia, também observa de modo mui pertinente que “a Epístola aos Hebreus (…) sozinha é suficiente para interpretar todas as figuras [nos livros de] Moisés” (3). De fato, há abundante citação do Pentateuco na Carta aos Hebreus. E não podia ser diferente, já que o autor pretende estabelecer uma comparação entre a antiga aliança e os elementos que a constituíam com a nova aliança, demonstrando que Cristo é não só o cumprimento das figuras veterotestamentárias, mas é o “o Mediador de uma nova aliança” (Hb 12.24), e que Cristo “alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança” (Hb 8.6), e que é superior à Moisés, aos sacerdotes e aos profetas, dentre os quais está Moisés também.
Não obstante, é preciso deixar claro que nós vamos muito além de Lutero na aceitação da inspiração plenária e verbal, da inerrância e infalibilidade da Carta aos Hebreus: para nós, pode haver “osso duro de roer” nela como em qualquer outro livro, já que nós leitores somos limitados na compreensão do texto bíblico; mas não aceitamos que exista nem nesse nem em qualquer outro livro nada que se possa chamar de “palha”, “graveto” ou “capim”, nem acreditamos que haja inferioridade nesta carta em relação as demais do Novo Testamento, ou ainda, como supôs Lutero, alguma contradição entre algum ensino da carta aos Hebreus e os ensinos de Paulo. Aceitamos Hebreus como Palavra de Deus, “igualmente as outras Escrituras” (2Pe 3.16). Como dizia John Wesley, referindo-se a Bíblia como um todo, “Se há algum erro na Bíblia, então pode haver mil erros. Se há alguma falsidade sequer naquele livro, ele não proveio da verdade”. Ou ainda melhor nas palavras de Paulo: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3.16). Hebreus é Palavra de Deus!
DESTINATÁRIO: uma comunidade judaica convertida ao Cristianismo, mas de uma localidade não especificada, quase que certamente entre os anos 64 e 70 d.C., antes da destruição do templo em Jerusalém (que o texto sugere ainda estar de pé, com sacrifícios ocorrendo ali – Hb 10.11). Por extensão, esta carta dirige-se a todos os cristãos dentre os judeus, que estavam sofrendo tentações diversas para voltar ao judaísmo, abrindo mão da fé em Cristo como Salvador e Senhor. Neste sentido, é uma carta que muito se assemelha à de Paulo aos gálatas, quando este apóstolo advertia os crentes da Galácia sobre os perigos de dissolver a fé cristã dentro de dogmas e tradições já superados na nova aliança. As influências são as mesmas: judeus não convertidos, inimigos da cruz de Cristo, querendo anular o cristianismo crescente do primeiro século. Com uma distinção: enquanto os gálatas pareciam não correr o risco da apostasia (pelo menos não conscientemente), mas do sincretismo, misturando práticas judaizantes caducadas na cruz de Cristo (como circuncisão, guarda do sábado e abstinência de alimentos) com a fé em Cristo e práticas do cristianismo, os destinatários da Carta aos Hebreus estavam correndo um perigo ainda maior: desertarem totalmente da fé em Cristo para um retorno à antiga religião. Ou seja, apostasia era o grande problema dessa comunidade cristã. Aos gálatas, Paulo diz: “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” (Gl 5.4); aos Hebreus é dito: “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus…” (Hb 12.15).
PROPÓSITO: ressaltar a superioridade de Cristo, da fé e da nova aliança, bem como trazer um chamado à perseverança em Cristo, com duras advertências aos que abandonarem esta fé ou maravilhosas promessas aos que permanecerem nela, resistindo “até o sangue” (Hb 12.4) contra os ataques dos adversários.
Lendo a Carta aos Hebreus, você perceberá que alguns temas são muito recorrentes em seus treze capítulos: CRISTO, SACERDÓCIO, FÉ, PERSEVERANÇA, APOSTASIA, CONFIANÇA, PROMESSA, RECOMPENSA. O tema geral deste trimestre, portanto, não poderia ser melhor do que o que foi escolhido: A supremacia de Cristo: fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus.
