sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Teologia Arminiana: respostas às objeções calvinistas

Por Flávyo Santos
São muitas as dúvidas levantadas por falsas doutrinas contra a teologia arminiana, especialmente as acusações feitas por teólogos de vertentes do determinismo (Calvinismo). Entretanto, por maior que seja o nosso desejo responder a todas as objeções, não podemos ir além daquilo que está escrito, do que nos foi revelado em Cristo. Existem temas que realmente encontra-se no campo do mistério, insondável (exemplo: a encarnação – Deus homem e a trindade).
Entre os opositores das doutrinas da igreja primitiva temos (em especial) os calvinistas, doutrina que tem raízes em Agostinho mas que se solidificou no século XVI. Estes propõem diversas objeções às doutrinas da graça livre, popularmente conhecida como arminianismo, veremos algumas delas.

OBJEÇÃO 1: Ao defender o livre-arbítrio a teologia arminiana atribui os méritos da salvação ao homem.

RESPOSTA
Esta é uma objeção muito comum e que por vezes é apresentada de outros modos como “a morte de Cristo não salvou a ninguém efetivamente” ou “o centro da teologia arminiana é o livre-arbítrio”. Tentaremos separar as questões quando necessário e responder ponto a ponto, desfazendo os sofismas e as heresias decorrentes.
O cerne da questão é: o fato de homem receber livremente uma dádiva que lhe é oferecida faz dele merecedor desta dádiva? Ou ainda, o fato de tê-la recebido transfere ao homem o mérito pelo bem oferecido? O receber a cura nos faz merecedores dela? Ou por termos sido curados nos cabe repartimos o mérito que pertence ao agente eficaz da cura?
Veremos o que disse Jacabus Arminius:
“Para explicar o assunto empregarei um símile, o qual eu confesso, ainda, é bastante dissimilar; mas sua dissimilitude corrobora grandemente meu parecer. Um homem rico concede, a um pobre e faminto mendigo, esmolas com as quais ele será capaz de manter a sua família e a si mesmo. O fato de o mendigo estender suas mãos para receber as esmolas faz com que elas deixem de ser um presente genuíno? Pode-se dizer com propriedade que “as esmolas dependem parcialmente da liberdade do Doador e parcialmente da liberdade do favorecido,” embora este último não fosse receber as esmolas a menos que ele as tivesse recebido estendendo sua mão? Pode ser corretamente afirmado que, pelo fato o pedinte estar sempre preparado para receber, “ele pode receber as esmolas, ou pode não recebê-las, conforme lhe aprouver?” Se tais asserções não podem ser verdadeiras acerca de um pedinte que recebe esmolas, menos ainda podem ser verdadeiras tais afirmações sobre o dom da fé, pois o recebimento do mesmo exige atos da Graça Divina muito mais sobrepujantes”.[1]
Quem morreu na cruz? Quem pagou o preço? Como pode ser o homem ser digno de honra ou mérito pelo fato de ter recebido um presente de Deus? As acusações advindas desta primeira objeção são nada mais que falsos dilemas.
“Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.” Rm 4.4-5

OBJEÇÃO 2: Se Cristo morreu por todos por que todos não são salvos?

RESPOSTA
Esta é uma questão bastante antiga, elaborada pelo calvinista Jonh Owen no século XVII. Ele acreditava ter uma lógica indestrutível e assim demonstrar a veracidade das doutrinas da TULIP (Total depravação, incondicional eleição, expiação limitada, graça irresistível e perseverança dos santos). Pretendia apresentar uma fundamentação bíblica para a doutrina central do calvinismo, isto é, a expiação limitada, que Cristo morreu somente(exclusivamente) por alguns pré-selecionados incondicionalmente e assim refutar a doutrina de uma expiação oferecida pelo mundo inteiro.
Vamos à síntese dos argumentos apresentados por J. Owen:
“Colocando o assunto desta maneira: ‘Cristo sofreu por todos os pecados de todos os homens, ou por todos os pecados de alguns homens, ou por alguns pecados de todos os homens’. Se a última afirmativa é verdadeira, então todos os homens ainda têm alguns pecados, e, portanto, ninguém pode ser redimido.
Se a primeira afirmativa é verdadeira, então por que não estão todos os homens livres do pecado? Você poderá dizer: “Por causa da incredulidade deles.” Mas eu pergunto: “Acaso a incredulidade é um pecado?” Se não é, por que todos os homens são punidos por causa dela? Se é um pecado, então deve estar incluída entre os pecados pelos quais Cristo morreu. Portanto, a primeira afirmativa não pode ser verdadeira. Assim, é claro que a única possibilidade restante é que Cristo levou sobre Si todos os pecados de alguns homens, os eleitos, somente. Creio que este é o ensino da Bíblia.” [2]
Iremos, para um melhor entendimento, separar os argumentos de Owen.
O que muitos adeptos da teologia calvinista fazem, com relativa frequência, é misturar vários temas, dificultando uma correta compreensão, ou induzindo o raciocínio do leitor. Mas vamos separar as premissas e depois demonstrar o porquê do equívoco desta objeção.
  1. Cristo sofreu por todos os pecados de todos os homens?” Pelo menos é isto que a Bíblia declara:Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Jo 3.16; “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” 2 Co 5.18-19; “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.” Hb 2.9; “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” 1Jo 2.2;
Entre a interpretação calvinista e o que a Bíblia declara com muita clareza, preferimos ficar do lado das Escrituras;
  1. “Cristo morreu por todos os pecados de alguns homens?” Sim e não, No aspecto efetivo da expiação SIM, e mais adiante explicaremos. Sim, visto que Cristo lavou (definitivamente) somente os pecados daqueles que creram e crerão ainda. Jo 3.15-16 e 36; 6.47; Rm 3.22; E não nos sentidos provisional e representativo, porque Deus proveu um sacrifício em favor da humanidade e lhes deu um representante 100% puro e digno. Em outras palavra, Deus proveu um representante para toda a raça humana e não apenas para alguns homens (pré-selecionados).
  2. “ou (Cristo morreu) por alguns pecados de todos os homens?” Esta hipótese é absurda e deste modo dispensa pormenorizações;
  3. Por fim a confusão lógica da conclusão daquele autor “Se a primeira afirmativa é verdadeira, então por que não estão todos os homens livres do pecado? Você poderá dizer: “Por causa da incredulidade deles.” Mas eu pergunto: “Acaso a incredulidade é um pecado?” Se não é, por que todos os homens são punidos por causa dela? Se é um pecado, então deve estar incluída entre os pecados pelos quais Cristo morreu. Portanto, a primeira afirmativa não pode ser verdadeira. Assim, é claro que a única possibilidade restante é que Cristo levou sobre Si todos os pecados de alguns homens, os eleitos, somente. Creio que este é o ensino da Bíblia.”
O J. Owen contemplou a precisa resposta para a sua própria indagação “por que todos não são salvos?”, a resposta é óbvia “Por causa da incredulidade deles”, então segue a pergunta “Acaso a incredulidade é um pecado?” E aqui temos um dos vários problemas do enunciado. O escritor do movimento puritano apresenta um conceito defectivo sobre o que vem ser o pecado e mais especificamente o “pecado original”. Vejamos o que diz Myer Pearlman:
“O pecado é tanto um ato quanto um estado. Com a rebelião contra a lei de Deus é um ato da vontade do homem, também a separação de Deus vem a ser um estado pecaminoso.” [3]
Como bem asseverou Pearlman existem duas consequências do pecado, realidades: O estado pecaminoso de todos os homens (Gn 2.17; Gn 6.5; Gn 8.21; 1Rs 8.46; Jó 14.4; Sl 51.5; Sl 58.3; Ec 7.20; Is 64.6; Rm 3.10-11; Rm 5.12; Rm 7.18, 23; Rm 8.7;1Co 2.14; Ef 2.3); e a inevitável propensão para o ato do pecado, isto é o pecado em sentido estrito, o cometer pecado. Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá. […]A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.” Ez 18.4 e 20 “Naqueles dias nunca mais dirão: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram. Mas cada um morrerá pela sua iniqüidade; de todo o homem que comer as uvas verdes os dentes se embotarão.” Jr 31.29-30
Todos nascemos separados de Deus em um estado de rebelião e com a nossa natureza corrompida, isto é uma coisa, um aspecto resultante do pecado de Adão, outra coisa é cometer o pecado, um ato voluntário e individual.
Voltando a questão do Owen, “Acaso a incredulidade é um pecado? Sim, mas no sentido de um estado do pecado e que só pode ser removido pela fé no sangue de Jesus (Rm 3.25; Cl 1.20; I Jo 2.2 e 4.10), mas não no sentido de um ato cometido. A expiação promovida na Cruz expia os nossos pecados cometidos (atos pecaminosos) nos livrando da penalidade consequente e, pela fé, nos reconcilia com Deus, nos fazendo novas criaturas, matando na cruz a antiga natureza pecaminosa, isto é, (e ainda) removendo o estado do pecado, a separação de Deus, nos reconciliando consigo mesmo por meio de Jesus Cristo. I Co 5.17-20.
Assim expusemos um dos erros da questão proposta, o autor puritano mistura o conceito de pecado (ato pecaminoso) com o estado de pecado.
Cristo morreu para que os nossos atos pecaminosos fossem perdoados na Cruz e para remover a separação de Deus, são duas consequências da expiação, mas são realidades distintas. A incredulidade é um estado e não um ato e este estado só pode ser mudado pela ação do Espírito Santo, no gerar de uma nova natureza naquele que crê em Jesus Cristo.
A remoção do estado pecaminoso, isto é da separação de Deus, e a nossa reconciliação individual (2Co 5.18-20) acontece no tempo em que cremos em Jesus, deste modo ainda que a expiação de Cristo seja oferecida por todos os pecados cometidos (atos pecaminosos) de todos os homens, justiça que nos é imputada pela fé, o estado pecaminoso só é removido pelo Espírito, mediante a fé. Ef. 2.8. Não temos o poder de nos fazer filhos ou nos reconciliar com Ele, mas pela fé Deus nos dá esta oportunidade, de sermos feitos filhos de Deus. Jo 1.12.
Outro erro da objeção é a não diferenciação entre proposta/escopo do sacrifício e a sua obra efetiva. Quando o sacrifício de Cristo é proposto é feito pelo mundo todo, como deixam claro os textos que acima citamos e vai até mesmo (em alcance) além do homem, atingindo a redenção da criação (Rm 8.22-24), os céus, a Terra e tudo que existe. (Cl 1.15-20). O exclusivismo expiatório, direito a salvação, era um pensamento comum nos dias de Jesus presente na seita dos fariseus. Mas não era assim no início, por exemplo, a amplitude dos sacrifícios oferecidos por Israel, no que tange aos estrangeiros residentes em Israel. Nm 15.14; Dize-lhes, pois: Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós, que oferecer holocausto ou sacrifício,
E não o trouxer à porta da tenda da congregação, para oferecê-lo ao Senhor, esse homem será extirpado do seu povo.”
 Lv 17.8-9.
Um sacrifício poderia ser oferecido em favor de qualquer homem, natural de Israel ou estrangeiro, mas só gozavam das bênçãos da expiação aqueles que do rito participavam (de algum modo) e/ou somente aqueles que criam. Havia ainda expiação realizada por todo o povo, mas é claro que só desfrutavam da comunhão com Deus, ainda que se oferecesse sacrifício por todos, aqueles que criam nas promessas e que eram obedientes a Deus.
“E disse Moisés a Arão: Chega-te ao altar, e faze a tua expiação de pecado e o teu holocausto; e faze expiação por ti e pelo povo; depois faze a oferta do povo, e faze expiação por eles, como ordenou o Senhor.” Lv 9.7; “Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.” Hb 7.27 Não há diferenças para o recebimento dos benefícios da expiação, não importa, de fato, se natural de Israel ou estrangeiro, mas depende da fé, o Ap. Paulo explica:“Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.” Rm 2.28-29
Deste modo, semelhantemente, o sacrifício de Cristo é oferecido provisionalmente pelo mundo todo e de maneira efetiva (bênçãos efetivas) por aqueles que creem no sacrifício substitutivo e pela fé lhe são imputados os benefícios. Esta é a verdade das Escrituras.

