Na madrugada do último sábado (25), Léo Áquila e Felipe Folgosi,
participantes do reality show “A Fazenda 5″ conversaram sobre
espiritualidade e a transexual aproveitou o momento para falar sobre os
motivos que a fizeram deixar de frequentar uma igreja evangélica.
A performer contou para o ator que antes de se tornar evangélica era
freqüentadora da Igreja Católica, mas mudou de religião para tentar
entender o seu comportamento homossexual. Mas na igreja sua opção sexual
não foi aceita e ele passou a não mais acreditar no Deus que lhe foi
pregado naquela denominação.
“As pessoas ao invés de me acolher, me entender, me orientar, me
acusavam e me afastavam de Deus. Quem vai se aproximar de um Deus que é
mau, que vai te castigar e te mandar para o inferno?”, disse.
Felipe tentou explicar que as pessoas extrapolam a interpretação da Bíblia
e tentou mostrar seus conhecimentos como cristão. “A própria Bíblia diz
que Jesus acabou com a lei”, disse ele, explicando que agora estamos na
era da graça.
A conversa sobre Deus e religiões se estendeu entre os finalistas e o
ator tentou dizer que não é possível para o homem compreender a
grandeza de Deus. “Na verdade é tão fora da nossa compreensão o que é
Deus”, disse Felipe que ficou conhecido no reality como ‘o bom moço’.
Léo volta a explicar os problemas que teve durante o período em que
foi evangélica, dizendo que não acredita que o homossexualismo seja uma
opção. “Os pastores me diziam que Jesus já sabia o meu nome antes de eu
nascer (…) mas daí e comecei a calcular as coisas (…) Qual é o prazer
desse Deus que me foi pregado lá de me deixar nascer, porque ele sabia
que eu nasceria homossexual, porque ele sabe que isso não é uma opção,
se fosse uma opção eu não teria escolhido ser homossexual”.
Hoje Léo Áquila e toda a sua família são kardecistas e acreditam que
as pessoas são diferentes para que todos possam praticar a tolerância.
No espiritismo eles acreditam na evolução do espírito onde a performer
pôde encontrar as respostas para suas questões pessoais.
Gospel Prime
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
CARTAS NUNCA DESCARTADAS
O fato de eu ter voltado a escrever no site www.caiofabio.net gerou um grande fluxo de cartas outra vez.
A
razão pela qual eu havia parado de escrever no site por quase dois
anos, depois de ter estado respondendo até 70 ou mesmo 100 cartas por
dias por oito anos; afora os demais textos que escrevia e postava; o
que, por vezes me tomava até 17 horasde trabalho diário — foi decorrente
das cobranças de respostas pessoais que eu recebia; então, decidi
parar; e, como já disse, o fiz por dois anos.
Agora,
porém, decidi voltar a escrever no site; mas apenas aquilo que
concernem às minhas preocupações com a Igreja, a “igreja”, o mundo e a
alma humana. Entretanto, não estou me dispondo a responder cartas, posto
que quando as respondo e publico algumas, afluem até aos milhares por
dia; conforme acontecia no passado.
Ora, com a Vem&Vê TV
[ fico no ar nomínimo três horas no ar por dia; por vezes até seis
horas], com minhas atividades no “Caminho”, com os atendimentos
“presenciais”, e, sobretudo, com meus deveres e necessidades de natureza
familiar, me é totalmente impossível voltar a responder cartas no ritmo
e no volume do passado.
Entretanto,
nos últimos dias, eu que não abria mais a caixa de e-mails, tenho tido
de fazê-lo em razão de algumas comunicações práticas entre os meus
parceiros de trabalho, e, todas as vezes que o faço, angustio-me como no
passado, pois, dia a dia, aumentam as cartas com solicitação de ajuda e
de conselhos; o que me deixa sempre aflito, angustiado e impotente.
Gostaria de todo coração de poder atender a todos os que me escrevem, mas me é impossível!
Sim,
mesmo quando pretendia que assim fosse [...], por vezes via milhares de
cartas entrando num único dia na minha caixa de entrada, enquanto eu
fazia uma “loteria” a fim de responder umas 70 ou mais, para no fim
escolher três ou quatro para postar no site — as que julgava mais
ajudavam os demais, que escreviam sobre temas semelhantes e que ficariam
sem resposta personalizada —, a frustração era enorme, posto que NUNCA
satisfizesse a demanda de relacionamento pessoal dos irmãos e irmãs que
me escreviam.
Por
esta razão, peço a todos os que me buscam por carta visando uma
resposta pessoal, que tentem não fazê-lo, posto que me seja humanamente
impossível atender sequer a raspinha do que cai na minha caixa.
Deus
sabe que a boa vontade do meu coração é atender a todos; tanto quanto
sabe da minha total impossibilidade de assim conseguir. Portanto, peço
que os que desejem um contato pessoal quanto a problemas que os aflijam
[...], que usem o chat do “Papo de Graça”, no qual consigo
atender algumas dezenas de questões todos os dias; o que voltarei a
fazer após o dia 23 de janeiro, quando as férias do pessoal da TV
terminará, e, assim, voltaremos todas as manhãs ao vivo, com a Graça de
Deus.
É sempre com dor no coração que digo isto; mas o faço com a sinceridade de quem não está aqui para enrolar ninguém.
Tentarei uma ou duas vezes na semana escolher uma carta cujo assunto não tenha sido ainda devidamente respondido no www.caiofabio.net
— onde há milhares de cartas e temas já respondidos —, a fim de buscar
renovar as temáticas das cartas, mas sempre na esperança de que as
pessoas busquem mais a palavra do conselho dado a alguém e que possa
responder também a sua questão, do que nutrir a esperança de que lhe
chegue uma resposta exclusiva e personalizada; posto que tal esperança
me seja impossível honestamente alimentar em quem querque seja.
Paulo
nunca me escreveu uma carta; tipo: Carta de Paulo a Caio; mas eu
aprendo todos os dias com as cartas que ele escreveu a Timóteo, a Tito, a
Filemon, aos Romanos, aos Gálatas, aos Filipenses, aos Coríntios, aos
Tessalonissenses, etc.
Ora,
o que importa não é a troca entre remetente e destinatário, mas se o
que se lê atende na sabedoria de Deus às questões do nosso coração.
Eu não sou um Paulo; sou apenas o Caio, seu irmão; bem irmão e bem humano nas minhas limitações!
Ora,
é como um irmão que faz o possível para ser útil, mas que tem
limitações de tempo/espaço intransponíveis [...] que eu espero ser visto
e entendido por você.
No
mais [...], creio que nunca houve antes desta [...] uma geração com
tanto acesso a tanto conteúdo, informação e possibilidade de
interatividade quanto esta geração tem.
Aproveite; e faça isto sem a Síndrome do Facebook; a qual nos faz sentir que algo somente seja relevante se implicar na troca explicita entre remetente e destinatário!
Nesta
5ª-feira estrearei no Twitter mais uma forma de comunicação. Será a
partir das 22 horas; e creio que você terá mais uma chance de contato
pessoal; e, permitindo Deus, espero fazer isto no mínimo de 15 em 15
dias.
O
meu amigo Chico está tomando as providencias para a devida divulgação
de tal encontro através do TwitCam. Portanto, leia todas comunicações
que ele enviará nestes dias; e mais: credencie-se no www.caiofabio.net ou na www.vemevetv.com.br a fim de que você receba automaticamente todos esses comunicados.
Além
disso, estamos também criando o nosso próprio “facebook” a fim de
aumentarmos a interatividade com você; obviamente que, no caso, não
apenas eu estarei presente, mas todos os mentores do “Caminho”, um
grande número de irmãos pastores e terapeutas; bem como todo mundo...,
uns ajudando aos outros.
Peço que você ore por mim, pois o coração é grande, mas a limitação humana é inescapável.
Nele, que tendo o poder de curar a todos [o que não é o meu caso, é óbvio!...], atendeu apenas aqueles que, humanamente, conseguiu ou pôde,
Caio Fábio
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
A Prova de Daniel como Cativo
Parte I: Eventos Históricos, Capítulos 1 - 6
I. Daniel Propôs em seu Coração que Não se Contaminaria, 1:1-21.
A. Daniel e três amigos são selecionados para preparação especial, 1:1-7.
1:1 S O começo do cativeiro de Daniel é dado como “o terceiro ano” do reinado de Jeoaquim.
Os críticos gostam de se referir a esta passagem como prova de contradição, porque Jeremias
25:1 diz “o quarto ano de Jeoaquim foi o primeiro ano de Nabucodonosor”. Porém não ocorre
contradição aqui. Jeremias estava falando do ponto de vista hebreu enquanto Daniel estava
falando do ponto de vista babilônio. Os babilônios não contavam o ano no qual um homem se
tornava rei enquanto um ano inteiro de reinado não era completado, enquanto os hebreus
consideravam qualquer parte do ano da ascensão como o primeiro ano. Portanto, o quarto ano
hebreu era equivalente ao terceiro ano babilônio.
1:2 S Antes da invasão de Jerusalém, Nabucodonosor tinha derrotado o Egito em Carquêmis,
o que provou claramente que a Babilônia era o poder dominante (Jeremias 46:2). Ele perseguiu
os egípcios até o sul de Jerusalém onde ele soube da morte de seu pai. Então retornou à
Babilônia para assumir o trono, mas levou consigo alguns cativos judeus e tesouros do templo
para a terra de Sinar, que é a área da Babilônia também conhecida como Caldéia.
“O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim”. Nabucodonosor não teria sucesso se não fosse
permitido por Deus (cf. Jeremias 27:5-8). Isto dá o tom do tema da profecia de Daniel: “Deus
tem domínio sobre o reino dos homens”. Não nos é dito quantos cativos foram levados desta
vez; somente que Daniel, Hananias, Misael e Azarias estavam entre eles. Lembramos esta data
(605 a.C.) como o começo do cativeiro de Judá. Nabucodonosor veio contra Jerusalém mais
duas vezes (597 a.C. e 586 a.C.).
1:3-4 S Nabucodonosor comissionou Aspenaz, chefe de seus servos, para selecionar alguns dos
jovens judeus nobres para serem preparados na sabedoria e cultura dos caldeus. Sabemos que
eram jovens, mas qual exatamente era a idade deles é incerto. Muitos estudiosos pensam que
Daniel tinha entre quatorze e vinte anos. Ele era um jovem de estatura elegante e inteligente, e
agora é selecionado para um papel honroso no reino de Nabucodonosor. Estas vantagens
tentariam a maioria dos jovens a serem orgulhosos e arrogantes, mas Daniel nunca esqueceu
que seu primeiro dever era ser um servo de Deus!
1:5 S O rei favoreceu estes jovens com alimento de sua própria mesa. Durante três anos eles
deveriam receber provisões reais e educação, de modo que pudessem ser preparados para
servir no governo de Nabucodonosor.
1:6-7 S Não somente foram eles iniciados nos costumes babilônios, mas também lhes foram
dados nomes babilônios. Tudo isto provavelmente era destinado a ajudá-los a esquecer suas
fidelidades judaicas; de fato, os novos nomes parecem referir-se a deuses babilônios.
Daniel (“Deus é meu juiz”) S Beltessazar (“um servo de Bel”)
Hananias (“o Senhor é bondoso”) S Sadraque (“inspirado pelo deus sol”)
Misael (“quem é o que Deus é”) S Mesaque (“quem é o que o deus lua é”)
Azarias (“o Senhor ajuda”) S Abednego (“servo de Nebo”)
7
B. Daniel se recusa a contaminar-se, 1:8-16.
1:8 S Eles puderam mudar o nome de Daniel, sua lealdade, não. Eles puderam ensinar-lhe o
“conhecimento” babilônio, sua religião, não. O assunto de comer da mesa do rei envolvia sua
relação com Deus. Não nos é dito por que isto “contaminaria” Daniel. Talvez fosse carne que
tivesse sido sacrificada aos ídolos e comê-la teria sido visto como adoração ao ídolo (veja 1
Coríntios 10:28). Ou talvez fosse comida proibida aos hebreus como imunda (Levítico 11), ou
carne que tivesse sido sangrada inadequadamente (Levítico 17:14). Qualquer que fosse a razão
que a faziam errada, “resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se”.
1:9-10 S Aspenaz, o chefe dos eunucos, gostou de Daniel. Mas sua própria vida correria perigo
se fosse descoberto que ele não tinha executado as ordens do rei. Ele argumentou que, se eles
não comessem a comida do rei e não bebessem o vinho do rei, sua aparência logo mostraria
a diferença, e ele então seria condenado à morte.