1. Este texto introduz todo o trabalho do autor ao longo da carta, cujo objetivo é apontar para Cristo e para a fé cristã como superiores ao judaísmo e à Lei mosaica. Este objetivo deve ser mantido em mente durante todo o trimestre em que estaremos estudando capítulo a capítulo a Carta aos Hebreus.
2. Este texto, tomado por muitos teólogos adversários da crença na contemporaneidade dos dons espirituais e das revelações especiais de Deus aos homens, não está sugerindo uma cessação nas revelações divinas após o primeiro advento de Cristo – esta ideia sequer tangencia a carta aos Hebreus. Como pontua Richard Taylor, encontramos neste primeiro versículo “a revelação completa e culminante. Jesus Cristo é a Palavra final e completa de Deus ao homem; tudo o que veio antes dele é parcial e preparatório, e tudo que veio depois é a ampliação e clarificação dessas palavras” (4). Deus continua se revelando aos homens hoje de modo especial, como se revelou aos cristãos no primeiro século, mesmo depois de Jesus já ter voltado para o Pai. Mas estas revelações não são para complementar, nem para ganhar status de revelação canônica e vir a se tornar regra de fé e prática para a igreja, mas para demonstrar a comunhão viva que desfrutamos com Deus, que não ficou mudo após a redação da última letra do Novo Testamento.
O teólogo continuísta presbiteriano Don Codling, em seu belo tratado Sola Scriptura e dons de revelação, que foi originalmente seu trabalho de Dissertação de mestrado defendido no Westminster Seminary, discorre com precisão sobre este assunto dominante na Carta aos Hebreus:
“claramente, a questão desses versículos [Hb 1.1-2] não se relaciona com o método particular em que a revelação foi recebida. Pedro teve uma visão (Atos 10:9ss); Paulo ouviu uma voz do céu (At 9.4), e recebeu uma revelação em sonho (At 16.9); ainda havia profetas que individualmente recebiam e falavam a Palavra. O contraste nesses primeiros versículos de Hebreus é entre a revelação antecedente a Cristo, e a excelência, a plenitude, e a revelação em Cristo. (…) O argumento de Hebreus é dirigido contra um retorno ao judaísmo dentro do cristianismo, como o próprio escritor enfatiza, apontando o judaísmo como o estado inferior, a condição incompleta. O contraste não é para ser tomado como o tempo de Cristo e seus apóstolos em oposição a todos os momentos antes e depois. O contraste é entre a era da realização inaugurada por Cristo e a era da promessa antes da vinda de Cristo” (5)
Em seguida, Codling corrige o posicionamento teológico cessacionista, demonstrando que este texto não serve ao propósito de negar revelações especiais de Deus pós-Cristo ou pós-Canon sagrado. Ele diz:
“a conclusão de que na era de plenitude [a era em que vivemos] não haverá mais revelação após o final do período apostólico, deturpa a passagem do seu contexto, e estabelece um novo dispensacionalismo com uma dispensação apostólica e outra pós-apostólica no lugar do novo período da aliança. Uma revelação contínua não implica necessariamente uma progressão para além de Cristo (…). O falar de Deus através de seu Filho foi a inauguração, e não o fim dos últimos dias. Dessa revelação plena se estabelecem os limites para qualquer revelação subsequente. Qualquer contínua revelação verdadeira será especificamente cristã, isto é, irá olhar para trás, para o advento de Cristo na carne. Outra consequência dessa passagem é uma afirmação, como a de Marcião, de que se possui revelação superior àquela que veio em Cristo seria falsa. A finalidade da revelação em Cristo coloca outras restrições sobre qualquer revelação posterior (…), mas isso não nega a possibilidade de uma contínua revelação” (6)
Portanto, que fique claro: o advento de Cristo é o ponto mais elevado da revelação de Deus aos homens, mas isso não significa que Deus não se revela aos homens por outros modos especiais além do texto bíblico, e sim que toda revelação deve ser por Cristo, em Cristo e para Cristo, sendo as Escrituras Sagradas o instrumento aferidor de toda revelação atual. Jesus disse que o Espírito Santo, que distribui dons na Igreja, “me glorificará, porque receberá do que é meu e vos anunciará” (Jo 16.14). Vivemos nos últimos dias, os dias de que o próprio Pai falou com promessa: “derramarei meu Espírito sobre toda carne… os jovens terão visões, e os velhos sonharão…” (Joel 2.28,29). Paulo disse que o Espírito Santo concede à igreja dons revelacionais, como os dons de profecia, palavra de sabedoria e palavra de conhecimento (1Co 12.8-10). Inclusive há uma ordem bíblica para se buscar esses dons! (1Co 12.31; 14.1). E a Palavra de Deus não pode falhar! Logo, tal bendita promessa é para nós também (At 2.39), e não há qualquer disparidade entre a crença na revelação excelente de Deus que temos em Cristo e as revelações especiais para necessidades específicas que o Espírito Santo dá à Igreja de Cristo, que servem-nos para exortação, edificação e consolo (1Co 14.3). Estas sempre submetidas àquela!