OBJEÇÃO 3: Se Cristo morreu por todos então ele não morreu por ninguém efetivamente?

RESPOSTA: Este argumento é um dos mais utilizados por teólogos calvinistas de todas as vertentes, vejamos como é apresentada esta questão:
Packer: “A morte de Cristo não garantiu a salvação para ninguém, pois não garantiu o dom da fé para ninguém (e nem mesmo existe tal dom); o que ela fez foi criar a possibilidade de salvação para todo aquele que crê.” [4]
Anglada: “Outro item da representação arminiana dizia respeito à doutrina da expiação. As Escrituras afirmam que Cristo nos resgatou do pecado morrendo na cruz em nosso lugar, o justo pelo injusto. Pois bem, por quem Cristo morreu? O arminiano crê na expiação geral, na redenção universal, ou seja, que Cristo morreu na cruz por todos os seres humanos indistintamente. Ele crê que a expiação de Cristo não foi individual, mas sim potencial. Cristo não morreu na cruz em substituição a cada um dos eleitos individualmente, e sim de modo geral, por toda a raça humana, permitindo, assim, que Deus perdoasse os pecados daqueles que viessem a crer nele. Desse modo, a doutrina arminiana da expiação apenas tornou possível a salvação de todos, mas não assegurou a salvação de ninguém.” [5]
Acredito que a explicações dos pontos anteriores nos auxiliam a responder os demais, porque todas as objeções orbitam o conceito da expiação limitada, que é o cerne da doutrina calvinista, quando buscam provar que Cristo teria morrido apenas por alguns.
Mais uma vez aqui, por Packer e Anglada, comete-se um erro semelhante ao do item anterior, questões levantadas por J. Owen. Tenho dito aos meus amigos e conhecidos, adeptos da teologia calvinista, especialmente os que adotam as doutrinas da TULIP, que além de logicamente apresentar erros claros em seus pontos centrais U-L-I, o calvinismo é uma teologia rasa que busca uma linearidade nas coisas espirituais. Mostraremos um dos porquês. Vejamos o que Cristo fez na cruz por nós, nas palavras de Stott, aspectos do sacrifício de Cristo.
“É nesse aspecto que a morte de Jesus deve ser corretamente chamada de “representativa” como também “substitutiva”. O “substituto” é aquele que age no lugar de outro de tal modo que torne desnecessária a ação desse outro. O “representante” é aquele que age em favor de outro, de tal modo que envolva esse outro em sua ação. […] Da mesma forma, como nosso substituto, Cristo fez por nós o que não poderíamos fazer por nós mesmos: levou o nosso pecado e o nosso juízo. Mas, como nosso representante ele fez o que nós, estando unidos a ele, também fizemos: nós morremos e ressurgimos com ele.” [6]
Como dissemos, a teologia calvinista é rasa e se prende apenas ao aspecto efetivo da expiação, isto é, a substituição no aspecto penal (somente). Entretanto, ver a expiação exclusivamente deste modo só pode levar ao erro, temos pelo menos 4 (quatro) aspectos que devem ser analisados, dois deles citados acima, o substitutivo e o representativo, e ainda o provisional e o efetivo.
Cristo, em um sacrifício atemporal, considerando o seu exaustivo conhecimento de todas as coisas(presciência), externo e superior ao espaço-tempo, substitui efetivamente todos aqueles que nele creem, creram e crerão (presente, passado e futuro), E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra.” Ap 5.9-10, isto é, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Entretanto, em seu aspecto provisional o sacrifício é oferecido em favor de toda humanidade, por todos e para todos, como dizem as Escrituras. Jo 3.16 e 1 Jo 2.2
Como nosso substituto, Cristo substitui (ao final de todas as coisas) todos aqueles que ao longo da existência humana vieram a crer, mas como nosso representante Ele é aquele que representa a humanidade, que restaura a aliança entre Deus e os homens, o que reconcilia consigo todas as coisas, o que traz ordem à existência e é a razão da paciência de Deus com todos os homens.
“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” At 17.30-31 “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” 2 Pe 3.9
Os deterministas veem e se prendem apenas ao aspecto efetivo (naqueles que creem), considerando a expiação como uma força mecânica em favor de indivíduos pré-selecionados, enquanto as Escrituras demonstram, tanto no AT quanto no NT, que a vontade de Deus é que ninguém se perca (1 Tm 2.4-6) e que Ele não tem prazer na morte do ímpio (Ez 18.23-24), desejando (sinceramente) a salvação de todos. A cruz é liberdade para os que creem e juízo sobre a incredulidade, mas isto é tema para outro estudo.

OBJEÇÃO 4: Acusação de duplo pagamento pelo pecado, isto é, um pagamento efetuado por Cristo e outro pelo ímpio que recebe condenação.