1:11-13 S Daniel pediu ao eunuco especialmente encarregado dele e de seus três companheiros
hebreus, que lhes desse um período de experiência de dez dias. Ele persuadiu-o a dar-lhes
legumes para comer e água para beber.
1:14-16 S No fim deste período experimental, o eunuco encarregado descobriu que eles
pareciam melhores e mais cheios de carne do que todos os outros que tinham comido a
comida do rei. Portanto lhes foi concedido seu pedido de legumes e água durante todo o
período de treinamento.
C. Deus recompensa seus servos fiéis, 1:17-21.
1:17 S O sucesso destes quatro jovens hebreus foi o resultado da bênção especial do Senhor.
Deus lhes deu destreza em todo o conhecimento e sabedoria. A Daniel foi dada a capacidade
de entender o significado dos sonhos e visões.
1:18-19 S Eles foram levados diante do rei para serem examinados, depois de completados
seus três anos de preparação. Daniel e seus três companheiros hebreus ultrapassaram todos
os outros.
1:20-21 S Eles eram “dez vezes” melhores (um esplêndido grau) do que todos os outros sábios
do rei. Foram indicados para a equipe permanente de conselheiros. Daniel continuou ainda “até
ao primeiro ano do rei Ciro”, o que mostra que sobreviveu em um novo império. Realmente,
Daniel 10:1 afirma que ele recebeu uma visão no terceiro ano de Ciro; assim, isto não pretende
dizer-nos quando ele morreu ou parou de profetizar, mas que seu trabalho abrangeu todo o
período babilônio.
Aplicações para os Dias de Hoje:
1. Daniel 1:8 S A obediência fiel deve partir do coração do homem. Nenhum dos servos de Deus
ficará sem prova. Aqueles com atitude displicente, que servem só quando convém, cairão na
tentação do diabo (Efésios 6:10-18; Romanos 6:16-18).
2. Daniel 1:17 S Deus opera em seu povo para cumprir seu propósito. Mesmo no cativeiro
babilônio Deus usou seu povo quando preparava uma parte para a vinda do Messias. Ele
abençoou os fiéis com o sucesso. Hoje ele continua a recompensar aqueles que, com a
coragem da convicção, defendam Jesus Cristo (Marcos 10:29-30; 2 Timóteo 1:12).
Perguntas sobre Daniel 1:1-21
I. Responda às perguntas, dando as citações bíblicas
1. QuandoNabucodonosor sitiou Jerusalém?
8
2. Para onde ele levou os utensílios da casa de Deus?
3. Quais qualificações foram procuradas nestes filhos de hebreus?
4. Por quanto tempo teriam eles de receber esta preparação especial?
5. O que Daniel propôs em seu coração?
6. Por que Aspenaz estava temeroso quando Daniel se recusou a comida e o vinho do rei?
7. O que Daniel pediu como prova?
8. Como eles pareciam ao fim dos dez dias?
9. O que Deus deu a estes quatro filhos de hebreus?
10. O que o rei achou quando os examinou?
II. Verdadeiro ou Falso
V F 1. Estes quatro filhos de hebreus eram descendentes do rei.
V F 2. A comida e o vinho do rei eram dados somente em ocasiões especiais.
V F 3. Os babilônios mudaram os nomes destes filhos de hebreus.
V F 4. Deus pôs Daniel nas boas graças do chefe dos eunucos.
V F 5. Os filhos dos hebreus comeram legumes e água durante somentedez dias.
I. Daniel Propôs em seu Coração que Não se Contaminaria, 1:1-21.
A. Daniel e três amigos são selecionados para preparação especial, 1:1-7.
1:1 S O começo do cativeiro de Daniel é dado como “o terceiro ano” do reinado de Jeoaquim.
Os críticos gostam de se referir a esta passagem como prova de contradição, porque Jeremias
25:1 diz “o quarto ano de Jeoaquim foi o primeiro ano de Nabucodonosor”. Porém não ocorre
contradição aqui. Jeremias estava falando do ponto de vista hebreu enquanto Daniel estava
falando do ponto de vista babilônio. Os babilônios não contavam o ano no qual um homem se
tornava rei enquanto um ano inteiro de reinado não era completado, enquanto os hebreus
consideravam qualquer parte do ano da ascensão como o primeiro ano. Portanto, o quarto ano
hebreu era equivalente ao terceiro ano babilônio.
1:2 S Antes da invasão de Jerusalém, Nabucodonosor tinha derrotado o Egito em Carquêmis,
o que provou claramente que a Babilônia era o poder dominante (Jeremias 46:2). Ele perseguiu
os egípcios até o sul de Jerusalém onde ele soube da morte de seu pai. Então retornou à
Babilônia para assumir o trono, mas levou consigo alguns cativos judeus e tesouros do templo
para a terra de Sinar, que é a área da Babilônia também conhecida como Caldéia.
“O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim”. Nabucodonosor não teria sucesso se não fosse
permitido por Deus (cf. Jeremias 27:5-8). Isto dá o tom do tema da profecia de Daniel: “Deus
tem domínio sobre o reino dos homens”. Não nos é dito quantos cativos foram levados desta
vez; somente que Daniel, Hananias, Misael e Azarias estavam entre eles. Lembramos esta data
(605 a.C.) como o começo do cativeiro de Judá. Nabucodonosor veio contra Jerusalém mais
duas vezes (597 a.C. e 586 a.C.).
1:3-4 S Nabucodonosor comissionou Aspenaz, chefe de seus servos, para selecionar alguns dos
jovens judeus nobres para serem preparados na sabedoria e cultura dos caldeus. Sabemos que
eram jovens, mas qual exatamente era a idade deles é incerto. Muitos estudiosos pensam que
Daniel tinha entre quatorze e vinte anos. Ele era um jovem de estatura elegante e inteligente, e
agora é selecionado para um papel honroso no reino de Nabucodonosor. Estas vantagens
tentariam a maioria dos jovens a serem orgulhosos e arrogantes, mas Daniel nunca esqueceu
que seu primeiro dever era ser um servo de Deus!
1:5 S O rei favoreceu estes jovens com alimento de sua própria mesa. Durante três anos eles
deveriam receber provisões reais e educação, de modo que pudessem ser preparados para
servir no governo de Nabucodonosor.
1:6-7 S Não somente foram eles iniciados nos costumes babilônios, mas também lhes foram
dados nomes babilônios. Tudo isto provavelmente era destinado a ajudá-los a esquecer suas
fidelidades judaicas; de fato, os novos nomes parecem referir-se a deuses babilônios.
Daniel (“Deus é meu juiz”) S Beltessazar (“um servo de Bel”)
Hananias (“o Senhor é bondoso”) S Sadraque (“inspirado pelo deus sol”)
Misael (“quem é o que Deus é”) S Mesaque (“quem é o que o deus lua é”)
Azarias (“o Senhor ajuda”) S Abednego (“servo de Nebo”)
7
B. Daniel se recusa a contaminar-se, 1:8-16.
1:8 S Eles puderam mudar o nome de Daniel, sua lealdade, não. Eles puderam ensinar-lhe o
“conhecimento” babilônio, sua religião, não. O assunto de comer da mesa do rei envolvia sua
relação com Deus. Não nos é dito por que isto “contaminaria” Daniel. Talvez fosse carne que
tivesse sido sacrificada aos ídolos e comê-la teria sido visto como adoração ao ídolo (veja 1
Coríntios 10:28). Ou talvez fosse comida proibida aos hebreus como imunda (Levítico 11), ou
carne que tivesse sido sangrada inadequadamente (Levítico 17:14). Qualquer que fosse a razão
que a faziam errada, “resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se”.
1:9-10 S Aspenaz, o chefe dos eunucos, gostou de Daniel. Mas sua própria vida correria perigo
se fosse descoberto que ele não tinha executado as ordens do rei. Ele argumentou que, se eles
não comessem a comida do rei e não bebessem o vinho do rei, sua aparência logo mostraria
a diferença, e ele então seria condenado à morte.
1:11-13 S Daniel pediu ao eunuco especialmente encarregado dele e de seus três companheiros
hebreus, que lhes desse um período de experiência de dez dias. Ele persuadiu-o a dar-lhes
legumes para comer e água para beber.
1:14-16 S No fim deste período experimental, o eunuco encarregado descobriu que eles
pareciam melhores e mais cheios de carne do que todos os outros que tinham comido a
comida do rei. Portanto lhes foi concedido seu pedido de legumes e água durante todo o
período de treinamento.
C. Deus recompensa seus servos fiéis, 1:17-21.
1:17 S O sucesso destes quatro jovens hebreus foi o resultado da bênção especial do Senhor.
Deus lhes deu destreza em todo o conhecimento e sabedoria. A Daniel foi dada a capacidade
de entender o significado dos sonhos e visões.
1:18-19 S Eles foram levados diante do rei para serem examinados, depois de completados
seus três anos de preparação. Daniel e seus três companheiros hebreus ultrapassaram todos
os outros.
1:20-21 S Eles eram “dez vezes” melhores (um esplêndido grau) do que todos os outros sábios
do rei. Foram indicados para a equipe permanente de conselheiros. Daniel continuou ainda “até
ao primeiro ano do rei Ciro”, o que mostra que sobreviveu em um novo império. Realmente,
Daniel 10:1 afirma que ele recebeu uma visão no terceiro ano de Ciro; assim, isto não pretende
dizer-nos quando ele morreu ou parou de profetizar, mas que seu trabalho abrangeu todo o
período babilônio.
Aplicações para os Dias de Hoje:
1. Daniel 1:8 S A obediência fiel deve partir do coração do homem. Nenhum dos servos de Deus
ficará sem prova. Aqueles com atitude displicente, que servem só quando convém, cairão na
tentação do diabo (Efésios 6:10-18; Romanos 6:16-18).
2. Daniel 1:17 S Deus opera em seu povo para cumprir seu propósito. Mesmo no cativeiro
babilônio Deus usou seu povo quando preparava uma parte para a vinda do Messias. Ele
abençoou os fiéis com o sucesso. Hoje ele continua a recompensar aqueles que, com a
coragem da convicção, defendam Jesus Cristo (Marcos 10:29-30; 2 Timóteo 1:12).
Perguntas sobre Daniel 1:1-21
I. Responda às perguntas, dando as citações bíblicas
1. QuandoNabucodonosor sitiou Jerusalém?
8
2. Para onde ele levou os utensílios da casa de Deus?
3. Quais qualificações foram procuradas nestes filhos de hebreus?
4. Por quanto tempo teriam eles de receber esta preparação especial?
5. O que Daniel propôs em seu coração?
6. Por que Aspenaz estava temeroso quando Daniel se recusou a comida e o vinho do rei?
7. O que Daniel pediu como prova?
8. Como eles pareciam ao fim dos dez dias?
9. O que Deus deu a estes quatro filhos de hebreus?
10. O que o rei achou quando os examinou?
II. Verdadeiro ou Falso
V F 1. Estes quatro filhos de hebreus eram descendentes do rei.
V F 2. A comida e o vinho do rei eram dados somente em ocasiões especiais.
V F 3. Os babilônios mudaram os nomes destes filhos de hebreus.
V F 4. Deus pôs Daniel nas boas graças do chefe dos eunucos.
V F 5. Os filhos dos hebreus comeram legumes e água durante somentedez dias.
domingo, 5 de agosto de 2012
Igreja evangélica alemã promove o primeiro “culto erótico”
por Leiliane Roberta Lopes
O tema sexualidade está ganhando destaque nos púlpitos evangélicos de diversos países do mundo, prova disso é a reportagem do jornal alemão “Frankfurter Rundschau” relatando que o pastor Ralf Schmidt estará realizando o primeiro “culto erótico”.
Schmidt é líder da igreja Mainz Kastel há dez anos e está certo de que os casais de sua congregação precisam aprender mais sobre o tema, por isso escolheu o próximo domingo (5) para falar abertamente sobre sexualidade.
“A sexualidade é uma criação do Senhor. Vou usar termos negativos e depois buscarei expressões mais bonitas”, disse ele. Por causa das expressões e do próprio tema, a igreja não vai permitir a entrada de menores de 16 anos no culto.
Mas o pastor adianta que mesmo dando ao evento o nome de “culto erótico” não significa que haverá sexo real dentro da igreja, mas que pela primeira vez ele vai falar sobre isso de forma direta e utilizando os termos usados nas ruas para falar sobre amor e sexo.
O anúncio de um culto repleto de “palavras quentes” chamou atenção da mídia local e repercutiu em todo o mundo, já que geralmente as igrejas tratam o assunto de forma mais branda.
Outra matéria que ganhou repercussão internacional foi sobre uma igreja dos Estados Unidos que a mando do pastor instalou uma cama e um pole dance no púlpito para encorajar os fiéis a praticarem mais sexo.