a) em relação aos profetas do A.T. (vv. 1-2). E aqui, entenda-se “profetas” não como uma referência aos que profetizavam (Samuel, Elias, Jeremias, etc.), mas a todos os autores/escritos do Antigo Testamento, que eram chamados de profetas (incluindo Esdras, Neemias, Davi, e seus respectivos livros históricos ou poéticos).
b) em relação aos anjos (vv. 2-9, 13-14)
c) e em relação ao cosmos (vv. 10-12).
Perceba: Cristo é superior aos homens, aos anjos e à natureza. Isto porque ele é mais que homem, e mais que um espírito iluminado, ele é o “Filho” eterno de Deus (vv.2,3,5), o Filho que reina majestoso (v.8,9), e o Filho co-autor da criação (v. 10). Nos demais capítulos de Hebreus, que estaremos estudando em sequência neste trimestre, veremos outros aspectos desta superioridade de Cristo. Sem dúvida, a carta aos Hebreus é um bom tratado cristológico, com foco no sacerdócio de Cristo.
É obscuro para nós a crença dos antigos judeus sobre os anjos, e há muito mais tradição extra-bíblica do que subsídio bíblico para amparar algumas crenças antigas. Mas há evidências bíblicas de que os anjos eram tidos em grande estima, sendo até mesmo cultuados (Cl 2.18). Os anjos são apresentados na Bíblia em algumas classes: anjos (Lc 1.28), serafins (Is 6.2,6), querubins (Gn 3.24) e arcanjos (1Ts 4.16; Jd 1.9). O autor da Carta aos Hebreus, porém, é enfático: Cristo é superior a todos eles! É uma boa forma de introduzir o assunto que será desenvolvido no decorrer da epístola, já provando não ser razoável os cristãos judeus abandonarem a fé em Cristo, superior aos homens e aos anjos, para voltar àquela antiga religião, de uma revelação inferior e parcial sobre Deus. Se os judeus queriam o espetáculo dos anjos, o autor da carta aos hebreus diz que Cristo é espetacularmente mais fascinante, em tudo o que ele é, em tudo o que ele fez e em tudo o que ele prometeu!
O texto de Hebreus redireciona corretamente nosso olhar para Aquele que deve ser o foco da nossa vida e do nosso culto: “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12.2). E como Jesus, devemos suportar o desprezo e a afronta daqueles que resistem à fé, visto que há um gozo eterno proposto para nós no descanso celestial.
CONCLUSÃO
Já para iniciarmos digerindo bem a carta aos Hebreus, encerro este estudo de hoje chamando você a refletir sobre dois erros cometidos pelos crentes judeus que favoreceram um esfriamento da fé em Cristo e um retorno ao judaísmo:
Enquanto estudamos estas lições dominicais, oremos como Habacuque: Aviva, Senhor, a tua obra!
REFERÊNCIAS:
(1) Martinho Lutero. Bíblia de Estudo da Reforma, SBB, p. 2091 (introdução ao livro de Hebreus)
(2) José Gonçalves. A supremacia de Cristo: fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus, CPAD, p. 14
(3) Martinho Lutero. Op. cit., p. 2090.