RESPOSTA
Os calvinistas consideram que esta objeção não pode ser respondida ou que ela é de uma lógica inescapável, mas consideramos que a falta de visão e de perspectivas, isto é, a corrente mental provocada pela ênfase nas doutrinas da TULIP, é que faz o calvinista chegar a este pensamento, a uma exegese mal feita dos textos claros em que a Bíblia diz (não sugere, mas diz) que Cristo morreu pelo mundo.
Vamos aos textos.
Anglada: “Aqueles por quem a expiação foi cumprida, por causa da sua natureza penal e substitutiva, não podem sofrer a punição eterna. Deus não exige um duplo pagamento do pecado. Ele não pune os mesmos pecados duas vezes. Ele não pode punir alguém pelos pecados, se as exigências da lei quanto a esses pecados já forem cumpridas. Portanto, a doutrina da expiação particular é uma conseqüência necessária da doutrina da substituição penal. A teoria do governo moral foi desenvolvida exatamente para evitar esta conclusão. Ao negar a doutrina da expiação penal e substitutiva, a natureza da expiação é enfraquecida pelos arminianos, que querem evitar a conclusão Calvinista.” [7]
Sproul: “O arminianismo tem uma oferta que é limitada em valor. Não cobre o pecado dos incrédulos. Se Jesus morreu por todos os pecados de todos os homens, se Ele expiou todos os nossos pecados e propiciou todos os nossos pecados, então todos seriam salvos. Uma oferta potencial não é uma oferta verdadeira. Jesus realmente fez oferta pelos pecados de suas ovelhas. O maior problema com a expiação definida ou limitada é encontrado nas passagens que as Escrituras usam referentes à morte de Cristo “por todos” ou pelo “mundo todo”. O mundo por quem Cristo morreu não pode significar a família humana inteira. Deve referir-se a universalidade dos eleitos (povo de todas as tribos e nações), ou a inclusão dos gentios em acréscimo ao mundo dos judeus. Foi um judeu que escreveu que Jesus não morreu meramente por nossos pecados, mas pelos pecados do mundo todo. Será que a palavra nossos refere-se aos crentes ou aos judeus crentes? Precisamos nos lembrar de que um dos pontos cardeais do Novo Testamento refere-se à inclusão dos gentios no plano da salvação de Deus. A salvação era dos judeus, mas não restrita aos judeus. Onde quer que seja dito que Cristo morreu por todos, algum limite precisa ser acrescentado, ou a conclusão teria de ser o universalismo ou a mera expiacão potencial.
[…]Nunca houve a menor possibilidade de que Cristo pudesse ter morrido em vão. Se o homem está verdadeiramente morto no pecado e preso ao pecado, uma mera expiação potencial ou condicional não somente pode ter acabado em fracasso, como muito certamente teria acabado em fracasso. Os arminianos não têm razão verdadeira para crer que Jesus não morreu em vão. São deixados com um Cristo que tentou salvar a todos, mas na realidade não salvou ninguém. [8]
Os calvinistas misturam tantas questões provocando uma confusão mental nos leitores, mas vamos separar os principais argumentos desta objeção.
  1. Ele não pune os mesmos pecados duas vezes. Ele não pode punir alguém pelos pecados, se as exigências da lei quanto a esses pecados já forem cumpridas.
A superficialidade desta doutrina, no aspecto cristocêntrico, acarreta estes equívocos. Teólogos calvinistas, pelos excertos acima, tratam a condenação do ímpio como um pagamento (transação comercial/pecúnia) pelo pecado ou como uma condenação que “paga” pecados, comparando o estado de condenação com o pagamento (expiação) pelo pecado promovido por Cristo.
Algo claro nas Escrituras é que Deus decidiu soberanamente perdoar os pecados daqueles que creem imputando-lhes a justiça de Deus pela fé (Rm 1.17). Só existe um sacrifício pelos pecados. “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecadosMas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários.” Hb 10.26-27
Deste modo, quando alguém (algum homem) é condenado ao inferno ele não vai pagar (porque não tem como ser pago) os seus pecados, não existe um purgatório, o inferno não é isto, o que ocorre é que o estado de pecado (separação de Deus) se torna perene e assim o homem é privado do supremo bem por toda a eternidade.
Só há um pagamento pelos pecados, tudo o que o homem recebe é a retribuição por seus próprios erros, sofre as consequências do erro e do estado pecaminoso. Mas nenhum homem, nem nesta vida e nem na posterior, pode pagar (expiar) ou paga pecados, ou nos rendemos e aceitamos o perdão de Deus e a remissão em Cristo ou arcaremos com as consequências da desobediência.
  1. “se Ele expiou todos os nossos pecados e propiciou todos os nossos pecados, então todos seriam salvos”.
As promessas são para aqueles que creem, recebemos os benefícios, os méritos de Cristo pela fé. “Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” Gl 3.6 “Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” Rm 4.3”E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.”Tg 2.23
Recebemos a reconciliação quando cremos e só a partir de então ela se torna efetiva individualmente. Jesus Cristo foi sacrificado como uma oferta atemporal e é isto que confunde os deterministas, a atemporalidade da expiação. O fato de Cristo saber todas as coisas, referente àqueles que crerão, não é a causa necessária delas.
Analisando a posição contrária, isto é, por que Deus salva incondicionalmente apenas alguns pré-escolhidos e não a todos? Em “Eleitos de Deus” o calvinista Sproul admite não ter resposta para a pergunta “porque Deus, se a graça é irresistível, não salva a todos?”, vejamos o que ele diz:
“Por que Deus somente salva alguns? Se nós admitimos que Deus pode salvar os homens violentando suas vontades, por que então Ele não violenta a vontade de todos e traz todos a salvação? (Estou usando aqui a palavra violentar não porque eu realmente pense que exista uma violentação errada, mas porque os não calvinistas insistem no termo.) A única resposta que eu posso dar a esta pergunta é que eu não sei. Não tenho idéia por que Deus salva alguns e não todos.
Não duvido por um momento que Deus tenha o poder de salvar todos, mas eu sei que Ele não escolhe salvar todos. Realmente não sei por quê. [9]
É muito claro o fato de que a própria indagação constitui um argumento contrário aos calvinistas, porque a doutrina da expiação limita desfigura o caráter santo, justo e amoroso de Deus, deste modo é melhor abraçar o mistério ou ainda ser sincero como foi R. C. Sproul neste ponto. Por outro lado a teologia arminiana oferece respostas a quase todas as questões cruciais da fé Cristã, até pela sua longa trajetória de grandes nomes defendendo as doutrinas da graça (livre). Os objetores calvinistas esperam que os seus adeptos aceitem irracionalidades sem questionamentos ou mesmo que aceitem impossibilidades lógicas.
  1. “Nunca houve a menor possibilidade de que Cristo pudesse ter morrido em vão.”
Pense conosco: Se qualquer homem, ser racional e finito, pudesse ter por um momento um conhecimento exaustivo (presciente) sobre dado assunto ou questão, como por exemplo, antevisse todos os resultados de todos os jogos do campeonato brasileiro de clubes de futebol deste ano. Seria possível tal homem errar um resultado sobre o campeonato ou apostar errado na loteria esportiva, a menos que quisesse?
Então como Deus, conhecendo tudo e todas as coisas exaustivamente pode perder de algum modo? (Entretanto Deus não faz apostas, é somente para fins de comparação). Como pode ter sua vontade ou desejo frustrado? Como, de algum modo, pode ser contrariado em seu prévio conhecimento? Não há como.
Jesus sabia exatamente por quem e por quantos (aspecto efetivo da expiação) estava morrendo por conhecer de antemão todas as coisas, mas o conhecimento prévio não é a causa motora ou necessária dos acontecimentos, o que demonstraremos no próximo item,
  1. “.., Cristo que tentou salvar a todos, mas na realidade não salvou ninguém”.
Este argumento sugere que “efetivamente”, dado o aspecto provisional da expiação, Cristo não salvou a ninguém em particular, nem garantiu salvação a ninguém.
Mais uma vez podemos perceber que o aspecto atemporal da expiação não é compreendido pelo calvinista. Consideremos assim, se a história da humanidade tivesse sido concluída pouco após a ascensão de Cristo aos céus, isto é, por exemplo, como os tessalonicenses acreditavam que a volta seria muito breve, e logo tivéssemos a ressurreição e o juízo, deste modo todos os Apóstolos e crentes da época seriam os efetivamente salvos. Voltando um pouco mais ainda, se o mundo acabasse no dia da ressurreição, todos os que creram nas promessas (os profetas, os patriarcas e todos os que foram fies a Deus antes de Cristo) foram efetivamente salvos em sua morte e ressurreição. Assim o argumento do teólogo calvinista cai por terra, porque o sacrifício de Cristo foi efetivo para aqueles que creram nas promessas, para os que creram em Cristo naquela época e para todos os que crerão.
O que devemos fazer é dar uma aplicação atemporal do sacrifício, assim como aplicamos àqueles que foram antes de Cristo, morreram crendo nas promessas, foram efetivamente salvos na cruz, os que crerão depois (e Deus já os conhece) também o foram (de certo modo), naquele dia.
OBJEÇÃO 5: Impossibilidade de harmonizar presciência de liberdade de escolha.
Lutero, no início de suas descobertas teológicas, objetou a Erasmo de Roterdão quanto o livre-arbítrio e questionou o conceito de presciência, conforme abaixo segue:
“Porém, quando Deus prevê alguma coisa, ela acontece porque Ele assim previra. Se você não aceita isso, mina todas as ameaças e promessas de Deus. Você nega o próprio Deus. […]se tentarmos provar tanto a presciência de Deus como o livre-arbítrio humano, ao mesmo tempo, teremos problemas – é como tentar demonstrar que certo algarismo é, ao mesmo tempo, um nove e um dez.” [10]
O que Erasmo havia dito? Vejamos:
“(os patrísticos) Eles explicam satisfatoriamente a dificuldade referente à presciência dizendo que ela não impõe uma necessidade à nossa vontade – mas, ao meu ver, ninguém faz isso melhor do que Laurêncio Valla. Com efeito, a presciência não é a causa das coisas que acontecem, pois sucede que temos presciência de muitas coisas que não acontecem porque as conhecemos previamente, mas, muito antes, nós as conhecemos previamente por estarem para acontecer. Assim sendo, o eclipse solar não acontece porque os astrólogos predizem a sua ocorrência, mas eles predizem a sua ocorrência porque ele certamente aconteceria. Em contra partida, a questão da vontade e da determinação de Deus é mais difícil.” [11]
Fazendo como Erasmo, digo que a melhor (mais clara) explicação que encontrei foi a do Dr. R. Picirilli, que abaixo segue:
“Primeiramente, devemos distinguir entre certeza, contingência e necessidade. A “necessidade” precisa ser como é por razões de causa e efeito. A “contingência” realmente pode ser tanto de uma maneira como de outra (ou múltiplas). Não é obrigatório ser como é, mesmo que seja assim. Qualquer decisão livre encontra-se nesta categoria. A “certeza”, no entanto, é o que foi ou é ou será: isto é, um simples fato.
Nota: todos os acontecimentos são certezas (fatos). Alguns acontecimentos são tanto certezas quanto necessidades: as leis da física, por exemplo. Por outro lado, alguns acontecimentos são tanto certezas quanto contingências: se os Flames[time universitário de futebol americano] perderem seu próximo jogo, é certo que perderão (mas somente se perderem), mas o fato de ganharem ou perderem é contingente, dependendo de como eles e a outra equipe jogarem, como o jogo for apitado, etc. No entanto, nenhum acontecimento é contingente e necessário ao mesmo tempo. Todos nós cremos que realmente existem decisões que são contingentes. Podemos realmente escolher fazer de uma maneira ou de outra em muitos tipos diferentes de situações, sejam bobas ou importantes, morais ou não morais. Apesar de Deus saber qual será nossa decisão, seu conhecimento não causa a escolha. Ele conhece as escolhas que faremos somente se realmente fizermos estas escolhas. Ele pode conhecer algo de antemão sem fechar a porta a outras possibilidades.
A comparação do conhecimento de Deus à nossa pode ajudar. Apesar de não podermos conhecer o futuro, podemos conhecer o passado. Por exemplo, eu sei qual foi o terno que vesti hoje pela manhã. Era obrigatório que eu usasse aquele terno? Poderia ter escolhido outro? Claro. É certeza que escolhi este terno? Sim. Ninguém diria que como eu sei que é certo que estou vestindo este terno eu não poderia ter usado outro senão eu estaria enganado! Se eu tivesse vestido outro terno, saberia agora que certamente vesti o outro.
Da mesma forma, o conhecimento de Deus de um acontecimento futuro não é a causa do fato e nem significa que o fato necessariamente tem que ser como será. Ele sabe que os Estados Unidos irão à guerra contra o Iraque somente se, de fato, isto for acontecer. Quando contingências estão envolvidas, decisões livres serão tomadas pelas pessoas quando vier o momento. O conhecimento de antemão de Deus não as causa nem elimina outras possibilidades da mesma forma que o meu conhecimento do passado não causou o acontecimento e nem limitou suas possibilidades. Ele conhece qual a escolha que farei somente se eu fizer a escolha.” [12]
Conforme a exposição acima, a questão que nos resta, e que como já explicamos, é a questão da atemporalidade de Deus e de seu sacrifício, isto é, enquanto ação e propósito. Embora Deus saiba quem são os que serão redimidos e ainda todos os nossos atos, o prévio conhecimento não é a causa dos eventos, mas os eventos ocorrem como previamente conhecidos.