O tema sexualidade está ganhando destaque nos púlpitos evangélicos de diversos países do mundo, prova disso é a reportagem do jornal alemão “Frankfurter Rundschau” relatando que o pastor Ralf Schmidt estará realizando o primeiro “culto erótico”.
Schmidt é líder da igreja Mainz Kastel há dez anos e está certo de que os casais de sua congregação precisam aprender mais sobre o tema, por isso escolheu o próximo domingo (5) para falar abertamente sobre sexualidade.
“A sexualidade é uma criação do Senhor. Vou usar termos negativos e depois buscarei expressões mais bonitas”, disse ele. Por causa das expressões e do próprio tema, a igreja não vai permitir a entrada de menores de 16 anos no culto.
Mas o pastor adianta que mesmo dando ao evento o nome de “culto erótico” não significa que haverá sexo real dentro da igreja, mas que pela primeira vez ele vai falar sobre isso de forma direta e utilizando os termos usados nas ruas para falar sobre amor e sexo.
O anúncio de um culto repleto de “palavras quentes” chamou atenção da mídia local e repercutiu em todo o mundo, já que geralmente as igrejas tratam o assunto de forma mais branda.
Outra matéria que ganhou repercussão internacional foi sobre uma igreja dos Estados Unidos que a mando do pastor instalou uma cama e um pole dance no púlpito para encorajar os fiéis a praticarem mais sexo.
domingo, 29 de julho de 2012
Pastor da Assembleia de Deus diz que gays causaram o Dilúvio
por Jarbas Aragão
Aaron Fruh, pastor da Assembleia de Deus de Knollwood, no Alabama, tem gerado polêmica com suas declarações mais recentes. Em um programa de rádio ele afirmou que o casamento gay fez com que Deus mandasse o dilúvio sobre a Terra.
Falando para a emissora American Family, ele estava comentando sobre os episódios de boicote iniciados nos EUA contra a cadeia de lanchonetes Chick-fil-A após ela afirmar que não apóia entidades que lutam pelos direitos homossexuais. Retomando um antigo debate sobre o relato bíblico, Fruh lembrou que Deus só poupou Noé, sua família e os casais de animais.
“Deus sabia que as pessoas na Terra iam destruir a si mesmas com o casamento gay. Então, Deus provocou o dilúvio”, disse o pastor à Radio. Ele ainda lançou um desafio aos ouvintes: “Encontre qualquer sociedade na história humana que já tentou essa experiência [apoiar o casamento homossexual] e sobreviveu para contar como foi. Todas elas foram destruídas”, afirmou.
Logo em seguida, declarou: “Deus sabia que as pessoas na terra iam destruir-se através do casamento com o mesmo sexo e por isso que ele enviou o dilúvio”.
“Como disse Dan Cathy [presidente do Chick-Fil-A], nós estamos colocando o punho no rosto de Deus”, disse Fruh.
Ligado a movimentos de direita, o pastor é apresentador de um programa religioso na TV do Alabama. Ele é casado e tem quatro filhos. Imediatamente suas declarações repercutiram e foram criticadas por diferentes associações LGBT que tem travado uma verdadeira guerra midiática contra os cristãos nos EUA por conta das tentativas de legalização em todo o país do casamento gay.
A rede de lanchonetes, que tem mais de 1.600 filiais nos Estados Unidos, pertence a Rick Santorum, ex-presidenciável republicano. Prefeitos de três cidades norte-americanas já disseram que a rede não é bem-vinda em suas comunidades. Milhares de cristãos tem se posicionado a favor da campanha do Chick-Fil-A em prol do “casamento bíblico” entre um homem e uma mulher.
Foi lançado um movimento para que na próxima segunda-feira as pessoas que concordam com isso devem almoçar ou jantar os sanduíches do Chick-Fil-A.
Até mesmo o evangelista Billy Graham que está aposentado e passa por problemas de saúde enviou uma carta aberta, posicionando-se ao lado da lanchonete e afirmando que os padrões morais estão em franca decadência nos dias de hoje, ao mesmo tempo em que as pessoas elegeram a tecnologia e o sexo como seus falsos deuses.
Aaron Fruh, pastor da Assembleia de Deus de Knollwood, no Alabama, tem gerado polêmica com suas declarações mais recentes. Em um programa de rádio ele afirmou que o casamento gay fez com que Deus mandasse o dilúvio sobre a Terra.
Falando para a emissora American Family, ele estava comentando sobre os episódios de boicote iniciados nos EUA contra a cadeia de lanchonetes Chick-fil-A após ela afirmar que não apóia entidades que lutam pelos direitos homossexuais. Retomando um antigo debate sobre o relato bíblico, Fruh lembrou que Deus só poupou Noé, sua família e os casais de animais.
“Deus sabia que as pessoas na Terra iam destruir a si mesmas com o casamento gay. Então, Deus provocou o dilúvio”, disse o pastor à Radio. Ele ainda lançou um desafio aos ouvintes: “Encontre qualquer sociedade na história humana que já tentou essa experiência [apoiar o casamento homossexual] e sobreviveu para contar como foi. Todas elas foram destruídas”, afirmou.
Logo em seguida, declarou: “Deus sabia que as pessoas na terra iam destruir-se através do casamento com o mesmo sexo e por isso que ele enviou o dilúvio”.
“Como disse Dan Cathy [presidente do Chick-Fil-A], nós estamos colocando o punho no rosto de Deus”, disse Fruh.
Ligado a movimentos de direita, o pastor é apresentador de um programa religioso na TV do Alabama. Ele é casado e tem quatro filhos. Imediatamente suas declarações repercutiram e foram criticadas por diferentes associações LGBT que tem travado uma verdadeira guerra midiática contra os cristãos nos EUA por conta das tentativas de legalização em todo o país do casamento gay.
A rede de lanchonetes, que tem mais de 1.600 filiais nos Estados Unidos, pertence a Rick Santorum, ex-presidenciável republicano. Prefeitos de três cidades norte-americanas já disseram que a rede não é bem-vinda em suas comunidades. Milhares de cristãos tem se posicionado a favor da campanha do Chick-Fil-A em prol do “casamento bíblico” entre um homem e uma mulher.
Foi lançado um movimento para que na próxima segunda-feira as pessoas que concordam com isso devem almoçar ou jantar os sanduíches do Chick-Fil-A.
Até mesmo o evangelista Billy Graham que está aposentado e passa por problemas de saúde enviou uma carta aberta, posicionando-se ao lado da lanchonete e afirmando que os padrões morais estão em franca decadência nos dias de hoje, ao mesmo tempo em que as pessoas elegeram a tecnologia e o sexo como seus falsos deuses.
domingo, 22 de julho de 2012
A DOENÇA DO VÉU!
É
somente na Graça que a Escritura não é uma pedra seca e morta. Ora,
para que entendamos isto melhor, é necessário que olhemos com carinho
para o texto de Paulo em II Coríntios 3:1-18.
A relação de Paulo com os Coríntios foi forte e contundentemente passional. Ele chegara à cidade e lá encontrara Priscila e Áquila — um casal de Judeus que havia deixado Roma porque Cláudio, o Imperador, ordenara que de lá saíssem todos os judeus.
E como eram do mesmo ofício, Paulo e Áquila, começaram a trabalhar e morar juntos, fazendo tendas. Aos sábados, todavia, Paulo pregava na sinagoga.
Havendo conturbação entre os judeus ante a mensagem da Graça em Cristo anunciada pelo apóstolo, Paulo não teve mais ambiente para permanecer usando a sinagoga como lugar de pregação. Então, iniciou seus ensinos da Palavra na casa de Tício, que era vizinha à sinagoga.
Em meio a não poucos conflitos, envolvendo ameaças de natureza tanto legal quanto à vida de Paulo, este temeu. O Senhor, todavia, numa daquelas noites, lhe falou, dizendo: “Não temas! Fica na cidade, pois eu tenho muito povo nela”. Paulo, portanto, permaneceu em Corinto quase dois anos.
A relação dele com a igreja que ali nasceu tornou-se forte, e, como já disse, de certa forma, passional!
Para concluir isto, basta que se Leia as duas epístola que Paulo lhes escreveu. Todavia, é na segunda carta aos Coríntios que esse sentir apaixonadamente dolorido melhor se expressa.
O interessante é que mesmo em meio à paixão humana do apostolo, é fácil perceber como seus sentimentos aparecem sem comprometer jamais a verdade da Palavra.
Paulo era um homem que sabia sentir a dor da rejeição sem deixar de expor, com isenção, a verdade da Palavra, não adulterando-a jamais a seu favor!
Ora, é nessa viagem entre o sentir humano e a revelação da Palavra, que a verdade se manifesta como resposta divina ao contexto em questão!
A revelação, raramente, não se faz acompanhar pelo sentir de seus mensageiros. Sábios são aqueles que a separam de seu próprio sentir ou os que sentem sem, todavia, sentimentalizarem a revelação à seu favor.
É só assim que uma carta de um ser machucado pode se tornar uma epístola de um ser inspirado!
Neste trabalho, no entanto, não desejo explorar essa dimensão da veicularão da revelação através dos ambientes conturbados da alma do mensageiro. Para mim, isto é tão óbvio que, pelo menos agora, não é do nosso interesse imediato.
A epístola toda tem sido objeto de inúmeros estudos eruditos. Os “arranjos” à que ela tem sido submetida, são inúmeros. Para nós, no entanto, todas as discussões de natureza literária são irrelevantes. O que vale é a mensagem e, esta, não importando as interpretações de natureza histórico-literária, é a mesma:
Um apóstolo apaixonadamente sofrido, sentindo-se traído e desconsiderado pela igreja que fundou, e que, agora, além de des-conhecer seu pai espiritual, ainda se entregava às seduções de “falsos apóstolos”, dos “obreiros fraudulentos”, que “adulteravam a Palavra de Deus”, e criavam um “outro evangelho”, pois eram, de fato, “mercadores do “evangelho”, ainda que tivessem o impressionante “poder” de se transformarem em “anjos de luz e ministros de justiça”.
A questão é: que “obreiros” são esses e que “evangelho” é esse que subverte aquilo à que Paulo chama de Evangelho da Graça de Deus?
É opinião praticamente unânime que os tais “adulteradores da Palavra” eram os cristãos judaizantes ou os judeus próximos à igreja, e que tentavam, insistentemente, trazer aos cristãos a culpa de não serem pessoas que observam a Lei de Moisés. A prova disto é a seqüência do texto, onde as ilustrações são todas as da Lei e de sua produção na mente humana.
Como eu disse inicialmente, corre-se o risco de se ficar tão impressionado com as “pulsões” emocionais do homem Paulo neste embate, que deixa-se de perceber a mensagem.
Ou seja: fica-se com o que está “escrito” e não se percebe, ao nível da Palavra, o que está, também, “dito”, como expressão dos conteúdos da revelação!
Propositadamente abandono aqui os aspectos de natureza histórico-factual e mergulho exclusivamente na mensagem que Paulo faz viajar em meio às suas dores e passionalidades apostólicas.
Ora, assim fazendo, o que se vê, é, basicamente, o seguinte:
O que o ministério de Paulo gerara neles, pela obra do Espírito, era algo que realizava o sonho dos profetas, que era ver a Palavra inscrita não nas exterioridades do comportamento assustado pela Lei, mas impressa na consciência, nos ambientes do coração.
Os resultados da interiorização da Palavra, inscrita pelo Espírito do Deus vivente na consciência humana, não era humanamente realizável, sendo, portanto, algo à que Paulo se refere excluindo-se como agente essencial, pois, ele sabia, aquela era uma obra para a qual não há meios humanos de faze-la acontecer. A participação de Paulo era—sem suficiência própria—, apenas pregar o Evangelho da Graça e crer que o resto do trabalho era obra do Espírito de Deus.
A certeza de Paulo de que dera um passo muito para além das basicalidades das pregações estereotipadas e exteriorizadas sobre as virtudes da Lei, vinha do fato que ele sabia que a Lei—conquanto boa e santa—, servia apenas para mostrar a nossa “insuficiência”, em relação a sermos salvos por ela. Paulo não se sentia suficiente nem mesmo para pregar a Graça e suas virtudes—como se procedessem dele—, quanto mais a Lei, como se por ela alguém pudesse ser salvo!
O argumento dele é o de sempre: “a letra mata”. A observância da Lei salvaria apenas aquele que pudesse cumpri-la toda. E como não existe, à parte de Jesus, ninguém que a tenha cumprido complemente—dos ambientes interiores às suas sutis exterioridades—,todos, portanto, por ela, se colocavam apenas sob os desígnios da culpa e da morte.