(4) Richard Taylor. Comentário Bíblico Beacon, vol. 10, CPAD, p. 26
(5) Don Codling. Sola Scriptura e os dons de revelação: como lidar com a atual manifestação do dom de profecia?, Carisma, p. 133
(6) Don Codling. Op. cit, p. 134
I. AUTORIA, DESTINATÁRIO E PROPÓSITO
AUTORIA: numa análise superficial do texto em português, é possível traçar muitas semelhanças entre o texto de Hebreus e as cartas de Paulo. Todavia, num aprofundamento exegético, sobretudo a partir do texto grego, as diferenças tornam-se consideráveis. Eruditos tanto de linha liberal quanto conservadora já concluíram que há polimento e erudição no texto da carta aos Hebreus que não se comparam a forma comum de Paulo escrever, embora este fosse um exímio conhecedor das letras humanas em seu tempo. De qualquer modo, é muito provável que o autor desta carta tenha sido alguém muito próximo ao apóstolo Paulo e que tenha aprendido dele muitos temas da fé cristã além da forma contundente de argumentar. É perfeitamente possível dizer que há traços paulinos nesta carta anônima. Mas há uma evidência interna muito forte para rejeitarmos a autoria paulina desta carta. Nas palavras de Lutero: “o fato de essa Epístola aos Hebreus não ser de S. Paulo ou de algum outro apóstolo, fica demonstrado por constar no segundo capítulo [2.3]: ‘Esta doutrina veio a nós e ficou por meio daqueles que a ouviram pessoalmente do Senhor’. Isso deixa claro que ele está falando dos apóstolos, talvez muito tempo depois. Pois em Gálatas 1, S. Paulo dá o vigoroso depoimento de que ele teria seu evangelho não de pessoa humana, nem por meio de pessoas humanas, mas do próprio Deus” (1). Apesar de desde o final do segundo século a carta aos Hebreus ter sido citada por Pantenus, como sendo de autoria do apóstolo Paulo, e de haver muitos teólogos cristãos ao longo dos séculos, inclusive mais recentemente que defendam uma autoria paulina (inclusive o comentarista pentecostal Severino Pedro da Silva), bem ressalta o exegeta José Gonçalves, comentarista da Lição: “Hoje, há praticamente uma unanimidade entre os biblistas de o apóstolo Paulo não foi o autor da carta aos Hebreus” (2). Como dizia Orígenes, um dos Pais da Igreja no oriente, terceiro século, “Quem escreveu a carta? Deus sabe de verdade”. Todavia, ainda que não reconheçamos o redator humano, sabemos com toda certeza quem é o Autor divino deste livro, e isto realmente é o que nos importa!CONTEÚDO: Sobre o conteúdo do livro, Martinho Lutero, para quem Apolo teria sido o provável autor desta carta, considerava que existia nele algum “osso duro de roer”, e que também havia nela algumas fragilidades de “palha”, embora reconhecesse, dado o antigo uso dela na Igreja, uma autoridade digna de colocar esta Carta no cânon sagrado, embora, segundo ele, não pudesse gozar de igualdade com os demais livros. Dizia ele: “não se pode equipará-la às epístolas apostólicas em todos os aspectos”. O reformador alemão, todavia, também observa de modo mui pertinente que “a Epístola aos Hebreus (…) sozinha é suficiente para interpretar todas as figuras [nos livros de] Moisés” (3). De fato, há abundante citação do Pentateuco na Carta aos Hebreus. E não podia ser diferente, já que o autor pretende estabelecer uma comparação entre a antiga aliança e os elementos que a constituíam com a nova aliança, demonstrando que Cristo é não só o cumprimento das figuras veterotestamentárias, mas é o “o Mediador de uma nova aliança” (Hb 12.24), e que Cristo “alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança” (Hb 8.6), e que é superior à Moisés, aos sacerdotes e aos profetas, dentre os quais está Moisés também.
Não obstante, é preciso deixar claro que nós vamos muito além de Lutero na aceitação da inspiração plenária e verbal, da inerrância e infalibilidade da Carta aos Hebreus: para nós, pode haver “osso duro de roer” nela como em qualquer outro livro, já que nós leitores somos limitados na compreensão do texto bíblico; mas não aceitamos que exista nem nesse nem em qualquer outro livro nada que se possa chamar de “palha”, “graveto” ou “capim”, nem acreditamos que haja inferioridade nesta carta em relação as demais do Novo Testamento, ou ainda, como supôs Lutero, alguma contradição entre algum ensino da carta aos Hebreus e os ensinos de Paulo. Aceitamos Hebreus como Palavra de Deus, “igualmente as outras Escrituras” (2Pe 3.16). Como dizia John Wesley, referindo-se a Bíblia como um todo, “Se há algum erro na Bíblia, então pode haver mil erros. Se há alguma falsidade sequer naquele livro, ele não proveio da verdade”. Ou ainda melhor nas palavras de Paulo: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3.16). Hebreus é Palavra de Deus!