OBJEÇÃO 6: Como pode ser o homem livre se Deus conhece exaustivamente o seu futuro?

O homem é livre em seu cotidiano para agir e escolher conforme a sua necessidade, como bem explicou o Dr. Picirilli, a presciência não é a causa do fato, senão, inevitavelmente todos os atos de pecado seriam atribuídos a Deus, o que deve ser sempre rejeitado.
De regra as falsas teologias confundem certeza com necessidade. Do ponto de vista de Deus todos os fatos são certos, isto é, ocorrem com certeza, mas não necessários, por exemplo as nossas escolhas diárias, tratam-se de atos contingenciais, podem ser efetuados de um modo ou doutro. Deus sabe, desde antes da fundação do mundo, desde a propositura do sacrifício de Jesus nos tempos eternos, quem e quantos seriam remidos por este sacrifício (Jo 17. 24; Ef 1.4; 1 Pe 1.20), mas as escolhas temporais dos homens foram efetuadas por eles mesmos. Cada um dará conta de si mesmo. Rm 14.12.
Espero ter ajudado a esclarecer os pontos e os erros da heresia determinista, demonstrando que uma pergunta mal formulada ou ainda palavras utilizados sem o correto significado não podem resultar em respostas satisfatórias, entretanto, pondo cada assunto em seu devido lugar, de acordo com a sua importância e ordem temática, é possível explicar e responder à todas as objeções contra a sã doutrina ou contra as doutrinas da Graça. [13]
[1] OLSON, Roger. Teologia Arminiana – Mitos e Realidade. Tradução: Welligton Carvalho Mariano. São Paulo: Editora Reflexão, 2013. p. 214.
[2] OWEN, Jonh. Por quem Cristo morreu?. Tradução: Sylvia E. de Oliveira. 3ª Ed. São Paulo: Editora PES, 2011. p. 23-24.
[3] PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas Bíblicas. Tradução: Lawrence Olson. São Paulo: Editora Vida, 2009. p. 140.
[4] PACKER, J. I. O Antigo Evangelho. Tradução: João Bentes. São José dos Campos-SP: Editora Fiel, 2013. p. 12.
[5] ANGLADA, Paulo. As Antigas Doutrinas da Graça. Ananindeua-PA: Knox Publicações, 2009. p. 18.
[6] STOTT, Jonh. A Cruz de Cristo. Tradução: João Batista. São Paulo: Editora Vida, 2006. p. 280.
[7] MYATT, Alan.; FERREIRA, Franklin. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Vida Nova, 2002. p. 193.
[8] SPROUL, R. C. Eleitos de Deus. Tradução: Gilberto Carvalho Cury. São Paulo: Cultura Cristã, 2002. pp. 193-194.
[9] Ibid. p. 26.
[10] LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. Tradução: Tiago J. Santos Filho. São José dos Campos – SP: Editora Fiel, 2014. pp. 77-78.
[11] ERASMO, de Roterdã. Livre-arbítrio e Salvação.Tradução: Nélio Schneider. São Paulo: Editora Reflexão. 2014. p. 108.
[12] PICIRILLI, Robert. Palestras Leroy Forlines no Free Will Baptist Bible College, 19-22 de novembro de 2002. Disponível em : <www.globaltrainingresources.net/zip.php?id=44 /> Acesso 02/05/2013.
[13] Todas as citações bíblicas utilizadas são da versão J. F.A Corrigida e Revisada Fiel.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A MORAL NÃO É A ÉTICA DOS EVANGELHOS

O Gênesis do ministério de Jesus é tomar as “talhas que os judeus usavam para as purificações” e enchê-las de vinho!

E mais: é inegável que Jesus estivesse também dizendo que Nele, Deus estava casando agora apenas com quem queria talhas religiosas com vinho novo, na pior das hipóteses; ; e, na melhor delas, o que se deveria fazer, era deixar de lado o vinho velho e seu odre roto e pingantemente misturado ao próprio vinho, pois, nesse estágio, já não se sabe mais o que é odre e nem tampouco o que é vinho! O que se deve fazer é começar outra vez à partir de contêineres que se deixem curtir no vinho novo, que de acordo com o apóstolo João, não é novo, mas aquele que desde o princípio tivemos!

Sim, para Ele, aquele odre-vinho-vinho-odre—o da religião das talhas de pedra usadas para as purificações—era já um vinagre, que servia apenas para ser bebido por aqueles que de tão acostumados que estão aos gostos ruins, já não sabem a diferença entre o gosto-gostoso e o gosto-viciado. É para o de-Lei-te de seus viciados consumidores que o vinho-odre-odre-vinho serve ainda como diversão, sendo que o juízo ao próximo é o espetáculo!

Os discípulos de Jesus, todavia, não devem perder tempo com essas questões, e, por isto, precisam partir resolutamente para buscar odres mais adequados à sempre auto-renovação desse Vinho Novo. Afinal, ninguém que tenha se viciado no vinagre dirá que o vinho novo é excelente.

Ora, a Teologia Moral de Causa e Efeito é a fabrica de Odres com Grife e também a marmorearia onde são esculpidas as talhas de pedra usadas para as purificações!

O problema é que em Jesus não dá para se fazer mais nenhum tipo de aproveitamento dessa Industria Religiosa e de suas Grifes e Selos Autorizadas. E a razão é simples: ela está para o Evangelho de Jesus assim como um perverso e desumano traficante de cocaína e heroína está para o bom samaritano—digo: mal comparando, e, apenas, no plano das relatividades humanas, pois, espiritualmente, o meu exemplo é muito menos grave que o contraste espiritual que tento expressar!
 

Dali, infelizmente, nada se aproveitava, pois eles pensavam que fora dali nada mais tinha valor.

A prova dessa impossibilidade de reutilização daquele sistema de pensamento e suas construções, alcança seu ápice quando Jesus diz que aquele Templo seria derrubado e que dele não ficaria pedra sobre pedra.

No entanto, para que não sejamos exaustivos demais na demonstração, quero apenas que você compare os valores anti-téticos dos ensinos de Jesus em relação aos da Teologia Moral de Causa e Efeito, vigentíssima em Seus dias, e, infelizmente, no nosso tempo também!
 

E para isto, não precisamos ir além do Sermão do Monte, ou do Abismo, como eu explico que ele pode se tornar em O Enigma da Graça!
 

A Teologia Moral de Causa e Efeito não pode praticar o sermão do monte porque ele inverte complemente os princípios de causalidades por ela ensinados. Jesus subverte radical e rupturalmente, de uma vez e para sempre, com essa lógica predatória.

Para Jesus os heróis da Graça eram os anti-heróis da religiosidade que o circundava e dos valores por ela ensinados.

Para a Teologia Moral de Causa e Efeito, TMCE— como daqui para frente chamaremos esse derivado natural da Teologia da Terra, filha religiosa do Sacrifício Competitivo de Caim —, o humilde de espírito era o lixo da espiritualidade; os que choravam eram vistos como culpados-infelizes; os mansos eram percebidos como desinteressados pelo zelo que disputava o espaço no chão da Terra; os que tem fome e sede de justiça eram interpretados como seres equivocados em suas ignorâncias radicais, pois, a única justiça que os mestres da TMCE conheciam era aquela que eles mesmos decidiam.