Tendo isto em mente, chega agora a hora de olharmos para a Palavra e não apenas para a “epístola de Paulo”. E qual é a “mensagem” que ela carrega para nós hoje?
Inicialmente, Paulo diz que a Lei e sua Gloria são coisas de outrora, diante da sobreexcelente Gloria do evangelho da Graça de Cristo. Todos os verbos por ele usados em relação à Lei a posicionam no passado da revelação da Graça.
O que segue é a incomparabilidade de ambas as revelações: A Lei era externa, a Palavra é interna. A Lei era o ministério da morte, a Palavra é o ministério da Vida. A Lei falava de condenação, a Palavra fala de justificação. A Lei se desvanecia, a Palavra brilha de Gloria em Gloria.
E é neste ponto que Paulo assume a maior ousadia quando compara a caducidade, o esclerosamento da Lei frente a eterna vida produzida pelo ministério do Espírito.
Mas sua ousadia não pára aí. Ele chama, fundado na certeza da Graça, até mesmo Moisés para um frente a frente, pois, diz:
“E não somos como Moisés que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do se desvanecia”.
Assim, ele diz que na Graça ele se sente com ousadia para tirar até mesmo a mascara de Moisés. O véu de Moisés, para Paulo, não escondia a Gloria, mas seu desvanecimento, sua morte, sua incapacidade de reacender a face, mediante a Lei, com a Luz da Graça.
O problema, para o apostolo, é que aquele véu se tornara um elemento de natureza espiritual. O véu se transformara numa camada de presunção que cegava os sentidos para as demais percepções da vida!
Ora, como a Lei estava dada, e sua constituição era fixa—desde o elemento no qual fora inscrita: pedra—, até mesmo as suas observâncias externas tornavam-se, também, fixas. Portanto, dela não se poderia esperar que nascesse vida, pois, esta acontece apenas onde há o humos da liberdade.
Assim, diz Paulo, há um véu espiritual sobre os sentidos embotados de todos os legalistas, sejam eles judeus ou não!
A Lei embota os sentidos!
A Lei tira a sensibilidade para a Palavra!
Somente a “conversão” ao Senhor—e aqui Paulo não fala de se tornar “cristão” ou “membro de igreja” ou “crentes na Bíblia”, conforme hoje entendemos a idéia de “conversão”, mas de se render à Graça em Cristo—, é o que pode des-anuviar os sentidos cegados pela presunção gerada pelo sentimento de superioridade oriundo da observância externa da Lei, bem como, pelo pre-conceito que dela se origina, criando uma barreira invisível para a percepção da Palavra no coração.
“Até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles”—é o que diz Paulo!
O que Paulo nunca imaginou é que dois mil anos depois nós ainda constatássemos a mesma cegueira, e muito menos ainda poderia ele imaginar que tivéssemos que repetir a sua frase relacionada aos judeus legalistas, agora, reatualizada e aplicada aos “cristãos”.
“Até hoje, quando é lida a Bíblia, o véu está posto sobre o coração deles”—é o que com dor melancólica tem-se que dizer acerca da grande maioria dos cristãos, especialmente de seus “lideres” e “mestres”.
Assim, o que se disse acerca “deles” é o mesmo que hoje temos que admitir acerca de “nós mesmos”, pois, se ainda há Lei, não há revelação da Graça.
Isto porque somente na Graça o véu é retirado. E este tirar o véu é fruto da libertação do medo, e que só acontece em nós como obra do Espírito no coração do ser humano que não tem nenhum tipo de auto-suficiência, porque confiou des-assustadamente na obra consumada de Jesus na Cruz.
Assim, onde está-há o Espírito do Senhor, aí está-há liberdade!
Neste ponto o argumento de Paulo nos remete, na Graça, para uma postura diametralmente oposta àquela gerada pela Lei!
A Lei cobre o rosto, esconde o ser, camufla a culpa, veste-se de exterioridades compartimentais, se jactancia de seu conhecimento e teme mostrar a cara a Deus e ao próximo, daí, pela Lei, o ser não revelar jamais seu interior, pois, em o fazendo, mostrar seu estado de desvanecencia!
Na Graça, todavia, a salvação é o posto. Se a Lei cobre a face e esconde o ser, o Espírito, e a confiança na suficiência de Cristo, nos põe no extremo oposto dessa atitude:
“E todos nós com o rosto desvendado, contemplando como por espelho a gloria do Senhor, somos transformados de gloria em gloria, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”—é o argumento antitético de Paulo.
E mais: não é algo apenas que ocorre na perspectiva individual, mas também, comunitária. Afinal, Paulo diz: “E todos nós...”
A minha tentação agora é prosseguir em II Coríntios. Todavia, julgo ser mais sábio—a fim de ser também sintético—, parar por aqui a fim de verificarmos as implicações dessa verdade em relação à nossa temática.
Primeiramente quero chamar a sua atenção para um fato. A maioria dos comentaristas bíblicos fica tão aferrado ao sentido “histórico” da Escritura em questão que não se dedica à percepção do que está dito para nós hoje.
Em segundo lugar, fica também claro que como nós somos seres ocidentais— de origem não judaica apesar de que, quase todos nós, sermos pessoas de origem culturalmente judaico-cristã—, na maioria das vezes, nos permitamos ler a passagem apenas como critica aos judeus legalistas ou aos cristãos judaizantes; esquecendo-nos que a Escritura em questão não é “pedra”, é Palavra do Deus Vivente, e é re-atualizada em cada novo contexto da história. Portanto, é algo para nós, hoje!
A terceira observação é que as implicações do que Paulo diz aqui, transcendem, em muito, ao contexto histórico imediato, e recaem sobre todos os conteúdos da Teologia Moral de Causa e Efeito—sejam eles judaicos, espíritas kardecistas, afro-ameríndios, católicos, evangélicos, animistas ou hindus!
Aí está o nosso problema: nós lemos a Palavra emblematicamente, o que nos faz pensar que ela foi dirigida a “outros”, não à nós!
Assim, onde se diz judeu não se pensa em nada que não seja “judaico”. É o que está “escrito” trabalhando contra o que foi “dito”!
A questão é que na maioria das vezes, onde se lê, negativamente, “judeu” ou “fariseu”, dever-se-ia ler “legalista”, “moralista”, “auto-suficiente”, ou mesmo, um praticante de qualquer Teologia Moral de Causa e Efeito e seus pretensos elementos de auto-justificação, fundados na presunção humana de agradar a Deus por seus próprios méritos!
Ora, isto posto, o texto em questão tem naqueles que Paulo chama de “todos nós com o rosto desvendado” um grupo que na história do Cristianismo é uma minoria insignificante!
A maior parte de nós é membro da “igreja em Corinto” e somos traidores do apostolo Paulo, pois nos entregamos aos “falsos apóstolos” e a seu “evangelho adulterado”, mesmo que embrulhado com papel de presente estampados com símbolos “cristãos”.
Quem, honestamente, pode dizer que a História do Véu não é também a História do Cristianismo?
Quem, sinceramente, não percebe que nós somos hoje, na maior parte dos casos, a repetição dos mesmos conteúdos humanos e espirituais contra os quais Jesus, os profetas, Paulo, os apóstolos e a Palavra se insurgem nas Escrituras?
Ninguém se engane!
Nós, cristãos, somos também parte do Povo do Véu! E nossos sentidos estão igualmente embotados para a percepção do Evangelho!
Como eu já disse antes, a aceitação do Jesus Histórico nada tem a ver com o acolhimento dos conteúdos de Sua Palavra!
Ou seja:
É possível conhecer a Jesus segundo a carne e não segundo o Espírito!
É a pressuposição da vigência da Lei o que nos impede de discernir o espírito da Palavra e a palavra do Espírito, com liberdade para mostrar a cara, crendo que somente pela expressão des-amedrontada do ser que confiou na Graça, é que vem a conversão incessante, de gloria em gloria, tendo a Jesus como a referência-infusa-cotidiano-existêncial, para a mudança.
Hoje as pessoas se convertem à “igreja”, não à Cristo!
É por esta razão que os conteúdos do Evangelho da Graça estão tão adulterados entre nós. E pior: não enxergamos nada disso, pois, à semelhança deles—os judeus, os fariseus, os cristãos judaizantes—, nossos sentidos também estão “embotados”.
A Graça é hoje a mais escandalosa de todas as mensagens cristãs!
E é por esta razão que não se pode nem mesmo usar mais as “nomenclaturas” do Cristianismo a fim de definir o conteúdo das palavras do Evangelho, pois, quase todos os termos se revestiram de outras conotações e de outros conteúdos.
A terminologia já não serve mais, pois, seus conteúdos foram adulterados por um “outro evangelho”, que usa os termos de sempre, mas nega, na prática, seus conteúdos inegociáveis e eternos!
Por exemplo, para Paulo, “lutar juntos pela fé evangélica” significava não fazer concessões que adulterassem os conteúdos do Evangelho da Graça de Deus!
Hoje, todavia, isto significa nos unirmos contra os que não nos aceitam como os “representantes” de Cristo na Terra!
Ora, neste sentido—com as conotações que a palavra “evangélico” carrega entre nós—, Paulo já não a usaria, pois, nossa prática relacional nega aquilo que ele entendia como evangelho; e nossos conteúdos, falsificam ainda mais o significado original da mensagem à qual ele fazia referência.
Pior do que isto, entretanto, é saber que Paulo, por exemplo, não nos reconheceria como cristãos, mas como pagãos não convertidos ao Evangelho da Graça de Deus!
Por muito menos ele escreveu aos Gálatas e aos Coríntios temendo haver corrido em vão!
Mas e se ele estivesse presente num ano eleitoral no Brasil? Se visse e soubesse de todas as negociações de almas-votos que são feitas em Nome de Jesus? se visse “cristãos” curvados aos ídolos visíveis e invisíveis, cultuando imagens—que vão das de barro e gesso à imagem como reputação ou, marketeiramente, apenas como “imagem”? e se assistisse pela televisão a venda de todos os significados cristãos na forma de crença em objetos de energia espiritual pagã? e se visitasse uma “igreja” e assistisse filas de pessoas para andarem sobre sal grosso, ou para mergulharem em águas tonificadas do Jordão e a passarem pela Cruz de Jesus—que nesse caso é iluminada com neon e não passa de um tapume religioso extremamente brega—a fim de ganharem um carro zero, como pagamento pela sua crença? e se ele soubesse agora que a fé é um sacrifício que se expressa como dízimos, como troca de bênçãos por dinheiro, de cura pelo sacrifício de longas novenas e correntes, que só não são “quebradas” se a pessoa não deixar de largar sempre algum dinheiro no altar-bolso dos pastores?
O que enojaria a Paulo, todavia, seria ver pastores oferecendo o “sangue do Cordeiro” ––e que no caso é um suco de uva—e, segundo o anuncio, a pessoa deve ir ao templo e levar para casa o “sangue do Cordeiro” a fim de ungir a casa de trás para frente e da frente para trás. Desse modo estão voltando para muito menos que as materialidades da imolação do sangue de um cordeiro—ordenada por Deus no Êxodo — indo para um poderoso suco de uva. E o suco de uva, que é menos que o sangue de um cordeiro na simbolização do Êxodo—período usado pela seita para amparar biblicamente a sua campanha de dinheiro—, é apresentado como “o Sangue do Cordeiro”, que não é mais o que Jesus fez na Cruz e é apropriado somente pela fé na Palavra, mas passou a ser um fetiche, uma pedra de toque, uma imantação animista da uva, uma regressão ao paganismo mais primitivo, uma mágica de bruxos, uma blasfêmia, um estelionato satânico de uma verdade com a qual não se brinca impunemente: “Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, tem a vida eterna... As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida”—conforme o Cordeiro.
Desse modo, Paulo veria aturdido o regresso da fé evangélica aos tempos dos cultos feitos à Baal, para as imagens de escultura, para um tempo onde nem sombra ainda havia das sombras das coisas que haviam de vir.—coisas essas, que até mesmo perderam a simbolização em razão de Jesus haver sido o cumprimento de todas elas! A epistola aos Hebreus foi escrita por muitíssimo menos!
Fazer o que estão fazendo da santidade do sangue do Cordeiro, tornando-o num amuleto de infusão animista e de interesse cambista, e que se materializa num suco de uva que carrega em si o poder de benzer uma casa e protege-la de todo mal, é insuportável, enojante, blasfemo e é Anátema!
Paulo vomitaria!
E Jesus?
O escritor de Hebreus diria que estão brincando com fogo ardente e consumidor e crucificando o Filho de Deus não apenas uma segunda vez, mas todos os dias—fazendo Dele um produto de barganha, mágica e fetichismo, e que leva as pessoas não à Jesus, mas sim à “sessão”, pois, também segundo os mesmos “pastores”, Deus só fala no lugar onde eles, os pastores, estão com a sacola na mão!