DESTINATÁRIO: uma comunidade judaica convertida ao Cristianismo, mas de uma localidade não especificada, quase que certamente entre os anos 64 e 70 d.C., antes da destruição do templo em Jerusalém (que o texto sugere ainda estar de pé, com sacrifícios ocorrendo ali – Hb 10.11). Por extensão, esta carta dirige-se a todos os cristãos dentre os judeus, que estavam sofrendo tentações diversas para voltar ao judaísmo, abrindo mão da fé em Cristo como Salvador e Senhor. Neste sentido, é uma carta que muito se assemelha à de Paulo aos gálatas, quando este apóstolo advertia os crentes da Galácia sobre os perigos de dissolver a fé cristã dentro de dogmas e tradições já superados na nova aliança. As influências são as mesmas: judeus não convertidos, inimigos da cruz de Cristo, querendo anular o cristianismo crescente do primeiro século. Com uma distinção: enquanto os gálatas pareciam não correr o risco da apostasia (pelo menos não conscientemente), mas do sincretismo, misturando práticas judaizantes caducadas na cruz de Cristo (como circuncisão, guarda do sábado e abstinência de alimentos) com a fé em Cristo e práticas do cristianismo, os destinatários da Carta aos Hebreus estavam correndo um perigo ainda maior: desertarem totalmente da fé em Cristo para um retorno à antiga religião. Ou seja, apostasia era o grande problema dessa comunidade cristã. Aos gálatas, Paulo diz: “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” (Gl 5.4); aos Hebreus é dito: “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus…” (Hb 12.15).
PROPÓSITO: ressaltar a superioridade de Cristo, da fé e da nova aliança, bem como trazer um chamado à perseverança em Cristo, com duras advertências aos que abandonarem esta fé ou maravilhosas promessas aos que permanecerem nela, resistindo “até o sangue” (Hb 12.4) contra os ataques dos adversários.
Lendo a Carta aos Hebreus, você perceberá que alguns temas são muito recorrentes em seus treze capítulos: CRISTO, SACERDÓCIO, FÉ, PERSEVERANÇA, APOSTASIA, CONFIANÇA, PROMESSA, RECOMPENSA. O tema geral deste trimestre, portanto, não poderia ser melhor do que o que foi escolhido: A supremacia de Cristo: fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus.
II. CRISTO – A PALAVRA SUPERIOR À DOS PROFETAS
No primeiro versículo desta carta, o autor aponta para a revelação final de Deus através de seu próprio Filho. Está escrito: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Duas considerações precisam ser feitas sobre este texto:1. Este texto introduz todo o trabalho do autor ao longo da carta, cujo objetivo é apontar para Cristo e para a fé cristã como superiores ao judaísmo e à Lei mosaica. Este objetivo deve ser mantido em mente durante todo o trimestre em que estaremos estudando capítulo a capítulo a Carta aos Hebreus.
2. Este texto, tomado por muitos teólogos adversários da crença na contemporaneidade dos dons espirituais e das revelações especiais de Deus aos homens, não está sugerindo uma cessação nas revelações divinas após o primeiro advento de Cristo – esta ideia sequer tangencia a carta aos Hebreus. Como pontua Richard Taylor, encontramos neste primeiro versículo “a revelação completa e culminante. Jesus Cristo é a Palavra final e completa de Deus ao homem; tudo o que veio antes dele é parcial e preparatório, e tudo que veio depois é a ampliação e clarificação dessas palavras” (4). Deus continua se revelando aos homens hoje de modo especial, como se revelou aos cristãos no primeiro século, mesmo depois de Jesus já ter voltado para o Pai. Mas estas revelações não são para complementar, nem para ganhar status de revelação canônica e vir a se tornar regra de fé e prática para a igreja, mas para demonstrar a comunhão viva que desfrutamos com Deus, que não ficou mudo após a redação da última letra do Novo Testamento.