Já os misericordiosos eram os que tinham algo a esconder, daí se protegerem sendo bons com o próximo; os limpos de coração eram eles mesmos— os membros daquela confraria de amigos de Jó, é claro! afinal, não enxergavam seus próprios corações, pois só viam para fora de si mesmos, e, também, não esqueçamos: lavavam as mãos antes de comer!
 
Os pacificadores eram, em geral, considerados amigos de hereges; os perseguidos por causa da justiça, eram comum-mente aqueles acerca de quem eles patrocinavam o cartaz Wanted Dead or Alive! De preferência, bem dead !

E os injuriados e perseguidos figuravam, sobretudo, como foi no caso dos profetas, em sua lista de Most Wanted ! Esses, afinal, os Profetas, eram sempre a sua pior desGraça, eram os mais terríveis subversivos!

O seu “sal” não era para a Terra, era apenas uma produção egoísta e independente fadada a se petrificar em seus sa-Lei-ros inúteis. Afinal, não se viam no papel de dar gosto à vida, mas, ao contrário, o de roubar-lhe todo o sabor!

Luz do Mundo? Como? Eles não reconheciam nenhum outro mundo que não fosse o deles!

Quanto a Jesus ter vindo para cumprir a Lei, eles se perguntavam: Que Lei? Afinal, Jesus era o des-cumprimento de suas “Leis” a fim de poder ser o único cumpridor da Lei da Graça em nosso lugar, para, então, dizer: “Está Consumado”.

Até mesmo o des-cumprimento da Lei pelos homens—todo aquele que...—, Jesus trata com relatividade quanto a seus efeitos. Ensina-la erradamente, faz alguém ser pequeno; ensina-la corretamente e vive-la, torna alguém grande no reino dos céus. Assim Ele está dizendo que não se deveria jamais ensina-la de modo adaptado e nem tampouco cumpri-la de modo farisaico ou religioso, pois, para Ele, a justiça excede as exterioridades na direção de dentro, pois, nasce no coração.

O que segue é uma des-construção total de todas as “interpretações” da Lei, especialmente as explicitamente defendidas pelos discípulos da teologia dos amigos de Jó, os escribas e fariseus dos dias de Jesus e seus confrades em nossos dias!

“Não matarás”—era o que estava escrito. Homicídio, todavia, é algo que sempre começa, lentamente, nos ambientes de causa e efeito das normas adoecidas do coração, e tem uma progressão que vai da ira sem motivo às tentativas de des-construir o ser do próximo. Por isto, Ele ensina que todo homicida existencial precisar se livrar dos desejos de morte durante o caminho, do contrário, duas coisas lhe acontecerão: ele nunca mais terá nenhuma razão para falar com Deus ou tentar cultua-Lo e, também, esse homem se tornará vítima de seu próprio ódio e se alimentará de suas próprias carnes, por muito tempo—pelo menos enquanto o tempo for tempo!
O adultério, para Ele, acontecia na cama—ou em qualquer outro lugar—apenas depois de ter sido praticado muito tempo antes no coração.
Portanto, os maiores adúlteros podem nunca ter praticado um ato sequer de adultério. É quando o fazer é um detalhe se comparado ao permanente estado de ser dos que nunca cometeram historicamente o delito, mas que vivem em permanente estado de imersão interior nos abismos e dinâmicas permanentes do adultério fantasioso.

O interessante é que entre o tema do Adultério e o do Divórcio, Jesus introduz a questão das perdas circunstanciais ou até mesmo de natureza disciplinar-existencial, que eram nada se comparadas aos ganhos que certos “cortes e amputações” produzem para o bem do ser.

E Sua preocupação maior quando fala do divórcio, não é com o divórcio-em-si, mas com suas vítimas. Naquele caso, era sempre a mulher.
E por quê? Porque naqueles dias ela era o objeto descartável em questão, fruto da dureza de coração de todos nós e todas as sociedades. Ele trabalha contra expor alguém a tornar-se “algo” apenas porque “sem motivo” sua pessoa foi descartada. A denuncia, portanto, recai sobre aquele que “expõe” o outro a ser aquilo que este não deseja ser. E depois, o descartador, ainda faz pior: estigmatiza o “outro” pelo que ele mesmo decidiu: des-carta-lo! Assim, Jesus se insurge contra a estigmatização das desgraças causadas pela infelicidade humana. O que era uma total violação dos ensinos da TMCE!

Juramentos e promessas são por Ele totalmente rejeitados. Primeiro porque ninguém pode bancar nada em espaço ou dimensão alguma da vida.
Depois, porque a única dimensão que vale diante de Deus é a do Hoje.
Portanto, o que Ele espera é que as respostas do ser não sejam piedosas, necessariamente, mas, ao contrário, realidades verdadeiras, como “sim, significando sim” e “não, equivalendo a não”. Para Ele o “maligno” morava na fantasia que falsificava a realidade.

“Olho por olho, dente por dente”—era e ainda é a Lei áurea da TMCE.

Jesus, porém, a relativiza para sempre, mostrando sua des-construção como negação de seus princípios de causa e efeito. Afinal, o que Ele recomenda é o oposto daquilo quem em qualquer Moral social, é chamado de Direito. Ser Seu discípulo não implica em que se obedeça tais Leis de causa e efeito, podemos apanhar, ser obrigados, ser até mesmo altruisticamente abusados. Estamos livres para tal. Ou seja: Jesus recomenda que não obedeçamos as Leis de causa e efeito a fim de podermos ser Seus discípulos. E isto inclui os inimigos, que são os que mais poder tem de nos desviar do curso da Graça e nos fazer cair nas guerras patrocinadas pela TMCE. O que eles esperam é uma reação de causa e efeito. O que Jesus propõe é um efeito (misericórdia) sem causa equivalente!

E, assim, Jesus prossegue des-construindo a Teologia Moral de Causa e Efeito.

“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto ao vosso Pai que está nos céus”.

Ora, esta declaração de Jesus nos des-monta de tudo o que a TMCE ensina como verdade, justiça e piedade.

“Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”—é o golpe de misericórdia que Ele dá na estrutura de pensamento desse engano humano.

E pior: as causas de vida e morte na Terra são aquelas cujos efeitos são invertidos nos céus. O dinheiro incluído no pacote das inversões de valores.

E avisa sobre a não causalidade entre o comportamento e a verdade do ser, pois, a “luz que há em ti”, segundo Ele, podem se tornar nossas trevas.

Então, Jesus dá um Xeque-mate! Tem-se que fazer uma opção sobre quem é o nosso Senhor. E, sendo Ele o Senhor, o que sobra é “aborrecer-se” e “desprezar” o antigo senhor, e que agora tem que ser coisa de nosso perdoado passado.

Quando Ele fala das ansiedades da vida e nos recomenda descansar na Graça Providencial de Deus, o que Ele também está fazendo é afirmar que as “Leis de causa e efeito” estão relativizados pela Graça da Providência.

O grito que se faz ouvir em objeção ao juízo contra o próximo, é curto e decisivo. Juízo tem, quem se enxerga. Juízo tem, quem não julga. E juízo tem, quem sabe que por melhor que se veja a si mesmo, jamais se verá completamente. Por isto, é melhor não julgar a alma do próximo nunca. E a razão é simples: as medidas de nosso próprio juízo estão estabelecidas pelos nossos próprios critérios no julgamento que exercemos contra o próximo!

E mais: Ele recomenda que não se use nunca as pérolas da verdade de nosso ser para alimentar quem só gosta de babugem e depois se volta contra nós. A percepção da verdade não a banaliza e nem se faz suicida por ela!

Ao recomendar a oração, Jesus estabelece a quebra dos princípios de causa e efeito. A oração é a devoção que em si quebra as Leis do carma. A oração anula a Teologia Moral de Causa e Efeito, pois, dela, até o pecador sai justificado.

Neste ponto Ele diz que a Lei e os Profetas não eram inimigos entre si. Ao contrário, os Profetas haviam sido os melhores interpretes da Lei. Ou seja: antes do Verbo haver se encarnado, foi nos Profetas que a Lei encontrou sua interpretação e seu melhor cumprimento existencial.

Jesus, porém, nos diz:

“Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas”.

O “resumo” que Jesus faz de todo o seu ensino é horroroso para o coração honesto. Primeiro, porque ninguém, de fato, indo dos abismos da alma à prática cotidiana, consegue encarnar o tempo todo essa verdade.
Ao contrário: nós vivemos a maior parte do tempo de modo oposto, pois, uma das coisas que a Queda gerou em nós foi um terrível poder de auto-engano e auto-anestesiamento.

A segunda razão pela qual o “resumo” de Jesus é contra nós tem a ver com sua propositividade. Jesus propõe que tomemos a iniciativa sempre— sem amargura, sem troca e sem negociação—e tratemos o próximo, seja ele quem for, do modo como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar dele. E aqui não importa em que lugar o outro está, pois, há única pergunta a fazer é: “E se eu estivesse nesta situação, como gostaria de ser tratado?” Ou ainda uma única confissão de fé a ser declarada sempre: “Sistematicamente farei pelos outros aquilo que desejo que os outros façam também por mim o tempo todo”.