E eles precisam que Deus se confine em seus templos, se imante nos seus sucos de uva—e outros produtos mágicos—e se deixe comprar pelo dinheiro depositado como sacrifício aos pés desses lobos que oferecem a Jesus como “poder” que se leva para casa em “pacote”; Cristo como “produto simbólico” que pode ser o Pai das luzes, não conforme Tiago, mas conforme Alam Kardec; o Sangue do Cordeiro como suco de uva bom para “proteger a casa”; sim! assim fazendo do que foi feito por Jesus, de Graça, de uma vez e para sempre, algo a ser vendido pelos camelôs do engano e do estelionato!
Meu Deus, e se... Paulo visse...!?
Sim, e se Paulo nos visitasse? Que epístola nos escreveria? Será que a escreveria? Será que não nos trataria como o fez com as “sinagogas” durante a sua vida?
Ou seja: sendo acolhido e sendo-lhe dada a palavra, ficava até ser expulso, para depois disso abrir uma nova porta à Palavra, mesmo que fosse na casa vizinha, como foi no caso de Corinto!?
Ora, ser evangélico, antes–digo: para Paulo—significava ter compromisso de fé e vida com o Evangelho de Jesus. Hoje, ser “evangélico” é pertencer a uma “igreja”, uma instituição religiosa que roubou o direito autoral do termo, falsificou-o e se utiliza dele praticando um terrível “estelionato” simbólico.
Assim, ser evangélico já não tem nada a ver com ser Povo das Boas Novas de Jesus, mas ser membro de uma instituição religiosa que se utiliza das terminologias, enquanto, na maior parte das vezes, nega os conteúdos originais da expressão.
E se continuarmos assim, dentro de pouco tempo, quem for genuinamente evangélico—ou seja: alguém que crê conforme a Boa Nova da Graça em Cristo revelada nos evangelhos—, terá que deixar de se auto-definir desse modo sob pena de que as pessoas pensem que o Evangelho tem alguma coisa a ver com os “evangélicos”.
Nos dias de hoje, quase sempre, ser “um evangélico” já não tem nada a ver com ser evangélico conforme o apostolo Paulo.
Hoje, quando um evangélico “evangeliza”, em geral, ele o faz a fim de que a “igreja” cresça como poder histórico visível. Ou seja: “evangelização” significa crescimento numérico sob o pretexto de que se quer salvar as almas do inferno. Pelo menos é isto que se diz e é isto que as “ovelhas” pensam, pura e ingenuamente.
De fato, se se conversar ou se se tiver alguma intimidade com o meio pastoral, ver-se-á que na maioria das vezes corre-se não atrás da vida humana, mas dos recursos humanos que com as multidões também chegam para dentro do negócio religioso.
Portanto, não é de admirar que o marketing seja hoje um dos mais importantes instrumentos usados pela “igreja”. Apenas uma “igreja” precisa de marketing. Isto porque quem de fato é, não tem que se preocupar em parecer ser.
O marketing religioso é o lugar onde nossos ídolos são fabricados e polidos, de tal modo que sua “imagem” possa continuar a inspirar os devotos ou a enganar os que se impressionam com aparências.
O marketing como pro-moção pessoal, é moral, pois, é imagem de escultura, sendo, também, idolatria!
Explosão numérica, na História da Igreja, quase sempre correspondeu a diluição tanto da Palavra, como do caráter do discipulado, bem como implicou em des-significação da alma humana, afinal, uma multidão pode se beneficiar da Palavra, quando há Palavra, mas não pode experimentar reconstruções de individuação, pois, nas massas, ninguém cresce como indivíduo na comunhão fraterna, na afirmação individual e nos carinhos de quem conhece e se importa, pois, tais realidades, inexistem em todo processo de massificação.
Além disso, milhares de “acomodações” precisam ser feitas em relação ao conteúdo essencial do evangelho quando se utiliza do marketing religioso ou das associações políticas, culturais e econômicas que daí advêm— ou seja: da rendição ao significado-des-significado do capital das massas, que são reduzidas apenas ao testemunho de poder majoritário que elas trazem aos lideres, enquanto as almas dos indivíduos viram apenas números.
Quando Paulo evangelizava isto significava levar às pessoas a consciência da Graça salvadora de Jesus e da possibilidade da experiência da liberdade-salvadora, tanto na perspectiva individual, como também na comunitária. O resultado, portanto, não é o surgimento de um número a mais para as estatísticas celestiais, mas uma nova criatura, que já começa a se humanizar na Terra, nos vínculos e nas mutações dinâmicas e permanentes que o Espírito da Graça, em Cristo, faz nascer no Novo Homem!
Desse modo, como já disse antes, se Paulo estivesse vivo hoje, provavelmente, ele nos diria que nós ainda não somos convertidos, pois, voltamos atrás, e aderimos aos conteúdos que negam a Cruz de Cristo!
Isto nos coloca, no mínimo, diante de três reflexões. A primeira é que a atual “consciência cristã”, é, na maior parte das vezes, anti-cristã, e uma clara e escrachada negação dos conteúdos do Evangelho de Jesus!
A segunda, é a impossibilidade hermenêutica de que a Leitura da Escritura feita com “véu na face” possa nos conduzir à revelação da Palavra da Graça!
Portanto, não importa o “método” ou a “escola hermenêutica” em questão. Na Graça até o pior de todos os “métodos” trás mais revelação da Palavra que o melhor método hermenêutico usado com as viseiras da Lei, da Moral, dos Legalismos, dos Carismatismos narcisistas (que faz do totem carismático a forma referencial de ser para os demais), e seus derivados!
Todos são apenas o sub-produto da formula conceitual da Teologia Moral de Causa e Efeito!
?
É triste ver pessoas cristãs, inteligentes, cultas, preparadas, letradas, instruídas, e com capacidade de “ler”, não conseguirem levar as implicações do que entendem, mesmo do ponto de vista da compreensão cognitiva, até as últimas conseqüências de sua própria percepção!
E por quê? Porque ainda estão presas às sistematizações da Lei às quais o Cristianismo subjugou a Palavra que pode nos libertar! Mas não sendo a Palavra, não liberta. E se não liberta, escraviza e gera medo!
Enquanto não se abandona o véu e se põe a cara para fora, olhando na Graça para a Graça, não se vive a dinâmica da conversão que muda não apenas as exterioridades do comportamento, mas as essências do ser e isto de modo constante e permanente.
Afinal, são dinâmicas diametralmente opostas entre si: uma cobre a face, a outra a põe para fora!
Ora, isto no remete para a terceira constatação. A Teologia Moral de Causa e Efeito—que é a mãe da Síndrome do Véu—é a patrocinadora de nossas piores doenças!
O medo que esconde o ser transforma o interior humano num viveiro de enfermidades psicopatológicas. Literalmente, o ser se desvanece. Assim é que a História do Cristianismo é eivada de enfermidades numa demonstração tão escandalosa que nega a fé em Jesus.
Ou seja: se o Evangelho de Cristo gera algo como o Cristianismo e seus derivados históricos—incluindo-se, obviamente, os “evangélicos”—então, ele não é a Verdade!
Assim, os cristãos, até neste particular, foram objeto de seu próprio veneno e juízo sobre os demais homens. Pregaram não a Graça, mas a teologia de causa e efeito e seus veredictos.
Hoje—e não é de hoje—os mesmos critérios se voltaram contra nós. Ao nos oferecermos ao mundo como o efeito visível de nossa relação causal com Deus, e, após isto, com a maior cara-de-pau, nos exibirmos como a demonstração comportamental do efeito, sem o percebermos, demos e continuamos a dar um passo a mais em nosso auto-enagano: jactamo-nos de nosso comportamento e, sem o discernirmos, tornamo-nos aos olhos do mundo a Causa de nossa própria salvação. E como nosso “showcase” de comportamento nega a mensagem de Jesus, e, pior ainda, como nossa saúde humana e histórica não visibiliza nem mesmo aquilo do que nos jactamos—nossa superioridade Moral e humana sobre os demais homens—, caímos em nossa própria armadilha e desviamos o olhar humano do único ponto de referência para todos—para o indivíduo, a igreja e o mundo—, que é Cristo.
Esta é a razão pela qual o Cristianismo, no mundo ocidental, tornou-se o principal patrocinador da des-percepção do Evangelho e o agente mais corruptor de todos os conteúdos da Verdade de Deus em Sua Palavra.
O Cristianismo histórico se tornou o pior promoter de qualquer Palavra do Evangelho, pois, para nós, o Evangelho é apenas uma versão cristã da Lei, e de uma Lei brega, feia, estereotipada, infantil, presunçosa e des-cumprida pelos seus patrocinadores.
Assim, a doutrina do Purgatório é verdade para todos os cristãos—incluindo os protestantes e evangélicos!
E por quê? Ora, dizemo-nos “salvos” pela Graça, na chegada. Daí em diante, somos “santificados” pela Lei. Então, ficamos num limbo, num purgatório existencial sobre a Terra, pois, nem nos tornamos filhos da Graça a vida toda e nem nos entregamos aos rigores da Lei com honestidade. Desse modo, não usufruímos nem a saúde e nem a paz que vem da Graça e, nem tampouco, conseguimos viver pela Lei. Ou seja: vivemos em permanente estado de transgressão e culpa.
E quanto mais existimos nesse “purgatório”, mais orgulhosos, raivosos, arrogantes e mal-humorados nos tornamos. Afinal, nós sabemos que nós não passamos de um grande “estelionato” histórico, pois, no coração, nós temos consciência de que não somos nem uma coisa nem outra: nem Gente da Graça e nem tampouco o Povo da Lei.
Então, nos tornamos os doentes que vendem cura!
Somos como o homem que sofreu um derrame generalizado—perdendo seus movimentos e poder de agir—e, ainda assim, se oferece ao mundo para dar aula de levantamento de peso, estética corpórea, e garante que é capaz de correr as Olimpíades, não sendo capaz de nem mesmo enxugar a própria baba que cai de seus lábios arrogantemente murchos, e, muito menos ainda, é capaz de cuidar do próximo que vive ao seu lado no mesmo estado.
O Cristianismo não se enxerga. E os cristãos, raramente, o conseguem fazer!
Meu trabalho há muitos anos é tentar separar, ante a percepção histórica das pessoas, o que é o Evangelho daquilo no que o Cristianismo se tornou. Assim, vou vendo muitos voltarem a Cristo, ainda que, em muitos casos, jamais consigam botar os pés numa “igreja”. E, agindo assim, penso estar, de fato, também evangelizando, anunciando a Boa Nova aos Gentios como eu mesmo; ou seja: dizendo-lhes que estamos livres do Cristianismo a fim de podermos servir a Deus em novidade de vida e não segundo a caducidade da letra e nem tampouco de acordo com a perversão cristã do evangelho.
Assim faço por julgar que essa é a única maneira de ajudar aqueles que encontraram a Jesus, mas que jamais conseguiram encontrar na Terra a Sua Igreja porque esta não está perceptível aos nossos sentidos históricos, institucionalmente falando!
O Cristianismo não carrega nem os conteúdos do Evangelho e nem se parece com Jesus!
E como creio que o Evangelho de Cristo é a Verdade que liberta, só posso—juntamente com milhões de outros seres humanos—, pensar que o que experimentamos, na maior parte do tempo, até aqui, é uma “falsificação do evangelho”, especialmente porque os conteúdos do Evangelho de Cristo foram institucionalizados como doutrinas ( a letra mata) e formas (odres envelhecem) que negam a Graça, a Misericórdia e a Liberdade em fé, que Jesus conquistou na Cruz.
Jesus não veio ao mundo para criar um Circo, em alguns casos; uma Penitenciária, conforme outros casos; um Estado Soberano, conforme o Vaticano Católico e os “vaticaninhos” dos outros grupos e seitas cristãs; e, nem tampouco, um Hospício, como acontece na maioria dos casos!
Além disto, Ele não veio ao mundo para que Sua mensagem se transformasse numa ideologia moral ou política; e, nem ainda, para que ela, a mensagem, gerasse uma espécie de Admirável Mundo Novo, onde, pelo controle, todos se tornassem clones de comportamentos que matam as produções individuais e saudáveis das dinâmicas do ser.
Até mesmo a Reforma Protestante não percebeu o tamanho nem a profundidade do engano ao qual nós, cristãos, nos havíamos rendido, inconscientemente, é claro!
As 95 tese de Lutero puseram a Escritura, Cristo, a Graça e a Fé num pacote “sistematizado”, como se fossem coisas diferentes uma da outra.