O teólogo continuísta presbiteriano Don Codling, em seu belo tratado Sola Scriptura e dons de revelação, que foi originalmente seu trabalho de Dissertação de mestrado defendido no Westminster Seminary, discorre com precisão sobre este assunto dominante na Carta aos Hebreus:
“claramente, a questão desses versículos [Hb 1.1-2] não se relaciona com o método particular em que a revelação foi recebida. Pedro teve uma visão (Atos 10:9ss); Paulo ouviu uma voz do céu (At 9.4), e recebeu uma revelação em sonho (At 16.9); ainda havia profetas que individualmente recebiam e falavam a Palavra. O contraste nesses primeiros versículos de Hebreus é entre a revelação antecedente a Cristo, e a excelência, a plenitude, e a revelação em Cristo. (…) O argumento de Hebreus é dirigido contra um retorno ao judaísmo dentro do cristianismo, como o próprio escritor enfatiza, apontando o judaísmo como o estado inferior, a condição incompleta. O contraste não é para ser tomado como o tempo de Cristo e seus apóstolos em oposição a todos os momentos antes e depois. O contraste é entre a era da realização inaugurada por Cristo e a era da promessa antes da vinda de Cristo” (5)
Em seguida, Codling corrige o posicionamento teológico cessacionista, demonstrando que este texto não serve ao propósito de negar revelações especiais de Deus pós-Cristo ou pós-Canon sagrado. Ele diz:
“a conclusão de que na era de plenitude [a era em que vivemos] não haverá mais revelação após o final do período apostólico, deturpa a passagem do seu contexto, e estabelece um novo dispensacionalismo com uma dispensação apostólica e outra pós-apostólica no lugar do novo período da aliança. Uma revelação contínua não implica necessariamente uma progressão para além de Cristo (…). O falar de Deus através de seu Filho foi a inauguração, e não o fim dos últimos dias. Dessa revelação plena se estabelecem os limites para qualquer revelação subsequente. Qualquer contínua revelação verdadeira será especificamente cristã, isto é, irá olhar para trás, para o advento de Cristo na carne. Outra consequência dessa passagem é uma afirmação, como a de Marcião, de que se possui revelação superior àquela que veio em Cristo seria falsa. A finalidade da revelação em Cristo coloca outras restrições sobre qualquer revelação posterior (…), mas isso não nega a possibilidade de uma contínua revelação” (6)
Portanto, que fique claro: o advento de Cristo é o ponto mais elevado da revelação de Deus aos homens, mas isso não significa que Deus não se revela aos homens por outros modos especiais além do texto bíblico, e sim que toda revelação deve ser por Cristo, em Cristo e para Cristo, sendo as Escrituras Sagradas o instrumento aferidor de toda revelação atual. Jesus disse que o Espírito Santo, que distribui dons na Igreja, “me glorificará, porque receberá do que é meu e vos anunciará” (Jo 16.14). Vivemos nos últimos dias, os dias de que o próprio Pai falou com promessa: “derramarei meu Espírito sobre toda carne… os jovens terão visões, e os velhos sonharão…” (Joel 2.28,29). Paulo disse que o Espírito Santo concede à igreja dons revelacionais, como os dons de profecia, palavra de sabedoria e palavra de conhecimento (1Co 12.8-10). Inclusive há uma ordem bíblica para se buscar esses dons! (1Co 12.31; 14.1). E a Palavra de Deus não pode falhar! Logo, tal bendita promessa é para nós também (At 2.39), e não há qualquer disparidade entre a crença na revelação excelente de Deus que temos em Cristo e as revelações especiais para necessidades específicas que o Espírito Santo dá à Igreja de Cristo, que servem-nos para exortação, edificação e consolo (1Co 14.3). Estas sempre submetidas àquela!