Sem falar que quando alguém não se trata bem costuma piorar no tratamento com o próximo. Aqui todos nós temos que humildemente assumir nosso déficit de bondade e nossa profunda capacidade de nos anestesiarmos na vida. A prova disto é que o mundo é como é—e, pior ainda: a “igreja” é como é!
 

Então, Ele entra no Caminho Estreito e adverte contra o Caminho Largo. Ora, como nos enganamos! Pensamos sempre que o Caminho Estreito é o dos Fariseus e que o Caminho Largo e o dos Publicanos e Pecadores. O Caminho Estreito conduz a Vida, Ele diz.

Então, é fácil saber do que é que Ele está falando. Jesus só recomenda como Caminho aquilo Ele viveu, e como amigos de caminhada, gente como aquela com a qual Ele conviveu.

Como podemos então pensar de modo inverso?

É que somos discípulos da TMCE e não o sabemos. O Caminho Estreito, na Terra, para Jesus, era justamente aquilo que os fariseus chamavam de Caminho Largo. E o que Jesus chamava de Caminho Largo era aquilo que os fariseus chamavam de Caminho Estreito.

O Caminho é Jesus, e o jeito de ser, é também o Dele!
 

Chega então a vez dos “falsos profetas que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”. E que ironia. Jesus diz que se deve observar causa e feito apenas nas produções do ser.
Isto porque, na utilização do Nome de Jesus com fins lucrativos e roubadores— ou mesmo pela simples e mera auto-sedução narcisista que o poder de encantar e seduzir com o sobrenatural faz nascer como doença em muitos— não há uma relação de causa e efeito entre o ser-devorador (os lobos) e os milagres que acontecem do lado de fora quando o lobo fala usando o nome de Jesus.

Não há nada no mundo espiritual que negue mais as relações de causa e efeito que essa inversão. A Graça de Deus é livre para des-conhecer o suposto “cordeiro-lobista” e levar a Graça do Cordeiro a quem quiser e como bem desejar.

Todavia, que ninguém faça disso a evidência de sua salvação. A salvação é conhecer e ser conhecidos por Deus, em Jesus. E mais: é produzir o fruto que dessa verdade de ser nasce agora naturalmente de modo sobrenatural.

A conclusão Dele nos põe diante da necessidade de escolhermos de duas alternativas, Um Fundamento para a nossa vida. Ou o alicerce de Rocha ou o alicerce das regiões arenosas. A emoção cristã, em geral, quando lê isto aqui é também pervertida. Pensamos na Rocha com categorias farisaicas, com suas manifestações de rigidez, e, sobretudo, de imutabilidade-morta, sem vida e, portanto, estática!
 

Assim, lemos a des-construção da Teologia Moral de Causa e Efeito feita por Jesus, no Sermão do Monte para, então, no final, voltarmos às emoções patrocinadas pelas Tábuas da Lei de Pedra.

Então, transformamos o Sermão do Monte em Lei, e, por essa razão, ele, no mesmo instante, se torna o Sermão do Abismo, pois, como Lei ele apenas nos enferma ainda mais profundamente por dentro, mas não nos resolve como pessoas, nem dentro e nem fora—pois em ambas as “locações” o Sermão do Monte se mostra inviável: dentro, porque sabemos o quão anti-natural ele é para a nossa própria natureza atual, caída; e fora, porque nossas existências, desde o intimo até ao comportamento, inviabilizam sua pratica, isto se não estivermos falando de amestramento na conduta, mas da honestidade de quem quer ser conforme sabe que deveria ser, e não é!

E a maioria de nós existe nesse limbo entre o véu e a revelação, entre as Pedras das Leis e a Graça de Pedra. Mas poucos sabem da Graça da Rocha e da Rocha da Graça.
 

E por quê?
 

Porque nós não cremos, de fato, que Jesus é a Pedra Angular—não o Jesus de nossas invenções, mas o do Evangelho—e nem tampouco cremos que é em Sua Graça que temos a Rocha da Nossa Salvação!

A Rocha é essa Palavra da Graça, que quebra os carmas, destroi os destinos, arrasa as certezas, desmonta os esquemas, a fim de que aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. De outra sorte, onde estaria nossa confiança? Na fé no Deus de toda Graça ou na nossa capacidade de sermos o alicerce de nós mesmos?
 

A Graça é onde o poder se aperfeiçoa na fraqueza, daí ser o estarmos fundados nessa Rocha o que nos faz, mesmo em fraqueza, vencermos as ondas, os ventos e os açoites das tempestades , e, não tendo do que gloriar, pomo-nos em pé e dizemos:

Jesus, obrigado por teres feito o Caminho Largo o Suficiente para eu passar! E obrigado, porque na minha fraqueza teu poder se aperfeiçoou e, assim, tendo provado de todos os tempos, épocas e estações da vida, aqui estou para dizer, mais uma vez: ‘Para quem irei? Só Tu tens as Palavras da Vida Eterna!
 

A Rocha é a Graça e a Graça é a Rocha. E a Palavra é a Vida que se vive buscando em fé alcançar e conquistar aquilo que já nos alcançou, embora nós ainda não a tenhamos plenamente conquistado!

E quem é Esse que deve ser Aquele que é o nosso Caminho? E que Caminho é esse? e que Rocha é essa?
 

Jesus é Caminho, Sua Palavra-Encarnada é a Rocha, e Sua Graça é a Lei do caminhar!
 

Jesus é aquele que quando se vê no Pai recebendo um filho—qualquer filho—de volta, de antemão avisa: “Não esperem de mim nada menos que uma festa regada ao melhor vinho, pois os pecados já foram lavados com o melhor Sangue!”.

Nesse Caminho com Ele, que é um tabernáculo em movimento, tem de tudo: demônios de todos os tipos, tempestades, perplexidades, interesses escusos, certezas satânicas, exageros desnecessários, zelos homicidas, familiares em pânico, medo de trair, frágeis certezas de jamais trair, traição explicita e implícita, negação e morte !

Mas, para além disso tudo, vê-se que no Caminho com Ele, os ventos cessam, as ondas se abrandam, as Leis fixas do universo são relativizadas, os demônios sabem quem Ele é e quem somos Nele; e, assustados reconhecemos Quem Ele É!
 

Nesse Caminho as maiores demonstrações de fé vêm de fora da religião, e, também ouve-se a ameaça freqüente que Ele faz para que não se julgue segundo a aparência, mas conforme a reta justiça, pois, não raramente, o que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus. Por essa razão, tanto “malandros arrependidos” quanto “réus confessos” podem encontrar seu repouso.

E, para além de tudo isto, a gente vê a morte sendo morta definitivamente na Ressurreição. Todavia, nele também se aprende que se o Verbo entrou no mundo pelas entranhas de uma virgem, Ele, no entanto, saiu da morte ante o olhar de uma mulher, ex-possessa-prostituta!

Assim, a Encarnação des-instala a Moral e a Ressurreição põe o ser-moral no papel de ouvinte provocado, pois, tem que crer no testemunho da Graça nos lábios de quem não gostaria que tivesse sido escolhida, se acontecesse no dia de Hoje—não para dar testemunho do fato da Ressurreição!

Do ponto de vista de uma moral-marketeira-publicitária Madalena seria uma testemunha que não seria selecionada, afinal, ela não tinha nenhuma credibilidade.

Nesse Caminho ninguém é perfeito, mas é da boca de crianças de peito e de pecadores quebrantados onde Ele enxerga louvor.

Sim, nesse Caminho você aprende o que é não estar nem varrido nem ornamentado, porém, sabendo que se a festa já começa com o melhor vinho, que esperar então? Algo menos que a Ressurreição?
 

Nesse Caminho a gente aprende que Ele nos conhece pelo nome, mesmo no dia seguinte àquele no qual o tenhamos negado—então, choramos amarga e docemente!

A Graça é a Lei do Caminho!

E, logo se percebe, porque Ele mostra, que o Caminho é Ele mesmo, é ser dele e ser conhecido por Ele, e que isto nos tira todo medo, e nos conduz à Verdade, e que é somente nela que se pode experimentar a Vida.

Então você olha e o vê em você!

Você já não vive?
 

Não! Ele vive em você!
 

E quem tentará tomar para si esse ser-tabernaculo que se move pelo e no Caminho?
 

Quem?

Não esqueça, o Mais Valente, é o que faz Mais Valer!
 

No Caminho, Ele nos garante sempre! Pois é também apenas no Caminho que somos salvos de nos tornarmos parte de uma geração perversa e que espreita como ave de rapina a alma de seu próximo!
 

No Caminho, “o diabo”, está amarrado e suas possessões na casa do coração são saqueadas pelo Mais Valente! E “ele” está “amarrado” porque o “escrito de dívidas que havia contra nós e que constava de ordenanças” foi irreversivelmente “rasgado e encravado na Cruz”.
 

Nós, por isto, estamos para sempre livres!
 

E quando se fala assim, se diz que a salvação humana só acontece num embate de Deus contra Deus, onde o próprio Deus seja o Réu-Justo, sendo julgado pelo Justo-Juiz, o qual, sendo também o Advogado do réu-réu— o homem—, possa oferecer o Réu-Justo como substituto em lugar do réu-réu. Assim é que o Réu-Justo—aquele que recebe o castigo da mais absoluta justiça divina contra o réu-réu—pode ser, Ele mesmo, também, o Advogado do réu-réu.
 