O que nem Lutero e nem Calvino—o mais culto deles, embora Lutero pareça ter sido mais humano em suas expressões francas sobre sua condição humana— perceberam em plenitude, é que havia não apenas uma “Reforma Doutrinária” a ser feita, mas, muito antes disso, uma “Desconstrução do Pressuposto Conceitual” a ser realizada!
E por quê? Porque o problema não era, sobretudo, “doutrinário”. Os erros doutrinários da Igreja Católica não eram “tópicos isolados”. Eles eram todos o sub-produto da mesma e única coisa: a Teologia Moral de Causa e Efeito, que estava presente em tudo e que continuou, mesmo que sob outras insígnias, a determinar também os valores do Protestantismo.
Crendo assim, Lutero não precisaria de 95 teses. Bastava uma. E essa é aquela “única” tese de Paulo em todas as suas epístolas: a Graça de Cristo é o fim de toda Lei e o começo-realizado de toda Vida, para a paz e a justiça de todo aquele que crê!
As demais “teses” não passavam de aplicativos históricos e circunstanciais, mas o Protestantismo as transformou, posteriormente, em letras e formas fixas, perdendo assim, outra vez, as mobilidades e liberdades histórico-aplicativas da missão de fazer nascer uma reforma que sempre se auto-reformasse, conforme os tempos e as épocas, e de acordo com a Imutabilidade dos Princípios da Palavra. A tese, portanto, é uma só. Os aplicativos e suas des-construções e re-construções é que precisam ser permanentemente re-atualizados!
E mais: é somente quando se tem a coragem de se fazer essa ruptura radical é que o véu sai da face e nós ganhamos, movidos pelas certezas da fé na Graça, a coragem de botar o rosto para fora, saindo de nossos medos, sombras, fobias e auto-justificações neuróticas!
Neste sentido, perdoem-me os irmãos que beatificaram São Lutero e São Calvino—que, sem dúvida, são “santos protestantes” com as mesmas características de infalibilidade interpretativa da Escritura de um Papa Católico—, acerca dos quais eu digo, sendo muito menos atrevido do que Paulo— quando do ponto de vista judaico de seus dias, disse “E não somos como Moisés...”—, que aqueles dois baluartes da fé, Lutero e Calvino, ainda ficaram aquém do que é radicalmente proposto, pois, por razões que somente a Deus pertencem.
Reverendo Caio Fábio
A relação de Paulo com os Coríntios foi forte e contundentemente passional. Ele chegara à cidade e lá encontrara Priscila e Áquila — um casal de Judeus que havia deixado Roma porque Cláudio, o Imperador, ordenara que de lá saíssem todos os judeus.
E como eram do mesmo ofício, Paulo e Áquila, começaram a trabalhar e morar juntos, fazendo tendas. Aos sábados, todavia, Paulo pregava na sinagoga.
Havendo conturbação entre os judeus ante a mensagem da Graça em Cristo anunciada pelo apóstolo, Paulo não teve mais ambiente para permanecer usando a sinagoga como lugar de pregação. Então, iniciou seus ensinos da Palavra na casa de Tício, que era vizinha à sinagoga.
Em meio a não poucos conflitos, envolvendo ameaças de natureza tanto legal quanto à vida de Paulo, este temeu. O Senhor, todavia, numa daquelas noites, lhe falou, dizendo: “Não temas! Fica na cidade, pois eu tenho muito povo nela”. Paulo, portanto, permaneceu em Corinto quase dois anos.
A relação dele com a igreja que ali nasceu tornou-se forte, e, como já disse, de certa forma, passional!
Para concluir isto, basta que se Leia as duas epístola que Paulo lhes escreveu. Todavia, é na segunda carta aos Coríntios que esse sentir apaixonadamente dolorido melhor se expressa.
O interessante é que mesmo em meio à paixão humana do apostolo, é fácil perceber como seus sentimentos aparecem sem comprometer jamais a verdade da Palavra.
Paulo era um homem que sabia sentir a dor da rejeição sem deixar de expor, com isenção, a verdade da Palavra, não adulterando-a jamais a seu favor!
Ora, é nessa viagem entre o sentir humano e a revelação da Palavra, que a verdade se manifesta como resposta divina ao contexto em questão!
A revelação, raramente, não se faz acompanhar pelo sentir de seus mensageiros. Sábios são aqueles que a separam de seu próprio sentir ou os que sentem sem, todavia, sentimentalizarem a revelação à seu favor.
É só assim que uma carta de um ser machucado pode se tornar uma epístola de um ser inspirado!
Neste trabalho, no entanto, não desejo explorar essa dimensão da veicularão da revelação através dos ambientes conturbados da alma do mensageiro. Para mim, isto é tão óbvio que, pelo menos agora, não é do nosso interesse imediato.
A epístola toda tem sido objeto de inúmeros estudos eruditos. Os “arranjos” à que ela tem sido submetida, são inúmeros. Para nós, no entanto, todas as discussões de natureza literária são irrelevantes. O que vale é a mensagem e, esta, não importando as interpretações de natureza histórico-literária, é a mesma:
Um apóstolo apaixonadamente sofrido, sentindo-se traído e desconsiderado pela igreja que fundou, e que, agora, além de des-conhecer seu pai espiritual, ainda se entregava às seduções de “falsos apóstolos”, dos “obreiros fraudulentos”, que “adulteravam a Palavra de Deus”, e criavam um “outro evangelho”, pois eram, de fato, “mercadores do “evangelho”, ainda que tivessem o impressionante “poder” de se transformarem em “anjos de luz e ministros de justiça”.
A questão é: que “obreiros” são esses e que “evangelho” é esse que subverte aquilo à que Paulo chama de Evangelho da Graça de Deus?
É opinião praticamente unânime que os tais “adulteradores da Palavra” eram os cristãos judaizantes ou os judeus próximos à igreja, e que tentavam, insistentemente, trazer aos cristãos a culpa de não serem pessoas que observam a Lei de Moisés. A prova disto é a seqüência do texto, onde as ilustrações são todas as da Lei e de sua produção na mente humana.
Como eu disse inicialmente, corre-se o risco de se ficar tão impressionado com as “pulsões” emocionais do homem Paulo neste embate, que deixa-se de perceber a mensagem.
Ou seja: fica-se com o que está “escrito” e não se percebe, ao nível da Palavra, o que está, também, “dito”, como expressão dos conteúdos da revelação!
Propositadamente abandono aqui os aspectos de natureza histórico-factual e mergulho exclusivamente na mensagem que Paulo faz viajar em meio às suas dores e passionalidades apostólicas.
Ora, assim fazendo, o que se vê, é, basicamente, o seguinte:
O que o ministério de Paulo gerara neles, pela obra do Espírito, era algo que realizava o sonho dos profetas, que era ver a Palavra inscrita não nas exterioridades do comportamento assustado pela Lei, mas impressa na consciência, nos ambientes do coração.
Os resultados da interiorização da Palavra, inscrita pelo Espírito do Deus vivente na consciência humana, não era humanamente realizável, sendo, portanto, algo à que Paulo se refere excluindo-se como agente essencial, pois, ele sabia, aquela era uma obra para a qual não há meios humanos de faze-la acontecer. A participação de Paulo era—sem suficiência própria—, apenas pregar o Evangelho da Graça e crer que o resto do trabalho era obra do Espírito de Deus.
A certeza de Paulo de que dera um passo muito para além das basicalidades das pregações estereotipadas e exteriorizadas sobre as virtudes da Lei, vinha do fato que ele sabia que a Lei—conquanto boa e santa—, servia apenas para mostrar a nossa “insuficiência”, em relação a sermos salvos por ela. Paulo não se sentia suficiente nem mesmo para pregar a Graça e suas virtudes—como se procedessem dele—, quanto mais a Lei, como se por ela alguém pudesse ser salvo!
O argumento dele é o de sempre: “a letra mata”. A observância da Lei salvaria apenas aquele que pudesse cumpri-la toda. E como não existe, à parte de Jesus, ninguém que a tenha cumprido complemente—dos ambientes interiores às suas sutis exterioridades—,todos, portanto, por ela, se colocavam apenas sob os desígnios da culpa e da morte.
Tendo isto em mente, chega agora a hora de olharmos para a Palavra e não apenas para a “epístola de Paulo”. E qual é a “mensagem” que ela carrega para nós hoje?
Inicialmente, Paulo diz que a Lei e sua Gloria são coisas de outrora, diante da sobreexcelente Gloria do evangelho da Graça de Cristo. Todos os verbos por ele usados em relação à Lei a posicionam no passado da revelação da Graça.
O que segue é a incomparabilidade de ambas as revelações: A Lei era externa, a Palavra é interna. A Lei era o ministério da morte, a Palavra é o ministério da Vida. A Lei falava de condenação, a Palavra fala de justificação. A Lei se desvanecia, a Palavra brilha de Gloria em Gloria.
E é neste ponto que Paulo assume a maior ousadia quando compara a caducidade, o esclerosamento da Lei frente a eterna vida produzida pelo ministério do Espírito.
Mas sua ousadia não pára aí. Ele chama, fundado na certeza da Graça, até mesmo Moisés para um frente a frente, pois, diz:
“E não somos como Moisés que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do se desvanecia”.
Assim, ele diz que na Graça ele se sente com ousadia para tirar até mesmo a mascara de Moisés. O véu de Moisés, para Paulo, não escondia a Gloria, mas seu desvanecimento, sua morte, sua incapacidade de reacender a face, mediante a Lei, com a Luz da Graça.
O problema, para o apostolo, é que aquele véu se tornara um elemento de natureza espiritual. O véu se transformara numa camada de presunção que cegava os sentidos para as demais percepções da vida!
Ora, como a Lei estava dada, e sua constituição era fixa—desde o elemento no qual fora inscrita: pedra—, até mesmo as suas observâncias externas tornavam-se, também, fixas. Portanto, dela não se poderia esperar que nascesse vida, pois, esta acontece apenas onde há o humos da liberdade.
Assim, diz Paulo, há um véu espiritual sobre os sentidos embotados de todos os legalistas, sejam eles judeus ou não!
A Lei embota os sentidos!
A Lei tira a sensibilidade para a Palavra!
Somente a “conversão” ao Senhor—e aqui Paulo não fala de se tornar “cristão” ou “membro de igreja” ou “crentes na Bíblia”, conforme hoje entendemos a idéia de “conversão”, mas de se render à Graça em Cristo—, é o que pode des-anuviar os sentidos cegados pela presunção gerada pelo sentimento de superioridade oriundo da observância externa da Lei, bem como, pelo pre-conceito que dela se origina, criando uma barreira invisível para a percepção da Palavra no coração.
“Até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles”—é o que diz Paulo!
O que Paulo nunca imaginou é que dois mil anos depois nós ainda constatássemos a mesma cegueira, e muito menos ainda poderia ele imaginar que tivéssemos que repetir a sua frase relacionada aos judeus legalistas, agora, reatualizada e aplicada aos “cristãos”.
“Até hoje, quando é lida a Bíblia, o véu está posto sobre o coração deles”—é o que com dor melancólica tem-se que dizer acerca da grande maioria dos cristãos, especialmente de seus “lideres” e “mestres”.
Assim, o que se disse acerca “deles” é o mesmo que hoje temos que admitir acerca de “nós mesmos”, pois, se ainda há Lei, não há revelação da Graça.
Isto porque somente na Graça o véu é retirado. E este tirar o véu é fruto da libertação do medo, e que só acontece em nós como obra do Espírito no coração do ser humano que não tem nenhum tipo de auto-suficiência, porque confiou des-assustadamente na obra consumada de Jesus na Cruz.
Assim, onde está-há o Espírito do Senhor, aí está-há liberdade!
Neste ponto o argumento de Paulo nos remete, na Graça, para uma postura diametralmente oposta àquela gerada pela Lei!
A Lei cobre o rosto, esconde o ser, camufla a culpa, veste-se de exterioridades compartimentais, se jactancia de seu conhecimento e teme mostrar a cara a Deus e ao próximo, daí, pela Lei, o ser não revelar jamais seu interior, pois, em o fazendo, mostrar seu estado de desvanecencia!
Na Graça, todavia, a salvação é o posto. Se a Lei cobre a face e esconde o ser, o Espírito, e a confiança na suficiência de Cristo, nos põe no extremo oposto dessa atitude:
“E todos nós com o rosto desvendado, contemplando como por espelho a gloria do Senhor, somos transformados de gloria em gloria, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”—é o argumento antitético de Paulo.
E mais: não é algo apenas que ocorre na perspectiva individual, mas também, comunitária. Afinal, Paulo diz: “E todos nós...”