III. CRISTO – SUPERIOR AOS ANJOS
Diferentemente de todas as demais cartas, cujo autor e destinatários são identificados logo nos primeiros versículos, em típica saudação, a Carta aos Hebreus “vai direto ao ponto”. Como alguém que não tem tempo a perder, ou como um médico que precisa atender urgentemente o seu paciente na sala de cirurgia, o autor da Carta aos Hebreus inicia sua carta já apontando para a supremacia de Cristo. Só no capítulo de abertura, vemos o autor colocando a superioridade de Cristo:a) em relação aos profetas do A.T. (vv. 1-2). E aqui, entenda-se “profetas” não como uma referência aos que profetizavam (Samuel, Elias, Jeremias, etc.), mas a todos os autores/escritos do Antigo Testamento, que eram chamados de profetas (incluindo Esdras, Neemias, Davi, e seus respectivos livros históricos ou poéticos).
b) em relação aos anjos (vv. 2-9, 13-14)
c) e em relação ao cosmos (vv. 10-12).
Perceba: Cristo é superior aos homens, aos anjos e à natureza. Isto porque ele é mais que homem, e mais que um espírito iluminado, ele é o “Filho” eterno de Deus (vv.2,3,5), o Filho que reina majestoso (v.8,9), e o Filho co-autor da criação (v. 10). Nos demais capítulos de Hebreus, que estaremos estudando em sequência neste trimestre, veremos outros aspectos desta superioridade de Cristo. Sem dúvida, a carta aos Hebreus é um bom tratado cristológico, com foco no sacerdócio de Cristo.
É obscuro para nós a crença dos antigos judeus sobre os anjos, e há muito mais tradição extra-bíblica do que subsídio bíblico para amparar algumas crenças antigas. Mas há evidências bíblicas de que os anjos eram tidos em grande estima, sendo até mesmo cultuados (Cl 2.18). Os anjos são apresentados na Bíblia em algumas classes: anjos (Lc 1.28), serafins (Is 6.2,6), querubins (Gn 3.24) e arcanjos (1Ts 4.16; Jd 1.9). O autor da Carta aos Hebreus, porém, é enfático: Cristo é superior a todos eles! É uma boa forma de introduzir o assunto que será desenvolvido no decorrer da epístola, já provando não ser razoável os cristãos judeus abandonarem a fé em Cristo, superior aos homens e aos anjos, para voltar àquela antiga religião, de uma revelação inferior e parcial sobre Deus. Se os judeus queriam o espetáculo dos anjos, o autor da carta aos hebreus diz que Cristo é espetacularmente mais fascinante, em tudo o que ele é, em tudo o que ele fez e em tudo o que ele prometeu!
O texto de Hebreus redireciona corretamente nosso olhar para Aquele que deve ser o foco da nossa vida e do nosso culto: “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12.2). E como Jesus, devemos suportar o desprezo e a afronta daqueles que resistem à fé, visto que há um gozo eterno proposto para nós no descanso celestial.
CONCLUSÃO
Já para iniciarmos digerindo bem a carta aos Hebreus, encerro este estudo de hoje chamando você a refletir sobre dois erros cometidos pelos crentes judeus que favoreceram um esfriamento da fé em Cristo e um retorno ao judaísmo:
- Não cresceram no conhecimento do Senhor Jesus (Hb 5.11-14). Estacionaram no jardim de infância, e se tornaram vulneráveis aos que pareciam ter mais conhecimento da Lei.
- Estavam deixando de congregar com seus irmãos na fé, ausentando-se dos cultos e da comunhão (Hb 10.24,25). Assim, deixaram de se fortalecer mutuamente e, distantes do redil, se fizeram presas fáceis dos lobos que buscavam tragá-los.
Enquanto estudamos estas lições dominicais, oremos como Habacuque: Aviva, Senhor, a tua obra!
REFERÊNCIAS:
(1) Martinho Lutero. Bíblia de Estudo da Reforma, SBB, p. 2091 (introdução ao livro de Hebreus)
(2) José Gonçalves. A supremacia de Cristo: fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus, CPAD, p. 14
(3) Martinho Lutero. Op. cit., p. 2090.
(4) Richard Taylor. Comentário Bíblico Beacon, vol. 10, CPAD, p. 26
(5) Don Codling. Sola Scriptura e os dons de revelação: como lidar com a atual manifestação do dom de profecia?, Carisma, p. 133
(6) Don Codling. Op. cit, p. 134
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