E, em toda a História só há um lugar onde Deus enfrenta Deus, num combate onde Deus ganha e Deus perde; onde o réu é condenado e absolvido; onde Aquele que é o Justo é feito o Injusto; o que não teve pecado, é feito pecado em favor do homem e de Deus!

Somente na Cruz de Cristo Deus-enfrenta-Deus, e Deus se aniquila e se supera a um só tempo . Na Cruz, Deus vence a Si mesmo e Sua Misericórdia prevalece sobre o Seu próprio juízo; sendo Suas palavras finais a respeito desse Combate, as seguintes: “Está consumado!”

Ou seja: “Esta luta acabou”. Mas para os “amigos de Jó” a luta continua e a alma tem que sofrer todos os dias a dor de acusações que só a tornam menos alma e mais feia!
 

Nós, todavia, não negociaremos, nem por um momento, a libertação que o Evangelho de Cristo nós trouxe de uma vez e para sempre da Teologia Moral de Causa e Efeito!
 

Foi para esses—os discípulos da TMCE—a quem Paulo disse: “Quanto ao mais, ninguém me moleste, pois eu trago no corpo as marcas de Jesus”.
“Sem fé é impossível agradar a Deus”. E sem Deus-contra-Deus é impossível haver uma fé que justifique o homem diante de Deus e que traga a justiça de Deus para a consciência humana. E essa certeza não vem com explicações racionais. Ela é filha de uma inerente e incompartilhável certeza de harmonia com Deus, mesmo no caos! E é filha da presença da Cruz sobre nós!

Aos amigos de Jó, o Evangelho diz que o Senhor Jesus contou uma parábola:
 

Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros:

Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicando.

O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, Graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.
 

O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!

Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
 
?

Somente “os amigos de Jó” podem ler o Evangelho de Jesus e continuar pensando como os fariseus. A Ética do Amor—que é a única ética do Evangelho— nega todos os pressupostos da Teologia Moral de Causa e Efeito.

A Graça inverte os pólos da Ética, que, em Cristo, se vincula não à Moral, mas à obediência amorosa a Deus; e se expressa como resposta da consciência do amor à inconsciência do próximo, mesmo que seja o inimigo!

E só assim se pode estar livre para agir desse modo, porque quem vive na Graça também já não tem mais nada a provar. Afinal, ou é ou não é! e também não depende nem de quem quer nem de quem corre, mas de usar Deus de misericórdia para com esse ser humano! para conosco! os que nos entregarmos em fé!
 

Conforme o apostolo João, a si mesmo se purifica, no amor, todo aquele que tem em Jesus sua esperança. Dessa forma, o Evangelho insiste em que se ande no Caminho da Vida, cuja Porta é Estreita—embora esteja aberta a todos—e que nos põe sobe a Lei do Amor.

Sim! o Evangelho insiste em que a Lei do Amor é o melhor de todos os fundamentos para a vida!

E isto, para agora usarmos outra imagem, nos faz ramos da Videira Verdadeira, tornando-nos, assim, pela prática da palavra-amor, Seus ramos-discípulos.

E dessa Videira são cortados apenas os ramos que se auto-excluem pela presunção de pensarem que o ramos pode dar fruto de si mesmo.

À esses, a Videira diz: “Sem mim nada podeis fazer!!!”

Assim, somos chamados a mamar o amor de Deus e a crescermos Nele na frutificação do amor e da misericórdia praticada uns aos outros.
Isto fará com que o mundo nos odeie!

Afinal, o mundo, incluindo sobretudo a moral religiosa, é feito de todos os ramos que auto-engaram-se crendo que o ramo pode produzir fruto de si mesmo!

O mundo são todos os ramos que não vivem da seiva da Videira, por isto secam e são lançados ao fogo.

Todo aquele que não depende da seiva da Graça que da Videira Verdadeira procede—não importa quem ele seja—, jamais produzira o fruto que permanece, pois, este, é o fruto do amor e da vida que brota do casamento do ramos com a Videira-Jesus!
 

Esses não são nunca amigos de Jó, pois, na Graça, foram feitos amigos de Jesus, pois, à esses, Ele disse tudo o que tinha ouvido de Seu Pai-Agricultor:
 

“Quem me ama, guarda os meus mandamentos; assim como eu amo o Pai e guardo os Seus mandamentos. E os mandamentos, são um: que vos amais uns aos outros, assim como eu vos amei.”



Caio

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Max Gehringer dá dicas de carreira usando a Bíblia

por Jarbas Aragão
O consultor Max Gehringer tornou-se conhecido por suas colunas em várias revistas, programas na rádio CBN1 e aparições em programas de TV.
Graduado em Administração de Empresas, já foi diretor de grandes empresas, mas abriu mão de tudo para dedicar seu tempo a escrever e a fazer palestras pelo Brasil.
Autor de vários livros sobre o mundo dos negócios, está lançando agora “Todas as Respostas”. São respostas a 366 dúvidas sobre carreiras (uma para cada dia do ano). O diferencial é que o material é todo baseado na Bíblia.
Segundo o autor, a Bíblia tem respostas para os questionamentos modernos. “Há coisas que parecem atuais, mas há 2.000 anos já existiam. Na Babilônia, o pessoal reclamava de congestionamentos de trânsito de carroças na rua, que não deixavam as pessoas se movimentarem livremente.”
Gehringer acredita que a Bíblia traz os ensinamentos sobre problemas vividos dia a dia no trabalho. A ideia para o livro surgiu em 2001, quando usou versículos para tirar dúvidas em um programa na rádio CBN. Todas as perguntas do livro são reais, enviadas a ele por ouvintes.
De origem judaica, ele sabe que a Bíblia ensina a ter respeito, obediência e tolerância, características importantes para a carreira. Destaca que a principal mensagem bíblica é: “não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você”. “É o que todo subordinado quer do chefe”, ensina.
“Nós não somos contratados para ter sucesso na vida. Fomos contratados porque existe um trabalho a ser feito. Quanto melhor o fizermos, maior a chance de sucesso”, assevera. Com informações Uol
Não se envergonhe de seus sentimentos
Sou motivo de piadas em meu trabalho porque choro com muita facilidade. Quando estou alegre ou triste, meus olhos se umedecem. Quando comecei a trabalhar, até tentei disfarçar as lágrimas, mas já me convenci de que sou assim mesmo. Há algum exemplo de alguém que foi bem-sucedido mesmo sendo altamente emotivo?
“Jesus chorou” – João 11:35
Os maliciosos receberão o que merecem
Trabalho com uma pessoa que, infelizmente, não consegue se relacionar bem com ninguém. Se fosse só isso, ainda seria suportável, mas essa pessoa vive criando caso, fazendo acusações e espalhando boatos maledicentes, tentando jogar uns contra os outros.
“É o criador de casos, que tem a boca corrompida, que tem a malícia nos olhos, que passa uma má impressão até mesmo com seus pés e seus dedos e que semeia a discórdia com o mal que traz em seu coração. As suas calamidades se voltarão contra ele, e ele será irremediavelmente destruído”  – Provérbios 6:12-15
Não precisa ser uma ditadura, mas não é uma democracia
Não gosto dos modos de meu chefe. Ele é muito autoritário e pouco compreensivo, para apontar apenas dois de seus defeitos. Não é uma pena que os chefes possam escolher seus subordinados, mas os subordinados não possam escolher seus chefes?
“Obedeça a seus guias e submeta-se à autoridade deles, pois eles cuidam de você e disso terão que prestar contas. Colabore para que o trabalho deles seja feito com alegria e não com pesar, porque isso não seria proveitoso nem para eles nem para você” – Hebreus 13:17
Não ajude demais quem não merece
Tenho um colega que é teimoso e sempre quer fazer o trabalho do jeito dele. Com frequência, ele comete erros, fica muito irritado, começa a praguejar e aí vem me pedir para ajudá-lo a consertar o estrago. Tenho ajudado com boa vontade, mas parece que, quanto mais ajudo, mais erros ele comete.
“O destemperado precisa pagar o preço. Se você socorrê-lo uma vez, terá que se sujeitar a socorrê-lo sempre” -Provérbios 19:19
Não assuma responsabilidades que são de seu chefe
Eu me incomodo quando vejo colegas tagarelando durante o expediente. Como meu chefe fica trancado na sala dele o tempo todo, talvez não saiba que poderia obter maior produtividade caso se mostrasse mais atento ao que está acontecendo. Fico com vontade de conversar com ele e alertá-lo sobre essa situação.
“Não procure o superior para difamar um subordinado. O acusado se voltará contra você para difamá-lo, e você terminará levando a culpa” – Provérbios 30:10

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O significado espiritual das tatuagens e piercings