A minha tentação agora é prosseguir em II Coríntios. Todavia, julgo ser mais sábio—a fim de ser também sintético—, parar por aqui a fim de verificarmos as implicações dessa verdade em relação à nossa temática.
Primeiramente quero chamar a sua atenção para um fato. A maioria dos comentaristas bíblicos fica tão aferrado ao sentido “histórico” da Escritura em questão que não se dedica à percepção do que está dito para nós hoje.
Em segundo lugar, fica também claro que como nós somos seres ocidentais— de origem não judaica apesar de que, quase todos nós, sermos pessoas de origem culturalmente judaico-cristã—, na maioria das vezes, nos permitamos ler a passagem apenas como critica aos judeus legalistas ou aos cristãos judaizantes; esquecendo-nos que a Escritura em questão não é “pedra”, é Palavra do Deus Vivente, e é re-atualizada em cada novo contexto da história. Portanto, é algo para nós, hoje!
A terceira observação é que as implicações do que Paulo diz aqui, transcendem, em muito, ao contexto histórico imediato, e recaem sobre todos os conteúdos da Teologia Moral de Causa e Efeito—sejam eles judaicos, espíritas kardecistas, afro-ameríndios, católicos, evangélicos, animistas ou hindus!
Aí está o nosso problema: nós lemos a Palavra emblematicamente, o que nos faz pensar que ela foi dirigida a “outros”, não à nós!
Assim, onde se diz judeu não se pensa em nada que não seja “judaico”. É o que está “escrito” trabalhando contra o que foi “dito”!
A questão é que na maioria das vezes, onde se lê, negativamente, “judeu” ou “fariseu”, dever-se-ia ler “legalista”, “moralista”, “auto-suficiente”, ou mesmo, um praticante de qualquer Teologia Moral de Causa e Efeito e seus pretensos elementos de auto-justificação, fundados na presunção humana de agradar a Deus por seus próprios méritos!
Ora, isto posto, o texto em questão tem naqueles que Paulo chama de “todos nós com o rosto desvendado” um grupo que na história do Cristianismo é uma minoria insignificante!
A maior parte de nós é membro da “igreja em Corinto” e somos traidores do apostolo Paulo, pois nos entregamos aos “falsos apóstolos” e a seu “evangelho adulterado”, mesmo que embrulhado com papel de presente estampados com símbolos “cristãos”.
Quem, honestamente, pode dizer que a História do Véu não é também a História do Cristianismo?
Quem, sinceramente, não percebe que nós somos hoje, na maior parte dos casos, a repetição dos mesmos conteúdos humanos e espirituais contra os quais Jesus, os profetas, Paulo, os apóstolos e a Palavra se insurgem nas Escrituras?
Ninguém se engane!
Nós, cristãos, somos também parte do Povo do Véu! E nossos sentidos estão igualmente embotados para a percepção do Evangelho!
Como eu já disse antes, a aceitação do Jesus Histórico nada tem a ver com o acolhimento dos conteúdos de Sua Palavra!
Ou seja:
É possível conhecer a Jesus segundo a carne e não segundo o Espírito!
É a pressuposição da vigência da Lei o que nos impede de discernir o espírito da Palavra e a palavra do Espírito, com liberdade para mostrar a cara, crendo que somente pela expressão des-amedrontada do ser que confiou na Graça, é que vem a conversão incessante, de gloria em gloria, tendo a Jesus como a referência-infusa-cotidiano-existêncial, para a mudança.
Hoje as pessoas se convertem à “igreja”, não à Cristo!
É por esta razão que os conteúdos do Evangelho da Graça estão tão adulterados entre nós. E pior: não enxergamos nada disso, pois, à semelhança deles—os judeus, os fariseus, os cristãos judaizantes—, nossos sentidos também estão “embotados”.
A Graça é hoje a mais escandalosa de todas as mensagens cristãs!
E é por esta razão que não se pode nem mesmo usar mais as “nomenclaturas” do Cristianismo a fim de definir o conteúdo das palavras do Evangelho, pois, quase todos os termos se revestiram de outras conotações e de outros conteúdos.
A terminologia já não serve mais, pois, seus conteúdos foram adulterados por um “outro evangelho”, que usa os termos de sempre, mas nega, na prática, seus conteúdos inegociáveis e eternos!
Por exemplo, para Paulo, “lutar juntos pela fé evangélica” significava não fazer concessões que adulterassem os conteúdos do Evangelho da Graça de Deus!
Hoje, todavia, isto significa nos unirmos contra os que não nos aceitam como os “representantes” de Cristo na Terra!
Ora, neste sentido—com as conotações que a palavra “evangélico” carrega entre nós—, Paulo já não a usaria, pois, nossa prática relacional nega aquilo que ele entendia como evangelho; e nossos conteúdos, falsificam ainda mais o significado original da mensagem à qual ele fazia referência.
Pior do que isto, entretanto, é saber que Paulo, por exemplo, não nos reconheceria como cristãos, mas como pagãos não convertidos ao Evangelho da Graça de Deus!
Por muito menos ele escreveu aos Gálatas e aos Coríntios temendo haver corrido em vão!
Mas e se ele estivesse presente num ano eleitoral no Brasil? Se visse e soubesse de todas as negociações de almas-votos que são feitas em Nome de Jesus? se visse “cristãos” curvados aos ídolos visíveis e invisíveis, cultuando imagens—que vão das de barro e gesso à imagem como reputação ou, marketeiramente, apenas como “imagem”? e se assistisse pela televisão a venda de todos os significados cristãos na forma de crença em objetos de energia espiritual pagã? e se visitasse uma “igreja” e assistisse filas de pessoas para andarem sobre sal grosso, ou para mergulharem em águas tonificadas do Jordão e a passarem pela Cruz de Jesus—que nesse caso é iluminada com neon e não passa de um tapume religioso extremamente brega—a fim de ganharem um carro zero, como pagamento pela sua crença? e se ele soubesse agora que a fé é um sacrifício que se expressa como dízimos, como troca de bênçãos por dinheiro, de cura pelo sacrifício de longas novenas e correntes, que só não são “quebradas” se a pessoa não deixar de largar sempre algum dinheiro no altar-bolso dos pastores?
O que enojaria a Paulo, todavia, seria ver pastores oferecendo o “sangue do Cordeiro” ––e que no caso é um suco de uva—e, segundo o anuncio, a pessoa deve ir ao templo e levar para casa o “sangue do Cordeiro” a fim de ungir a casa de trás para frente e da frente para trás. Desse modo estão voltando para muito menos que as materialidades da imolação do sangue de um cordeiro—ordenada por Deus no Êxodo — indo para um poderoso suco de uva. E o suco de uva, que é menos que o sangue de um cordeiro na simbolização do Êxodo—período usado pela seita para amparar biblicamente a sua campanha de dinheiro—, é apresentado como “o Sangue do Cordeiro”, que não é mais o que Jesus fez na Cruz e é apropriado somente pela fé na Palavra, mas passou a ser um fetiche, uma pedra de toque, uma imantação animista da uva, uma regressão ao paganismo mais primitivo, uma mágica de bruxos, uma blasfêmia, um estelionato satânico de uma verdade com a qual não se brinca impunemente: “Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, tem a vida eterna... As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida”—conforme o Cordeiro.
Desse modo, Paulo veria aturdido o regresso da fé evangélica aos tempos dos cultos feitos à Baal, para as imagens de escultura, para um tempo onde nem sombra ainda havia das sombras das coisas que haviam de vir.—coisas essas, que até mesmo perderam a simbolização em razão de Jesus haver sido o cumprimento de todas elas! A epistola aos Hebreus foi escrita por muitíssimo menos!
Fazer o que estão fazendo da santidade do sangue do Cordeiro, tornando-o num amuleto de infusão animista e de interesse cambista, e que se materializa num suco de uva que carrega em si o poder de benzer uma casa e protege-la de todo mal, é insuportável, enojante, blasfemo e é Anátema!
Paulo vomitaria!
E Jesus?
O escritor de Hebreus diria que estão brincando com fogo ardente e consumidor e crucificando o Filho de Deus não apenas uma segunda vez, mas todos os dias—fazendo Dele um produto de barganha, mágica e fetichismo, e que leva as pessoas não à Jesus, mas sim à “sessão”, pois, também segundo os mesmos “pastores”, Deus só fala no lugar onde eles, os pastores, estão com a sacola na mão!
E eles precisam que Deus se confine em seus templos, se imante nos seus sucos de uva—e outros produtos mágicos—e se deixe comprar pelo dinheiro depositado como sacrifício aos pés desses lobos que oferecem a Jesus como “poder” que se leva para casa em “pacote”; Cristo como “produto simbólico” que pode ser o Pai das luzes, não conforme Tiago, mas conforme Alam Kardec; o Sangue do Cordeiro como suco de uva bom para “proteger a casa”; sim! assim fazendo do que foi feito por Jesus, de Graça, de uma vez e para sempre, algo a ser vendido pelos camelôs do engano e do estelionato!
Meu Deus, e se... Paulo visse...!?
Sim, e se Paulo nos visitasse? Que epístola nos escreveria? Será que a escreveria? Será que não nos trataria como o fez com as “sinagogas” durante a sua vida?
Ou seja: sendo acolhido e sendo-lhe dada a palavra, ficava até ser expulso, para depois disso abrir uma nova porta à Palavra, mesmo que fosse na casa vizinha, como foi no caso de Corinto!?
Ora, ser evangélico, antes–digo: para Paulo—significava ter compromisso de fé e vida com o Evangelho de Jesus. Hoje, ser “evangélico” é pertencer a uma “igreja”, uma instituição religiosa que roubou o direito autoral do termo, falsificou-o e se utiliza dele praticando um terrível “estelionato” simbólico.
Assim, ser evangélico já não tem nada a ver com ser Povo das Boas Novas de Jesus, mas ser membro de uma instituição religiosa que se utiliza das terminologias, enquanto, na maior parte das vezes, nega os conteúdos originais da expressão.
E se continuarmos assim, dentro de pouco tempo, quem for genuinamente evangélico—ou seja: alguém que crê conforme a Boa Nova da Graça em Cristo revelada nos evangelhos—, terá que deixar de se auto-definir desse modo sob pena de que as pessoas pensem que o Evangelho tem alguma coisa a ver com os “evangélicos”.
Nos dias de hoje, quase sempre, ser “um evangélico” já não tem nada a ver com ser evangélico conforme o apostolo Paulo.
Hoje, quando um evangélico “evangeliza”, em geral, ele o faz a fim de que a “igreja” cresça como poder histórico visível. Ou seja: “evangelização” significa crescimento numérico sob o pretexto de que se quer salvar as almas do inferno. Pelo menos é isto que se diz e é isto que as “ovelhas” pensam, pura e ingenuamente.
De fato, se se conversar ou se se tiver alguma intimidade com o meio pastoral, ver-se-á que na maioria das vezes corre-se não atrás da vida humana, mas dos recursos humanos que com as multidões também chegam para dentro do negócio religioso.
Portanto, não é de admirar que o marketing seja hoje um dos mais importantes instrumentos usados pela “igreja”. Apenas uma “igreja” precisa de marketing. Isto porque quem de fato é, não tem que se preocupar em parecer ser.
O marketing religioso é o lugar onde nossos ídolos são fabricados e polidos, de tal modo que sua “imagem” possa continuar a inspirar os devotos ou a enganar os que se impressionam com aparências.
O marketing como pro-moção pessoal, é moral, pois, é imagem de escultura, sendo, também, idolatria!
Explosão numérica, na História da Igreja, quase sempre correspondeu a diluição tanto da Palavra, como do caráter do discipulado, bem como implicou em des-significação da alma humana, afinal, uma multidão pode se beneficiar da Palavra, quando há Palavra, mas não pode experimentar reconstruções de individuação, pois, nas massas, ninguém cresce como indivíduo na comunhão fraterna, na afirmação individual e nos carinhos de quem conhece e se importa, pois, tais realidades, inexistem em todo processo de massificação.
Além disso, milhares de “acomodações” precisam ser feitas em relação ao conteúdo essencial do evangelho quando se utiliza do marketing religioso ou das associações políticas, culturais e econômicas que daí advêm— ou seja: da rendição ao significado-des-significado do capital das massas, que são reduzidas apenas ao testemunho de poder majoritário que elas trazem aos lideres, enquanto as almas dos indivíduos viram apenas números.
Quando Paulo evangelizava isto significava levar às pessoas a consciência da Graça salvadora de Jesus e da possibilidade da experiência da liberdade-salvadora, tanto na perspectiva individual, como também na comunitária. O resultado, portanto, não é o surgimento de um número a mais para as estatísticas celestiais, mas uma nova criatura, que já começa a se humanizar na Terra, nos vínculos e nas mutações dinâmicas e permanentes que o Espírito da Graça, em Cristo, faz nascer no Novo Homem!
Desse modo, como já disse antes, se Paulo estivesse vivo hoje, provavelmente, ele nos diria que nós ainda não somos convertidos, pois, voltamos atrás, e aderimos aos conteúdos que negam a Cruz de Cristo!
Isto nos coloca, no mínimo, diante de três reflexões. A primeira é que a atual “consciência cristã”, é, na maior parte das vezes, anti-cristã, e uma clara e escrachada negação dos conteúdos do Evangelho de Jesus!
A segunda, é a impossibilidade hermenêutica de que a Leitura da Escritura feita com “véu na face” possa nos conduzir à revelação da Palavra da Graça!
Portanto, não importa o “método” ou a “escola hermenêutica” em questão. Na Graça até o pior de todos os “métodos” trás mais revelação da Palavra que o melhor método hermenêutico usado com as viseiras da Lei, da Moral, dos Legalismos, dos Carismatismos narcisistas (que faz do totem carismático a forma referencial de ser para os demais), e seus derivados!
Todos são apenas o sub-produto da formula conceitual da Teologia Moral de Causa e Efeito!
?
É triste ver pessoas cristãs, inteligentes, cultas, preparadas, letradas, instruídas, e com capacidade de “ler”, não conseguirem levar as implicações do que entendem, mesmo do ponto de vista da compreensão cognitiva, até as últimas conseqüências de sua própria percepção!
E por quê? Porque ainda estão presas às sistematizações da Lei às quais o Cristianismo subjugou a Palavra que pode nos libertar! Mas não sendo a Palavra, não liberta. E se não liberta, escraviza e gera medo!
Enquanto não se abandona o véu e se põe a cara para fora, olhando na Graça para a Graça, não se vive a dinâmica da conversão que muda não apenas as exterioridades do comportamento, mas as essências do ser e isto de modo constante e permanente.
Afinal, são dinâmicas diametralmente opostas entre si: uma cobre a face, a outra a põe para fora!
Ora, isto no remete para a terceira constatação. A Teologia Moral de Causa e Efeito—que é a mãe da Síndrome do Véu—é a patrocinadora de nossas piores doenças!
O medo que esconde o ser transforma o interior humano num viveiro de enfermidades psicopatológicas. Literalmente, o ser se desvanece. Assim é que a História do Cristianismo é eivada de enfermidades numa demonstração tão escandalosa que nega a fé em Jesus.
Ou seja: se o Evangelho de Cristo gera algo como o Cristianismo e seus derivados históricos—incluindo-se, obviamente, os “evangélicos”—então, ele não é a Verdade!
Assim, os cristãos, até neste particular, foram objeto de seu próprio veneno e juízo sobre os demais homens. Pregaram não a Graça, mas a teologia de causa e efeito e seus veredictos.
Hoje—e não é de hoje—os mesmos critérios se voltaram contra nós. Ao nos oferecermos ao mundo como o efeito visível de nossa relação causal com Deus, e, após isto, com a maior cara-de-pau, nos exibirmos como a demonstração comportamental do efeito, sem o percebermos, demos e continuamos a dar um passo a mais em nosso auto-enagano: jactamo-nos de nosso comportamento e, sem o discernirmos, tornamo-nos aos olhos do mundo a Causa de nossa própria salvação. E como nosso “showcase” de comportamento nega a mensagem de Jesus, e, pior ainda, como nossa saúde humana e histórica não visibiliza nem mesmo aquilo do que nos jactamos—nossa superioridade Moral e humana sobre os demais homens—, caímos em nossa própria armadilha e desviamos o olhar humano do único ponto de referência para todos—para o indivíduo, a igreja e o mundo—, que é Cristo.
Esta é a razão pela qual o Cristianismo, no mundo ocidental, tornou-se o principal patrocinador da des-percepção do Evangelho e o agente mais corruptor de todos os conteúdos da Verdade de Deus em Sua Palavra.
O Cristianismo histórico se tornou o pior promoter de qualquer Palavra do Evangelho, pois, para nós, o Evangelho é apenas uma versão cristã da Lei, e de uma Lei brega, feia, estereotipada, infantil, presunçosa e des-cumprida pelos seus patrocinadores.
Assim, a doutrina do Purgatório é verdade para todos os cristãos—incluindo os protestantes e evangélicos!
E por quê? Ora, dizemo-nos “salvos” pela Graça, na chegada. Daí em diante, somos “santificados” pela Lei. Então, ficamos num limbo, num purgatório existencial sobre a Terra, pois, nem nos tornamos filhos da Graça a vida toda e nem nos entregamos aos rigores da Lei com honestidade. Desse modo, não usufruímos nem a saúde e nem a paz que vem da Graça e, nem tampouco, conseguimos viver pela Lei. Ou seja: vivemos em permanente estado de transgressão e culpa.
E quanto mais existimos nesse “purgatório”, mais orgulhosos, raivosos, arrogantes e mal-humorados nos tornamos. Afinal, nós sabemos que nós não passamos de um grande “estelionato” histórico, pois, no coração, nós temos consciência de que não somos nem uma coisa nem outra: nem Gente da Graça e nem tampouco o Povo da Lei.
Então, nos tornamos os doentes que vendem cura!
Somos como o homem que sofreu um derrame generalizado—perdendo seus movimentos e poder de agir—e, ainda assim, se oferece ao mundo para dar aula de levantamento de peso, estética corpórea, e garante que é capaz de correr as Olimpíades, não sendo capaz de nem mesmo enxugar a própria baba que cai de seus lábios arrogantemente murchos, e, muito menos ainda, é capaz de cuidar do próximo que vive ao seu lado no mesmo estado.
O Cristianismo não se enxerga. E os cristãos, raramente, o conseguem fazer!
Meu trabalho há muitos anos é tentar separar, ante a percepção histórica das pessoas, o que é o Evangelho daquilo no que o Cristianismo se tornou. Assim, vou vendo muitos voltarem a Cristo, ainda que, em muitos casos, jamais consigam botar os pés numa “igreja”. E, agindo assim, penso estar, de fato, também evangelizando, anunciando a Boa Nova aos Gentios como eu mesmo; ou seja: dizendo-lhes que estamos livres do Cristianismo a fim de podermos servir a Deus em novidade de vida e não segundo a caducidade da letra e nem tampouco de acordo com a perversão cristã do evangelho.
Assim faço por julgar que essa é a única maneira de ajudar aqueles que encontraram a Jesus, mas que jamais conseguiram encontrar na Terra a Sua Igreja porque esta não está perceptível aos nossos sentidos históricos, institucionalmente falando!
O Cristianismo não carrega nem os conteúdos do Evangelho e nem se parece com Jesus!
E como creio que o Evangelho de Cristo é a Verdade que liberta, só posso—juntamente com milhões de outros seres humanos—, pensar que o que experimentamos, na maior parte do tempo, até aqui, é uma “falsificação do evangelho”, especialmente porque os conteúdos do Evangelho de Cristo foram institucionalizados como doutrinas ( a letra mata) e formas (odres envelhecem) que negam a Graça, a Misericórdia e a Liberdade em fé, que Jesus conquistou na Cruz.
Jesus não veio ao mundo para criar um Circo, em alguns casos; uma Penitenciária, conforme outros casos; um Estado Soberano, conforme o Vaticano Católico e os “vaticaninhos” dos outros grupos e seitas cristãs; e, nem tampouco, um Hospício, como acontece na maioria dos casos!
Além disto, Ele não veio ao mundo para que Sua mensagem se transformasse numa ideologia moral ou política; e, nem ainda, para que ela, a mensagem, gerasse uma espécie de Admirável Mundo Novo, onde, pelo controle, todos se tornassem clones de comportamentos que matam as produções individuais e saudáveis das dinâmicas do ser.
Até mesmo a Reforma Protestante não percebeu o tamanho nem a profundidade do engano ao qual nós, cristãos, nos havíamos rendido, inconscientemente, é claro!
As 95 tese de Lutero puseram a Escritura, Cristo, a Graça e a Fé num pacote “sistematizado”, como se fossem coisas diferentes uma da outra.
O que nem Lutero e nem Calvino—o mais culto deles, embora Lutero pareça ter sido mais humano em suas expressões francas sobre sua condição humana— perceberam em plenitude, é que havia não apenas uma “Reforma Doutrinária” a ser feita, mas, muito antes disso, uma “Desconstrução do Pressuposto Conceitual” a ser realizada!
E por quê? Porque o problema não era, sobretudo, “doutrinário”. Os erros doutrinários da Igreja Católica não eram “tópicos isolados”. Eles eram todos o sub-produto da mesma e única coisa: a Teologia Moral de Causa e Efeito, que estava presente em tudo e que continuou, mesmo que sob outras insígnias, a determinar também os valores do Protestantismo.
Crendo assim, Lutero não precisaria de 95 teses. Bastava uma. E essa é aquela “única” tese de Paulo em todas as suas epístolas: a Graça de Cristo é o fim de toda Lei e o começo-realizado de toda Vida, para a paz e a justiça de todo aquele que crê!
As demais “teses” não passavam de aplicativos históricos e circunstanciais, mas o Protestantismo as transformou, posteriormente, em letras e formas fixas, perdendo assim, outra vez, as mobilidades e liberdades histórico-aplicativas da missão de fazer nascer uma reforma que sempre se auto-reformasse, conforme os tempos e as épocas, e de acordo com a Imutabilidade dos Princípios da Palavra. A tese, portanto, é uma só. Os aplicativos e suas des-construções e re-construções é que precisam ser permanentemente re-atualizados!
E mais: é somente quando se tem a coragem de se fazer essa ruptura radical é que o véu sai da face e nós ganhamos, movidos pelas certezas da fé na Graça, a coragem de botar o rosto para fora, saindo de nossos medos, sombras, fobias e auto-justificações neuróticas!
Neste sentido, perdoem-me os irmãos que beatificaram São Lutero e São Calvino—que, sem dúvida, são “santos protestantes” com as mesmas características de infalibilidade interpretativa da Escritura de um Papa Católico—, acerca dos quais eu digo, sendo muito menos atrevido do que Paulo— quando do ponto de vista judaico de seus dias, disse “E não somos como Moisés...”—, que aqueles dois baluartes da fé, Lutero e Calvino, ainda ficaram aquém do que é radicalmente proposto, pois, por razões que somente a Deus pertencem.
Reverendo Caio Fábio
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Quantas vezes você pertence a Deus?
Alan César Corrêa
As flores que se espalharam pelo campo pertencem a Deus.As flores que foram presas no jardim também pertencem a Deus.
A cura do doente que não foi ao médico pertence a Deus.
A cura do doente que ficou horas no centro cirúrgico também pertence a Deus.
A luz do sol pertence a Deus.
A luz gerada com todos os kWh também pertence a Deus.
Tudo vem de Deus, diretamente ou indiretamente vem dEle e pertence a Ele e sem Ele nada podemos fazer, criar ou produzir.
Sabe o que na Terra pertence a Deus mais vezes ?
Seus filhos, esses são “propriedade exclusiva do Senhor “ 1 Pedro 2:9.
Quando avaliamos o grau de propriedade de toda criação, encontramos dois (2) direitos pelo qual garante ser propriedade de Deus.
Direito da Criação : Deus foi o Criador, do nada formou, sem a ajuda de ninguém criou.
Direito de Preservação : Deus provê a manutenção para o sustento da vida, ele é o Mantenedor
Os animais pertencem a Deus por direito de criação e preservação
Os minerais pertencem a Deus por direito de criação e preservação.
A humanidade (sem Jesus) pertence a Deus por direito de criação e preservação.
Mas quando analisamos quais são os direitos que garantem que os filhos de Cristo pertencem a Deus, não encontramos apenas dois direitos ( o da criação e da preservação), mas sim três direitos, o da criação, o da preservação e o direito da remissão.
Você já pagou por alguma coisa que já era sua ?
Pois então, Deus fez isso por você, quando Jesus morreu na Cruz ele estava “dando a sua vida em resgate de muitos”, (em resgate de quem já era dEle mas tinha sido roubado pelo diabo) estava pagando outra vez pela sua propriedade, estava te remindo.
Remir significa adquirir de novo (resgatar) Heb 9:22.
Você pertence a Deus três vezes, ninguém no mundo físico ou espiritual pode reivindicar ser seu proprietário, você é propriedade peculiar de Deus. Lembre-se também, que você não pertence nem mesmo a si próprio, como diz João Calvino “Nenhum verdadeiro cristão pertence a si mesmo”.
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