Por Claudio Santos

A palavra tatuagem é traduzida do hebraico por “seritá”que significa “manchar”; “marcar” , e consiste em marcar a si mesmo ou a terceiros para se destacar ou se modelar de forma diferente da naturezaOs séculos passaram, a igreja católica do século VIII condenou e até perseguiu os ritos, mas os cultos, costumes e as práticas de “marcar a derme” com manchas de tinta e/ou “mutilar” parte  do corpo para inserir metais (piercing) continua na sociedade moderna. A moda de alteração original do corpo é o que os praticantes chamam de“body modification”.
Muitas celebridades da atualidade, principalmente no mundo dos esportes resolveram pintar a pele e se encher de manchas pelo corpo e metais em argolas ajudam a modificar o visual. . Uma moda que está ressurgindo com muita força na Europa, passando a ganhar força também no Brasil, um dos países do mundo que costuma seguir imediatamente as novidades lá de fora. As duas formas de alteração do corpo natural com introdução de tinturas e metais misturados ao sangue encontrado na derme tem encontrado adeptos até dentro das igrejas evangélicas. Quase todas as pinturas são irreversíveis.
Daí é que surge a questão psicológica da coisa. Quando não se pode mais retirar as modificações inseridas no corpo, então a ideia é acabar ou exagerar naquilo que se começou bem simples ou “sem compromisso”. Metas, records e concorrências no Guiness Book, para “fechar” 100% o corpo natural, por vaidade ou necessidade, hoje, são estabelecidos.
Esta forma de adesão logo pode ser identificada dentro dos campos de futebol, e via de regra, influencia diretamente a vida dos seguidores e torcidas organizadas, jovens em fase de reconhecimento, etc. Coisas do mundo… mas, a pergunta é: do ponto de vista bíblico, devemos seguir o curso deste mundo com tatuagens e piercings também??
Hoje as tatuagens estão em destaque e, agora, a onda tem chegado nas igrejas brasileiras com a versão de “tatto gospel”, influenciando muitos jovens cristãos que, ainda não se deram conta daquilo que está por detrás de tal prática, seja por falta de conhecimento bíblico e histórico, seja por falta de discernimento espiritual ou até mesmo por “rebeldia”.
Este estudo é muito delicado, pois deverá mexer com o brio de muitos amantes da prática do tatto. Porém, não estamos aqui para julgar ninguém que usa tatuagens e piercings, nem àqueles que defendem a mania. Não estamos condenando ninguém ao inferno, nem acusando pecados, pois todos somos pecadores. O objetivo aqui é deixar um legado espiritual deste hábito para que pais, líderes e pastores da igreja cristã da atualidade possam refletir e fortalecer conceitos espirituais a respeito do assunto, visto que ainda parece ser um tabu falar sobre isto na igreja, seja por medo, seja por constrangimento ou pouco conhecimento sobre a introdução do assunto aos jovens e adolescentes cristãos (a igreja do futuro precisa estar preparada para debater biblicamente, e sem medo, com segurança espiritual, assuntos como este).
Antes, de seguirmos, porém, é preciso desmistificarmos o que é julgamento de ensino.  O julgamento condena, mas o ensino é para a edificação do corpo de Cristo!! Quando os pastores exortam a igreja, é para o crescimento e amadurecimento da mesma. Mas, essa é a nossa parte. O ensino, a admoestação e a exortação com justiça… Só filhos obedientes recebem o ensino, refletem na Palavra, se arrependem e mudam de atitude com humildade. Não, não… Não devemos subestimar princípios e mandamentos eternos como Levítico 19, por exemplo, matar, roubar, idolatrar, adulterar, etc (inclusive riscar o corpo com derramamento de sangue). Falo com propriedade, pois sei o que se passa no mundo das trevas, minha avó era praticante das sutilezas da feitiçaria chamada “branca”, um engodo das trevas. Meus olhos e ouvidos são testemunhos de muitos rituais.

O recado sutil do mundo e da Nova Era é que “vcs podem ser livres, pois irão descobrir que são deuses”. Será que isso já não foi dito antes pela língua maliciosa de uma serpente, lá no Éden?? Quais foram os resultados desta mentira para a humanidade? Alguém pode até se levantar e falar da cultura de povos indígenas de países da Ásia, Oceânia, África e Américas do Norte como Maias e Incas. Mas, o intuito neste estudo não discutir a diversidade cultural e, sim raízes espirituais destes usos e costumes com roupagem nova ou não.  Antes, assim como estas tribos primitivas, nós também não conhecíamos o evangelho de João 8:32: “E, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Mas, o povo judeu foi ensinado. E este conhecimento chegou até nós pelos judeus, e um dia chegará também a outros povos.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Idoso analfabeto diz que consegue ler apenas a Bíblia

Você provavelmente já ouviu falar de idosos que nunca foram alfabetizados, mas conseguem ler a Bíblia. Esse é o caso de Wilson Alves Pamplona, um sapateiro que coleciona alguns livros, mas que só consegue ler a Palavra de Deus.
“Leio apenas a Bíblia Sagrada. É um mistério de Deus, que me deu esse dom”, disse ele em entrevista à TV Anhanguera, afiliada da Globo em Tocantins.
“Os livros são palavras. E palavra é vida e a gente cuida com muito zelo e muito cuidado. A atenção é voltada para eles”, completa Pamplona que mesmo sem conseguir ler os outros livros, faz questão de guardá-los com cuidado.
A idosa Creuselina Pereira de Souza também guarda livros como verdadeiros tesouros e tem na Bíblia a fonte de alimento espiritual como uma das poucas coisas que consegue ler. Creuselina frequentou a escola até o 1º ano do ensino fundamental, tempo insuficiente para que ela fosse alfabetizada.
Apesar disso, a idosa entende a importância de cuidar dos livros.
“A gente vê e acha que é muito precioso, guarda, não joga fora e nem rasga para fazer outro papel. Quem tem livro, tem com quem conversar. As pessoas têm que cuidar bem dos livros, abrir com jeitinho, não rasgar as folhas porque todo livro precisa de carinho”.
Sobre a Bíblia, a idosa afirma que quando está lendo a Bíblia ela se sente como se falasse com Deus e quando não são livros evangélicos ela se sente como se conversasse com outra pessoa.
Gospel Prime

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Pecados materiais

Por Rosivaldo Silva Santos
A igreja é o povo de Deus, um corpo, uma família. Então no nosso meio jamais deve haver espirito de superioridade ou inferioridade com relação aos bens que possuímos. Jamais devemos achar que por termos mais recursos do que outras pessoas somos melhores do que elas, nem tampouco devemos pensar que somos inferires pelo fato de termos menos recursos do que alguns outros irmãos a quem Deus tem dado uma maior prosperidade material do que anos. Cada um tem de Deus as suas próprias bênçãos, uns numa proporção maior, outros numa medida menor. Mas o que realmente importa é que nos vejamos como família, onde todos são igualmente importantes e necessários ao Corpo de Cristo que é a sua igreja amada (Colossenses 3.11).
Quando tratamos de pecados materiais, alguns em especial se destacam, são eles: a usura, a avareza e a mesquinhez.
A USURA
Usura é quando fazemos algum empréstimo aos outros e exigimos juros no pagamento deste empréstimo. Por essa razão a Bíblia proíbe terminantemente que os cristãos sejam agiotas . No salmo 15 somos informados de que uma pessoa que empresta seu dinheiro a juros, não está realmente firme aos olhos de Deus. Vejamos alguns textos onde Deus condena a usura:
• Deuteronômio 23.19;
• Ezequiel 18.13;
• Levítico 25.36;
• Levítico 25.37
• Lucas 6.34;
AVAREZA
Avareza é o apego demasiado ao dinheiro. Ter dinheiro é bom e necessário, mas quando nosso dinheiro se torna nosso maior alvo, incorremos no pecado da avareza. Deus abomina lideres e crentes avarentos (Êxodo 18.21). O pecado da avareza é a raiz principal de todos os males que há no mundo (I Timóteo 6.10). Num mundo consumista e avarento, o crente deve ter especial cuidado para que seu coração não se contamine com esse espírito maligno que é Mamom. Deus promete vida longa às pessoas que não se deixam dominar pela avareza (Provérbios 28.16). A avareza é fruto de um coração desgovernado que não deixou Deus entrar (Marcos 7.22). Jesus manda que nos guardemos para não sermos vencidos por esse mal terrível (Lucas 12.15). No meio da igreja de Deus esse pecado deve ser combatido com rigor e intensa determinação (Efésios 5.3). A avareza é o mesmo pecado da idolatria, a diferença é que na idolatria religiosa, o deus das pessoas é uma imagem, um ídolo enquanto na avareza, o deus da pessoa é o seu dinheiro (Colossenses 3.5). Quando vermos a prosperidade do outro, não podemos nos deixar vencer pelo desejo avarento de está no lugar dele, nosso costumes devem ser sem avareza, ou seja, tem pessoas pobres ou não que estão prontas a fazer qualquer coisa por dinheiro, isso é um costume avarento, topar tudo por dinheiro não é uma coisa que Deus aprove (Hebreus 13.5).
MESQUINHEZ
Secure Money
Secure Money
Mesquinhez é aquele sentimento de apego ao dinheiro que leva as pessoas a não quererem dividir com os outros seus bens. Podemos ter muitos bens, ou poucos, mas jamais devemos ter um coração mesquinho, egoísta que nos faça olhar sem misericórdia para o sofrimento alheio. Quem possui bens materiais, deve pedir a Deus um coração generoso para ajudar aos demais, que dele precisam (I Timóteo 6.17-19). Precisamos viver o amor e a glória de Deus não nos deixando ser dominados pela mesquinhez (I João 3.17). Na vida do cristão, a misericórdia e o amor devem reinar de modo constante para que nossa fé seja confirmada como fé que agrada a Deus e não apenas como uma fé nominal sem valor. (Tiago 2.14-18)
Martinho Lutero dizia que a ultima parte de um homem que se converte sempre é a sua carteira. Que nós que servimos ao Senhor possamos ter nosso coração, nossas práticas e nossa carteira convertida e sendo usados para a glória de Deus! Que os pecados materiais não nos dominem nem nos impeçam de avançar como Igreja de Deus na terra!